Tiros nos pés...

As pessoas são livres de escolher uma religião e professá-la de acordo com os seus ideais, mas há coisas que têm limites e, se calhar, as igrejas católicas estão mais vazias um pouco por todo o mundo por coisas como estas!

14 comentarios:

korrosiva disse...

Sem duvida que explica muita coisa!

Bjs

Fernando Vasconcelos disse...

É verdade Carol que a posição da Igreja Católica sobre o preservativo é disparate pegado. Não sendo um especialista em Teologia diria que se trata do receio de separar o espiritual do material e com isso perder a "autoridade" ... receio que obviamente não partilho até porque esse receio é a contradição absoluta de tudo aquilo em que acredito. E digo isto como católico praticante. Porém não quero também deixar de realçar que por muito infelizes que fossem (e foram com toda a certeza) aquelas afirmações não deixa também de ser verdade que a critica à comunicação social como ela é exercida nos nossos dias é mais do que válida e mereceria um pouco da nossa atenção também em particular na cobertura dada aquelas estúpidas afirmações ...

disse...

É verdade que o preservativo pode ser falível, mas mais falível é a cabeça de D. José Policarpo...

indomável disse...

Minha querida Carol, poetisa de mil palavras da alma...
Peço desculpa por estar contra, mas e apesar de não ser católica, estar neste caso de acordo com D. José Policarpo, assim como estive com o Papa, por muito antipático que o senhor me pareça...
De facto, todos sabemos que o preservativo é falível, quantas histórias já não ouvimos de mulheres que engravidaram depois de terem praticado "o amor" usando o preservativo?
Se a conversa for colocada no contexto em que foi feita, tal como diz D. José, perceber-se-á que o pedido do Papa, tal como do nosso Cardeal patriarca, é o de estudar-se melhores alternativas ao preservativo e de facto, o método mais infalivel é de facto a abstinência, existe alguma dúvida?

Que me digam que isso sim é impraticável, tudo bem até aceito, mas o papa também chamou a atenção para a necessidade de mudança nas mentalidades e isso incluía entre outras coisas, o controlo das violações e abuso de mulheres em África.

Não me parece que este seja um dos motivos por falta de pessoas nas igrejas, parece-me mais que seja o distanciamento das pessoas de tudo o que é espiritual, por falta de tempo, por ausência de vontade, por afastamento de si mesmos...
Mas isso sou só eu!

António de Almeida disse...

O preservativo é mesmo falível, mas afirmar tal coisa é como pretender agora descobrir a pólvora. Apesar de agnóstico, afastei-me da ICAR aí pelos meus 16, 17 anos, D. José Policarpo e D. Januário Ferreira são duas figuras que respeito, não direi que admiro, porque não admiro ninguém, mas são em meu entender as duas cabeças mais evoluidas na hierarquia da ICAR em Portugal. Existirão outros, mas não a tal nível.

lusitano disse...

Caríssima Carol

Julgo que mais uma vez as palavras não são entendidas em tudo aquilo que elas querem dizer.
O problema da SIDA, creio eu, não está no não uso do preservativo, mas sim na promiscuidade das relações sexuais, espalhada pelo mundo.
O que a Igreja Católica quis e quer dizer pela voz dos homens da Igreja, é que o preservativo não é a solução por si só, mas apenas um paliativo e mesmo assim falível.
Com efeito só com a mudança das mentalidades ao nível da sexualidade, (e não estou a advogar a castidade total ou coisa que se pareça com isso), é que a SIDA poderá ser vencida ou pelo menos muito atenuada e já há exemplos disso como vemos por exemplo no Uganda.
Muitas vezes na chamada educação sexual nas escolas ensinam-se os jovens a fazerem sexo, mas não se ensina o tempo, a maturidade, a capacidade de escolha de cada um para usar a sua sexualidade, sem causar danos físicos, mentais e até espirituais pelo “mau uso” do sexo.
Claro que a Igreja fala para os seus membros, mas tem por dever de missão chamar também a atenção à humanidade daquilo que Ela acredita estar certo e ser a vontade de Deus.
A cada um compete aceitar ou não essas chamadas de atenção acolhê-las ou não nas suas vidas.
A Igreja não está também preocupada com o número dos seus membros, a não ser na medida em que acredita que aqueles que vivem em Igreja estão no caminho da salvação prometida por Jesus Cristo.

Abraço amigo

Carol disse...

Pois explica, Korr e eu que o diga que, apesar de nunca ter estado muito próxima da religião, me afasto cada vez mais por disparates como este!

Fernando, totalmente de acordo! Quanto à comunicação social, tem razão quando diz que ela devia rever a sua forma de estar e actuar. De facto, ela perde, cada vez mais, o seu carácter educativo para se perder em guerras de audiências e número de vendas.

Nada nem ninguém é infalível, , mas há coisas que não se dizem desta forma e com tamanha ligeireza!

