A Educação nas jornadas parlamentares do PS

O nosso Primeiríssimo decidiu incluir no discurso de encerramento das jornadas parlamentares do PS uma apologia da Educação obrigatória até ao 12º ano, fazendo, assim, com que o percurso escolar dos alunos portugueses se desenrole em 18 anos.
Até aqui acho muito bem, aplaudo e concordo. Agora o que sinceramente me choca é que no Ano da Graça de 2009, o Primeiro-Ministro de um país desenvolvido ainda tenha de andar com um discurso destes. A Educação obrigatória até ao 12º ano é, quanto a mim, um assunto tratado com a ligeireza com que se trata um expediente qualquer que se queira ver solucionado com brevidade. Acho uma vergonha nacional que neste país a Educação só se processe obrigatoriamente até ao 9º ano. E mais vergonhoso acho o descaramento de fazer deste atraso civilizacional e cultural um assunto público que deveria ser solucionado sem delongas e ostentações pelo Governo.
Tratem lá da legislação e deixem-se de ventilar o atraso, fazendo dele parangona de pré-campanha!

10 comentarios:

pedro oliveira disse...

A cartilha é simples: propaganda.
Fazer? mais logo!

António de Almeida disse...

Discordo. Acho lamentável que se procure obrigar alguém a frequentar a escola contra a sua vontade. Eventualmente aceito alguma obrigatoriedade nos primeiros anos, para evitar a praga do trabalho infantil posso proibir menores de trabalharem, o que é bem diferente, mas quem não quiser frequentar a escola não deverá ser obrigado, embora não possa fazer mais nada, o que provavelmente o levará a escolher a escola, mas detesto a palavra obrigado. Somos pessoas, não escravos, a liberdade é algo muito sério.

Adoa disse...

Também näo concordo com a obrigatoriedade até ao 12 ano. E quem näo gosta ou näo quer simplesmente estudar? É só para dizer que Portugal tem gente muito estudiosa? Muito "educada"?

Se isso acontecer, o ensino em Portugal vai piorar e muito. Näo é obrigando os "meninos" a permanecer nas escolas que isto vai mudar. Pode muito bem piorar... Uns a querer estudar para seguir para a universidade e outros ao lado só a prejudicar?

Ou väo fazer turmas para aqueles que se estaräo a marimbar, para näo prejudicar os mais estudiosos?

Quem näo quer estudar devia ter a possibilidade de trabalhar aos 16 anos.

indomável disse...

Olha lourita,

estou contigo nesta coisa de se estudar até aos 18 anos, de uma forma teórica, mas depois lá vem a reality check só para chatear e baralhar isto tudo...

É que a questão muitas vezes é a seguinte, quando é obrigatório, ninguém quer fazer, quando é proibido toda a gente quer!
Se o governo começasse a propagandear que agora só ia estudar quem quisesse e quem pudesse e logo não faltariam vozes a barafustar que afinal não há igualdade para todos e que só os ricos é que podiam estudar e que o Estado promove a desigualdade social e por aí fora...

Porque não se pode agradar a gregos ea troianos por igual, há que estabelecer o principio da igualdade para minorar os efeitos da desigualdade natural, o que Darwin chamaria de survival of the fittest...

Por isso, não estou em desacordo com a Adoa e o António, que dizem e bem, que não somos escravos e não devemos ser forçados a fazer aquilo que não queremos...
É tão confuso lidar com pessoas, não é?

Ferreira-Pinto disse...

Dizer, pura e simplesmente, que a Educação é obrigatória até ao 12º ano pode parecer uma coisa tonta e até o será se tomada de forma desgarrada como creio que vai ser.

Na minha visão peculiar das coisas, e se a nossa arquitectura educacional estivesse virada para o culto da excelência, havia o sistema de ter respostas e ofertas que pudessem satisfazer o intelectual mais exigente, amigo do saber sebentário, e o intelectual mais preguiçoso mas amigo do saber prático ... e, num caso desses, não lhes faria mal nenhum dizer que tinham de andar na escola até ao 12º ano.
Diria que, até ao 9º ano andariam lá todos obrigados, com tronco comum nas disciplinas e saberes e aí umas opções pelo meio mas que servissem para alguma coisa.

A partir dali, e sempre atendendo ao que o jovem efectivamente soubesse, às suas notas e àquilo que fosse a sua vontade e a sua vocação, uns para um lado, outros para outro e por aí.

E não me digam que não funciona ou que seria elitista pois ou muito me engano ou até há sistemas de ensino que funcionam um pouco nessa base.

