A Blonde e a Gripe Mexicana

Caríssimos,
A Blonde parte para o centro da tempestade de onde documentará, em especial para o Notas, a evolução da nova pandemia. Se não regressar, está o Quinn incumbido de prosseguir a emissão especial.

Isto tudo para dizer que lá vem mais uma vaga de alarmismo e catastrofismo que, quanto vai de aposta, vai dar em nada! Tudo bem que estamos a meio da propagação irreversível de uma epidemia gripal, mas também lá vem o exagero todo. Nas próximas semanas estarei num périplo que inclui o Reino Unido (Escócia e Inglaterra) e Estados Unidos (Chicago no Illinois), ou seja, já estou a ver as cenas todas nos aeroportos com montes de controlos e, no caso dos EUA, as chatices a dobrar inerentes a um país que se julga sob fogo e em estado de sítio permanente. Graças aos deuses mandei fazer um passaporte novo que o outro está cheio de carimbos de países suspeitos. Lá vou de máscara feita E.T. e munida de paciência em doses industriais. Se, no entretanto, os níveis de alerta subirem e fecharem as fronteiras antes do meu regresso (o que não acontecerá, como é óbvio), aqui estou já ao dispôr para ser correspondente do Notas.

See you soon. Take care!

Margarida Menezes, o meu aplauso!

Ultimamente tenho andado arredado das lides e, consequentemente, escrevo e alvitro de ouvido. Com o inerente risco de falhar, pelo que, sendo esse o caso, apresento desde já penitência.
Fugirei de abordar a magna questão de saber se na forja está ou não um bloco central, coisa que Manuela Ferreira Leite terá deixado como possibilidade em cima da mesa embora depois tenha querido corrigir o tiro. A não ser que me queiram fazer crer que agora o Mário Crespo se vendeu ao … PS!
Já em tempos aqui neste espaço abordei a questão e, recordo-o, na altura houve quem asseverasse que tal hipótese não passava de … tolice! Pois bem, ela aí está em cima da mesa. Ou pelo menos, por baixo da mesa …

Não, a mim o que me interessa é que no Porto, num Congresso qualquer, uma mulher portuguesa, de 26 anos, descrita como bonita, jovem e charmosa (no Norte menos "pipi" dir-se-ia "boa como o milho"), não teve problema algum em assumir que era virgem e que não se importava nada com isso.
Notei que o jornalista teve o cuidado de dizer que a mulher era bonita, jovem e sensual não vá alguma mente mal intencionada pensar que ela sofria de algum problema; também notei que escreveu que causou algum alvoroço a sua declaração

Nuns tempos em que se apregoa que cada um deve fazer o que lhe apetece, causou-me estranheza a necessidade de vincar os predicados da visada assim como o espanto nos outros.
Sinal claro que entre o discurso e a prática ainda há um fosso a transpor?
Ou será que agora a sociedade exige que cada mulher seja uma Messalina, conquanto depois cada um venha acrescentar um prudente "desde que não seja a minha"?
Eu não sei. Fico-me , pois, pelo registo e pelo aplauso à Margarida Menezes, acho que é este o nome, que não conheço de lado nenhum mas a quem admirei a frontalidade e a firmeza.
Se é assim que está bem, deixe-se estar.
Quanto aos outros, lembre-se que os cães ladram e a caravana passa!

Quem somos nós?

Os portugueses, quero eu dizer... quem somos?
Eu sei que este é o meu tema recorrente, mas cada vez esta questão me atormenta mais e mais e mais, como um ciclo que renasce de cada vez que penso que já consegui uma resposta.
Afinal quem é o português?

Pessoa era, no seu futurismo europeísta, um português convicto! Incompreendido na sua época, escreveu em inglês como se de língua materna se tratasse e é também nessa língua que figura em algumas enciclopédias literárias, ao lado de nomes como Byron ou Keats, amado e estimado por estrangeiros que o estudam e escalpelizam a sua obra e erguem as mãos ao céu na incompreensão de quem se questiona como pode um povo inteiro aceitar que um dos seus nomes maiores tenha o seu espólio delapidado...

Somos um povo revivendo um passado longínquo com a saudade tão nossa, tão típica e duvidando tão firmemente que alguma vez venhamos a duplicar esses tempos.
Na verdade, acho que apenas os portugueses na jangada rectangular em que nos vamos equilibrando sobre o oceano, acreditam realmente que não somos tão brilhantes como os nossos antepassados de há 4 séculos.
Por esse mundo fora há portugueses, descendentes de portugueses, familiares de portugueses que conhecem a alma do português e sabem do brilhantismo que nos move a todos, os que estão cá e os que partiram.

Este pensamento recorrente tem-me levado por caminhos tortuosos e por demais espinhosos, como se a cada passo que dou, tropeçasse em pedras, pedregulhos, muros erguidos pelo nosso orgulho mascarado de humildade que mais não é que vergonha de mostrar que se é mais do que se quer parecer, herança deixada por uma cultura católica, apostólica-romana.
Cheguei então a uma conclusão, se quiserem numa versão mais actualizada e informatizada, é a minha conclusão Beta para testar a teoria, depois dos vossos comentários.
Passo então a explicar ...

Em passeio semanal pela minha loja de eleição - a Fnac - deparei-me com um livro de um norte-americano sobre, nem mais nem menos, que a história dos descobrimentos portugueses, com uma crítica do "New York Times" (sim, nem mais) a atestar que se trata de um livro sobre uma cultura fascinante de um povo que mudou a face do mundo!

