adeus Portugal?

Desde há séculos que os portugueses se despedem da sua terra, família, amigos, lugares de nascimento e de afecto, para procurar melhores condições de vida, sem realmente saber se irão ou não encontrar condições diferentes das que tinham no seu lugar de afecto, junto da sua família e amigos, onde estava o seu centro de conforto e ligações de segurança...
No entanto e apesar de esta ser a realidade, os portugueses continuam a emigrar e actualmente assiste-se a um verdadeiro êxodo de portugueses para parte incerta. Em plena crise mundial, os portugueses fogem do país e fugir é a expressão correcta para o que se assiste.
Ao mesmo tempo, assistimos diariamente nas nossas televisões e ouvimos na rádio a escândalos financeiros associados a políticos que se serviram da coisa pública em proveito próprio, tornando escandaloso o fosso que separa os ricos dos pobres.
A minha pergunta é, estará o lado dos que se governam disposto a exaurir o país de todos os que se vão, os que partem?
Eu por mim falo, a determinada altura canso-me da minha própria voz e de tanto dar murro em ponta de faca... talvez esteja também na altura de eu própria me despedir de Portugal...
E vocês?
Ficam e lutam ou partem e rezam pelos demais?

15 comentarios:

Teresa Queiroz disse...

também eu já pensei em ir...

e depois quem cá fica ??

pedro oliveira disse...

Sou daqueles que continuo a acreditar que devemos continuar,mas a façar,a contestar,a votar,a protestar e não o contrário, por que isso é o que eles todos querem,ie, que sejamos todos uns cordeirinhos e que os "chatos" se vão embora.EU FICO!

Ferreira-Pinto disse...

Confesso que, por vezes, e não fossem algumas circunstâncias especiais da vida (única e exclusivamente chamadas "filhas", digamos assim e a quem entendo que não seria nem justo, nem correcto exigir que agora iniciassem novo ciclo académico), a vontade era de partir!

E, se assim fosse, não rezaria nem pela Nação, nem pelo País.

Mas, assim sendo, fico. Resignado, mas fico. E se fico, não me calo!

António de Almeida disse...

Por vezes apetece-me partir, outras ficar, mas terá mais a ver comigo do que propriamente com o país, embora Portugal esteja longe de ser um sítio agradável para mais do que umas férias.

indomável disse...

Pelo que leio por aqui, a questão permanece - e depois quem fica? quem fica para contestar, para levantar a lebre, para questionar os poderes instalados, para investigar e estudar bem as alternativas até para votar?
E é isso que me tem feito ficar cá mais tempo, isso e os meus laços de afecto, isso e os meus lugares especiais, porque, António de Almeida, Portugal é um dos lugares mais bonitos que conheço e já conheço alguns. Portugal tem ainda lugares onde vou e me sinto em paz e é um cantinho à beira mar onde se vive bem em comunhão ainda com a natureza. Porém, são estes senhores que deviam zelar pelo bem comum que estão a deixar que a segurança seja posta em causa, que a sobrevivência seja posta em causa, que o bem estar dos cidadãos que os elegem seja posto em causa...
Só por isso coloco a questão de me ir embora, desenraizar dois filhos, afastar-me da minha família, dos meus lugares especiais...
Mas enquanto fico grito! e esperneio e dou murros em pontas de todas as facas que me apresentarem, até que alguém me oiça, ou até que me vá embora!

Ferreira-Pinto disse...

Lamentavelmente o antónio de almeida tem alguma razão no que escreve, assim como a indomável.

É que se é verdade que Portugal tem recantos muito belos, não menos verdade é que quase todos eles ou ficam no cu de Judas ou lhes faltam nas proximidades algumas coisas indispensáveis ... por outro lado, nalguns somos nós quem se encarrega de dar cabo daquilo tudo!

E quando assim é, que se há-de fazer?

Peter disse...

Um dos meus filhos, divorciado e com dois filhos, que tem a sorte de ainda estar empregado, a semana passada falou-me em ir para Moçambique.

Encoragei-o a ir.

Por mim, fujo para o Algarve durante estes dias. O meu partido, tal como o meu País, está entregue a quem não o merece.

Adoa disse...

Eu deixei omeupaís para trás mas ele estará sempre comigo... Acho que conseguimos ser mais portugueses estando longe.

O único problema de estar noutro país é que a crise está por todo o lado e depois temos de nos precaver contra os nazis e outra gente que tal...

Fada do bosque disse...

Infelizmente e apesar de não ter experiência de viver fora do País, penso que a Adoa tem razão...
Por muito que tentemos fugir do inferno para o paraíso, será esfoço em vão, o paraíso não existe e o inferno está sempre, aqui à mão ...
É a condição humana... por muito que queiramos, não há onde nos esconder... Resta então dar murro em ponta de faca.

Gala Dmitrievna disse...

Há 15 dias apresentei a minha candidatura para mudar para o head-office da minha empresa que fica em Zurique. Se for escolhida, vou. Partir nem sempre é uma opção como a minha, pode ser uma inevitabilidade. No fundo é a falta de reconhecimento que me faz querer ir. Não vai ser fácil, mas todo o know-how que adquirirei pode ser util ao meu país mais tarde.
a ver vamos

Ferreira-Pinto disse...

gala vá e sem hesitações!
Seja feliz!
E mostre por lá de que massa somos feitos.

Zé Povinho disse...

Vim de longe para ficar, e a idade já não me convida a partir para outras paragens.
Não sei qual será o futuro deste país, e os sinais fazem antever o pior, mas ainda não desisti de lutar por um Portugal melhor, com menos parasitas.
Abraço do Zé

Bastet Ailuros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bastet Ailuros disse...

Serei das que cá ficam, fazendo o sermão aos peixes, pode ser que algum deles me ouça...
Para mim, a esperança é a última a emigrar...

Fada do bosque disse...

E segundo Nietzsche, a esperança é o pior veneno do Homem, vocês concordam?