Somos autómatos?

Outrora, em tempos em que os cavalheiros primavam pelo "primeiro as senhoras", quando um desses, mais endinheirado, investia, fazia-o por conta e risco.
Se o negócio corria mal, alguns, com a vergonha, metiam uma bala na cabeça!

Avançaram os tempos e começou-se a dar excessiva importância a uns crápulas licenciados em económicas e afins que, aproveitando-se dos políticos titubeantes a que temos direito, logo trataram de embandeirar em arco. Começaram lentamente por celebrar uns contratos com o Estado para vender uns cobres; depois, a coberto das economias abertas e afins, vendiam, recebiam subsídios, incentivos, taxas de créditos bonificados, esqueciam-se de pagar impostos; inventaram depois parcerias público-privadas e coisas similares ... tudo, segundo nos diziam, a pensar no bem-estar, pois os privados fazem mais e melhor por muito menos! Vê-se ...

Veio a crise e ai, ai, ai que não pode ser!
Sem vergonha e de forma despudorada, uns puseram-se ao fresco; outros avançam com despedimentos aos milhares; exigem liberalização absoluta das leis laborais; reclamam menos impostos, quando só um Furacão pôs a nu a pouca vergonha que por aí anda; querem mais subsídios, mais crédito bonificado, mais garantias para o risco de exportarem, mas ninguém lhes fale em baixar os preços um cêntimo que seja. Alguns, como os trastes da GALP e da EDP parecem pavões inchados com os lucros; há bancos a pedirem, por exemplo, sete euros e meio por emitirem um novo código PIN para um cartão ...

Podiam fazer como os de outrora e pegar numa pistola e dar um tiro na cabeça, mas qual quê ... vergonha é coisa que lhes passou ao lado; creio mesmo que a alguns, em lhes mostrando gordo cheque, baixariam as calças ...
E a tudo isto, como autómatos, dizemos quê? Fazemos quê? Nada, nada, nada ... viesse Marx ao mundo e morria vendo que nem os proletários se unem ou levantam!

16 comentarios:

salvoconduto disse...

Uma triste realidade. De uma vitória no entanto se podem gabar e que está à vista, amarfanharam as classes trabalhadoras e pior ainda passaram-lhe a culpa da crise e o ónus de a resolver.

AP disse...

Tive pena que as manifestações que houve na Grécia há algum tempo tenham falhado o alvo e não se tenham alastrado pelo mundo.
Isto já não vai lá só com palavras.

Zé Povinho disse...

Anestesiados com a crise e a possibilidade de se cair no desemprego, quem ainda lá não se encontra, concentra-se a maioria na sobrevivência encolhendo os ombros como se este status quo seja uma inevitabilidade.
O povo é quem mais ordena, é uma grande verdade, mas só quando não se demite dos seus deveres de cidadania.
Bom fim-de-semana
Abraço do Zé

Adoa disse...

Meu amigo,os autómatos de que falas comecam no infantário a serem criados. Já o falecido Professor Agostinho da Silva dizia que as escolas serviam para a suinicultura... Estas foram algumas das suas últimas palavras em público...

Ferreira-Pinto disse...

Caro salvoconduto, por isso mesmo me pasmo com tanta lassidão dos que estão já afectados; uns pelo espectro do desemprego, outros pela perda constante de direitos numa exigência de sacríficios manifestamente desproporcional àquela que vemos do lado de lá. O dos poderosos.

Por exemplo, é possível (por acaso, é) e admissível que um partido político esbanje 700.000,00€ num Congresso?

AP foi um caso esporádico neste mar de marasmos!

korrosiva disse...

Cavalheiros ainda se vêem alguns, mas pessoas com honra é que já é mais complicado encontrar na poliítica e na economia!

Bom fim de semana

Ferreira-Pinto disse...

Meu caríssimo Ze Povinho seria bom que todos se começassem a preocupar com o amanhã e a exigirem que tudo leve um novo rumo; é que, às tantas, quando alguns se começarem a preocupar será tarde de mais.

Por outro lado, não se entende tanta falta de solidariedade, de espírito de companheirismo!

Adoa de facto, a Escola, tal como a conhecemos, não anda por bons caminhos nem abre vias a coisa muito melhor!

indomável disse...

Meu amigo, realmente aquele dito anglo-saxónico sempre se revela verdadeiro - é um facto que "great minds think alike!"
Ahahahahah!

Isto tudo para dizer que ainda há minutos dizia exactamente o mesmo que tu ao meu marido...
Escusado será dizer que ninguém já me pode ouvir, pela repetição que se vai tornando já o meu discurso.

Não há pachorra! Mas até alguém se levantar e puxar por outro e por outro e depois mais outro, num exercício de recursividade sem precedentes, não me calo!

E agora num tom mais sério um bocadinho, talvez tenhamos de ser nós, os que mais falamos, a ter de erguer as vozes mesmo, a reclamar, a perguntar afinal a quem pertencem as responsabilidades das derrapagens nas contas públicas, nas obras que se perpetuam e nos gastos que nunca acabam e nas empresas públicas que têm lucros de milhões que não se vêm no bolso do povo!

Que achas de um movimento cívico?

Ferreira-Pinto disse...

KORROSIVA, não duvido que ainda existam "gentlemen" pois eu próprio procuro ser eu, mas, e como também tu constatas, muitos desses pseudo-cavalheiros na hora do aperto dão às de Vila Diogo!