Hoje, em passeio virtual por entre parangonas de jornais diários, deparei-me ainda com outra pérola, o "The New Yorker" dedicou uma reportagem ao nosso Lobo Antunes e à sua obra, considerando-a "obsessivamente local, preocupada com os males herdados da história portuguesa e as debilidades da sua cultura".
"Ele visa ser uma consciência nacional, lembrando aos seus recentemente europeizados, untuosamente prósperos compatriotas, o legado de culpa do seu vergonhoso passado deixado pela ditadura de António de Oliveira Salazar...".

Eu teria querido dizer ao repórter que Lobo Antunes entende o país dos dias de hoje perfeitamente, sabe bem que a europeização que Pessoa tanto proclamava não era de todo a que vivemos e que os nossos políticos, tão bem caracterizados por ele, tanto insistem em manter.

Então e a conclusão? Perguntar-me-ão, pois então aqui a têm:
Os portugueses são de facto brilhantes, ainda há semanas um estudo qualquer, para saber não sei bem o quê, concluiu que temos uma palavra no nosso vocabulário que muito fazia falta a outros povos, de entre eles o britânico e que é... tcharam... o desenrascanço!
Sim, eu sei, a palavra é feia, está muito depreciada e não é bem vista nem bem quista, mas aparentemente é das melhores coisas que temos e bem podíamos exportá-la para dar uma ajudinha à nossa Economia em tempos de crise.
Eu acredito que somos um povo de pessoas humildes, com uma enorme capacidade de adaptação, sem sonhos de grandeza mas nos tornamos grandes e de bom coração. Aprendemos com facilidade, porque aceitamos que errar é humano e alguns há que não temem dizer que se enganaram. Somos dos povos mais sociáveis e temos a capacidade inata de aprender línguas e dialectos, o que nos torna diplomatas por natureza.
Sim, também temos defeitos, mas serão assim tão mais importantes que as nossas qualidades?

Eu considero que o português só se dá realmente conta do quão brilhante é ou pode ser, quando tem de saltar da jangada e lançar-se ao mar sem cordas nem boias de salvação. Nesse instante não só salvam a sua vida, como se dão conta que podem salvar o resto do pessoal que ficou na jangada, se apenas os fizerem perceber que podem também lançar-se nas aventuras que quiserem... e ser bem sucedidos.

Na iminência de despedir-me do meu irmão querido porque sente as asas cortadas neste rectângulo estreito que é desde sempre o nosso país, confesso que me admiro por também eu não me lançar nessa jornada de abrir as asas e planar acima das cabeças dos que teimam em ficar... só para me dar conta que eu não preciso de saltar para ver do que sou capaz, eu já o sei, mas gostava muito, muito mesmo, de ser capaz de mudar o país do lado de dentro, ou talvez eu também sofra do síndrome que afecta o Lobo Antunes e esteja obcecada pelos males deixados na nossa cultura...
Estarei errada?


É bem, sim senhor!

Na passada quinta-feira, o Conselho de Ministros aprovou uma medida que determina a comparticipação a 100% de todos os medicamentos genéricos para os pensionistas que recebam pensões inferiores ao salário mínimo nacional.


Como é óbvio, houve quem aludisse aos objectivos meramente eleitoralistas que estão por detrás desta medida, dizendo que já devia ter sido tomada e que é, ainda assim, insuficiente.
Sócrates, por seu turno, disse que a medida foi adoptada por «uma razão de justiça».

A mim, sinceramente, é-me indiferente. Acho que a medida se justifica plenamente e só lamento que ela não tenha outro alcance porque, infelizmente, ainda há médicos que não autorizam a sua compra. Esse, sim, é um aspecto que merecia uma atitude diferente dos doentes que, muitas vezes, não «batem o pé», mas também das autoridades deste país.

Sobre a crise mundial...

"Vou fazer um slideshow para você. Está preparado?
É comum, você já viu essas imagens antes. Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África. Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele. Aquelas com moscas nos olhos. (...)"


Os slides sucedem-se.

"Êxodos de populações inteiras. Gente faminta. Gente pobre. Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens. No «Discovery Channel», na «National Geographic», nos concursos de foto. Algumas viraram até objectos de arte, em livros de fotógrafos renomados. São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo. Criam ONGs. Criam entidades. Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.

Ano após ano, discutiu-se o que fazer. Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta. Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce? Extinguir. Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número. Mas digamos que esteja subestimado. Digamos que seja o dobro. Ou o triplo. Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse. Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse. Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia. Bancos e investidores.

Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na media de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar...
Se quiser, repasse, se não, o que importa?
O nosso almoço tá garantido mesmo..."


( Texto atribuído a Mentor Muniz Neto, director de criação e sócio da Bullet, uma das maiores agências de propaganda do Brasil, sobre a crise mundial.)

A entrevista


Desde Segunda feira que me debruço profundamente, (está-se mesmo a ver, não está?), sobre a entrevista que José Sócrates deu à RTP.
Depois da exaustiva reflexão sobre tudo o que o “querido líder” disse, surgiu-me este longuíssimo texto, o qual vos peço que leiam, apelando a toda a vossa paciência e bondade.

1 “Por qué no te callas?” 2
.
Passar com o rato desde o 2 até ao 1.

Apoiar Barroso porque ... sim!