Minha querida Indomável, não tens que me pedir desculpa por nada. Se estamops aqui é precisamente para esgrimir argumentos e ver as diferentes perspectivas de um assunto, neste caso o papel do preservativo na luta contra o SIDA.

Eu sei que o preservativo, assim como qualquer outro método contraceptivo, é falível mas, num mundo em que a abstinência sexual não é, de todo, uma realidade para a maior parte da população mundial, parece-me um disparate pegado!

Quanto ao apelo de mudança de mentalidades a que o Papa se referiu, não deveria ele, enquanto expoente máximo da Igrja Católica, ser o primeiro a evidenciá-la recuando num aspecto em que é óbvio que a amioria dos católicos não o acompanha, não o compreende?!

Como é que as mentalidades africanas vão mudar se o representante máximo de Deus na Terra lhes diz que é escusado o uso de preservativo?! Não saberá ele os números assustadores que esta doença atinge no continente africano?! Não saberá ele que, por dia, são violadas dezenas, senão centenas, de jovens africanas porque a crendice leva os homens a pensar que uma virgem lhes tirará o mal do corpo?!

E não saberão eles (Papa e D. José) que esta é a melhor forma de quem não pratica a abstinência sexual seproteger de uma doença que não tem cura, que pode matar?!

Para quem é contra o aborto porque este é um atentado contra uma vida humana, que lógica tem dizer que não vale se deve usar o preservativo?!

Isso é algo que não posso compreender.

E, acredita, que muita gente se afastou das igrejas porque não se identifica com a postura adoptada pela Igreja Católica ao longo dos anos. Eu sou uma dessas pessoas e, acredita, que conheço muitas outras.

Carol disse...

Lusitano, eu acredito que a educação sexual deve começar em casa e ninguém deve estar à espera que ela seja feita pelos outros.
No meu tempo, ainda não se falava de sexo abertamente, mas tive a felicidade de ter uma mãe, que apesar de não me explicar tudo, me deu algumas luzes sobre o assunto e sempre me incentivou a querer saber mais, a procurar mais informação, tanto nessa como noutras áreas.
Tive, também, a sorte de ter um irmão mais velho que, se calhar, mesmo sem se aperceber, me deu umas outras dicas e alertou para outras tantas questões.

Mais tarde, tive um ano de Educação Moral, leccionada por um padre que não receou falar de sexo, de drogas, de tudo aquilo que devíamos falar e que é fundamental falar.

Não me precipitei. Não fui daquelas pessoas que teve sede de experimentar o sexo, apesar de ter sido sedenta noutro tipo de experiências (como o álcool ou o tabaco).

Assim, acredito que a Igreja também tem um papel importante na educação sexual, nessa mudança de mentalidades tão necessária nos dias de hoje. E, lamento, que a Igreja tenha perdido, ouy esteja a perder, a capacidade de congregar as pessoas.

pedro oliveira disse...

Ontem qd ouviamos o cardeal, o meu filho de 10 anos, ficou baralhado e perguntou-nos o porquê da opinião do Cardeal sobre os preservativos, lá tentámos explicar, o o qué impossivel explicar, que a Igreja tem alguma dificuldade em se adaptar aos tempos modernos.Pois, são só velhos, deve ser por isso.Deve ser deve.

DANTE disse...

Se calhar já rebentou algum o palhaço...

Beijo :)

Ferreira-Pinto disse...

Penso, com toda a sinceridade, que o mal não se encontra todo nas declarações de D. José Policarpo ou nas de Bento XVI.

Aliás, começo mesmo por assinalar que esperar do Papa outro tipo de postura neste e noutros domínios é quase a mesma coisa que esperar que o nosso Ministro da Economia acerte seja no que for, por exemplo!

A postura da Igreja Católica é aquela, porque aqueles são os seus valores e é por eles que ela se movimenta.
Pedir ou exigir o contrário é o mesmo que pedir ao PCP que declare que a Coreia do Norte é uma ditadura!

Serve isto para dizer que as delcarações correspondem ao pensamento, ao cerne ideológico da Igreja Católica e tal como noutros casos admiramos a coerência de valores e de postura. também aqui devíamos, no mínimo, não nos chocar.

Até porque, sabe-se mas não se diz, a maior parte das pessoas, em matéria de sexualidade, há muito que desligou o "chip" de ligação à Igreja Católica. Comece-se, por exemplo, pelo facto de a Igreja Católica o encarar prioritariamente, para não dizer unicamente, como fonte de perpetuação da espécie e nunca de prazer. Ora, ora e quantos dos que se dizem católicos fazem mesmo assim?

