Hoje...

Já volto... vou só apagar umas quantas velas ...
Eh pá, não me tinha dado conta que eram tantas!

Bom... para começar tenho de agradecer a quem me deu os parabéns e aproveito para explicar que tinha mesmo de deixar o artigo assim curtinho para vos deixar a pensar que era mesmo só isto... eheheh!
Então aqui vai o resto ...


Quando fiz dezoito anos, tinha o mundo no colo e acreditava seriamente que iria modificá-lo até que ficasse a meu gosto. Pensava regressar ao meu país - Angola - e servir a população e o país, para que se tornasse melhor, para que existisse mais igualdade e menos miséria.
Nesse mesmo ano ingressei na Universidade e nesse ano ainda aprendi uma lição de vida - não existem certezas absolutas e tudo não é o que parece!

Quando fiz vinte e seis anos tinha o mundo na barriga e acreditava seriamente que iria modificar o mundo um passo de cada vez, aos poucos e de forma suave, para não magoar ninguém. Pensava e sentia como mãe que me estava quase a tornar. Sentia os movimentos no ventre e chorava, acreditando que podia realmente fazer a diferença. Aos vinte e oito voltei a sentir o mesmo, quando de novo no meu ventre o mundo e a vida se revolviam...

Aos trinta anos tive uma crise de identidade... o trabalho não se identificava comigo e eu não me identificava com ele. A agressividade estava a tomar conta de mim e eu já não conseguia contê-la. Então, num assomo de rebeldia nunca antes sentida, juntei-me a um grupo de raparigas doidas e extraordinárias e andámos pelo país a distribuir placagens, jogadas formidáveis e corridas impensáveis no Campeonato Nacional de Rugby Feminino! Nunca me esquecerei e não consigo evitar as saudades que ainda hoje sinto daqueles anos em que fui jogadora, apesar de para o fim acabar os jogos estendida no chão com umas dores lancinantes no lombo...

Posso dizer hoje, ao fazer trinta e seis anos, que tenho realmente o mundo nas mãos...
Acredito que posso ser e fazer o que quiser. Posso mudar o mundo, realmente, um bocado de cada vez - o meu mundo.
Não, não me vou lamentar mais. Não vou queixar-me do que não fazem por mim e do que não me deixam fazer. Vou à luta e faço, quer queiram quer não.
É como um mail que me mandou um amigo aqui há tempos - as mulheres até aos quarenta olham-se ao espelho e acham-se gordas/magras demais, baixas/altas demais, o cabelo não é o que queriam... mas a partir dos quarenta isso já pouca diferença faz para elas.
Meu amigo, Quintino, eu cheguei lá mais cedo. Quando me olho ao espelho gosto do que vejo, porque decidi que gosto, porque fiz as pazes comigo mesma e porque vos tenho a vós ao meu lado... a todos vós, os que me lêem, os que me comentam e os que discordam de mim, sobretudo estes, porque me fazem pensar, porque me fazem questionar sobre as minhas ideias e as contra-ideias.
OBRIGADA, MUITO OBRIGADA a todos!

25 comentarios:

Compadre Alentejano disse...

Feliz aniversário. Parabéns
Abraço
Compadre Alentejano

Ferreira-Pinto disse...

Bem, por hoje escapas ... mas é só porque fazes anos ... para a próxima, bolo e champanhe se faz favor mas artigo a preceito também!

Parabéns e que a data se repita por muitos e longos anos.

Carol disse...

Ai, o catano! E como é que consigo comer o bolo assim?! Não se faz! Ainda por cima de chocolate...

Parabéns e que contes muitos mais!

indomável disse...

Ahahah, ó meu amigo, então tu pensavas que eu me ficava por aqui no meu artigo?

Desculpa, foi só para manter o suspense. Tu bem sabes que não sou rapariga de poucas palavras e tenho sempre uma teoria à espreita para se dar a conhecer.

Então aqui vai... (a ler no blog)

Ferreira-Pinto disse...

Raio da moça que gosta de dar música, eis o que me apetece dizer…

Trinta e seis anos?
Cresce e aparece, posso dizer eu que estou à bica dos quarenta e cinco.
Estranhamente ou talvez não, sinto dentro de mim uma mudança silenciosa, quase como se tivesse um glaciar que se desloca lentamente.
É verdade. Chegamos a uma fase da vida, e estou convencido que nem é o factor idade o que aí pesa, e começamos a mudar, o que sempre nos sucede, mas tendo consciência disso mesmo.

Ultrapassada a fase de rebeldia que serve para encontrar o espaço vital da nossa afirmação, consolidado o mesmo, abrem-se portas a um novo mundo.
Hoje sinto imenso prazer em me levantar quase todos os dias às seis e meia, ir à varanda e ouvir o chilrear dos pássaros, sentir a aragem fria da madrugada na cara …
Hoje tenho prazer nesse lado mais bucólico da vida no meio do campo, embora continue a apreciar sobremaneira um dia prenhe de sol e brisa marítima …
Hoje procuro a frugalidade e não a opulência …

Acredito que posso ser e fazer o que quiser?
Acredito que eu posso, nos estritos limites do meu mundo.
Daí para fora, reconheço as minhas limitações e fragilidades. Quando as coisas mexem com os outros, temos de ensaiar várias posturas … ora cínico, ora amistoso, ora circunspecto … embora tradicionalmente alinhe por um diapasão que costumo apodar de espartano … ouvir muito, falar pouco …

Mas, de uma coisa também tenho a certeza, como tive quase sempre: gosto do produto final e tenho uma capacidade de em quase todos os domínios encarar de forma relativamente despreocupada o que terceiros possam pensar. Ou dizer.

indomável disse...