Durão Barroso, quando fugiu, deixando a choldra para o bem bom de Bruxelas distinguiu-se de Guterres apenas pelo facto de que foi para Presidente da Comissão Europeia. Mais nada.
Claro que aqui aos ingénuos e crentes disseram que era para nosso bem, que aquilo ia ser prestigiante, que íamos ficar a ganhar.
Tirando o sonoro fiasco do “porreiro pá” do Tratado de Lisboa, não me lembro, assim de repente, em que mais se distinguiu o homem e em que saímos beneficiados.

E, atento o estado em que me encontro, e pese o facto de pensar que a lista que o PS apresenta a sufrágio ao Parlamento Europeu ser pouco melhor que uma diarreia, subscrevo inteiramente o que diz Vital Moreira a propósito do apoio a Durão.
Isto quem ganha, quem tem mais votos é que tem a força para eleger e mais nada.

Andar agora, como anda Sócrates, a dizer que o PS e o Governo estão com Barroso é estultice.
Eu queria ver se por arte do demo, o PSE, mais a esquerda, tivessem a maioria em Estrasburgo em quem votavam os eleitos do PS.
E o argumento usado de que é português? Tenham paciência e arranjem coisa melhor para argumentar.
Por fim, se Sócrates diz que o PS e o Governo estão com Barroso, está já admitir a derrota do PSE. Eu bem sei que a lista do PS é fraca, mas assim tão pouca fé fica mal!

Da puerilidade de MMSs e MEPs

Eu até acho bem que haja movimentos de cidadãos que se unam em contextos políticos e submetam projectos de benefício social ao escrutínio dos restantes. Acho até que essa é uma solução perfeitamente legítima e legitimada no caso do governo local. E também não tenho nada a obstar à criação de novos partidos. Afinal, todos os denominados grandes partidos nasceram do associativismo ideológico.

Agora, este MMS (Movimento Mérito e Sociedade) e este MEP (Movimento Esperança Portugal) vêm acrescentar exactamente o quê ao já cronicamente trágico quadro político português?
O primeiro quer lutar por uma sociedade meritocrática. Muito bem. Mas primeiro mostrem-me o mérito dos seus candidatos. Ademais, alguém acredita que em Portugal algum dia prevaleça uma meritocracia?
O segundo parece muito interessado em somente discutir assuntos europeus e demite-se, quanto a mim muito bem, de discussões transversais de politiquice interna e legislativa. Porém, não percebi se este partido só existe para as parlamentares europeias, se vem com o sério propósito de ascender a ladeira política, o quê.

Ele já há tanta confusão entre esquerdas e direitas e centros que o não são exactamente e tanto partido que não sei bem se mais dois recém-chegados não contribuem para a dispersão e para a aflição política deste país.
Não sei não.

As coisas são mesmo assim!

Vejam se conseguem associar os nomes que se seguem a algum cargo de relativo destaque no Estado português e que todos eles desempenharam: Coronel Manuel da Costa Braz, Conselheiro José Maria Barbosa Magalhães Godinho, Conselheiro Eudoro Pamplona Corte-Real, Bastonário Ângelo Vidal de Almeida Ribeiro, Bastonário Mário Ferreira Bastos Raposo e Conselheiro José Manuel Meneres Sampaio Pimentel?
Depois de ter descoberto a resposta, faça ainda um outro exercício e descubra quais foram os dois titulares desse cargo que foram impostos pelo PSD?
Já sabe?
Então, agora, e face àquela galeria de notáveis, a que devemos acrescentar o actual titular, será que o nome do Professor Doutor Jorge Miranda ficaria assim tão mal na galeria?

Pergunto ainda outra coisa … quantas vezes ouviram a Oposição, nomeadamente o PSD, socorrer-se de Guilherme d’ Oliveira Martins para zurzir o Governoe recordem-se do que disseram alguns deles quando o agora Presidente do Tribunal de Contas foi nomeado!
Por isso, sendo “as coisas como são” em Portugal (embora não o devessem ser) e tanto PS como PSD façam disto uma quinta, acho muito bem que o PS vá a jogo com o seu candidato.
Ponha o PSD o seu na mesa e logo se verá.
Acabem é com o escarcéu e deixem Nascimento Rodrigues ir embora!

Finalizo dizendo que mesmo que ontem não tivesse feito 45 anos, mesmo assim não tinha visto a entrevista de José Sócrates. Tenho mais que fazer...

Das ideias feitas e preconceitos

Não sei se já vos aconteceu isto ou não, porque ultimamente tenho tido muitas lições de vida e cheguei à conclusão que não podemos concluir nada sobre os outros tendo por base a nossa própria experiência... mas acontece que no mundo em que vivemos e nos dias que correm, é recorrente termos ideias feitas sobre toda a gente e preconceitos que nos envergonhamos de ter mas não deixamos de os ter ainda assim.
Como por exemplo?

Olharmos com desconfiança todo e qualquer cigano que se nos apresente pela frente, porque toda a gente sabe que não passam de uma raça de malfeitores e pedintes, que arranjam confusão por dá cá aquela palha e só mandam os filhos à escola para receber dinheiro para o qual não contribuem! Não será assim?
Ou então, olharmos para os ricos com inveja, porque sabemos com toda a certeza que o seu património deriva todo dos nossos bolsos e foi ganho às nossas custas, sem que para isso eles tivessem tido um minuto de trabalho.
Ou, o nosso preferido, os políticos e a sua corrupção mais que evidente, ao usarem os cargos públicos para que os elegemos por forma a tirarem proveitos próprios.

