Umas coisinhas que não percebo

Primeira: Como é que o sistema educacional chegou ao ponto de haver alunos de 5º ano e 13 verdes (ou nem tanto) anos agredirem um professor e levarem como castigo dez dias de suspensão?

Segunda: Com que legitimidade, sem ser a sensacionalista, se agitam partidos e media porque numa escola qualquer os alunos de etnia cigana têm aulas separados dos demais alunos? Ainda entendo as acusações de discriminação e quando ouvi a notícia no calor do primeiro impacto foi isso mesmo que percebi. Agora, ouvindo melhor, se os responsáveis ciganos foram os próprios a querer aquela opção, o que é que o resto da sociedade tem de opinar?

Terceira: Como é que num país em que 3% da população vive em situação de privação se pode achar que essa é uma percentagem ínfima e marginal? E já agora, o que é que se faz com 92 Euros mensais de rendimento mínimo de inserção social? Uma pessoa insere-se onde com esse rendimento? Como esse capital não chega para nada, não se estará a subsidiar a pobreza crónica?

Quarta: Como é que se explica que neste país as forças de segurança privada existam em maior número do que as forças de segurança pública? Estarei enganada ou isto ainda é Portugal e não a África do Sul?

Desculpem as perguntas, mas ele há coisas que não entendo.

8 comentarios:

Ferreira-Pinto disse...

Ora bem, e tentando fazer um comentário em jeito de resposta para posterior discussão, aqui ficam algumas pistas a cada uma das perplexidades …

O sistema educacional é um reflexo da sociedade em que vivemos e dos valores pelos quais ela se norteia.
Basicamente, e não entrando nas querelas da inclusão, da escola pública que é democrática desde que faça o que o Nogueira da FENPROF quer, e recorrendo à questão da repressão por via do Direito Criminal, ousaria dizer que também aqui se seguiu a tendência iniciada com Figueiredo Dias aquando da sua proposta de Código Penal que haveria de ficar conhecido pelo Código Penal de 1982.
Daí para cá tem sido um descalabro nessa vertente, e o mesmo sucede na Escola.
Não vou ao ponto de defender o “portismo” popular que quereria ver os tais agressores de 13 anos imediatamente acantonados em Custóias ou Pinheiro da Cruz, mas acho que casos destes deviam ser penalizados numa dupla vertente: aplicação de coima, a pagar pelos progenitores, e colocar o agressor a desempenhar uma tarefa comunitária na escola onde praticou a agressão. Limpar quartos de banho, pintar paredes, apanhar lixo do chão … e sempre que não fizesse as coisas como deve ser, pagava o pai ou a mãe mais um tanto.
Normalmente, os pais aprendem quando lhes dói na bolsa e talvez assim dessem educação em casa.
Um dos problemas que leva um energúmeno a bater num professor, num colega ou num funcionário é, quase sempre, saber que tem as costas quentes em casa …

Quanto à questão cigana, nada a dizer porquanto ela é bem colocada.
Mas nisto já se sabe como é … o politicamente correcto é o que é!

Quanto à terceira questão, ela está bem pensada mas falta adicionar a alternativa. É que postas as coisas como estão, até parece que se está a apontar que a única via é a de não fazer nada!
Se 92€ mensais não dão para nada, não se dá nenhum parece ser o raciocínio da minha cara amiga.

Ora, aí estou perfeitamente em desacordo.
Desde logo porque para muita gente se calhar os tais 92€ são um milagre de desmultiplicação; depois porque ainda há gente que não quer viver do RSI mas se vê nessa contingência, embora lute
e consiga sair dessa situação; conheço aqui casos, até porque Vila Nova de Famalicão foi dos concelhos pioneiros no lançamento do Rendimento Mínimo Garantido, onde se operaram verdadeiras rupturas de vida …
Digam-me antes que se deve é obrigar quem o recebe e não trabalhar, a fazer trabalho a favor da comunidade, por exemplo.
A treta de que os pobres têm de cuidar deles e que cada um se governe deu na merda em que estamos …

Quanto à referência à África do Sul, cuidado e alto!
Quem nos dera a nós, em muitos patamares, ser a África do Sul!
Quanto à questão de termos mais segurança privada que forças de segurança pública, não entendo onde possa estar o espanto quando se andou para aí a apregoar as tais coisas de menos Estado isto, menos Estado aquilo e este, governado por mentecaptos, a ir na conversa mas a deixar-se parasitar indecentemente pelos mesmos que só pensam nos seus prémios e ganhando aos 30.000€ acham que quem aufere 1.000€ tem de se disponibilizar (a bem ou a mal) a ganhar menos … as sociedades têm tendência a organizar-se e regular-se, mesmo que mal, e neste caso o que se passa é que se procuram criar ilhas securitárias onde os privilegiados possam viver no seu eldorado, deixando do lado de fora as hordas de desafortunados que, por seu turno, vão procurar organizar-se e defender-se …

António de Almeida disse...

