Passageiros e clientes ou animais?

Como alguns sabem, habito na zona de Aveiro e trabalho em Ílhavo. Desloco-me diariamente de autocarro, utilizando o único serviço disponível, da responsabilidade da TRANSDEV. Em meados de Fevereiro fui informada, por outra utente, da possibilidade de alteração ao percurso e horários.

Segundo ela, uma fusão com outra empresa - a JOALTO - seria a fonte duma série de mudanças. Quando questionei diversos motoristas sobre a veracidade dos rumores, fui informada de que realmente haveria alterações ao percurso, horários disponibilizados e preços, mas sem que algum soubesse elucidar os utentes de forma clara e inequívoca.

Decidi, então, enviar uma mensagem de correio electrónico para um endereço indicado nos horários a solicitar esclarecimentos e a reclamar pela possibilidade de deixarem de servir uma das artérias principais da cidade de Aveiro (a Avenida Mário Sacramento), onde se situavam duas paragens bastante próximas de serviços e empresas como a PT Inovação, o Centro de Saúde de Aveiro ou o Glicínias, área comercial que inclui várias lojas e um hipermercado.
Esta mensagem, enviada no dia 19 de Fevereiro, permanece, até hoje, sem resposta. Assim como uma segunda que enviei no dia 27.

Tive, entretanto, que fazer uma viagem completa para perceber qual o novo itinerário e constatei que, se anteriormente precisava de 15 minutos para me deslocar até à paragem mais próxima de minha casa, com a alteração preciso de 30 minutos para o fazer. Se antes tinha um abrigo, que me protegia do sol, do vento e da chuva, hoje nada tenho.
Se até aqui apanhava o autocarro em plena cidade, hoje apanho-o numa beira de estrada da Nacional 109, onde sou abordada como se fosse uma prostituta.
Se antes tinha um percurso seguro até à paragem, hoje tenho que atravessar duas faixas da Nacional 109 ou, em alternativa, uma saída e duas entradas da mesma. Em qualquer das situações, corro o risco de ser atropelada já que não existem passadeiras ou qualquer outro tipo de passagens para peões.

Para além disso, muitas pessoas são deixadas nas paragens, porque os autocarros não são suficientes para o número de utentes e já viajam lotados.
Apesar de todas estas situações serem vivenciadas todos os dias, por centenas de pessoas, as empresas em causa não se dignam a dar resposta a pessoas como eu, que todos os dias utilizam os seus serviços.
E é assim que, em Portugal, se quer fazer com que as pessoas deixem os carros em casa e utilizem os transportes públicos onde são tratadas, na maior parte das vezes, não como pessoas, não como clientes mas, antes, como animais!

Como é evidente, não me vou ficar pelos e-mails sem resposta. O próximo passo será o de me deslocar à empresa em causa e solicitar o livro de reclamações. Depois, logo veremos o que acontece.

11 comentarios:

Zé Povinho disse...

É suposto ser um serviço público, o dos transportes, mas como só se pensou na privatização a todo o gás, alguém se esqueceu de deixar claras as obrigações, que para além da de informar atempadamente os clientes, também é a de fornecer serviços de qualidade.
Só por curiosidade, quanto é que baixaram os transportes públicos, agora que o preço do petróleo está a cerca de 1/3 do máximo atingido há uns meses?
Abraço do Zé

monsoon-dreams disse...

ah quin!!where is ur blog???pls come back :-(

pedro oliveira disse...

A sugestão que eu ia fazer está no seu post scriptum, sugiro que envie a sua cópia para a secretaria de Estado do transportes.Quandp reclamo, envio sempre cópia para a tutela e funciona, da última vez que fiz reclamação foi por caus do cartão de cidaddão e veio a Leiria um Senhor de Lisboa resolver o problema, que como é evidente estava para lá do cartão...
É o país que temos, mas como se barafusta mais dio reclama, tásse bem.

Ash disse...

Hi Quint...How are you ? Not blogging anymore ?

Carol disse...

Nadinha, não baixaram nadinha, Zè Povinho!

Obrigada pela sugestão, Pedro Oliveira. Vou fazer isso!

Peter disse...

Nada como viver em Lisboa.

Joaninha disse...

Força nisso Carol, temos é de refilar, mandar vir e protestas, a nossa mania de comer e calar tem de acabar.

Beijos


Para onde é que fugiu o teu mano?

Ferreira-Pinto disse...

Isto neste jardim desalinhado à beira mar plantado é assim; eles o que querem é que a gente pague e não bufe!

Ouço dizer que isso é o que se chama gestão empresarial eficiente, mas tenho cá as minhas dúvidas.

Uma sugestão ... manda uma reclamação directamente para o Conselho de Administração. Normalmente, as reclamações ficam cá por baixo e quando lhes aparece um "chato" eles respondem.

Carol disse...

Hum... Gostei da sugestão, mano.

Compadre Alentejano disse...

Quando solicito o Livro de Reclamações, aqui d´el-rei, toda a gente treme. Pedem desculpas, chamam o gerente e lá resolvem o problema. Mas, por duas vezes, já tive de o utilizar, e com respostas rápidas e eficientes.
Compadre Alentejano

Adoa disse...

Sou da opiniäo de que os portugueses usam muito pouco o livro de reclamacöes... Tu vais fazê-lo - parabéns!