Ora bem, estas são algumas das ideias feitas que pululam pelo nosso Portugal fora e para lá das fronteiras também, deve dizer-se, preconceitos que vão minando as nossas estruturas sociais e que servem como catalisador, em muitas ocasiões, de manifestações, revoluções e outras situações acabadas em ões...
Mas de quando em vez... de quando em vez levamos bofetadas sem mão... de quando em vez somos acordados para a nossa própria ignorância, olhamos de frente o monstro que nos habita e, se forem como eu, não gostam do que vêm.
Há quem lhe chame consciência, há quem lhe chame crescimento, espiritualidade, humildade, o que quiserem - estará sempre correcto.
O que daí advém é de facto um crescimento interior, um ascender a outro patamar de consciência, um acordar para a nossa espiritualidade latente, o resumir-mo-nos à nossa própria imperfeição, mostrando-nos humildes perante a magnificência da natureza...

Ultimamente tem-me sido recordado de forma algo violenta, que não passo de uma humana, uma humilde humana e, vão desculpar-me a aliteração, esta simples escolha de palavras, com o seu ritmo tão encadeado, pode parecer-vos suave, mas na vida real é algo de muito doloroso, sobretudo quando a determinado momento das nossas vidas nos consideramos tão especiais que nos parece que todos os outros é que são os imperfeitos!
Esta semana só vos peço este exercício - olhem à vossa volta, para os que vos são mais detestáveis, os que vos deixam mais indignados, os que vos fazem revoltar o estomâgo, aqueles por quem nutrem uma aversão fidagal, um odiozinho de estimação... olhem bem para eles, observem os seus movimentos e as suas acções, sem o acto contínuo de julgar cada segundo, sem as ideias feitas e formuladas há muito... olhem e vejam até que ponto eles também são humanos e imperfeitos e verão no espelho o vosso monstro e vos garanto... que não vão gostar!

Mas como em tudo na natureza, é nos momentos em que destruimos as nossas barreiras, em que nos vemos no espelho da realidade, que crescemos, que evoluimos e, observando as nossas insuficiências, as nossas imperfeições, damos conta que até o mais improvável, o mais feio, o mais defeituoso e mal feito pode revelar as mais belas coisas - tal como a flor de lótus que pela sua beleza faz-nos esquecer que nasce do lodo escuro e lamacento.
Para vos dar um excelente exemplo disto mesmo que acabo de dizer, deixo-vos este vídeo. Vejam-no, saboreiem-no bem e sobretudo, ouçam-no de janelas da alma abertas, porque por vezes, a Mãe Natureza tem maneiras de nos mostrar que na imperfeição reside a verdadeira perfeição.
Há ainda outra lição a tirar deste vídeo meus amigos - um sonho só morre quando o deixamos morrer...

Tiros nos pés...

As pessoas são livres de escolher uma religião e professá-la de acordo com os seus ideais, mas há coisas que têm limites e, se calhar, as igrejas católicas estão mais vazias um pouco por todo o mundo por coisas como estas!

Mais umas nomeações!

Imaginem que numa altura em o meu glorioso cai aos pés do Manchester e que aqui o NOTAS caminha para a meta dos 1000 posts e dois anos de vida, nos sai outro galardão na rifa.
Desta vez, foi a menina ADOA que me saiu com a ROXIE CUP.
Não sabem o que é ROXIE? Deixem lá, eu também não … mas deve ser algo bom, acho eu.
Bom, aquilo depois trás três condições e eu duas já cumpri.

A terceira consiste em dizer algo sobre ou indicar gostos:

1 - Música (uma colecção eclética de cd’s a pedir aumento urgente de espaço deve ser garante de se ser melómano) …;
2 - Televisão (em nítida queda bolsista) e Cinema (vou menos do que desejava e seria desejável);
3 - 3 países que sonho conhecer … deixa ver, como o Tibete não é um país, então Austrália, Japão e Indonésia.
4 - 3 cores … preto, roxo, azul …
5 - 3 passatempos … fotografia amadora, bodyboard e… “jibóiar”!

Como castigo, agora vai para Carol; Lusitano; Indomável; Espaço Solto; Peter; Blonde; Joaninha e mais nenhum!

