Indignação e faltas dos deputados da AR

Num dos milhentos mails sobre tudo e sobre nada que todo o mundo recebe, e esta Blonde incluída, eis que me chega um sobre o regime de faltas dos deputados da Assembleia da República. Transcrevo a alínea 7 da Resolução da AR nº21/2009 publicada em "Diário da República", 1ª série, nº 60 de 26 de Março de 2009:

"A palavra do Deputado faz fé, não carecendo por isso de comprovativos adicionais. Quando for invocado o motivo de doença, poderá, porém, ser exigido atestado médico caso a situação se prolongue por mais de uma semana".

Eu pergunto: o que é que a minha palavra vale menos do que a de um deputado? O que é que a palavra de qualquer trabalhador vale menos do que a de um deputado? Não se parte da honestidade das pessoas? Ou será que só algumas são honestas "a priori"?

10 comentarios:

Carol disse...

Ó Blondie, é só olhar para eles! A honestidade até ofusca os olhos do povo, por isso é que anda tudo ceguinho!

Fosse este um povo menos tótó e já tinha havido uma revolução à séria! Quais cravos, quais quê!!

PreDatado disse...

Além da contradição. Será que a palavra só faz fé durante 7 dias e que ao oitavo pode ser mentira e ter de provar?

António de Almeida disse...

Trabalhei durante anos numa multincional onde a minha palavra sempre fez fé. Se tivesse de me ausentar um dia ou dois para fazer um exame médico, ir a um funeral, ou algo do género bastava a palavra. Mais do que isso seria conveniente ter justificação. Conocordo com o princípio, talvez o momento não seja o mais oportuno, o problema reside na descredibilização da classe política, que tem várias origens.

alf disse...

O António de Almeida tem razão. Mas, subjacente, está a ideia de que as pessoas «de cima» têm mais direitos do que as de «baixo».

E a verdade é que isso atravessa toda a sociedade. Ao nosso empregador exigimos direitos que não concedemos à empregada doméstica.

Nós, em Portugal, ainda somos muito uma sociedade de classes. Mas só nos queixamos com os privilégios das classes acima da nossa, os nossos são «direitos adquiridos».

Se queremos exigir que os deputados tenham as mesmas obrigações que nós, teremos de começar por exigir que as empregadas domésticas tenham os mesmos direitos que nós...

Ferreira-Pinto disse...

Bom, o princípio defendido pelo antónio de almeida e pelo alf até teria a sua razão de ser, não fosse dar-se o caso de ter sido naquela mesma casa que se aprovaram recentemente alterações legislativas profundas que pretensamente pretendiam modernizar e permitir a modernização do mercado laboral através da aprovação do Código do Trabalho.

Ou também das opções legislativas tomadas em sede do Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas.

É que eu sempre ouvi dizer que o exemplo vem de cima e que um bom chefe, responsável ou for o que for não deve pedir nada ou exigir o que seja a um subordinado que ele próprio não faça ou não saiba fazer!

E é esse o problema aqui.
Acho eu.

Peter disse...

Durante uma semana a palavra do deputado é credível. A partir desse prazo necessita de provar que o é.

indomável disse...

Blonde, acho que o Ferreira-Pinto tocou aqui num ponto fulcral - não se devia pedir a um subordinado aquilo que não se é capaz de fazer, mas depois ficávamos com as empresas - públicas e privadas - vazias ou então sem laboração...

Já o alf e o antónio de Almeida vão apontando aos patos e acertam - é que gostamos muito de ver o mal dos outros, mas já apontar o nosso...

Adoa disse...

Menina...
A tua palavra vale menos por que näo ganhas tanto!

pedro oliveira disse...

É pena é não serem tão unidos por exemplo, para nomearem o provedor de justiça, mas isso é pedir-lhes muito não é?

O Guardião disse...

Honestos são eles todos, pelo menos até ao momento que deixam de o ser, e continuam a querer um tratamento diferenciado dos que dizem representar.
Hoje deixo a música dos Xutos, porque nem escrever me apetece, e está tudo lá, e nos bonecos do costume.
Cumps