Importa-se de repetir?

Sobre o caso da criança que apareceu às cinco da manhã numa rua de Faro ... com este tipo de declarações, eu começo a achar que não são só os políticos que nos fazem de idiotas...

8 comentarios:

ferreira-pinto disse...

Estas situações são sempre de lamentar e deviam gerar perplexidade.

As declarações da progenitora, no quadro social da mesma e possivelmente no seu quadro mental, se calhar até fazem algum sentido para a própria; pergunto-me é, se o caso tem assim tanto de alarmante, onde andavam as entidades com obrigações legais nesta matéria?

E os zeladores da moral pública sempre tão oportunos a verterem lágrimas de crocodilo no pós-sucedido, mas sempre competentes a desviar o olhar no antes-sucedido?

Nestes casos, outra coisa que sempre me meteu confusão é que as ditas comissões de protecção (?) de menores tinham sempre o caso de debaixo de olho!
Neste caso nem sei se a CPM de Faro já veio a terreiro, mas foi apenas uma nota de rodapé de que me recordei.

indomável disse...

Minha lindinha,

conheço mal o Dr. Villas-Boas, mas conheço-o e conheço a Instituição, por dentro e por fora. Conheço algumas crianças e conheço as funcionários. Conheço o método que se pratica lá e se posso dizer alguma coisa a respeito é que o Dr. Villas-Boas nem é mentiroso nem sequer dado ao dramalhão. Não precisa do mediatismo, tem demasiados amigos ricos e generosos para necessitar de propagandear a "sua" instituição.
Os seus funcionários colocam-lhe inumeros defeitos, como qualquer empregado coloca ao chefe ou patrão, mas se há uma qualidade que lhe votam de olhos fechados é a da defesa das crianças de uma maneira geral e não só as da instituição que preside.

Agora quanto ao assunto em si... Não conheço a criança em questão nem a mãe... mas é óbvio que uma mulher de 22 anos hoje em dia pouco mais é que uma criança. Sem conhecer as suas condições de vida e a sua mentalidade e antecedentes pessoais, diria que a senhora pouco mais tem de idade mental que a filha!

Villas-Boas já tem alertado para o facto de ter de se educar os pais e de que nem toda a gente o deveria ser sem primeiro ter um projecto de vida definido...

Será que não basta já de vermos as crianças a assumir o papel de pais?

indomável disse...

Já agora só mais uma coisinha Carolzinha. O Refúgio é uma instituição muito bem amada aqui na zona do barlavento algarvio. Olhamos para os carros da emergência infantil com carinho e eu sempre que posso apoio, faço doações e aceito de bom grado todos os convites que recebo para me juntar à comunidade do Aboim Ascenção, ao lado de mediáticos que fazem daquela casa uma das suas facetas de visibilidade. Todos já lá foram, mas não sei se todos o fazem mesmo pelas crianças...

Mas agora conto-te uma história que ainda hoje me faz chorar quando me recordo.
Depois de casar e ter vindo viver para aqui, abracei uma amizade com uma prima que era educadora lá. Passei a visitá-la no horário de trabalho, só para confirmar a fama do lugar e fiquei sempre encantada, tanto com o carinho das funcionárias com as crianças como pelo olhar triste e desolado daquelas crianças.
Numa dessas ocasiões, uma menina que não teria mais de cinco anos, com a pele da cor mais bonita que conheço - o castanhinho (como dizem os meus filhos) - foi-me seguindo o caminho todo. Ao encará-la fiz-lhe uma festa e ela abraçou-me com toda a força que tinha, olhou-me com tristeza e perguntou-me: "queres ser a minha mãe?". A minha prima apanhou-a antes que as lágrimas saltassem dos meus olhos e eu fiquei sem conseguir falar durante muito tempo. Depois daquele episódio muitos outros se repetiram e desde então até já os meus filhos me pediram para levar meninos para casa...
Mas posso dizer-te o seguinte, quando os meus filhos nasceram eu chorei, chorei muito, de alegria, de surpresa, de êxtase e recordo-me de olhar para eles, mexer-lhes nas mãos, nos pézinhos com ternura, de lhes monitorar o sono e garantir que estavam só a dormir, de os lavar com carinho e recordo-me de enquanto o fazia o meu pensamento me levar para aquela menina e para todas as outras crianças que àquela mesma hora estariam a ser violentadas, agredidas, abandonadas, mal tratadas e agredidas e chorar, chorar até ao soluço, por não poder fazer nada por elas...

Realmente, não deveria ser pai quem pode, mas quem quer, quem quer muito...

korrosiva disse...

O que mais faz confusão é que já houve quem deixasse 3 crianças sozinhas num quarto de um apartamento de férias e ninguém se borrifou muito com essa parte!


bjs

Carol disse...

Ferreira, tocaste nos pontos-chave e de forma mais do que correcta!

Minha querida Indomável, eu não conheço a instituição, nem o senhor em questão mas, do que tenho visto em reportagens tenho-os em boa conta e parece-me que fazem um excelente trabalho.

Quanto ao resto posso dizer-te que não sou mãe por opção, mas revolta-me imenso que haja quem o seja porque, de facto, nem todas as pessoas deveriam ter essa oportunidade e corta-me o coração ver essas crianças a pagar pela estupidez, negligência ou falta de educação e vocação dessas pessoas.

Compadre Alentejano disse...

O Refúgio Aboim Ascensão é, sem dúvida, o melhor organismo do género que temos em Portugal. E tudo graças a um homem: Dr. Vilas Boas! Sem ele, esta instituição não seria o que hoje é!
A Indomável tem toda a razão.

Blondewithaphd disse...

Come again? O quê?

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Há tempos aconteceu um episódio semelhante para os lados de Queluz. Os pais foram para adiscoteca e deixaram a filha de 5 anos sozinha em casa. Quando chegarm a casa, por volta das 8 da manhã, a filha não estva lá. Estava em casa de uma vizinha que a tinha recolhido em sua casa por volta das 5. A criança tinha acordado e veio para a rua chorar a chamar pelos pais.
Quando os pais foram confrontados com a situação, acusaram a vizinha de querer ficar com a miúda.
Enfim...