Da puerilidade de MMSs e MEPs

Eu até acho bem que haja movimentos de cidadãos que se unam em contextos políticos e submetam projectos de benefício social ao escrutínio dos restantes. Acho até que essa é uma solução perfeitamente legítima e legitimada no caso do governo local. E também não tenho nada a obstar à criação de novos partidos. Afinal, todos os denominados grandes partidos nasceram do associativismo ideológico.

Agora, este MMS (Movimento Mérito e Sociedade) e este MEP (Movimento Esperança Portugal) vêm acrescentar exactamente o quê ao já cronicamente trágico quadro político português?
O primeiro quer lutar por uma sociedade meritocrática. Muito bem. Mas primeiro mostrem-me o mérito dos seus candidatos. Ademais, alguém acredita que em Portugal algum dia prevaleça uma meritocracia?
O segundo parece muito interessado em somente discutir assuntos europeus e demite-se, quanto a mim muito bem, de discussões transversais de politiquice interna e legislativa. Porém, não percebi se este partido só existe para as parlamentares europeias, se vem com o sério propósito de ascender a ladeira política, o quê.

Ele já há tanta confusão entre esquerdas e direitas e centros que o não são exactamente e tanto partido que não sei bem se mais dois recém-chegados não contribuem para a dispersão e para a aflição política deste país.
Não sei não.

8 comentarios:

Ferreira-Pinto disse...

No contexto actual, e dentro do arco constitucional a que temos direito, tanto o MMS como o MEP não vêm acrescentar rigorosamente nada porque lhes falta a capacidade de se afirmarem como alternativa dentro do espaço do poder.

Novos partidos?
Nada a opor, embora pense que sem a refundação de PSD e PS seja impossível alterar grande estado de coisas de forma permanente.

António de Almeida disse...

Um deles, não sei bem qual, vinha ocupar o espaço político entre o PS e PSD. O outro também não sei, mas provavelmente dentre de algum tempo, os membros que se destacarem irão engrossar as fileiras de PS e PSD. Um déjà vú.

Joaninha disse...

Pois eu cá acho um piadão o nome MMS..hehehe fora isto estamos de acordo...

beijos

pedro oliveira disse...

Infelizmente para a democracia é como o António Almeida diz.

Peter disse...

Aqui há uns anos, apareceu um partido que conseguiu larga audiência entre os "desperados" (velhos e reformados). O fundador do partido conseguiu o que queria:
um lugar na AR, onde apressadamente sentou o deputadíssimo rabo.
Alcansado o seu objectivo, nunca mais ninguém ouviu falar no partido.

Compadre Alentejano disse...

São partidos de ressabiados, para mais tarde extinguir...Para a História, nada ficará...
Compadre Alentejano

Zé Povinho disse...

Hoje subscrevo na íntegra o post de Ferreira-Pinto, que diz tudo sobre o assunto.
Abraço do Zé

Fernando Vasconcelos disse...

Ora bem. Primeiro uma declaração de interesses: Pertenço ao MMS.
Segundo: Numa democracia não existe o conceito de "partidos a mais" - pelo menos na sua forma de organização actual (poderíamos discutir a necessidade de partidos na existência de uma democracia mas isso é outro assunto).
Terceiro: Pelo que tenho lido neste blog pelo menos uma parte de nós não se identifica com nenhum dos partidos existentes. A democracia tem duas vias para esse problema: cria-se um novo partido, procura-se modificar os existentes. Qual das duas estão a fazer?
Quarto: Quem criou estes partidos optou pela primeira via. Procuram fazer alguma coisa, mudar alguma coisa. Têm uma melhor sugestão?
Quinto: Alguns (não todos) dos comentários (não o post inicial note-se) são simples processos de intenção que valem aquilo que valem (pouco). Em democracia não são aceitáveis e infelizmente é a sua prática corrente que contribui em grande parte para o descrédito (justificado ou não) do sistema (posso explicar isto em maior detalhe mas em resumo se não acreditamos nas boas intenções de quem se propõe fazer alguma coisa a democracia é simplesmente impossível).
Sexto: Por mim posso dizer-vos que não tenciono ocupar nenhum cargo político e que me preocupa muito que o simples exercer de um direito e de um dever democrático levante alguns comentários tão pouco construtivos.
Sétimo: A história é feita de uma sucessão de impossíveis e de quem os ousou sonhar e por eles batalhou. Só o tentar já é por si uma vitória. Neste caso existem vitórias morais. É possível que nos falte capacidade de afirmação o que aliás é uma boa base de reflexão sobre se realmente temos uma democracia ou uma "partidocracia".
Oito: refundar o PSD e o PS também me parecem excelentes ideias. Quem daqui avança para isso?