Contra o TGV

Sou contra o TGV. Nada tenho a ver com o PSD, mas estou de acordo com a opinião do Presidente da República (P.R), expressa neste artigo de Ana Sá Lopes, publicado em 13 de Julho de 2008 no "Diário de Notícias" e que transcrevo parcialmente: "(…) Se, no processo do novo aeroporto, o Governo cedeu a Cavaco Silva - e ao PSD de Marques Mendes, amparado por um movimento de protesto na sociedade civil - e deixou cair a localização da Ota, com o TGV o cenário não se repetirá. O Governo não parece disposto a ceder (está em causa um acordo com a Espanha assinado durante a cimeira ibérica) e tudo indica que, mesmo sendo frontalmente contra o projecto, o Presidente da República terá que ver passar o comboio. A competência para decidir é, neste caso, do Governo, o que o próprio Cavaco Silva reconheceu publicamente durante a campanha eleitoral das Presidenciais."


Logo na véspera de anunciar a sua candidatura às presidenciais, Cavaco Silva disse que "investimentos como os do novo aeroporto da Ota e do TGV, mesmo não existindo restrições orçamentais, só devem ser realizados se a totalidade dos benefícios sociais, ao longo da vida dos projectos, for maior do que os respectivos custos sociais".
Parece mesmo que, para o Governo, não existem “restrições orçamentais”. Cavaco Silva tem, recorrentemente, mostrado as suas dúvidas sobre estes investimentos públicos.
Em 14 de Julho de 2006, Cavaco Silva defendeu que "é bom que se debata a rentabilidade desses grandes investimentos, e sem dúvida que o TGV é um grande investimento, para saber se, de facto, contribui para uma melhoria do bem-estar dos portugueses". Na altura, pediu "análises custo-benefício muito profundas" sobre o dossier (tal como Manuela Ferreira Leite tem estado a fazer).

Nesse dia, Cavaco Silva fez uma viagem de comboio, um alfa pendular, entre Lisboa e Albufeira. Quando os jornalistas lhe pediram para comparar o Alfa Pendular com o TGV, o Presidente respondeu assim: "Acho que estes comboios estão bem. Ainda há bocado íamos a mais de 200 quilómetros à hora. É uma óptima velocidade para o Algarve e até para o Porto."
No dia seguinte, Sócrates recusou liminarmente parar o processo: "Seria um erro que o país pagaria caro em termos de competitividade e qualidade de vida."
Não é o país de agora que vai pagar, é o país dos meus netos. E para quê? Para encher os bolsos dos franceses, ou alemães que o vão construir e com os portugueses a alimentarem mais um “elefante branco”, que será a sua manutenção e exploração. Querem combater o desemprego? É essencial. Mas procurem criar geradores de riqueza e não geradores de despesa.
O custo do TGV já vai em 7 milhões de euros, calcula-se que as viagens Lisboa-Porto custarão 40€ e as Lisboa-Madrid, 100€ (julgo ser mais que na TAP). Entre 2010 e 2012 criar-se-ão 100 mil empregos, depois vão todos para a rua e os que vierem atrás que "fechem a porta".

4 comentarios:

Ferreira-Pinto disse...

Em relação ao polémico TGV adianto que pessoalmente, enquanto cidadão e até militante do PS, discordo profundamente dessa opção. Tanto que admito seriamente não confiar o meu voto ao PS (não será só por isso, mas também por causa disso).

Nessa medida, sinto-me particularmente à vontade para dizer que as dúvidas do Presidente da República também as comungo, embora recorde que também no seu consulado fez orelhas moucas às críticas que alguns dirigiram a certos investimentos.

Já quanto à Dra. Ferreira Leite, tal como eu disse e escrevi aqui há uns tempos atrás, ela até pode ter razão, mas na política acho que já chega desta palhaçada do que é mau quando somos oposição, é bom quando somos poder.

Ou não era ela membro do Governo quando Durão Barroso, sendo Primeiro-Ministro, assinou com Aznar um acordo que previa TGV para Vigo, Madrir e Huelva?
E na altura o que disse ela?
E não eram esses os tempos em que o País estava de tanga?

Sócrates, neste domínio, mostra-se teimoso como um asno e ela burra como uma porta, pelo que estamos bem entregues.

Paralelamente, meu caro amigo PETER, não seres ou nada teres a ver com o PSD é irrelevante neste caso, e também o deve ser para o Presidente pois que está constitucionalmente obrigado a ser o Presidente de todos os portugueses e não apenas dos do PSD. Consequentemente, também é o meu Presidente.

Bastet Ailuros disse...

Será que alguém me pode explicar os benefícios do TGV a médio ou longo prazo? Para os utentes? Ou para a Economia? É que um investimento desta ordem de grandeza não pode ser para socorrer uma crise actual...
Confesso que não li dossiers sobre o assunto, talvez seja por isso que tenha imensa dificuldade em entender esta opção, principalmente o eixo norte-sul. Para poupar 15 minutos do Porto a Lisboa? Parece-me bastante bom o Alfa.
Até quando continuaremos a pagar as megalómanias dos políticos???

Peter disse...

Bastet Ailures

Eu também não compreendo. Se calhar somos nós e o PR os únicos neste país a não compreender.

Peter disse...

(aditamento)

Temos mais um: o Ferreira Pinto.