E quantos dos que se dizem católicos praticam o dito "coitus interruptus" como forma de planeamento familiar? E não se dedicam a práticas dignas, aos olhos da Igreja, de Sodoma e Gamorra? E quantos estão angelicalmente ante o altar e aos olhos de Deus a jurarem amor eterno e quase em simultâneo com o pensamento nos prazeres da carne ou até, ó coisa horrenda, num outro ou numa outra?
Aliás, veja-se que são bastos os exemplos dos que se declaram "católicos à sua maneira" que, no fundo, não corresponde a coisa nenhuma pois na minha óptica ou se é ou se não é.

Por outro lado, para quem sempre conseguiu ser um bastião da prudência diplomática e de saber navegar à vista no que concerne ao poder temporal, a Igreja Católica revela-se particularmente imprudente, por vezes, no que toca à sua imagem pública. Ou Seguela ou até um Edson Athaýde far-lhe-iam bem nos tempos que correm.
Aliás, já há quem recomende que o MSN, o Twitter e afins façam parte dos seus instrumentos de trabalho.

Outra coisa que dá cabo disto tudo é a pressão da Comunicação Social e a ausência de bom palco que a maior parte da Igreja tem junto desta.
Alie-se a tudo isto a incrível falta de rigor e de objectividade que hoje em dia se pratica e estamos conversados ...
aliás, basta ver o caricato e lamentável episódio das custas judiciais dos familiares das vítimas da queda da ponte Hintze de Ribeiro; primeiro eram mais de 500.000,00€ só em custas judiciais e agora são só 55.000,00€. É só um zero, mas faz toda a diferença!

Finalmente, a teoria do politicamente correcto é outra das razões para este escarcéu todo. Lamentavelmente, os defensores do politicamente correcto acabam por ser, quase sempre, mais intolerantes do que aqueles a quem acusam de intolerância.
Neste caso, defendem o preservativo como forma de profilaxia contra a SIDA mas não querem admitir que outros possam dizer que a abstinência também não faz mal nenhum e é, de facto, quase que remédio mais santo; digo quase não fosse dar-se o caso de o calor africano apimentar as coisas e a carne ser fraca ...

Notem, por exemplo, que anda por aí agora uma Associação Ateísta Portuguesa que faz exigências mil como se a meia dúzia de gatos pingados que nela militam tivessem procuração de 10.000.000 de portugueses.

Pessoalmente quero lá saber se Nuno Álvares Pereira é Santo ou não, mas a eles faz-lhes uma enorme espécie!

DECLARAÇÂO DE INTERESSES: não sou católico! E até tenho grande alergia a sotainas.

Fernando Vasconcelos disse...

Bom caro Ferreira-Pinto eu sou católico e praticante e concordo com quase tudo o que disse. duas excepções. Quanto ao ser católico implicar forçosamente que se aceite que a Igreja apostólica e romana seja detentora da única interpretação possível da fé é uma teoria que poderia fazer sentido mas uma que não me parece obrigatória. é uma construção de homens e como tal pode estar errada ... deve-se-lhe respeito não obediência cega. Quanto ao politicamente correcto existe por vezes quando se utiliza esta expressão o sentido implícito que isso, ser politicamente correcto, é perdoe-me a expressão, uma treta. Ora precisamente para mim o problema é a falta de correcção politica ...

Ferreira-Pinto disse...

Meu caro fernando vasconcelos eu não diria que a verdade da Igreja é absoluta e única, mas entendo que quem está dentro dela deve aceitar que a interpretação da fé a visão católica resulta da visão da hierarquia.

Sem sectarismo ou obediência cega, claro está mas também sem aquela posição de princípio comum a muitos que se dizem católicos mas apenas nos dias em que lhes convém.

Coisa bem diversa é promoevr o debate e querer que as coisas evoluam no seio da instituição e outra a demissão pura e simples.

Quanto ao politicamente correcto, eu bem gostaria de ver a dita correcção política!

Carol disse...

Ferreira, tu bem sabes que a nossa educação religiosa não foi propriamente a normal, ou antes, a habitual em filhos de casais portugueses, sobretudo com pais da idade dos nossos. Apesar disso, confesso que acredito em Deus mas, por outro lado, tenho muitas dúvidas sobre estes ditames estabelecidos pelos homens.
Eu não acredito num Deus castigador e prepotente, em que todos êm de pensar e agir como ele. Acredito num Deus piedoso, conciliador e misericordioso que nos respeita, mesmo que escolhamos o caminho mais fácil (neste caso, o do prazer carnal) e nos acolhe. Esse Deus, acredito, não quereria que puséssemos a vida de outros em risco. Esse é a ideia que tenho de Deus.
E, independentemente disso, acho que a Igreja se devia adaptar aos tempos modernos. O Papa João Paulo parecia-me mais interessado em seguir esse caminho, sinceramente.

Concordo contigo, no entanto, quando referes que há muita hipocrisia em torno da religião e tens razão nos exemplos que dás. Mas, também aí, os homens que fazem a Igreja Católica erram, porque defendem a ideia da abstinência sexual e do celibato mas, muitas vezes, eles próprios têm várias amantes e filhos ilegítimos.