O Pântano

Tudo começou com uma pequena poça de água.
Tanto as autoridades como o povo, quando passavam por aquela poça de água, consideravam que era melhor acabar com ela, porque não estava ali bem, a água podia estagnar e aquilo era mau para todos.
A verdade, porém, é que todos passavam, todos criticavam, mas ninguém fazia nada.
A água que estava na poça ia ficando cada vez mais estagnada, mais podre e, curiosamente, à sua volta começavam a aparecer outras poças de água numa profusão tal que já não se conseguia saber qual tinha sido a poça original.
Levantavam-se algumas vozes que diziam ser imperativo secar aquelas poças, porque senão, era grande o risco de um dia ser impossível controlar aquelas águas.
Mas a verdade é que se alguns não ligavam nenhuma ao assunto, atarefados que andavam nas suas vidas, outros achavam que era um exagero as vozes que criticavam a existência daquelas poças de água, e até havia alguns que diziam algo de extraordinário, ou seja, que não havia poças nenhumas, (embora elas estivessem bem à vista), e que apesar de tudo, se existiam, a água não estava estagnada e era uma boa água.
Perante a indiferença geral, as poças iam aumentando e logicamente foram-se juntando umas às outras, de tal modo que, em pouco tempo, já não se podia dizer que haviam ali algumas poças de água, mas sim verdadeiramente, um pântano em formação.
Perante esta alteração do meio ambiente, também a fauna daquela região se foi alterando, e onde dantes existiam animais nobres, aves de porte digno, seres de toda a espécie, começava a notar-se a predominância de animais rastejantes, o tipo de animais que vive na escuridão, que ataca pela calada, que se alimentam de carne putrefacta.
Mas ninguém continuava verdadeiramente preocupado ou interessado em resolver o problema.
Mesmo as associações ecologistas que costumavam gerir a disciplina e aplicar os correctivos ao meio ambiente, arranjavam desculpas para não interferirem, para não lançarem medidas de correcção, para não cortarem de vez o mal pela raiz e algumas até parecia que retiravam benefícios da situação.
Dizia-se até, que essas associações sofriam pressões para nada fazerem e deixarem tudo na mesma.
Alguns colocavam uns tímidos sacos de areia nos limites já muito indefinidos do pântano, numa tentativa de o conter, mas a verdade é que o pântano avançava todos os dias mais um pouco e ia tomando conta de tudo.
Mesmo aqueles que ainda caminhavam de pé, começavam a pensar seriamente se não seria melhor começarem também a rastejar, pois tudo indicava que quem estava a viver melhor eram aqueles seres do pântano, que aliás, tudo assim o indicava, estavam a ganhar aquela batalha.
Todo aquele território à “beira-mar plantado”, parecia agora já não ter forças para reagir contra aquela situação, e os vizinhos assistiam preocupados à degradação acelerada dos solos aráveis, das terras boas, das águas puras.
Preocupados com a vizinhança, lançaram alguns avisos, mas os habitantes do território, (cada vez mais rastejantes), fizeram “orelhas moucas”, e sem outra possibilidade de agir, os vizinhos começaram a construir muralhas à volta do território para se defenderem do avanço daquele pântano.
Quando as autoridades do território começaram a pedir ajuda aos vizinhos, estes negaram-na, pois já tinham repetidamente avisado que não poderiam continuar a ajudar, sabendo que toda e qualquer ajuda em vez de combater o pântano, apenas o ia ajudar a crescer cada vez mais.
Dentro do território, as autoridades, fossem elas quais fossem, continuavam a clamar que tudo estava bem, e que todas as coisas que se diziam e escreviam eram campanhas contra o território, eram invejas daqueles que não conseguiam viver a rastejar.
Já havia aliás, uma frase que ia tomando conta da sociedade, e fazia lembrar um livro em tempos muito lido, cujo título era: “Animal Farm”.
A frase era a seguinte:
“Viver de pé é bom
Mas rastejar, é melhor!”
Volta e meia ouviam-se umas vozes a alertar a sociedade, a gritar mesmo aos ouvidos das pessoas, dizendo que era preciso mudar, porque senão iriam todos morrer envenenados nos vapores do pântano.
Mas o povo, inebriado com esses mesmos vapores, que entonteciam como uma droga, nada fazia e deixava tudo na mesma, embalado nos discursos daqueles que tomavam conta do pântano e dele viviam.

A verdade é que esta história nunca mais tinha fim, pois à medida que era escrita, o pântano continua a aumentar e todos continuavam à espera que alguém viesse fazer o trabalho que afinal competia a todos, e que era, expulsar todos os animais rastejantes, (que já estavam em todos os cantos e autoridades do pântano), abrir as comportas dos diques e deixar que a água limpa, a água pura, tudo lavasse, e expulsando a água estagnada, para que a vida voltasse a viver-se de pé e o ar se tornasse novamente respirável.
Confirmava-se que dentro de uns tempos haveria uma nova batalha, que se fazia com uns papéis onde se colocavam umas cruzes, mas já ninguém parecia acreditar que essa batalha resolvesse alguma coisa, pois daqueles que nela estavam empenhados, nenhum parecia já andar de pé, mas sim todos a rastejar.
Parecia haver uma solução, que seria todos aqueles que não quisessem rastejar, e que segundo parecia seriam a maioria, juntarem-se e não entrarem na guerra, deixando os governantes do pântano sem qualquer credibilidade, embora fosse uma solução perigosa.
Assim, todos aqueles que não quisessem rastejar, unir-se-iam e diriam àqueles que estavam empenhados nessa guerra, que nenhum deles servia, porque já nenhum sabia andar de pé, e que portanto teriam de dar lugar a outros novos que quisessem andar de pé e limpar com todo o povo, o pântano, antes que todos, mas mesmo todos, perecessem definitivamente no território que já era só, realmente, um verdadeiro pântano.
Como acabará esta história?

Acaba o sigilo bancário, mas não o apetite fiscal!

Este mês muitos cidadãos receberam em casa a notificação das Finanças para procederem ao pagamento do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis). Ora, se existe prova de que os partidos e os seus representantes mentem descaradamente e flutuam nas suas posições conforme são Poder ou Oposição, o IMI é uma delas.
O Código do IMI foi publicado em 12 de Novembro levando a designação de Decreto-Lei n.º 287/2003; nesta altura, vejam os senhores quem estava no Governo, se faz favor. E vejam o que alguns membros desse partido dizem agora que estão na Oposição.
Paralelamente, quem outrora estava na Oposição apanhou-se no Governo e vai de continuar a assaltar os contribuintes com base nesse mesmo diploma e as suas formas de tributação.
Quanto ás autarquias (e vejam, por favor, que o imposto é municipal) é-lhes permitido fixar o valor do tributo. Conheço muitas cujo critério é … para cima!

