Olhó Magalhães baratinho!

Consta por aí que alguns pais estarão a vender no mercado negro os famigerados Magalhães.
A ser verdade, digo aqui e agora que é tão burro quem compra como asno quem vende! Digo e assumo … são umas bestas-quadradas.
Os que compram porque, a avaliar pelo que diz a má-língua, o Magalhães é computador para o fracote e onde algumas aplicações até vêm com erros de ortografia, gramática e sintaxe. Os que vendem porque dão prova, mais uma vez, de tradicional esperteza saloia que por cá impera.
Porque (teoricamente) privam os filhos de um computador portátil e porque com tal atitude nos estão a roubar a todos.
Sim, porque quem vai pagar a factura dos Magalhães vamos ser todos e não apenas as operadoras que essas, finas, já vieram dizer que o dinheiro não chega para tudo.

Manuel Grilo, responsável pelo Ensino Básico no Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), admite que o Magalhães "é um excelente instrumento de trabalho, com muitas virtualidades", mas lembrou que a iniciativa do Governo foi precipitada.

Eu concordo. Para além das trapalhadas com o produto, não contou com o apego à vigarice de largos sectores da sociedade!

20 comentarios:

Cadinho RoCo disse...

Há sempre alguém querendo mais das oportunidades.
Cadinho RoCo

Peter disse...

Com a necessidade de dinheiro que grande parte da população atravessa, tudo serve para vender.

korrosiva disse...

Mas alguém compra???
Looooooooool

Bom fim de semana ;)

António de Almeida disse...

Nos dias em que os professores pedem aos alunos para levar o computador para as aulas, pelos vistos alguns faltam. Os computadores devem estar registados existindo números de série. Por mim daria um prazo de 30 dias para que todos os alunos fizessem prova da sua posse, quem não o fizesse teria de pagar os custos reais da máquina, nem que lhe fosse descontado o valor no RSI ou abono de família, para terminar com espertezas...

manuel gouveia disse...

Interessante o alinhamento autocritico deste blog...

manuel gouveia disse...

Antonio, quem recebe 91€ por mês de RSI, não consegue ver no Magalhães uma oportunidade para a educação dos seus filhos... consegues perceber isso? Com um bocadinho de esforço... talvez.

AP disse...

A chico-espertice do nosso povo consegue ser mais à frente que a dos nossos políticos!
Digam lá que não somos fáceis de governar?!

joshua disse...

Foda-se, mas vcs não conseguem ver o que se está a passar à vossa volta?! A vigarice é uma qualidade de quem não quer trabalhar e vive de expedientes à margem da lei, do lícito e do legítimo. Certo? Também o é de quem, sentando-se num gabinete de altas responsabilidades públicas se vale da sua posição para sacar uns dinheiros e umas luvas. Certo?

Já o colapso económico das famílias e a miséria que por aí vai exigem um estudo para se apurar onde começa o oportunismo injustificado na revenda dos Magalhães e a estrita necessidade de sobrevivência.

Façam a puta da experiência de se colocarem nas meias dos desvalidos sem a secura moralmente inaceitável e darwinesca dos mais aptos, mais fortes, mais bem sucedidos: há limites para o preconceito.

Pelo menos não me apresso a condenar os revendedores de Magalhães, essa pechinca e brinquedo que o Estado dá e que o Estado gasta, enquanto desgasta e degrada os activos humanos nacionais.

Ó Toninho de Almeida, o senhor veja lá se passas pelo meu canto que há lá uma pergunta que lhe faço. Tenho andado a pensar no por que motivo me pareces de cada vez tão gémeo do blasfemo João Miranda.

joshua disse...

A hesitação entre a segunda e a terceira pessoas é deliberada, Toninho de Almeida.

DANTE disse...

E ainda dizem que os ciganos não têm 'terra'...

Um abraço Ferreira

AP disse...

