Quem manda nas ruas do País?

“O Governo tem de interpretar com rigor o sinal que chega de Setúbal: a violência impune pôs em xeque as forças de segurança pública. Como é isto possível? Os factores são conhecidos: as novas regras penais, que levam à lengalenga de “a polícia detém, o tribunal liberta”; a falta de investimento nas forças de segurança – é necessário mais reconhecimento, melhor retribuição, armas adequadas e apoio do Estado em caso de dúvida sobre a proporcionalidade do uso da força; o lançar milhões, em forma de subsídios, sobre comunidades marginais, sem controlo da sua efectiva integração social; a falta de rigor nas escolas. Tudo isto somado gerou o caldeirão fervente junto ao Sado. É urgente que fique claro quem manda nas ruas do País: a chusma criminógenada da impunidade violenta; ou os instrumentos do Estado de Direito, que os cidadãos pagam, antes de tudo, para segurança e protecção.” (Correio da Manhã, “Nota editorial”, 09/05/09).


Segundo Maria das Dores Meira, Presidente da Câmara de Setúbal: “É um grupo de jovens que se manifesta emocionalmente contra o que aconteceu. A situação não deve ser generalizada ao resto do bairro [da Bela Vista]”. Claro que “a situação não deve ser generalizada ao resto do bairro [da Bela Vista], como “o que aconteceu” foi um grupo de jovens ter-se manifestado “violentamente” (utilizando cocktails molotov) e não “emocionalmente” , contra o facto de um jovem que estava a roubar um Multibanco ter sido abatido acidentalmente pelas Forças da Ordem.
É tempo de nos deixarmos de “paninhos quentes”. Já se esqueceram do maior assalto realizado em Portugal, na A2 contra uma carrinha de transporte de valores da Prosegur, feita muito provavelmente por estrangeiros com treino militar e que deve ter rendido 3 milhões de Euros?

17 comentarios:

ferreira-pinto disse...

Concordo de forma geral com a abordagem e com o editorial. Os brandos costumes lusos não podem continuar, nem a servir de justificação para uma visão relativamente benevolente do enquadramento penal das coisas.

No entanto, e em jeito de pimenta para "refrescar", sempre gostaria de saber o que diriam alguns se o Governo avançasse com medidas draconianas neste domínio?

joshua disse...

Que o Governo avance com medidas draconianas contra si mesmo e, respeito por respeito da Lei, dê o exemplo, abandonando a obstrução de que difusamente vários media e inside voices têm dado conta.

Caríssimo Tarantino, está tudo ligado como a pescadinha de rabo na boca.

ferreira-pinto disse...

A tensão subiu na Bela Vista com o rebentamento de duas bombas artesanais e com a informação de que os gangues querem abater um agente policial e que estará a haver contactos com a Cova da Moura. O alerta está a ser avaliado.

A segurança à volta da Esquadra da Bela Vista, em Setúbal, aumentou ontem de intensidade, na sequência de informações recolhidas pela PSP, segundo as quais gangues não identificados teriam a intenção de abater um agente, soube o JN.

A informação está ainda a ser analisada, mas começaram já a ser tomadas medidas de precaução, tanto mais que as informações davam também conta de que elementos criminosos estariam a armazenar cocktails molotv.

A agitação no bairro surgiu na sequência do funeral de Antonino, na passada quinta-feira à tarde, jovem assaltante abatido numa perseguição da GNR, em Alvor (Portimão), e ontem à tarde a tensão aumentou, depois de vários disparos e rebentamentos de bombas artesanais, vindos das traseira da Esquadra.

A informação relativa à ameaça foi recolhida na sequência dos graves confrontos registados na madrugada de ontem em que dezenas de agentes da PSP tiveram que fazer fogo com "shot gun", com balas de borracha, para abrir caminho aos bombeiros, chamados para extinguir o fogo em duas viaturas e um contentor, nos limites da Bela Vista. Aliás, fontes policiais davam conta de que os incêndios, provocados por gangues, teriam também como intenção atrair os agentes a uma armadilha.

