Gordinhos e pouco saudáveis

Hoje os jornais saem com a notícia de que temos 1 milhão de portugueses diabéticos. Tendo em conta que estatisticamente somos 9 milhões, este é um número preocupante...
Recordo-me de quando a diabetes era uma doença que só dava aos mais abonados, as famílias mais ricas lá tinham um caso de diabetes na família e daí em diante os descendentes preocupavam-se consigo e respectiva prole e lá tinham de declarar na apólice de seguros que tinham um caso de diabetes na família.

Hoje em dia a diabetes é um "flagelo" nacional (adoramos dar nomes teatrais às coisas, não é?).
Um flagelo que vem por aí a diante, batendo às portas de todos nós como se se fizesse anunciar ao som de trompetes e saxofones, para a melodia ser menos ruidosa e muito mais apelativa. Na verdade, quem não tem hoje um ente familiar que sofre de diabetes? Poucas serão as famílias que poderão afirmar a pés juntos que o "flagelo" lhe não bateu à porta.

E, pergunto eu, não seria altura de começarmos a questionar-nos sobre o porquê deste alastramento? Serão os médicos os culpados? Serão os fabricantes de alimentos? Serão os publicitários que nos apelam aos sentidos quando promovem produtos que nos fazem mal? Será finalmente esse tão mal entendido e mal amado ente que a todos se sobrepõe - o Governo?

De há uma semana a esta parte decidi tomar o meu lugar num grupo de pessoas meio loucas que decidiram, a nível internacional, experimentar algo novo e ao mesmo tempo muito antigo - uma "dieta" de eliminação. Do que trata? O que eliminamos?
Ora bem, açúcar em primeiro lugar, produtos conservados em latas, produtos de panificação com glúten, cafeína (o que inclui alguns tipos de chá, leite e derivados e carne vermelha...
São mesmo loucos, direis vós, incrédulos, o que lhes restará para comer?
Pois é, essa foi a sensação que tive logo de início, mas pior que isso meus amigos, foi constatar a adicção, a dependência de certos produtos que todos os dias ingerimos na maior das inocências.
O cafézinho, o bolinho ou bolacha, o pão que sabe tão bem...
Se vos contar que até tremores tive, podeis não acreditar, mas isso a somar à enxaqueca constante durante os primeiros dois dias, fizeram-me pensar bem no que andava a fazer e o que poderia provocar no meu corpo a longo prazo.
Pois bem, ao fim de uma semana, posso dizer-vos que não só não ingiro os produtos acima descritos, como ingiro muitos mais legumes e frutas e sinto-me melhor que nunca. O café ainda faz falta, mas em compensação já não acordo de mau humor!

Ora bem, esta crónica não servia para publicitar o mais inovador método de emagrecimento, servia para alertar para o facto de, como criaturas de hábitos que somos, sermos os nossos próprios cangalheiros. Todos os dias metemos à boca quilos e quilos de lixo e um dia, acordamos e percebemos que somos "vítimas" da diabetes. Procuramos culpados, olhamos em volta para todos e não vemos ninguém capaz de assumir a culpa. Rebelamo-nos e recusamo-nos a ser doentes para o resto da vida, com o risco de cegar, ser amputados e viver uma vida de dependência de fármacos.
Serve esta crónica para apelar ao bom senso, para vos chamar à discussão sobre um tema que nos afecta a todos, sem excepção e sem um único dia de pausa. Estamos todos a ser os culpados do nosso destino, da nossa saúde.
O que poderemos mudar? Essa é uma pergunta que vos deixo...

6 comentarios:

António de Almeida disse...

-Poderemos informar as pessoas, alertar para os perigos, mas nunca, por nunca proibir seja o que for, a liberdade é um direito individual inalienável, mesmo que comporte riscos e provoque consequências.

Ferreira-Pinto disse...