Por falar nisso, preparem-se que é bem capaz de vir aí mais uma taxa na factura da água e do saneamento. Para quem já paga isso, mais recolha de lixo e essa monstruosidade chamada disponibilidade de água e saneamento, pode bem ser que surja agora outra taxa.
O Governo já está a cobrar a mesma às câmaras. Por seu turno, a ANMP lava as mãos, quando noutras ocasiões faz um escarcéu desgraçado, e aconselha as autarquias a fazerem a que quiserem, embora recomende a via judicial.
Contudo, e esta a verdade, independentemente de o governo nacional ou local ser do partido A, B ou C, mantém-se sempre o apetite fiscal!
Entretanto, ontem o governo aprovou o fim do sigilo bancário em casos de enriquecimento patrimonial injustificado. Vamos ver no que dá!

Indignação e faltas dos deputados da AR

Num dos milhentos mails sobre tudo e sobre nada que todo o mundo recebe, e esta Blonde incluída, eis que me chega um sobre o regime de faltas dos deputados da Assembleia da República. Transcrevo a alínea 7 da Resolução da AR nº21/2009 publicada em "Diário da República", 1ª série, nº 60 de 26 de Março de 2009:

"A palavra do Deputado faz fé, não carecendo por isso de comprovativos adicionais. Quando for invocado o motivo de doença, poderá, porém, ser exigido atestado médico caso a situação se prolongue por mais de uma semana".

Eu pergunto: o que é que a minha palavra vale menos do que a de um deputado? O que é que a palavra de qualquer trabalhador vale menos do que a de um deputado? Não se parte da honestidade das pessoas? Ou será que só algumas são honestas "a priori"?

O outro leva 1800€ e eu um ... prémio!

Estava eu ainda siderado a recuperar do choque, quando tropeço numa distinção. Aliás, numa tripla distinção. E que me deixou um pouco mais animado. Mas, e em primeiro, vamos ao choque e só depois à distinção.
O choque resultou de ontem ter ficado a saber que, assim por alto, os cavalheiros que se sentam na enorme mesa do Conselho de Administração da GALP ganham, e insisto que é assim por alto, qualquer coisa como 1.800,00€ .. por dia!
Até suei …já que preciso quase de mês e meio de trabalho para receber aquilo, e ainda tenho de aturar chefes e, aqui e ali, cidadãos que acham que tudo lhes é permitido. Tanto que ainda há dias abri delicadamente a porta a um e lhe disse “ponha-se já no c…!”.
Safei-me à justa porque já ante o chefe o tipo admitiu que tinha insinuado que eu também era como não sei quem a quem alegadamente tinha …

A distinção foi o AP quem ma deu ... sou jovem, tenho a mania que penso e recebi um prémio a repartir pela restante malta aqui do tasco.
Obrigado e, na parte que me toca, a mesma vai para:
colectivo do 2711; pedro oliveira; compadre alentejano; adoa; antónio almeida; daniela major; carlos barbosa oliveira; peter; bastet e também para o resto do pessoal que aqui labuta comigo!

Indignada... por tudo e por nada

Ora cá estou eu mais uma vez, nova terça-feira, nova semana em que tenho de vos trazer um pouco mais do que os meus dois neurónios solitários são capazes, no seu melhor...
... mas a questão é que estes dois neurónios estão no limite da dignidade e da capacidade!

A indignação tem um limite ténue, quando penso que estou esgotada da dose diária de indignação, lá vem ela mais uma vez para me atormentar e com agressividade redobrada.
A chuva, meus amigos, tem o condão de me deixar indignada, sobretudo quando vem numa altura em que o meu corpo e o meu cérebro cansado de tanta indignação já aspiram por tempos mais solarengos e primaveris.

A minha indignação reporta-se agora ao facto de ter passado um fim de semana inteiro a desarrumar o roupeiro, a esventrá-lo de todas as suas roupas quentes e invernis, para o rechear novamente com roupas mais frescas, primaveris.

Porquê, perguntais-me vós, porque é que eu faria algo do género quando todos sabemos que "Abril águas mil" e já todos os boletins meteorológicos tinham avisado que dias cinzentos estariam para vir.
É que, respondo eu, na semana passada resolvi aproveitar as férias escolares dos miudos e levá-los a dar um passeio pela costa algarvia mais perto de casa, o que é sempre algo muito bem vindo nesta época do ano, porque a praia está sempre vazia de banhistas e o tempo já está agradável o suficiente para se molhar os pézinhos na água do mar...
Acontece, meus amigos, que chegados ao local, apesar do fresco do ar, apesar do vento incomodativo, apesar do gelo da água... a praia estava coberta de banhistas em pleno acto, o que equivale a dizer que estavam no banho propriamente dito!
Não quisemos acreditar, eu e o rebentos, aventamos até a hipótese de estarmos enganados, redondamente enganados e connosco o resto do país. Só podiamos estar em pleno início de Verão, com o país escoado para as praias algarvias e nem um único espaço vazio entre toalhas...

Lá fomos nós, seres estranhos vestidos com calças e camisolas, a saltitar entre corpos despidos e toalhas vazias cujos donos se espojavam sem pudor e sem frio nas águas geladas do Atlântico, indignado ele também, por o enfrentarem tão fora de estação...

Foi então que decidi fazer a mudança da roupa do armário, o Verão tinha chegado e eu não queria ser diferente do resto do país!

