Isto não devia ser notícia!

Um dia destes dei com a mesma notícia (?!) nos jornais, rádios e televisões de Portugal. A Loja do Cidadão de Faro tinha sido inaugurada e teria sido distribuído um manual com um conjunto de recomendações aos funcionários que aí trabalham. Que tipo de recomendações? Coisas estranhas e complicadas do género «Não mascar pastilha elástica», «Não usar calças de ganga» ou »Não utilizar decotes pronunciados e/ou saias acima do joelho».

Julgava eu que, apesar do direito à individualidade, havia coisas que faziam parte do bom senso mas, afinal, estava errada. O facto de ser necessária a produção de um manual sobre dresscode e saber-estar já o demonstra, mas isso ser notícia de relevo nos diversos órgãos de comunicação social ainda o torna mais evidente.

É que sem comentários!

11 comentarios:

Teresa Queiroz disse...

para quando a polícia de costumes...??? pergunto-me... por este andar deve estar para breve!!!!


vergonha

Ferreira-Pinto disse...

De facto, começa-se a ser preso por ter cão e por o não ter.

Os do reviralho, naturalmente, verão tudo isto como se aí viessem os defensores da Moral Pública; outros que tudo não passa de empolamento para vender minutos de televisão ... outros ainda andam aí a indignar-se, mas se fossem lá atendidos por um funcionário a mascar descaradamente pastilha elástica, logo iam ao blogue escrever que deviam ter sido todos escolhidos na sede da concelhia do PS!

António de Almeida disse...

Quando li a notícia brinquei com a situação, o meu comentário foi, "isto vai penalizar o utente, que fica sem alguma distração durante o tempo de espera". De repente levantou-se um coro de indignações, amplificado pelas declarações de Manuel Alegre, que considerou a medida de cariz fascizante. Pois concordo com a mesma, nem tudo vale para atacar José Sócrates, e julgo que a questão é mesmo essa, isto está a atingir alguma semelhança com a parte final do cavaquismo, a única diferença, e não é pequena, é a falta de oposição organizada. Neste caso em concreto esqueceram-se que muitas actividades são sujeitas a um dresscode, nada impedindo obviamente os funcionários de trocarem de roupa à entrada/saída, permitindo usar na rua o que bem querem e lhes apetece, aí sim, domínio exclusivo da liberdade individual. Enquanto defensor da liberdade, gostaria mais de ter a companhia de Manuel Aegre na luta pela liberdade de colocação do sal no pão à vontade do padeiro, depois cada um compra o que entende, na luta contra a instalação obrigatória de chips nas matrículas, ou contra a inversão do ónus da prova em todas as situações, incluindo o combate à corrupção.

korrosiva disse...

O bom senso não é "coisa" facil de se encontrar, nem na função publica nem fora dela!

Bjs ;)

DANTE disse...

Sem comentários???
Pronto tá bem...não digo nada... ;D

Beijo :)

Zé Povinho disse...

Para quem não dá nenhum subsídio para o vestuário dos funcionários parece-me desajustado tentar impor regras de qualquer espécie, para além do que é a decência e o bom senso, mas talvez seja pedir demais a quem é escolhido por confiança política.
Vem a propósito dizer que também existem normas nas forças militares, mas aí há fardas, e essas correm por conta da entidade contratante.
Abraço do Zé

Compadre Alentejano disse...

Antes do 25 de Abril, algumas funcionárias públicas (professoras primárias, funcionárias dos CTT e do Estado), tinham que ter autorização da tutela para se casar. O noivo tinha que ter bens próprios ou um emprego digno(?)...
É o próximo passo deste (des)governo de sócrates...
Compadre Alentejano

pedro oliveira disse...

Não percebi a polémica, e não sou loiro...
O que ouvi da senhora que "gere" a coisa,uma tal entidade para a mopdernidade da administração pública, foram só sugestões de bgom senso que tinham sido transmitidas numa acção de formação e colocadas em prática.qual é o mal? Paízinho este,arre!

alf disse...

Este é um caso típico de notícias que fazem a delícia do Zé Povinho (não me refiro ao ilustre comentador, mas à caricatura do Bordalo)

o povão ignorante e que nada quer fazer (uma minoria note-se, mas muito barulhenta) passa à vida à procura de pretextos para fazer manguitos, que é a única coisa que sabe fazer. São essas pessoas que o Bordalo caricaturizou - o seu boneco não representa o povo português, representa apenas o pior dele.

Estas notícias são óptimas para o Ze Povinho, um excelento pretexto para mais uns manguitos. As pessoas «normais» interrogam-se: mas qual é a notícia afinal?

Como diz a Carol, a única coisa que poderia ser notícia é o facto de ser preciso escrever estas coisas; a mensagem em si é ofensiva porque pressupõe que as pessoas agiriam de outra maneira se não estivesse escrito para agir assim.

Entretanto, os Zé Povinhos vão fazendo manguitos sem perceberem nada de nada, como é costume.

Joaninha disse...

Eu acho que tens toda a razão...

Mas sabes, quando ouvi a noticia fiquei com uma pequena duvida...Como será que os chefes das ditas funcionárias vão inspecionar a cor da roupa interior das senhoras?

É que imagina, a senhora pode estar com umas calças de fazenda, um camisolinha muito séria de lã, cumpre prefeitamente os requisitos, mas e se a danada por baixo tem um conjuntinho de lingerie preta...Como raio vão eles inspecionar isso, hummm?

hehehe.

É ridiculo que se tenha de fazer um codigo de vestuário, (mas tb não me lembro, das inumeras idas à loja do cidadão de Lisboa de ter visto alguma funcionária em trajes impróprios...embora seja verdade que o bom senso não impera neste nosso portugalzinho) mas mais ridiculo ainda é que isso seja noticia durante dias e dias e dias....É levar a coisa ao extremo.

Beijos

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Eu lembro, Carol, que já várias empresas adoptaram "dress codes" para os seus colaboradores mas, curiosamente, a comunicação social não deu importância ao assunto. E, sinceramente, sou de opinião que quando não há bom senso a vestir, o melhor é mesmo impôr algumas regras a quem trabalha em front desks.