Eh axim k x aprende

Quando era míuda sonhava ser jornalista. Queria trabalhar num jornal ou revista importantes e fazer jornalismo à séria, daquele que não se perde em trivialidades e denuncia situações aberrantes contribuindo para o combate à corrupção e a crimes hediondos como a pedofilia.
Por razões que não vale a pena recordar, chegada a hora de escolher o curso a frequentar optei pelo de Ensino de Português/ Inglês.

Queria ir para uma escola e fazer a diferença, ensinar os míudos, abrir-lhes os horizontes e fazer com que se apaixonassem pelos livros, pelas línguas, que percebessem que a sua língua é maravilhosamente rica e que constitui um aspecto essencial da sua própria cultura.

A vida dá muitas voltas e os sonhos nem sempre se cumprem mas, de qualquer das formas, tenho procurado sempre que os jovens com quem trabalho percebam a riqueza da Língua Portuguesa e defendo sempre que esta seja valorizada, preservada, estimada. Na verdade, sempre defendi que todos temos o dever de lutar pela dignificação da nossa língua e, como tal, sou das que defendem que todos õs professores, independentemente da área que leccionam, devem corrigir os erros dos seus alunos e, porque não, penalizá-los pelos mesmos.
É a nossa língua, a nossa identidade que está em causa.
Daí que já tenha defendido neste espaço a não promulgação do famoso Acordo Ortográfico e me tenha indignado com a questão dos erros do Magalhães.

No entanto, verifico que nem todos pensam assim...
Na passada semana, ao ler a revista "Domingo", do "Correio da Manhã", fiquei a conhecer um professor de Economia no ISCSP, em Lisboa, chamado Jorge Rio Cardoso. Os seus alunos frequentam um curso universitário de Humanísticas mas, diz ele, "há alguns que escrevem nos exames como se estivessem a mandar mensagens escritas no telemóvel. Abreviam ao máximo" pelo que, acrescenta, "quando corrijo os testes, assinalo sempre essas abreviaturas"... O senhor em causa forma antropólogos, jornalistas e políticos e é um querido porque só assinala as abreviaturas. Não as penaliza, ou seja, o aluno está-se bem a marimbar para as suas sinaléticas e continua a escrever dessa forma.
Depoix admiramx das kalinadas k x vêem nos xornais, revistax e Magalhaex...

12 comentarios:

António de Almeida disse...

Aceito que se possa utilizar linguagem SMS para algumas circunstâncias, mas não convém generalizar, e nunca dispensar que periodicamente se faça uma aferição da escrita.

Ferreira-Pinto disse...

Quando dei aulas, procurava ser inflexível no que a erros de Português dizia respeito.
Não que descontasse valores aos alunos por isso, mas que levavam ali bem assinalados os erros todos, lá isso levavam.
Hoje em dia, qualquer coisa é admissível ...

Peter disse...

Carol

Tenho um neto que anda na 3ª classe do Ensino Oficial.
A semana passada fez um ditado e teve 35 erros e a classificação de "satisfaz".
O "não satisfaz" é só para quem dá mais de 35 erros ortográficos.

O que é preciso é passar, pois é o que conta para as estatísticas.

Carol disse...

António, até compreendo que se usem abreviaturas nas mensagens, no MSN, em apontamentos próprios. Agora, no que ao ensino diz respeito sou inflexível, santa paciência!

O problema, mano é que, na maior parte dos casos, os professores nem sequer os assinalam. Valha a verdade que, nalguns casos, também não sabem o que assinalar...

Pois é, Peter, enveredou-se pelo caminho do facilitismo e a situação agrava-se a cada dia que passa. O pior é que isso não nasceu com a actual legislatura e não morrerá com ela certamente.

Compadre Alentejano disse...

Admito que se use a linguagem SMS em mensagens de telemóveis, mas em documentos normais e, especialmente em testes, é inadmissível!
Compadre Alentejano

indomável disse...

Carolzinha,

a linguagem de SMS facilita a vida de quem está por dentro do código...
não sei até que ponto axim e outras que tais simplifiquem seja o que for.

Também eu quando leccionei fui inflexível com os erros de ortografia e agora sou-o com os meus filhos, mas nem todos os professores sabem bem o que assinalar como dizes.
Aconteceu-me virem colegas ter comigo para tirar dúvidas sobre a ortografia de determinada palavra e algumas delas eram professoras de lingua portuguesa.