Joshua,
Tens razão e subscrevo o teu comentário. Mas o que dizes não invalida o caricato da situação, que se resume a demonstrar, mais uma vez, o oportunismo do nosso povo. Mas que esta situação merece ser bem meditada, lá isso deve, pois há muita mais miséria por este país do que se imagina.
Existem muitas situações semelhantes em países do 3º mundo...

joshua disse...

Concordo, AP, que se trata de algo caricato, mas o perigo é a perda de abertura para o panorama global que determina o recurso a esquemas e expedientes como a revenda de Magalhães: temos uma legislatura que pensou suprimir da agenda política os problemas de Fome em sentido Lato e Desamparo Social com uma sobrecarga propagandesca de aposta em Tecnologia. A aposta até revelaria visão senão servisse de pretexto para relegar aqueles mesmos problemas e gentes.

Nos campos de concentração nazi havia artistas, músicos, actores, pintores que inventavam mundos paralelos que por momentos fizessem alienassem da penúria e do penoso quotidiano.

Minutos de fantasia adocicavam mortes terríveis quotidianas. Um governo moderno no século XXI terá de ser muitíssimo mais abrangente e imensamente menos ingénuo com os seus Electrodomésticos dados a pataco.

Compadre Alentejano disse...

Isto apenas vem provar que:
lº - Há fome em Portugal;
2º - Grande parte da população apenas vê no Magalhães, o modo de fazer umas "coroas";
3º - O computador deve ficar na escola (pelo menos, durante uns tempos).
Compadre Alentejano

Carol disse...

Eu que não percebo muito do assunto, não me parece que o Magalhães seja assim tão mau com excepção das calinadas já referidas.

Quanto ao resto, estou com o António: os alunos deveriam ter que fazer prova da posse do computador e, caso não o fizessem, as famílias deveriam pagar o valor do mesmo na totalidade.

Triste país este que vive da chico-espertice! Quem não tem dinheiro, não tem vícios, já diziam os meus avós!

Estou farta de trabalhar e pagar impostos para sustentar pançudos, corruptos, chico-espertos e gente que não quer trabalhar! Há crise, há desemprego mas há muito quem se tenha habituado à mama do Estado, do RSI, do fundo de desemprego ou, até, dos parcos salários e reformas dos familiares que os sustentam!

indomável disse...

Bom, bem sei que deveria ter cá vindo antes do Joshua, porque eu já lhe tinha dado resposta a este mesmo tema no blog dele, mas que querem? Atrasei-me...

Ainda assim aqui vou eu, lançando-me às feras de peito aberto e sem fôlego.
esta venda de Magalhães por algumas famílias revela, como já disse o Josh, que a fome alastra e existem famílias que pensarão claramente que mais vale irem-se os anéis que os dedos!

Meus amigos, é demagógico por demais, um Governo começar reformas pelo telhado ao invés de pela base.
Como se pode querer mudar mentalidades de pessoas que têm FOME?

Faço-vos a seguinte pergunta - quem de vós teria cabeça e interesse em alguma coisa se não tivesse o que comer? A má nutrição provoca entre outras coisas défice de atenção, e há crianças cuja única refeição por dia é feita na escola. Agora digam-me, como será a vida de tais crianças em tempos de férias?
Poderão dizer-me que há muitas famílias no RSI cujos pais não se abstêm do café e do tabaco e eu agora pergunto e não há muitos dos nosso políticos, cuja obrigação seria zelar pelas vidas de todos nós, que não se coíbem dos almoços de trabalho em restaurantes de luxo?

Vale a pena pensar afinal em que realidade vivemos todos... Portugal não é um país do 1º Mundo!
E de facto necessário que acordemos para os factos que nos rodeiam, porque não é de todo um ambiente muito saudável...

joshua disse...

Não se pode falar de barriga cheia nem com tanta moralidade, Carol, sem o risco de errar o alvo e desafiar o próprio futuro: matematicamente, é muito curto o que com os teus impostos subsidias em matéria social-assistencial.