A valorização da informação quanto à ameaça mortal a elementos da PSP não era ainda clara, mas face ao que aconteceu na noite de quinta-feira em que os cocktails molotov foram lançados directamente contra os agentes, o ataque à Esquadra da Belavista, na tarde de sábado, com tiros de caçadeira, e os confrontos na madrugada de ontem, a verdade é que a segurança foi reforçada. Com efeito, ao contrário do que tinha acontecido até ontem, em que a segurança ficava também a cargo das Esquadras de Intervenção Rápida, das Divisões, essa responsabilidade acabou por ser atribuída ao Corpo de Intervenção (CI), uma força de elite da Unidade de Polícia. O próprio CI já ali tinha feito também segurança, mas agora com um reforço do poder de fogo, uma vez que todos os homens passaram a estar equipados com pistolas-metralhadoras.

A recolha de informação pela PSP deu ainda conta de contactos estabelecidos entre gangues da Bela Vista e da Cova da Moura, aparentemente para uma coordenação de acções contra as autoridades, para reduzir o esforço policial na Belavista e criar acções de diversão.

E anteontem à noite, a segurança foi reforçada em torno do comando da Divisão da Amadora e medidas semelhantes foram tomadas nas várias esquadras da Divisão de Setúbal, no receio de que pudesse ocorrer algum ataque.

Também elementos da Esquadra de Investigação Criminal da Divisão da Amadora estiveram, anteontem à noite, na Belavista, aparentemente para darem colaboração aos elementos locais, face aos contactos entre gangues.

A aparente associação parece estar ligada ao passado criminal de Antonino, jovem que chegou a estar ligado ao "Gangue da CREL" ou "Gangue da Caçadeira", tristemente famoso pelo assalto e sequestro da actriz Lídia Franco, nos anos 90. O gangue era composto por jovens da Bela Vista, da Cova da Moura e de Talaíde, em Oeiras, e o facto de Antonino ter então 14 anos salvou-o da cadeia. Mais tarde ficou ligado a crimes violentos, como o ataque a tiro a discoteca na Moita.

Estes factores que estão a ser avaliados pela PSP, face à tensão crescente na zona. A meio da tarde de ontem, elementos do Corpo de Intervenção fizeram buscas nas traseiras da esquadra, progredindo cuidadosamente casa a casa, fortemente armados, após terem sido ouvidos tiros e rebentamentos.
Para se perceber a revolta com o que aconteceu, como diz a aparentemente ingénua presidente de Câmara, note-se o percurso profissional do defunto.
Que conseguiu atravessar um governo de António Guterres, um de Durão Barroso, um de Santana Lopes e quase um de Sócrates.

Interrogo-me sobre o que, afinal, querem estes tipos ... matar um PSP, é o que consta. Para quê? Para mostrarem que mandam?
Para meterem medo?
Razão tinha a senhora Cresson, socialista mas mesmo assim capaz de pegar nalguns lá em França e espetar com eles em África!

Peter disse...

FP

"É urgente que fique claro quem manda nas ruas do País: a chusma criminógenada da impunidade violenta; ou os instrumentos do Estado de Direito, que os cidadãos pagam, antes de tudo, para segurança e protecção."

Por isso, como cidadão, estou-me nas tintas para "o que diriam alguns se o Governo avançasse com medidas draconianas neste domínio"

Eu quero SEGURANÇA, pago para a ter e não a tenho!

ferreira-pinto disse...

Pois, Peter, mas isso és tu!
E eu ... agora basta veres que, por vezes, chama um cidadão qualquer "filho da p ...!" ao Primeiro-Ministro, o que por acaso até é crime e agravado, e se é castigado, aqui d' el rei que vem aí o fascismo.