A inflexibilidade não tem nada de mau, quando significa excelência. A flexibilidade deve estar no raciocinio e na forma como cada um consegue dar a volta a um problema e isso é que deve ser salvaguardado na escola.

Ao tirar o meu curso na universidade ao lado da que nomeaste no teu post, os professores avaliavam os textos de resposta tendo também em conta a ortografia de cada um.
Em determinada altura, fui com uma colega ter com um professor para que ela pudesse ver a sua prova e rever os pontos em que tinha errado.
Metia dó... haviam respostas com traços de alto a baixo. O professor apontara acima que não avaliava provas com erros ortográficos!

e não estaria ele certo?

Carol disse...

Ora nem mais, Compadre!

Totalmente de acordo, Indomável! Parece que, neste país, as pessoas se habiturarm a associar aa palavras exigência e excelência ao bicho papão da ditadura!

Eu sou exigente com os meus explicandos assim como o sou comigo. Eu também tenho dúvidas inúmeras vezes e vejo-me obrigada a consultar dicionários, gramáticas e o prontuário. Ninguém sabe tudo, ninguém nasce ensinado mas daí a estupidificarmo-nos ou a estupidificarem-nos só porque é mais prático, por favor!

indomável disse...

Carol,

eu própria dou por mim a recorrer ao dicionário inúmeras vezes em perguntas que me fazem os meus filhos.
Enquanto leccionei não houve pergunta que os alunos me fizessem que ficasse sem resposta, só que às vezes lhes pedia para responder no dia seguinte por não saber responder.
Daí advieram duas coisas boas:
A 1ª foi que aprendi imenso nesse ano;
a 2ª foi que os miudos perceberam que os professores não são infalíveis e também têm de estudar para saber - este é um dogma terrível na cabeça dos alunos, porque pensam sempre que os adultos e sobretudo os professores possuem todas as respostas!

recordo-me de fazer um ditado por dia na escola primária e de a minha mãe me obrigar a fazer mais em casa.

Hoje não vejo isso na escola dos meus filhos, embora eu os obrigue aos ditados e à leitura, para corrigirem a ortografia e aumentarem o vocabulário...

Hoje vê-se muito boa gente a queixar-se de professores que são muito exigentes e que os filhos passam muito tempo a fazer TPC...

PreDatado disse...

Eu fui professor de matemática. Obviamente que os erros ortográficos me causavam desconforto. Mas os meus alunos ficavam escandalizados comigo quando eu os penalizava por erros nas contas. Para eles o raciocinio estava correcto. Dexe q xe perxeb n eh erro. Ora um erro ortográfico é o equivalente a erro de contas. Implacável!

Carol disse...

É exactamente isso que eu penso, Indomável: ninguém é infalível ou perfeito. É essencial que os míudos percebam que o estudo faz parte da vida,que, se temos instrumentos que nos podem auxiliar, devemos recorrer a eles sempre que necessário!

Eu lembro-me que, em casa, a minha mãe também me fazia ditados e obrigava-me a escrever as palavras erradas correctamente cinco vezes. Aliás, quando ingressei na escola primária já sabia ler e escrever. Tudo graças a ela.

Ó PreDatado, eu dei aulas de Língua Portuguesa e houve um ano em que os pais se juntaram para reclamar por eu descontar pelos erros ortográficos. Imagino a reacção que tinham os seus alunos!
No entanto, defendo que todos deviam ter essa atitude. Se todos o fizessem, ninguém estranhava!

AP disse...

O problema é que o ser humano é uma criatura de hábitos, pelo que o uso excessivo de linguagem abreviada, no msn e em sms, leva a que com o tempo seja utilizada, inconscientemente, noutras situações.
Por isso é que tento utilizar no mínimo tal linguagem que, sinceramente, considero uma enorme ofensa ao nosso idioma.

Daniela Major disse...

Acho que tem que haver uma separação. é perfeitamente normal que quando se escreve um SMS ou mesmo no MSN se use abreviaturas e demais caracteres esquistas, mas tem que haver noção que não se pode ir para um teste de portuguêS escrever assim. Acho bem que se descontem. Tenho um colega meu que nunca punha acentos e isto no 11 ano. Os professores, todos, começaram a descontar e ele passou imediatamente a pôr os acentos.