Desculpem lá voltar ao Magalhães...

... mas não consigo mesmo evitar! Não é de agora a minha disputa com a forma como este Ministério da Educação encara o seu papel.
Não é recente a minha visão antagónica do papel que a ministra Maria de Lurdes Rodrigues votou aos professores, alunos, pais e restante comunidade educativa... e depois há esta questão aborrecida dos Magalhães!

É verdade que tenho um em casa, aguardo por um outro, afinal sou mãe de dois... que querem? Então pago impostos e não tenho o direito de tirar alguma retribuição?
É, talvez tenham razão, talvez esteja a ser hipócrita, mas estas coisas são como as roupas de marca e o futebol, quando um quer, os outros têm de ter igual e neste caso, o computador até nem é o pior que podiam pedir-me...

Ora vamos lá a ver, a ideia do Magalhães até nem é má, sabem?
Está uma máquina porreira, com uma partição interessante entre Microsoft e "ubuntu". Gosto do facto de se poder escolher entre estes dois ambientes, sobretudo por ser fã fervorosa do ambiente freeware da "ubuntu" e porque pretendo educar filhos curiosos que questionem até aquilo que parece inquestionável!
Os jogos são o que de menos interessante o computador tem, embora seja de facto no ambiente "Windows" que estão os melhores doces, a meu ver - a "Diciopédia", o "Aprender Inglês", as aulas virtuais e outras iguarias dignas de um gourmet informático. Mas o pinguim também tem das suas "delicatessen2 - o "Firefox", que faz as minhas delícias, os cursos de latim (em inglês, diga-se de passagem), o "tetris" (quem não o jogou já?).

Enfim, tudo isto seria uma máquina fantástica para qualquer assessor de ministro e secretário de Estado, não fosse dar-se o caso de serem computadores adoptados para crianças dos 6 aos 10 anos. Neste caso, teria sido muito mais inteligente que antes de se recorrer a medidas propagandistas que fazem ganhar muitos votos, se tivesse estudado bem a coisa, revisto conteúdos, alterado a confusa apresentação de ambientes, aplicado os conteúdos do programa ao computador e previsto a sua utilização na sala de aulas.
O que temos, realmente, é uma máquina interessante, esvaziada de funções pedagógicas no contexto em que deveria ser aplicada e uma série de crianças que pode dizer que tem um computador de que faz pouco ou nenhum uso!

Assim é a época em que vivemos.
Em África existem crianças que caminham horas para poder dar-se ao luxo de sentar-se num chão duro de pedra e pó e sorridentes ouvirem o que um professor tem para lhes transmitir.
Na Europa e restantes países ocidentais temos milhões de miudos que se aborrecem por ter de estar numa sala de aulas, sentados em cadeiras e com mesas à frente, quem sabe com o seu Magalhães recheado de gostusuras e sem saberem bem por onde começar...

E assim, uma ideia boa, torna-se em algo puramente asinino e desperdiçado!

Não seria melhor os nossos governantes começarem a pensar que é nas coisas simples que reside o segredo?
Não teria sido melhor ideia começar por onde residia o problema? Os programas?
Ora digam lá de vossa justiça...

9 comentarios:

Ferreira-Pinto disse...

Raio de computador e de informáticos ... está para aqui um cavalheiro a debitar, um comentário extenso e bem aprofundado, estruturado como deve ser, abordando políticas estruturantes da Educação, opções de reformulação profunda dos programas todos, de como canalizar investimentos e gerir recursos, sobre as guerras larvares feitas da defesa de interesses corporativos e, vai-se a publicar, e vai tudo à vida!

E, juro, não uso um "Magalhães"!

António de Almeida disse...

Caro Ferreira-Pinto
Permita-me uma sugestão, mude para o SAPO, o problema do seu acidente, que também me acontece está no blogger. Quando escrevo um comentário extenso por norma faço copy antes de publicar, não confio de todo no Blogger.

-Voltando ao post, de facto o Magalhães é um sucesso junto das crianças, até algumas habituadas a máquinas potentes querem o seu. Conheço pouco das suas aplicações e potencialidades, o primeiro-ministro optou por fazer dele bandeira da sua governação, e como tal sujeitou-o a críticas, uma vez que o computador se tornou uma questão política, o que nunca deveria ter sido.

indomável disse...

Ora aí está António Almeida,
o problema deste pequeno computador está precisamente no uso propagandista que o PM decidiu fazer dele.
A ideia do uso de um computador que é usado no mundo inteiro com fins pedagógicos é excelente... se os professores forem ouvidos antes de tudo, se forem tidos em conta para que o uso seja proveitoso.
Acontece que o meu filho tem neste momento um computador para jogar, para brincar e não para usar na escola!