Peter disse...

joshua

Uma coisa é o fisco ter um poder ilimitado e "muito musculado em face dos direitos do contribuinte, vendo-o apenas como um número" e outra muito diferente é eu estar a meter o carro na garagem, darem-me um tiro e levarem-me o carro.

As "alminhas cândidas" gritam:
-"Onde está a Polícia". Mas, quando esta aparece para os defender, protestam contra a violência utilizada.

Não sou "apóstolo" da violência, quero segurança, foi a falta desta que levou Hitler ao poder. Foi a classe média alemã que aderiu ao "nazismo" e lá o colocou.

Peter disse...

FP

E é sobre este indivíduo que a Presidente da Câmara de Setubal manifesta a sua compreensão pela emoção dos jóvens:

"A aparente associação parece estar ligada ao passado criminal de Antonino, jovem que chegou a estar ligado ao "Gangue da CREL" ou "Gangue da Caçadeira", tristemente famoso pelo assalto e sequestro da actriz Lídia Franco, nos anos 90. O gangue era composto por jovens da Bela Vista, da Cova da Moura e de Talaíde, em Oeiras, e o facto de Antonino ter então 14 anos salvou-o da cadeia. Mais tarde ficou ligado a crimes violentos, como o ataque a tiro à discoteca na Moita."

Estamos bem guiados...

joshua disse...

Peter e Tarantino, pronto, mas quem é que discute a necessidade de extirpar a insegurança e o bedume violento?! Eu não o discuto nem o desculpabilizo, quero ordem e quero paz.

Mas não me esqueço dos pressupostos laxistas do PP e CPP, ajustados para arrastar processos ultragarantisticamente sobretudo para ricos nem me que esqueço de quem legislou o labirinto português, nem me esqueço como se tem empobrecido sistemicamente as polícias.

Quanto à punição por se chamar filho da puta ao PM, nesta altura a polícia teria de irromper pelas casas de meio Portugal, abstendo-se de entrar nas casas dos portuenses e gaienses para quem 'dizer' "filho da puta" é como se sabe, entre amigos, das manifestações mais ternurentas que a camaradagem já produziu.

Hoje, perante a cara de Calimero de Sócrates, lambendo de 'inocência' e 'cordeirismo' lupino a primeira página do JN eu posso ficar preocupado porque é como se estivesse a chamar-nos parolos, burros, estúpidos e filhos da puta a todos nós que o estamos a ver envolvido, caso após caso após caso após caso.

Tarantino e Peter, os cidadãos que vejam injustiça, arbitrariedade e abuso de poder e de gastos supérfluos na cúpula do Estado podem sublevar-se nos seus corações e um dia nas ruas, disse-o porque o sabe o emérito D. Manuel Martins. Nem o digo eu. Aí, já não é um estrito problema de 'segurança', mas um problema de dissolução social, fenómeno para o qual contribuem decisivamente as omissões do poder político e a soberba dos seus apêndices dependentes, os 'financeiros' e um certo empresariado que factura milhões brutos com um quarto do pessoal de que efectivamente necessitaria, coisa que controla graças a pessoal sobrecarregado.

Peter disse...

joshua

Inteiramente de acordo.

Mas já agora fala-me nos autarcas, que preferem as presidências das câmaras ao lugar de deputados.
Mais do que os diversos governos, são eles os responsáveis pela situação de "fio dental" em que andamos.
O 2º autarca mais poupado do País, juntou UM MILHÃO DE EUROS em 35 anos na Câmara.

É "obra"!

Compadre Alentejano disse...

A minha opinião sobre estes bandidos, é igual à do Procurador brasileiro: "Bandido é para morrer e ser enterrado de pé, para ocupar menos espaço..."
No meu tempo de guerra, dizia-se:"Fogo na peça!..."
Compadre Alentejano

joshua disse...