Levanta várias questões, vamos por partes.

1-Por não existir coragem política para expulsar alunos. O Estado não deve obrigar alunos a frequentarem a escola contra a sua vontade, claro que os apoios sociais apenas devem ser atribuidos a quem a frequenta, e não deve ser aberta a porta ao trabalho infantil, mas quem não quiser fazer absolutamente nada, deve ser deixado em paz, naturalmente que a maioria voltaria pelo seu próprio pé no ano seguinte, provavelmente com outra vontade. A obrigatoriedade e os objectivos estatísticos conduziram ao presente.

2-Tudo serve para aproveitamento político, ali não existiu racismo, eventualmente podem ter sido cometidos erros por parte da escola, mas discriminação não creio.

3-O RSI é atribuido como complemento, para alguém receber 92 Euros é porque já recebe uma qualquer outra pensão.

4-Cresce a sensação de insegurança, não tarda teremos mais cidadãos armados, o problema está no tratamento demasiado brando dispensado a marginais, que deveriam estar presos, as penas são demasiado brandas.

pedro oliveira disse...

Co convite para saber a minha opinião em relação ao ponto 1 e 2 no meu cantinho(vilaforte).

3-Ontem ouvi um desempregado a dizer que qualquer euro faz toda a diferença...

4-é o chamdo mundo ao contrário, ou seja, mal vai um país em que um pai tem de contratar um segurança para levar o filho à escola.Mas como acriminalidade até decreseu no último trimestre de 2008, segundo Sócrates ontem, não vejo motivo para tanta preocupação...

pedro oliveira disse...

Co convite para saber a minha opinião em relação ao ponto 1 e 2 no meu cantinho(vilaforte).

3-Ontem ouvi um desempregado a dizer que qualquer euro faz toda a diferença...

4-é o chamdo mundo ao contrário, ou seja, mal vai um país em que um pai tem de contratar um segurança para levar o filho à escola.Mas como acriminalidade até decreseu no último trimestre de 2008, segundo Sócrates ontem, não vejo motivo para tanta preocupação...

manuel gouveia disse...

Em São Tomé os roceiros defendiam que eram os próprios escravos que não queriam abandonar as plantações... se era por vontade dos próprios, nada a fazer!

Quanto à polícia, não podemos querer diminuir os funcionários do estado e ter mais polícia!

DANTE disse...

'Elah' tanta pergunta. Vou responder de uma forma politicamente correcta a todas. Cá vai:
Não faço comentários... ;P

Jokas Blonde :)

Peter disse...

As perguntas foram respondidas e bem, pelos comentadores.

Margarida Moreira, directa regional de Educação do Norte, tem mesmo azar com as suas escolas.

Zé Povinho disse...

Ora aqui está um conjunto de perguntas de difícil resposta:
1ª Parece que muitos têm dificuldade em distinguir autoridade e autoritarismo, e caminham pelo laxismo, que é mais fácil e menos controverso.
2ª Aqui também eu tenho dificuldade em encontrar a verdade, até porque da comunidade cigana ouvi duas versões contraditórias.
3ª O rendimento de inserção é uma treta, como treta é o número de pessoas a viver na miséria. Se de facto precisam, então deixemos de falar de esmolas. Fiscalizar é de bom tom, assim se fizesse.
4ª Por este andar e com um nítido aproveitamento da situação de crise para se libertarem dos vínculos com os trabalhadores, estou convencido que vão ser precisos mais seguranças privados, armados bem entendido, mais condomínios fechados e vedados com arame farpado, para as classes dominantes poderem defender o seu nível de vida e o seu status, convenientemente.
Talvez a resposta nº4 dê resposta à questão proposta.
Abraço do Zé