Sempre a África...

E lá veio o José Eduardo dos Santos em grande pose estatal. E lá foi o B.E protestar imbecilmente. Enfim, isto quando toca as ex-colónias há sempre umas comichõezinhas.

Depois lá veio a história gasta da necessidade de parcerias económicas e mais os laços fraternais entre nações amigas.
E a cereja no topo do bolo: o funeral do Nino Vieira que, nem sei por que lucidez transcendental que até a mim me surpreendeu (pela positiva, aliás), não teve uma representação oficial portuguesa ao mais alto nível.
Ou seja, uma semana repleta de notícias de África.

Agora o que eu gosto mesmo é da atitude de nos lembrarem que Angola é 14 vezes maior em área do que Portugal, que é um país riquíssimo em matérias-primas, que é um parceiro privilegiado de Portugal e que Portugal lá deve investir (como se isso fosse uma obrigação por responsabilidades históricas). E nós aqui a ouvir. Nós que recebemos vagas de imigrantes mas que precisamos cauções de $10.000 para lá irmos "investir".
Mas sim, acho que a expansão do nosso mercado passa por África, tal como acho que, se não cuidarmos dos nossos interesses, a China cuidará dos seus, precisamente em Angola (curioso como não tenho visto ninguém escrever sobre o ascendente sino sobre a economia angolana). Espero sinceramente que não deixemos a ocasião escapar como é habitual.

Aliás, a pena que me dá a CPLP não ser uma Commonwealth.
Nem sequer tem peso suficiente para fazer do Português, a sexta língua mais falada no planeta, uma das línguas oficiais da ONU. É triste.
Agora o que eu vejo é que 100 anos depois do Scramble for Africa, uma nova corrida a África está a começar...

5 comentarios:

António de Almeida disse...

-Há muito que se sabe existirem riquezas em África, Angola não é de todo excepção, mas algo me diz que os angolanos não irão ver a cor do dinheiro nas próximas décadas, estou é claro a referir-me ao povo angolano, porque as elites, essas acabarão por ser as beneficiárias, a par de quem lhes oferecer mais, Portugal, China, UK, EUA, estarão lá todos. Também não será um exclusivo de Angola, existirão oportunidades num Zimbabwe pós-Mugabe, e também noutros países da região. Apesar de manterem a situação em Angola bem controlada, Zedú e sua entourage lá vão investindo noutros países, porque a História em África já mostrou que é sempre prudente diversificar interesses, nunca se sabe quando poderá eclodir uma guerra ou surgir um golpe de Estado, há que estar previnido para uma vida tranquila noutras paragens.

pedro oliveira disse...

Concordamos todos que a nossa saída são os países da CPLP, hoje Sócrtaes está em Cabo Verde, que não se resuma ao show off do Magalhães.

Ferreira-Pinto disse...

Eu estou com o António de Almeida quando refere, e bem, que a cor do dinheiro não passará de Luanda e, mesmo aí, de meia dúzia de bairros bem protegidos.

Paralelamente, seria bom que os portugueses se mentalizassem que a história de ir a Angola abanar a árvore das patacas foi chão que já deu uvas.

É ir com mentalidade aberta partindo do princípio que é para ficar e que vamos ter de lidar com uma realidade algo intrincada e até complicada.

Quanto ao resto, esses "amarelos" são como uma praga. Aquilo é no Sudão, em Angola, na Namíbia ... parecem gafanhotos. Onde houver que sugar, eles lá estão.

Peter disse...

Tenho dois filhos nascidos em Luanda, podiam até ter nascido em Portugal, onde a mãe se encontrava. Mas o meu amor por Angola e a esperança dum melhor futuro para eles, levou-nos a tomar essa decisão.

A penetração chinesa não me incomoda. Angola é enorme e riquíssima. Acresce que os africanos, o "povo miúdo", nunca tolerou os "chinocas".

A VISÃO de hoje aborda a emigração para Angola, onde já estão 100 mil portugueses.

Atitudes "gratuitas" do sr Louçã, que não deve ter problemas de dinheiro, não conduzem a nada de concreto.

manuel gouveia disse...

Nenhum chefe de estado da CPLP se fez representar no funeral de Nino Vieira. Esta Commonwealth lusa deixa muito a desejar.

Quanto ao Zedu, ele tal como Cavaco privilegia a estabilidade política do seu país e ao contrário de Cavaco tem muito para dar... ou pelo menos julgamos que sim.