Estudai a Gramática, nabos!

Pinto Monteiro deu recentemente uma lição de Português escorreito, elementar e correcto, presumo. E presumo porque com esta história das novas terminologias e quejandos, um cavalheiro nunca sabe se não se está a armar em fino e acaba estatelado na lama! De qualquer modo, estou com o Procurador e, como tal, intimamente convicto que não há vírgula que separe o sujeito do predicado!

Contudo, essa figura misteriosa que é o senhor legislador (ou a senhora legisladora) entende que não. Quase todos os dias, no seu afã legislativo, dá tratos de polé à gramática e põe literalmente às voltas na tumba os ilustres legisladores de antanho que, esses sim, sabiam da poda.
Se já é triste ver documentos legislativos andarem de anás para caifás pelos ministérios ou nas várias comissões parlamentares, ainda mais triste é vê-los saírem de lá eivados de caneladas na língua pátria.

O problema é que os tipos (e as tipas) que fazem leis já têm uma idade que lhes permitiu, pelo menos, acabar o curso superior. O que não abona em nada o percurso que a nossa Educação tem trilhado pois devem ter todos, aí no mínimo, uns vinte e muitos anitos!
Admito que a língua seja algo vivo, que acompanhe a evolução dos tempos e dos falantes, mas já não posso admitir que esses falantes não dominem os rudimentos, as normas mais elementares da gramática!
Infelizmente é o que sucede e não é só com o nosso legislador que, coitado, tem o azar de estar mais exposto nas asneiras com que nos brinda!

10 comentarios:

Peter disse...

É vulgar o "encontrar-mos" e o "à que ter em atenção".
Será a língua a acompanhar a evolução dos tempos e dos falantes, ou simplesmente ignorância?

A propósito de "ignorância", recuso-me a utilizar o Novo Acordo Ortográfico. Deverá ser um trabalho ciclópico reeditar livros e reciclar professores e alunos.

António de Almeida disse...

Um erro qualquer um comete, até mesmo colocar uma vírgula entre o sujeito e predicado se estiver cansado, o que poderá acontecer em sessões que se prolongam, como por exemplo o Código do Trabalho, em que a pressa obrigou a dias de trabalho serem prolongados madrugada fora. Julgava eu na minha ignorância, que os textos seriam depois revistos, para corrigir eventuais erros, como acontece em qualquer trabalho de escrita, mas pelos vistos a falta de verbas, deve ser esse o problema, leva a que a correção se faça no corrector ortográfico do Magalhães, eh, eh!!!

DANTE disse...

A 'Gramática' é o livro mais tratado a pontapé amigo Ferreira. Tenta entender que não é fácil estudar num livro todo amarrotado! :D

Um abraço

Carol disse...

Quando os próprios professores dão erros básicos de gramática e ortografia, está tudo dito...

Joaninha disse...

E essa é que é essa!

Realmente os nosso legisladores sofrem de um tal de vazio intelectual quando toca a conhecimentos gramaticais basicos, meu carissimo Ferreira, e consultando o codigo civil quantos e quantos atentados à lingua patria se encontram!

beeijos

Compadre Alentejano disse...

Por norma, o legislador é pessoa com curso superior, entrou na carreira de técnico superior do Estado, subiu e hoje é assessor principal, mas...saber português, nada!...
Talvez saiba o português de África e, pouco mais...
Compadre Alentejano

Zé Povinho disse...

Parece que a utilização excessiva do Magalhães tem efeitos colaterais.
Abraço do Zé

PreDatado disse...

Será assim? A Assembleia da República é Legislativa. Por outro lado Governo também legisla. E submete leis ao Parlamento pelo que, em última instância, é este que legisla. Portanto, sendo que o legislador não pode ser outro do que o conjunto dos deputados da Assembleia Legislativa, antes de votarmos não seria lícito, diria mesmo prioritariamente à ideologia, sabermos se esses senhores e senhoras sabem ler e escrever? E que tal uma prova de aferição antes de entrarem nas listas para não voltarem a ser humilhados pelo PGR que nem Sporting em Munique?

pedro oliveira disse...

Deve ter saído do mesmo grupo do "Magalhães"....

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

De qualqur modo, preferia que o sr PGR em vez de se preocupar com as vírgulas, se tivesse manfestado preocupado com a lentidão da nossa Justiça.