“Bullying”

Hoje em dia consideram como fenómenos acontecimentos de todos os tempos. O que acontece é que psicólogos e educadores passaram a estudá-los e a dar-lhe maior atenção.

Desde sempre que os estudantes escolhiam como vítimas os mais vulneráveis física e psicologicamente e sobre eles exerciam pressão e agressões. Começavam por lhe atribuir uma alcunha depreciativa e depois tornavam-nos alvo das suas partidas, do gozo e da violência física, excluindo-os dos jogos e brincadeiras do recreio.

O que nos trás de novo esta designação de origem inglesa, derivada de “bully” (valentão)? A utilização da internet e dos telemóveis. Estamos então no campo do “cyberbullying”, com o envio massivo de mensagens para rebaixar e humilhar, a utilização de fotos do visado/a para a criação de personagens fictícias protagonistas de situações degradantes, ou a violência física, agressão com chapadas, pontapés e murros. Chegam a encher-lhe a boca de lama e a pisarem-lhe a cabeça, filmando todo o ocorrido que depois exibem no YouTube, o que, para o visado, constitui o cúmulo da humilhação. Normalmente os agredidos guardam para si o acontecido, não o revelando aos pais e, por isso mesmo, tornando-se cada vez mais introspectivos.

O estudo Health Behaviour in School-aged Children (Currie, Hurrelmann, Settertobulte, Smith,&Todd, 2000), envolvendo 35 países e regiões maioritariamente europeus, aponta que cerca de 30 % dos jovens entre os 11 e os 15 anos reportam envolvimento em bullying, estando os rapazes mais envolvidos do que as raparigas, em todas as idades e que as últimas optam mais por formas de bullying indirecto como manipulação social e agressão verbal.
Em Portugal são sempre os rapazes que mais referem serem vítimas de bullying. Comparativamente com os outros países envolvidos no estudo, os jovens Portugueses com 11 e 13 anos de idade colocam Portugal em 4º lugar no ranking da vitimização na escola. É uma classificação que não constitui motivo de orgulho.
Talvez que a vida actual com todos os jogos dos telemóveis, game boxes, iPods e outros jogos electrónicos dos quais desconheço os nomes, torne os jovens de hoje mais introspectivos e por isso mesmo mais vulneráveis.

O alerta dos pais deverá ter a maior atenção quando os filhos começarem a falar de suicídio e a dizer sentirem-se deprimidos, pois poderá ser sinal que estão a ser alvo do “bullying” e que poderão mesmo levar a cabo esse propósito, como já alguns fizeram, por não aguentarem a pressão a que estão a ser sujeitos.

4 comentarios:

Cadinho RoCo disse...

Existem atitudes que de fato estão totalmente fora da realidade do nosso intrigante século XXI.
Cadinho RoCo

Ferreira-Pinto disse...

Este é, de facto, um fenómeno que não é novo e que basta atentar em algumas obras literárias para perceber que outrora já pontificava em recreios e camaratas.

Está é mais visível nos tempos que correm e, quiçá, nalguns casos com maiores requintes de malvadez!

Este um dos fenómenos que merecem que a comunidade educativa o acompanhe de perto e actue de forma adequada e atempada nas suas formas mais extremas, perversas e violentas!

Meu caro PETER um artigo notável este.

Compadre Alentejano disse...

Quanto a mim, é um fenómeno aterrador. Os pais têm que estar atentos e, ao mais pequeno sinal, de que o filho está a sofrer "bullying", actuar rapidamente, juntamente com a escola.
Um abraço
Compadre Alentejano

Peter disse...

Compadre alentejano

Também penso que sim e por isso escrevi sobre o assunto e publiquei-o aqui, pensando que poderia ter interesse.
Os comentários não foram muitos, não sei se teria tido mais leitores.
É uma situação normal: cada blogue tem os seus leitores, por isso irei publicá-lo no meu blogue.

Abraço