Também ouvi essa de sermos 1 milhão; ouvi e depois de reflectir fiquei com a dúvida quanto à fiabilidade do número.
É que, segundo explicava alguém ligado ao estudo, o mesmo foi feito de forma exaustiva de Norte a Sul, abrangeu toda a população e não sei que mais …
Ora, como eu, aqui com os meus 44 anos, não fui ouvido suponho que das duas uma, ou sou eu que estou morto ou então o estudo não se debruça sobre a população toda.
E mais desconfiado fiquei quando constato que lá em casa ninguém foi inquirido, estudado ou seja o que for!
Espero que o tal milhão não seja aí como uns seis milhões …

Mas, ironias e dúvidas à parte, a diabetes é uma doença que ganhou foro de praga à conta daquilo que comummente se chama “vida moderna”.
Má alimentação, sobretudo, aliada a outros factores dão nisto.

Tirando a bizarria do regime alimentar a que te dedicas agora, tenho para mim que sensatez à mesa e exercício físico são garante de que, pelo menos, o organismo estará em condições de enfrentar melhor certos desafios.
A famosa dieta mediterrânica seria mais que suficiente se depois soubéssemos comer como deve ser; antes, se soubéssemos que o homem come para viver e não vive para comer.

indomável disse...

Meus amigos,

serviu a bizarria a que me submeto hoje a nível alimentar mais como curiosidade do que propriamente como estilo de vida...
A bem da verdade, devo dizer que há mais de 6 anos que tenho um regime alimentar bastante saudável - pouca carne, doces uma vez por semana apenas, café só dois por dia, pão integral e de cereais apenas, muita salada e vegetais, peixe aos montes e carne mais branca que vermelha, além de muitas refeições vegetarianas...

Acontece que, quem pode dizer o contrário? Dava por mim muitas vezes a recorrer a enlatados, conservas, produtos pré-cozinhados e outros quejandos.
O leite foi um dos produtos com quem tenho tido uma relação muito de amor-ódio.

Esta experiência a que me propus, foi mais para perceber onde exactamente andam as minhas alergias. Enxaquecas, má disposição, erupções cutâneas, sinosite... Tudo relacionado e muito, com a alimentação.
O que quis foi ver de onde vinham as maleitas e como as evitar. Por outras palavras, tomar consciência do que me poderá estar a fazer mal e não estar à espera que os médicos mo digam. Estou farta de anti-histaminicos e antibióticos e demais fármacos horrorosos que me curam de um mal e me provocam outro!

Até agora posso dizer-te que eliminar o leite foi o que de melhor fiz - acabou-se o nariz sempre carregado...
O açúcar é um veneno desgraçado, entranha-se e pede mais.
Posso dizer-vos isto meus amigos, ele está presente nos produtos mais inocentes, como o pão, a polpa de tomate ou nas conservas...
Este fim de semana fiz uma experiência interessante, depois de uma semana sem açúcar ou produtos em que ele estivesse presente, o que desde já vos digo é uma tarefa praticamente impossível de levar a cabo, no fim de semana permiti-me uma fatia de bolo... O que vos posso dizer? Bom, talvez vos possa dizer que ao fim de meia hora estava com uma fome de leão e que o meu cérebro só me enviava mensagens de doces, bolos, chocolates e outros que tais!
Isso parece-vos remotamente com dependência? A mim sim, claramente, sobretudo porque ao não fazer a vontade ao cérebro, fiquei com um humor de cão!

É, talvez não seja um milhão Ferreira-Pinto, eu também não fui ouvida, mas tenho uma mãe diabética e uma prima insulino-dependente e parece-me que talvez informar as pessoas só não seja suficiente, mas não podemos proibir nada mesmo, porque o que se proíbe só fica mais apetecível...

Ferreira-Pinto disse...

Caríssima, o uso da expressão “bizarria” foi uma força de expressão!
Just in case …

Vejo que afinamos quase pelo mesmo diapasão no que toca ao manjar.
As minhas apostas passam essencialmente pelo peixe, por carne branca, legumes, frutas, frutos secos, água, azeite …
No domínio dos pecadilhos permito-me umas natas ocasionais, compota de vez em quando e mesmo aí em dose quanto baste e de longe a longe uma francesinha, por exemplo!
Pão, esse sim é um dos meus pecados mas … ninguém é perfeito, pois não?
Leite de leite, zero. Nada. Não consigo. Ponto final.