Indomável há por aí quem assevere que tem de ser até que a voz nos doa.

Sabes, essa do movimento cívico até podia ser uma hipótese a ponderar conquanto desconfie que, a vingar, logo haveriam de surgir os figurões a quererem fazer daquilo trampolim para o ... galarim do poder!

António de Almeida disse...

Caro Ferreira Pinto

Julgo que os diagnósticos estão mais ou menos feitos, mas vale a pena relembrar alguns factos. Na origem da crise não estão as práticas bancárias, mas o crédito artificialmente baixo, provocando um endividamento excessivo, que levou a uma bolha imobiliária, o subprime, que rebentando deixou à vista algumas práticas bancárias (agora sim, em 2º lugar e não primeira causa) levadas a cabo por verdadeiros e fiéis discípulos de Ponzi. O resultado inevitável de todo este caldo seria o colapso de muitas empresas e instituições financeiras, mas os Estados resolveram intervir, ao fazê-lo em lugar de resolverem o problema, agravaram-no, primeiro evitando falências, absolutamente indispensáveis para retirar do mercado os maus players, outros tomariam o seu lugar, poderiam ter guardado o dinheiro para ajudas sociais às vítimas, mas preferiram ajudar o sistema financeiro, que num ápice assumiu e incorporou o auxílio na sua restruturação, sem aumentar o crédito disponivel para concessão, como todos os governos agiram de forma concertada, o resultado foi nulo, os Bancos ficaram com mais lastro.
Também defendo a liberalização das Leis de Trabalho, e não só, estarei contra a corrente, mas pagarei para ver a decisão da Europa, em particular da França, se como espero, os EUA retomarem o crescimento com alguma rapidez, irá a Europa afundar-se agarrada ao seu sistema social? Uma vez colocado o mundo na rota do crescimento, podem ter a certeza que nem Obama valerá à velha Europa, EUA, Canadá, Austrália, Índia, Brasil, China e Japão não irão esperar pela Europa, assistiremos a um mundo a duas velocidades, talvez a Europa queira escolher África como parceira para o seu desenvovimento, em Portugal será bonito de ver, até porque a nossa crise é sistémica, tal como a francesa, deriva do peso excessivo do Estado, agravado no nosso caso por práticas pouco recomendáveis em termos de despesismo, como derrapagens e compadrios, eventualmente até corrupção. Muitos falam em nova Ordem Mundial, talvez à espera dos amanhãs que cantam, mas ninguém pode gastar mais do que ganha, esse foi a origem do mal, a poupança será o início da solução, e não propriamente investimento público, pelo menos o que não for reprodutivo, porque apenas significará aumento da dívida pública, obrigatoriamente paga no futuro, claro que poderemos (desde que concertados no BCE) colocar as rotativas a funcionar na impressão de papel moeda, mas obteremos sempre a desvalorização do que circula, logo não serve para criar riqueza, essa só lá iremos aumentando a produtividade.

Compadre Alentejano disse...

Há qualquer coisa no ar e, espero que não demore muito. Existe um grande descontentamentwe e como não vai lá com paliativos, terá que ir de outra maneira...
Compadre Alentejano

Helena Paixão disse...

Quem acha normal sacar umas canetas e umas resmas de papel lá da empresa para levar para casa, quem acha normal calar-se se se enganam no troco a seu favor, quem acha normal dar um encontrãozinho na máquina de vending para cair um chocolate à borla, quem acha normal ser um "chico esperto"... que moral tem para criticar os "pavões inchados"?

Como um certo jornalista já escreveu, temos os governantes e gestores que merecemos...

Bjs e bom fds

tagarelas-miamendes disse...

Ola Ferreira Pinto- Tenho tido pouco tempo para visitas, mas hoje la consegui um minutinho e valeu a pena, porque mais uma vez com o seu modo sarcastico conseguiu definir o que por aqui se passa a falta de escrupolos de uns e a passividade dos outros!

Peter disse...

A ministra da Educação criticou o PG por este dizer que havia alunos armados nas escolas. Pelos vistos havia.
O crime violento aumentou 12% no 1º semestre de 2008 e 14% no 2º, enquanto o carjacking aumentou 55% em 2008. O min do Interior desconhece estes números revelados ontem pela TVI.
O cidadão comum pode ir comprar uma caixa de Aspirina à farmácia e levar um tiro dum assaltante que acaba por roubar 800€ e o mesmo pode acontecer-lhe num hipermercado, à porta de casa, numa ourivesaria que são agora dos sítios mais perigosos em Portugal e é um nunca mais acabar.
Chamem-lhe xenofobia mas a máfia brasileira instalou-se com armas e bagagens em Portugal. Oriundos duma sociedade mais violenta, não hesitam em disparar a matar. De igual modo os romenos, em que mulheres e filhos colaboram. Parar num STOP, ou num sinal vermelho, é um duplo risco. Quero segurança no meu país. Não atribuam esta falta crescente de segurança ao desemprego.
Votar? Votar em que Partido? Nenhum é credível.
Os protestos e distúrbios em Atenas já recomeçaram e não são por causa da morte dum jovem por um polícia.

pedro oliveira disse...

anda tudo com anestesia geral.Até quando?

Dalaila disse...

desemprego, tanto!
empregos maus, tanto!
más condições muitas!
rapidez e trabalho exagerado um exagero!
computadores andantes.... e contentes por não estarem em casa