Hoje acordei e o que vejo eu à porta de casa, em pleno Algarve de Verão chegado antes do tempo?
CHUVA!

E ainda me perguntam porque estou eu indignada?

Ah! Se calhar pensavam que era por em plena crise se tirarem mini férias?
Ou se calhar por se descobrirem trafulhices sem fim por parte dos nossos tão estimados políticos?
Ou talvez por haver ainda uma grande parte da nossa população aventar a possibilidade de dar o voto ao PS nas eleições que se aproximam, não?

Isto não devia ser notícia!

Um dia destes dei com a mesma notícia (?!) nos jornais, rádios e televisões de Portugal. A Loja do Cidadão de Faro tinha sido inaugurada e teria sido distribuído um manual com um conjunto de recomendações aos funcionários que aí trabalham. Que tipo de recomendações? Coisas estranhas e complicadas do género «Não mascar pastilha elástica», «Não usar calças de ganga» ou »Não utilizar decotes pronunciados e/ou saias acima do joelho».

Julgava eu que, apesar do direito à individualidade, havia coisas que faziam parte do bom senso mas, afinal, estava errada. O facto de ser necessária a produção de um manual sobre dresscode e saber-estar já o demonstra, mas isso ser notícia de relevo nos diversos órgãos de comunicação social ainda o torna mais evidente.

É que sem comentários!

Vamos esquecer por um momento ...

Hoje podia aqui escrever sobre a cimeira do G20 e de como não passou dum logro, a inutilidade dos comícios de Obama, especialmente o de Praga, a perigosa diluição da autoridade em áreas do Paquistão, as brincadeiras potencialmente letais do regime norte-coreano, ou sobre a crescente necessidade que quase todos os países que se dizem ou julgam grandes sentem de marcar presença no mercado dos canais informativos em inglês, sendo o mais recente exemplo o "Russia Today" (tem coisas interessantes, pelo que recomendo), sobre as listas do PS e do PP ao Parlamento Europeu, ou se estando falidos como continuamos a ter dinheiro para esgotar destinos de férias e por aí fora ...

Mas, estamos na Páscoa, e por isso regresso à leitura do excelente "O Porto e as Invasões Francesas" e vou tornar a ouvir o "FlamencoJazz" (edição da Karonte, apoio da FNAC Espanha, e que se compra por menos de 6€), não sem antes desejar a todos os que nos acompanham que tenham uma Santa Páscoa.

Os votos Pascais



E como amanhã já é Sexta-feira Santa, gostava de desejar a todos quantos nos visitam, com o seu tempo, os seus comentários, os seus anonimatos ou a sua visibilidade pública, uma excelente quadra pascal. A extensão dos votos a quem também por aqui me acompanha e que tanto aprecio e estimo.

Páscoa Feliz!

A guerra dos medicamentos!

Antes que alguma ave sinistra se lembre de vir dizer que os trabalhadores por conta de outrem também têm de reduzir aí em metade as suas férias, encontro-me no gozo de uns dias de descanso.
Mesmo por casa, nestes períodos normalmente desligo das coisas que por aí se passam e sei pouca coisa.
Mas sempre sei que vai por aí grossa guerra entre o Ministério da Saúde e as farmácias porque estas andam a trocar medicamentos de marca por genéricos.
Neste caso, não entendo algumas coisas…
Desde logo, qual o verdadeiro motivo que leva a que os farmacêuticos andem agora tão preocupados com as economias dos seus utentes e do País e insistam nos genéricos?
Se a poupança é da ordem do que para aí se apregoa, porque é que o Ministério tomou posição tão radical?
Qual o interesse dos médicos, sabendo-se que um genérico é, grosso modo, um medicamento de linha branca cujos princípios activos e profiláticos se assemelham, em prescreverem de marca?
Se eu fosse má-língua diria que uns é porque parece que uma associação do sector se lançou no ramo dos genéricos, outros porque é preciso quem pague viagens ao estrangeiro (para ir a congressos, claro está) e o Ministério porque … enfim!
Mas como não sou má-língua, admito que estejam mesmo todos a pensar em nós!

A terra mexeu-se...

Assim foi em Itália. Um sismo de magnitude 6.3 na escala de Richter, que provocou uma autêntica tragédia na zona de L'Aquila, o que traduzido significa a águia, nome que se quiséssemos daria pano para imensas conversas, mas não é por aí que quero levar-vos hoje...
Centenas de edíficios preservados desde a Idade Média, ficaram totalmente destruidos, sem ser preciso o nosso antigo IPPAR ter alguma coisa a ver com o assunto.
Não fosse pelo óbvio mau gosto, diria que aquele foi apenas uma réplica do sismo que se vive em Portugal de há uns tempos para cá, entre Freeports e casos de políticos que são acusados de crimes e depois os crimes prescrevem, casos de pressões que afinal não o eram e depois se calhar até eram...
Enfim, a Cosa Nostra à portuguesa é sempre mais humilde, mas não deixa de ser um autêntico atentado à nossa natureza...

Sugestão...

Pois é, depois de ver ISTO pensei que podíamos repetir a experiência, mas com umas ligeiras alterações.
Que tal mudarmos o local para a Assembleia da República?
A convocatória seria feita por SMS, para ver se apanhávamos os deputados de surpresa.
Ah, e já agora, subvertíamos as regras: atacava-se apenas quem não estivesse armado!
Quem é que alinha?

E porque não em Portugal?


Lições de democracia...