Em complemento disto tudo, olha, por exemplo, ainda ontem espetei com 10 quilómetros de corrida em passo certo em cima do corpo … chego a casa, durante uma hora líquidos, embora devesse ser durante duas horas, e já baixei da temível fasquia dos 74 quilos que estava a ser para mim como o Bojador ou o Adamastor para os nossos antepassados!

Quanto às minhas dúvidas, vão mais no sentido de tentar perceber como se chega a certos números.
Obviamente que mesmo que sejam meio milhão, os custos individuais e colectivos já são de considerar mas, como vês, a ti também não te ouviram!

Carol disse...

Eu também não fui tida nem achada, assim como o meu namorado, pai, mãe... A lista seria longa, pelo que essa do estudo envolver toda a população portuguesa cai completamente por terra.

Agora, quanto à diabetes em si, assim como outras doenças, basta que saibamos comer com moderação e não nos privando de nada. O nosso organismo precisa de todos os nutrientes, incluindo o açúcar e as gorduras. Claro está que o problema está em fazermos as coisas sem conta, peso ou medida.

Eu, por exemplo, não posso viver sem açúcar ou sal e não é por dependência, mas porque me fazem realmente falta. Não é por isso, no entanto, que como doces todos os dias e uso sal em excesso. Tudo com regra, essa é a solução. E, claro, exercício físico porque o sedentarismo das nossas vidas é, esse sim, um verdadeiro flagelo.

Adoa disse...

Indomável

Gostaria de saber mais em relacäo a essa "dieta". Se me puderes dar mais informacöes, agradeco imenso. O Ferreira-Pinto tem o meu e-mail e pode fornecer-to, se näo te importares...

Sabes, eu sempre fui viciada em leite e devo dizer que é a minha bebida preferida.

No entanto também devo dizer que durante 5 meses näo bebi quase leite nenhum. Näo sei se foi coincidência mas uma doenca que tenho, regrediu e bastante, quase desapareceu! Agora que voltei a beber o dito líquido, está a piorar - na manifestacäo cutânea que lhe é característica.

Café, nunca tomei, até Janeiro estava a comer apenas peixe e carnes brancas. Os produtos pré-cozinhados fazem-me impressäo mas às vezes comemos aqui em casa(1 a 2x semana).

Mas como fazemos em caso de anemia?
Agora estou a comer carne vermelha (2x semana), se possível em sangue para combater uma. Os feijöes säo uma boa fonte de ferro, mas é quase impossível estarmos nós a cozinhá-los! Demora horas!

O meu grande problema é e sempre foi o acúcar, embora por vezes consiga estar umas semanas sem consumir, volto sempre ao pecado!

Essa questäo de "de quem é a culpa",vou-te dizer que realmente nós somos o nosso veneno.

Eu gosto muito de observar, nomeadamente a vida animal... E cheguei à conclusäo faz uns anitos, que nós estamos afastados de "Nós"! Explico: os seres humanos comem e aprendem a comer através da Cultura. Isto significa que näo comemos o que precisamos mas comemos o que à nossa volta algo ou alguém nos diz o que precisamos.

O resultado disto é que comemos porcarias e deixamos de ouvir o nosso corpo. O nosso corpo tem a sua maneira de dizer o que precisa. Se precisa de água, de carne, de vegetais, de fruta, de gordura, etc. Afinal de conta, também nos diz quando estamos doentes, quando temos de fazer as nossas necessidades, etc. Por que deixamos de ouvir o nosso corpo numas situacöes e näo nas outras?

Somos obesos - que outros animais se tornam obesos que näo por uma questäo de aguentar o inverno e o frio? Ora, pois os cäes e os gatos sim! Mas seräo os que vadiam pelas ruas que se tornam obesos por comer muito? Säo precisamente os que vivem connosco e que tentamos dar-lhes só que achamos que é bom para eles!

Todas as indústrias envolvidas no negócio dos animais de estimacäo, no negócio das curas das doencas intermináveis que todos nós temos, nos negócios das comidas pré-fabricadas... têm a sua culpa. Eles ao "informar" na realidade desinformam!

De quem é a culpa? De todos nós que temos de pensar em comer e trabalhar e correr de lá para cá..

Aprendemos a desaprender desde miúdos, depois continuamos nas escolas, com a televisäo, com os anúncios, com...

Enfim!