Pois é meu querido amigo,

a minha liberdade e luta, a minha transformação é como a tua - dentro dos limites do MEU mundo e eu estou de bem com isso.

Sabes, esse glaciar que tu sentes mover-se dentro de ti, é para mim o casulo que se vai formando em volta de mim, até que me metamorfoseie de lagarta em crisálida. Sei bem que quando isso finalmente acontecer, terei pouco tempo para o gozar, mas vai ser um tempo fantástico que não dispenso por medo de ser curto!

Perdoem-me esta energia estrondosa hoje, não o consigo evitar, talvez seja por ter nascido em dia de Carnaval. No ano em que nasci, foi terça-feira de Carnaval no dia em que nasci. E vejam lá se não é linda a minha data de nascimento - 3/3/1973!

indomável disse...

Carolzinha...

bem, como vais comer o bolinho?
Posso sempre mandar-te uma fatia por correio... e fica sabendo que apesar de o meu não ser exactamente igual a esse, é muito parecido e foram os meus filhotes que o fizeram!

Vai saber-me tão, tão bem!

Ferreira-Pinto disse...

Essa agora, vai lá ser curto!

O tempo, esse grande escultor (que jeito dá citar assim sem dar a entender uma obra de referência) passa por nós mas cabe-nos a nós moldá-lo e fazer dele o que nos aprouver sabendo das nossas competências.

Pode-se viver cem anos de solidão ou uma vida efémera mas prenhe de felicidade e de riqueza!

indomável disse...

Ferreira-Pinto,
sabes, a respeito desta conversa da crisálida e da lagarta...
estava no outro dia a dar uma volta pela praia com os meus rebentos, perto das dunas cobertas, por esta altura, daquelas pequenas flores amarelas com que fazíamos colares nos tempos da infância e flutuava por ali uma borboleta branca, pintalgada de negro, daquelas muito comuns e que adoramos ver porque nos recordam que a primavera se aproxima a passos largos ainda antes das andorinhas se fazerem anunciar.
Os meus filhotes corriam atrás dela e como rapazes que são, estavam a ver quem é que a apanhava primeiro...
Como sempre, uma lição de ciências da natureza tornou-se premente e alertei-os para o facto de aquela borboleta ter apenas um dia de vida para gozar, depois de ter passado os meses de inverno fechada num casulo à espera da... palavra difícil a que eles aprenderam naquele dia - metamorfose!
1 dia? Só 1 dia? Os olhos esbugalhados e as bocas escancaradas de espanto... e uma curiosidade imensa tomou conta dos meus pequenotes!
Adoro quando eles se transformam de rapazes iguais aos outros, em seres ávidos de conhecimento...

Às vezes pouco tempo é uma imensidão, quando se aproveita bem e eu sou um bocado Epicurista - carpe diem, meu caro amigo, goza bem os teus dias, até ao tutano! Esse é o meu lema.

DANTE disse...

'Atão parabéns e espero sinceramente que faças o dobro do triplo do quadruplo do quintuplo dos anos que eu quero fazer. Saúde!

indomável disse...

Ai, Dante...

isso não será muito ano?
Eu gosto de viver, mas isso é capaz de ser demasiado...

Blondewithaphd disse...

É pá, parabéns! Muitos! Muitos parabéns!!!!!

indomável disse...

Minha querida loira de canudo,

sabes, segui o teu conselho... a vida é tão, tão importante, não é?

korrosiva disse...

Parabéns, que seja um ano inesquecível da melhor forma possivel! :)

indomável disse...

Korrosiva,

e vai ser, oh se vai!

Obrigada

Adoa disse...

Muitos parabéns à menina e que seja muito feliz!

AP disse...

Queria vir para Angola? E já não quer porquê, agora que este país anda nas bocas do mundo inteiro?
Ah e parabéns.

indomável disse...

Adoa,

muito obrigada e cuidado, que não posso correr o risco de ficar demasiado mimada...

indomável disse...

AP,

por acaso a minha dedução está correcta? Está por Angola?

Bom, eu não vou porque tenho a vida organizada de outra forma, no momento. Tenho dois pequenotes, tenho familiares a precisar bastante de mim por cá e... porque sou uma teimosa terrível e ainda acredito que posso mudar o mundo... em Portugal!

Vá lá, não se riam de mim, não é nenhuma anedota!

Ferreira-Pinto disse...

Ó INDOMÀVEL, assim só por mero acaso, estou a ver que fomos quase vizinhos ... eras tu a ver as palancas e eu os "springboks".

Aquilo, sim, são terras!

Peter disse...

Novo por estas bandas, portanto sem um conhecimento suficiente da aniversariante, não quero deixar de lhe enviar sinceros votos de parabéns.
Acresce que é compatriota dos meus dois filhos gémeos, por isso, Angola é uma terra pela qual nutro uma amizade muito especial.

Zé Povinho disse...

Quando estamos bem connosco próprios estamos bem com o mundo. Parabéns, e que se sucedam muitos mais, e nós por aqui.
Abraço do Zé

pedro oliveira disse...

Ontem estive fora, como tal parabéns atrasados.

manuel gouveia disse...

Fazer o que quizer e mudar o mundo ao mesmo tempo! Isso é obra. Parabéns pelos anos e pela força de vontade!

AP disse...

Sim, estou por Angola.
E acho que faz muito bem. Eu já há algum tempo que vislumbro o regresso, pois também prefiro mudar o mundo a partir de Portugal.