Deves pensar que subsidias muito mais parte do sector empresarial do Estado que está falido, e que subsidias os altíssimos prémios de produtividade dos gestores de nomeação política do sector empresarial falido do Estado. Como nem todos podem ter um negócio rentável ou um negócio sequer ou mesmo um emprego que funcione e dure, fenómeno geral e sistémico, além de ser cruem imputar essa realidade exclusivamente a quem está desempregado, é muito natural que parte dos teus impostos segurem e contenham nos seus limites multidões de desesperados bem capazes de te assaltarem em casa ou na rua, de te violentarem por um anel, por um par de brincos, pelo teu casaco de couro, pelos teus ténis, pela tua lingerie cara, pelos teus saltos altos, pelo teu ar alevantadiço de pequena musa.

O que estou a dizer é que é profundamente desonesto habituares-te desprezivamente a apodar a multidão de desempregados de todos os tipos 'gente sorna', 'preguiçosa', 'dependente do Estado', da 'reforma dos pais', calaceira.

Essa desonestidade e esse pseuso-rigor frio e muito mais rigor-mortis não fazem justiça ao tempo em que vivemos nem à realidade das pessoas tomadas caso a caso.

Por isso, ou continuas a subsidiar com os teus impostos uma despesa do Estado brutal nos seus desperdícios, investimentos errados, falências técnicas arrastadas, salários obscenos de gestores políticos, de sinecuras várias, ou aceitas que é preferível manter estanques os níveis de violência e de insatisfação próprios de massas sem alternativa. Só com desespero. É só introduzires um módico de bom senso e de compaixão humanística e social e arranjares alvos bem mais justos como a Alata Corrupção hábil e impune que nos dana a todos.

E, ao contrário do que acontece com o teu irmão com quem gosto de polemizar, mas afinal escuta, assimila, é sensível ao outro e respeita o pensar divergente, não permitas que eu fique com a impressão de que desperdicei o meu tempo contigo, sensação que aliás se repete repelente e desnecessária graças à tua incorrecção habitual.

Ferreira-Pinto disse...

Caramba, o que para aqui vai de discussão ...
Afinal, meus caros, parece que a coisa pode não passar de uma atoarda; isto porque, segundo o jornal "Público" de hoje, numa ronda feita por uma vintena de escolas são mais as queixas de ainda não ter chegado o "Magalhães" ... quanto a vendas, parece que é um diz que diz.

No mais, eu gostaria de frisar que, pelo menos no que toca à minha certamente muito ilustre pessoa, eu lado algum disse ou escrevu que o computador estava a ser vendido por desempregados.
Aliás, se for verdade, eu até desconfio que é bem capaz é de ser de desempregados profissionais que estamos a falar.
E isso, penso eu, é coisa bem diversa de desemprego involuntário.

AP disse...

Diz a Indomável:
"Portugal não é um país do 1º Mundo!"

Eu confirmo.
Descobri isso depois de vir para Angola. Mas também não é 3º, anda ali no meio...

AP disse...

Esta chiquespertice que nos caracteriza enquanto povo já começa a enojar... Portugal...Portugal...

Abraço

Adoa disse...

Quem é que vende na feira de Espinho produtos contra-feitos?

Quem é que vai comprar um computador para criancas a 150€ se na escola o pode receber até 50€?

Faz algum sentido isto?

E näo me venham que a fome é que está a fazer isto... O chico-espertismo português sempre nos safou de mais do que isso...

Eu trabalhei com pessoas que foram toxicodependentes, passaram a ex- toxico. etc... Numa família em concreto, eram uma mäe e 4 filhos todos adultos. Só a irmä trabalhava, a mäe era doente e dois dos filhos - meus colegas de trabalho - para além de receberem o dinheiro do trabalho ao fim-do-mês, recebiam todos ajuda do estado... Eles passavam fome? E ainda se riam! E isto, supondo que tinham deixado de "ajudar o alheio"!

Isto tem muito que se lhe diga!