Desde que me lembro que nunca vi a actuação de um Primeiro-Ministro e do seu Governo ser tão criticada e acusada de falta de diálogo, pressão e prepotência. Sócrates é acusado por todos, desde os partidos da oposição aos seus próprios pares.
No entanto, curiosamente, vejo membros de outros partidos a praticarem acções dignas de uma qualquer ditadura. Deixo-vos aqui um exemplo daquilo que muitos criticam mas que, depois, colocam em prática dentro de portas, aquando do exercício das suas funções.

O sucedido teve lugar numa localidade do distrito de Aveiro. Os protagonistas são o presidente da Câmara da mesma e o presidente de uma associação cultural local.
Durante uma reunião entre as duas entidades, o presidente da associação demonstrou o seu desagrado pelas opções camarárias respeitantes ao desenvolvimento da acção cultural no concelho.
O presidente da Câmara defendeu as tomadas de posição da autarquia e referiu que ali, quem mandava era ele e que, portanto, não tinha que se justificar pelas mesmas.
O contestatário calou-se mas, à saída do gabinete, relembrou que a autarquia era do povo e não do presidente da Câmara pelo que este, em última análise, teria sempre que se justificar perante os eleitores. Três dias depois recebeu, na sede da associação que preside, uma carta.
O remetente?
A autarquia.
O que dizia a mesma?
Simplesmente isto: resigne à sua função de presidente da associação ou, caso contrário, esta perderá todos os apoios financeiros e estruturais que tem recebido da Câmara Municipal...

E esta história, garanto-vos eu, é a mais pura das verdades pois, por portas travessas, tive acesso à dita missiva. Bonito, não é?

A Segurança Social, a Manuela e o Zé!

Afinal, o PSD quer privatizar a Segurança Social ou não?
E é assim toda ou só um bocado?
Ouvindo-se José Sócrates, que não sabemos se falou na qualidade de secretário-geral do PS ou enquanto Primeiro-Ministro, ficamos a saber que o PSD quer privatizar a Segurança Social por inteiro.

Ouvindo-se Manuela Ferreira Leite, que sabemos que falou na qualidade de líder do PSD, ficamos a saber que é mentira o que José Sócrates diz que o principal partido da Oposição defende.
A candidata a Primeira-Ministra garante até que nunca, friso bem o tal nunca, o PSD defendeu qualquer coisa do género e que começa a ser recorrente José Sócrates ser mentiroso.

Ouvindo Hugo Velosa, que é um senhor que é deputado do PSD, que falava ontem não sei onde, fiquei com a ideia que afinal o PSD não sabe bem o que defende pois o deputado ficou-se nas meias tintas e não fechou totalmente a privatização ainda que parcial da Segurança Social.
E recordando o que ontem era verdade, e hoje parece ser mentira, o PSD aí há uns três anos atrás defendia o que Manuela Ferreira Leite garante que nunca defendeu.
Confusos?Também eu.

A Educação nas jornadas parlamentares do PS

O nosso Primeiríssimo decidiu incluir no discurso de encerramento das jornadas parlamentares do PS uma apologia da Educação obrigatória até ao 12º ano, fazendo, assim, com que o percurso escolar dos alunos portugueses se desenrole em 18 anos.
Até aqui acho muito bem, aplaudo e concordo. Agora o que sinceramente me choca é que no Ano da Graça de 2009, o Primeiro-Ministro de um país desenvolvido ainda tenha de andar com um discurso destes. A Educação obrigatória até ao 12º ano é, quanto a mim, um assunto tratado com a ligeireza com que se trata um expediente qualquer que se queira ver solucionado com brevidade. Acho uma vergonha nacional que neste país a Educação só se processe obrigatoriamente até ao 9º ano. E mais vergonhoso acho o descaramento de fazer deste atraso civilizacional e cultural um assunto público que deveria ser solucionado sem delongas e ostentações pelo Governo.
Tratem lá da legislação e deixem-se de ventilar o atraso, fazendo dele parangona de pré-campanha!

Aqui o Vitorino é que a leva!

Anteontem, enquanto suava as estopinhas para atingir a meta dos dez quilómetros a que me havia proposto, num dos televisores que o ginásio por lá tem assomava António Vitorino. O Tónio, em tempos uma promessa do PS, é daqueles que sempre se eclipsam quando toca a chegar-se à frente embora sejam sempre uma eminência parda. Muita coisa da governação e das escolhas que se fizeram passau pelo fino crivo do cavalheiro, mas como está nos bastidores ninguém fala do menino ladino.
Digamos que engrossa a coluna dos que adoram dar um palpite na governação, um parecer ali, sorrir acolá, uma perninha ali e dinheiro quanto baste na carteira.
É dos tipos que, fosse ele candidato ao que fosse e o meu voto tinha-o no …!

Bom, mas conforme vos dizia, quando aquela carequinha me apareceu no ecrã soçobrava eu ali pelo quinquagésimo minuto, temendo já pela laboriosa empresa a que me entregara.
Mas, e num repente, recordei que lera não sei onde que o cavalheiro, por cada Assembleia-Geral da GALP, a que preside, se afiambra com 50.000€!
Deu-me cá umas ganas que os restantes trinta minutos os fiz em menos dum fósforo … não ouvia o tipo, mas olhava para ele e, embora saiba bem que os tempos são de quaresma, não conseguia afastar do pensamento um nome muito feio ... e cada vez que ele me martelava nas entranhas, era mais um minuto ganho!