E não me digam que se o jovem saísse da escola a saber mexer num quadro eléctrico ou no motor dum carro, como saem os que frequentam uma escola profissional onde minha mulher trabalha e que o Ministério da Educação está a ver se, de forma diligente, consegue asfixiar financeiramente (aliás como a todas as outras escolas profissionais que criou e incentivou), que daí vinha mal ao mundo!

Carol disse...

Totalmente de acordo com a obrigatoriedade do 12º ano! Agora, em que moldes é que o pretendem fazer? Aí reside o busílis da questão.
Eu defendo o que o Ferreira Pinto já aqui explanou. Esperemos que seja esse o caminho a seguir porque, senão, temo o pior.

Adoa disse...

Aqui na Alemanha têmum sistema de ensino que passo a explicar:

quem à partida quer seguir estudos e entrar para a universidade,tem de seguir um tipo de estudos - mais exigentes e completos. Quem näo tiver pretencöes algumas, pode seguir outros estudos, menos exigentes, podendo estudar um ofício. Neste último caso, os alunos que mudarem de ideias e quizerem ir para a universidade, pode estudar mais um ano para eliminar as diferencas de matéria e dificuldade, podendo seguir e fazer estudos universitários. Com 10 anos de ensino, podem seguir ou desistir da escola por que já têm a formacäo necessária para a vida.

Ninguém aqui pode fazer os seus estudos em casa, é obrigatório ir à escola podendo os pais receber a polícia em casa se necessário fôr...

Este tipo de ensino, embora näo me pareca perfeito, tenta distinguir vários tipos de alunos e os seus interesses.

Será o caso do que querem fazer em Portugal? Onde muitos miúdos passam anos e anos escolares sem saberem o mínimo - escrever português correcto!?

Que väo fazer estes miúdos que näo querem estudar e preferem trabalhar?

Ainda num post anterior alguém escreveu que as pessoas sem terem o que comer, vendem qualquer coisa que näo seja prioritário na vida delas - O Magalhäes!...

Que prioridade haverá para estes miúdos que se sentem mal numa escola, sentem que näo estäo lá a fazer nada? (alguns só andam a meter outros nas drogas, a provocar desacatos, a formar gangs...)

O que interessa a um miúdo que näo teve desejo algum aprender a escrever a sua língua materna correctamente, a fazer estudos até ao 12 ano? O que este miúdo quer é ter dinheiro para ir ao cinema com os colegas, ter umas sapatilhas da moda, ir aos copos... - precisa é de dinheiro e näo de estudos - pensa ele/a...

Gostaria que justificassem a estes miúdos todo o propósito disto...

Blondewithaphd disse...

Pois meu people, até entendo que a obrigatoriedade do ensino até aos 18 anos seja entendida sob um prisma de coacção de liberdades individuais, mas a manutenção de um um sistema de ensino só até aos 15 anos, lamento mas é um atavio civilizacional de que nos necessitamos descartar. E também estou ciente de que metade dos alunos nem têm apetência para os estudos e até estão contrariados na escola e perturbam o trabalho de professores e o ambiente de sala de aula, mas esse é um desafio de todos os actores do processo educativo. A escolaridade não tem de ser fácil, aliás, não é fácil e tem, isso sim, de haver coragem pedagógica-legislativa para implementar medidas que acabem de vez com as fantochadas e leviandades que caracterizam o nosso desgraçado sistema de ensino.

O Guardião disse...

Em política o mais importante é o eco que uma notícia possa ter, independentemente de ser a enésima vez que se aborda a questão. Infelizmente a quantidade não é sinónimo de qualidade e nem todos podem ser doutores.
Há muitos anos destruiu-se o ensino técnico e comercial, uma grande asneira que já começa a ser irreparável, e temos agora grande escassez de técnicos habilitados em inúmeras profissões, e as escolas começam agora a querer implementar esse tipo de ensino, mas ainda com pouco sucesso, por razões que são conhecidas.
Cumps

AP disse...

Discordo. Para uma grande parte dos alunos, acabar o 9º ano já é o maior dos calvários, sendo que para o finalizarem, têm alguns de frequentar aqueles cursos manhosos que so servem para despachar diplomas. Pelo currículo normal, já poucos conseguem. Agora, imaginem o pessoal a arrastar-se pelas salas de aulas para finalizar o 12º ano. Não temos ainda estrutura civilizacional e cultural para isso, para não falar dos encargos financeiros que seria para o Estado suportar mais uns tantos milhares de alunos. Para já, é melhor ficarmos por aqui. Claro que para quem não conhece esta realidade, essa ideia de 12º ano para todos parece espectacular e essa gente de venda nos olhos que o demagogo do nosso PM está a tentar comprar. Mas já é ciclico, de X em X tempo lança uma, como o casamento gay, a regionalização, a escola até ao 12º ano. Claro que há sempre uns( ainda bastantes) que são iludidos por estas sacanices!