Pois, pois, mas o que acontece na Bela Vista representa fundamentalmente - escreve VPV «um gesto de revolta contra a ausência de futuro e a miséria de uma geração» que ignora o Magalhães, as "novas oportunidades" e o "europeu" Vital. E que não aceita a autoridade de um Estado desprestigiado e moralmente falido. «Se o sistema de representação legal - o Parlamento, o Governo, o Presidente - deixa de facto de representar o povo ou parte dele (e não uso aqui a palavra demagogicamente), o que fica é, como de costume, a acção directa.» Nem é preciso explicador. PdP

Peter disse...

Grande "compadre"! És cá dos meus!
Quanto ao "pãozinho de leite" o melhor é a substituição.

Peter disse...

joshua

Coitado do Antonino que a "trabalhar" desde os 14 anos não soube aproveitar "o Magalhães, as "novas oportunidades" e o "europeu" Vital."

Como não quero mal às pessoas, espero que o VPV não seja a próxima vítima quando no dia seguinte for comprar um comprimido de Aspirina à farmácia para lhe passarem as dores de cabeça.

joshua disse...

Somos todos vítimas de políticas desonestas e negligências grosseiras. Ser assaltados ou não não depende do número de mortes acidentais acometam os perigosos Antoninos de Portugal.

Neste momento, o Poder Político é bem mais perigoso e incomparavelmente mais irresponsável porque afecta milhões com a lógica espectacular sem verdade e sem honestidade de espécie nenhuma.

No passado, sem internet, havia quem compreendesse tudo com a fome negra que passava. Havia em Portugal uma outra têmpera que não pactuava com esta merda quotidiana, falseando tudo e comendo-nos de cebolada como se fôssemos gado fácil.

Bloco Central, Futebol, Bela Vista tudo serve para entreter do que nos destrói e distrair do que nos enfraquece.

Zé Povinho disse...

A violência deve ser reprimida, esta é a palavra correcta que os portugueses usam. Não quer isto dizer que se pretenda um Estado securitário, mas tão só um Estado em que se respeite a Lei, as pessoas e os seus bens.
A violência tardou a chegar a Portugal, e os alertas tinham sido dados, bastava estar-se atento ao que acontecia por outros países europeus.
Ouvi falar em mandar alguns criminosos (é esse o termo para designar quem usa a violência deste modo) para África ou seja lá para onde for. É preciso cuidado nesta análise, porque a maioria destes delinquentes e até criminosos, têm nacionalidade portuguesa, e muito poucos são emigrantes de 1ª geração.
Abraço preocupado do Zé

ferreira-pinto disse...

zé povinho é evidente que a análise, que o não era, antes uma provocação, tem de ser cuidadosa e pouco precipitada.

Mas com os ilegais, acho que não tem de haver contemplações. Expulsão e mais nada.
Com os restantes, não me venham agora falar apenas em exclusão social porquanto muitos viram nestas actividades uma forma de acederem a dinheiro fácil.
Eles se lutassem contra a exclusão social, o que já revelava um ideal, não andariam a queimar carros de pessoas que vivem ali paredes meias e que, nalguns casos, os compram com sacrificio!

Peter disse...

Lá vem o racismo.

Qual racismo? Porquê África? Os africanos, filhos de imigrantes, são tão portugueses como eu.

Com tantos indiciados em liberdade, soltos por excesso de prisão preventiva.
Com as máfias do leste e da Córsega a actuarem.

As leis e os meios para as fazer cumprir é que não se adaptaram à nossa realidade actual.

Inteiramente de acordo com o Ferreira Pinto, quando escreve:

"Mas com os ilegais, acho que não tem de haver contemplações. Expulsão e mais nada.
Com os restantes, não me venham agora falar apenas em exclusão social porquanto muitos viram nestas actividades uma forma de acederem a dinheiro fácil.
Eles se lutassem contra a exclusão social, o que já revelava um ideal, não andariam a queimar carros de pessoas que vivem ali paredes meias e que, nalguns casos, os compram com sacrificio!"