Não me importo, porque acabo por os entreter também na diciopédia e pelo valor pago, até nem me ralo muito... mas, se for tido em conta o facto de o PM fazer dele bandeira propagandista, acho que não me devo calar e até gritar bastante alto que não é assim que se faz política educativa.

Enquanto se andam a distribuir computadores pelas escolas, pejados de erros ortográficos e outros que tais, para o governo embandeirar em arco, à porta da escola dos meus filhos não está ninguém a verificar com quem saem os miudos, porque não há dinheiro para fazer contratos com vigilantes. Não há dinheiro para colocar mais auxiliares, não há dinheiro para nada! Sobretudo para a segurança!

Se não é propaganda o que este governo faz, então digam-me lá o que é?

pedro oliveira disse...

Caro Ferreira-Pinto o Vila Forte mudou de plataforma há uns meses e uma das razões foram as reclamações dos nossos clientes em relação à caixa de comentários.Mudem para o sapo, a familia já é grande e tudo gente 5 estrelas.

Quanto ao post, como disse ontem , mais uma vez, Medina Carreira, andamos todods embebedados com propangandas e não passamos da cepa torta.É complicado para mim perceber a prioridade "magalhães, quando o meu filho não tem condições nos balneários,teve 2 meses sem alguns livros, as salas são geladas no inferno e um forno no verão, mas isto sou eu que sou do contra.

DANTE disse...

Acho muito bem que se use o Magalhães. Livros para quê? Adeus cadernos e canetas que nos rebentam nos estojos. Adeus caligrafia bonita que tantas horas leva a aperfeiçoar.
E na hora do lazer para quê sair de casa , apanhar sol , brincar ás escondidas e á apanhada , correr , cair , rir , gritar , chorar e viver , se podemos ter isso tudo num écran ao nosso colo?

Não fiz sentido nenhum pois não?
È normal... ;D

Ferreira-Pinto disse...

Bom, penso que, de facto, o ter-se enverado pela diplomacia do "croquete e do Magalhães", além do vexame, não servu em nada o projecto pois colocou sobre o mesmo os holofotes da ribalta.

Como pelos dias que correm está na moda andar à cata de tudo que o Sócrates tenha feito de mal (ou, mesmo que não tenha, lhe possamos assacar as culpas), está-se mesmo a ver no que isto ia dar ... sobretudo, quando o Estado, não sei através de que expediente legal, se mete a pedir a uma única empresa que forneça não sei quantos milhares de computadores e afins ... enfim!

Uma excelente ideia que se perdeu. Digo eu.

E que depois esbarra nesse mar de dificuldades que aqui a nossa amiga refere, se bem que algumas têm de ser direccionadas para outros patamares do Poder ... o Local, por exemplo.

Como eu sou dos que defendem que isto se devia encerrar aí durante dois anos para se repensar toda a arquitectura do Ensino em Portugal, concordo quando dizes que os programas bizantinos a que por hoje sujeitam os estudantes deviam ter sido o primeiro passo.

Quanto aos erros de Português ... bem, eu cá não estou preocupado pois dizem que a directora da DREN não sabe escrever. Eu isso não sei, mas sei que as minhas filhas têm uma professora que deixa passar todos os erros de Português e uma outra que também os dá. Por isso ...

Portaria ILEGAL disse...

José Eduardo dos Santos Presidente de Angola depositou uma coroa de flores na estátua do Camões não sem antes perguntar se ela estava à venda, conhecedor de como Portugal trata o seu Património o Presidente Angolano sugeriu a compra da Assembleia da Republica para lá instalar um campo de golfe, toda a comitiva aplaudiu a ideia e houve até quem emocionado aponta-se a Torre de Belém como o local ideal para a nova embaixada Angolana.

indomável disse...

Dante, não podia estar mais de acordo!
Acontece que os dois diabretes que tenho em casa têm de ser empurrados para a rua nos dias de sol, proibida a playstation e a televisão e nada de jogos de bola dentro de casa!

Mas começa a tornar-se bastante difícil combater esta mania wall-esca de manter o pessoal sentadinho a olhar para um ecrã, sem deitar atenção ao que se vai passando à nossa volta.
Talvez seja isso mesmo que se quer quando se está ao nível dos políticos, o povo quer-se ignorante e calado, dá-se-lhes igreja e futebol e está tudo bem (ai espera, quem dizia isto não era Salazar?)

Peter disse...

Uma análise inteligente, pois até aqui só tinha lido e ouvido "bota abaixo".

Qualquer produto e ainda para mais destinado ao ensino, deve ser distibuido com garantias de qualidade, o que não aconteceu com este.

Não venham agora atribuir as culpas a um emigrante português que só tem a 4ª classe.

Começa porque não o deviam ter encarregado desse serviço e termina, por onde devia ter começado: na ministra da Educação como principal responsável. Ou não é?