Afinal em que é que ficamos?

Quem não conhece este ilustre cidadão?
Dir-me-eis amigos leitores, que é um semi-desconhecido que há coisa de três anos foi injustamente acusado por um bando de mal feitores e alunos dessa terrível instituição formadora de prostitutos juvenis, que em conluio com alguém mandado pelos outros partidos formaram uma cabala para o enfiar num estabelecimento prisional por muitos e longos anos...
Talvez, dir-vos-ei eu...

Dir-me-eis igualmente que ficou provado em Tribunal que o senhor foi mesmo injustamente acusado, tanto que saiu em liberdade e ainda lhe foi concedida uma indemnização do Estado português, por ter estado em prisão preventiva sem razão para estar.
Talvez, volto eu a dizer-vos...

Dir-me-eis mais, que o dito senhor intentou uma acção contra os difamadores que o acusaram sem razão, a todos sem excepção, ao que eu respondo que, estais com a verdade do vosso lado.
O que podereis não saber e aqui é que está o engraçado da questão, é que a dita acção intentada pelo senhor, já foi julgada e o excelso cidadão perdeu-a.
Agora dir-me-á o mais comum dos mortais, tal como o fizeram muitos na secção de comentários ao artigo do SOL, que a ser assim, a verdade só pode ser a de que o dito senhor é culpado dos crimes que as testemunhas agora absolvidas da culpa de o acusarem injustamente o acusaram...
E eu respondo que o parágrafo anterior está muito confuso e também toda esta história está confusa demais para os meus pobres dois neurónios conseguirem assimilar, digerir e sintetizar...

Segundo a justiça portuguesa, que não será boa nem má, será a que temos, nem o senhor é culpado dos crimes, nem as testemunhas foram caluniosas.
O senhor foi absolvido, dado terem existido, na sua acusação, erros tão grosseiros que não havia possibilidade de pegar numa ponta qualquer e manter as acusações contra ele.
Os seus acusadores foram absolvidos, porque segundo os juizes, estavam tão confusos, melindrados, traumatizados, que facilmente se compreende que nos seus testemunhos houvessem erros e enganos...

Então vá lá ver se entendi bem...
Neste caso ninguém tem culpa de coisa nenhuma, nem um abusou, nem outros mentiram...
Ah! Esperem, é verdade, estamos em Portugal, não é?
Então compreende-se, aqui ninguém tem nunca culpa de nada!

13 comentarios:

AP disse...

Isto é uma verdadeira festa! Dá para rir aliás...Excelente texto.

pedro oliveira disse...

Indomável,

um texto que retrata bem o nosso Portugal.

Ferreira-Pinto disse...

Partindo do princípio que aquilo que a Justiça sentencia está correcto e atendendo aos princípios gerais de Direito, Paulo Pedroso é inocente e quem o acusou também.

E pode?
Pode.
Como?
Basta que quem o acusou o tenha feito sem a intenção de o atingir na sua honra, consideração, blah, blah e blah, blah e que, depois, quanto ao visado as provas sejam insuficientes ou inexistentes.

Confuso?
Nada ...

Independentemente de tudo isto, estou firmemente convencido que Paulo Pedroso (inocente ou não) sofrerá durante muito tempo de um estigma terrível ... aos olhos da opinião pública será sempre aquilo de que foi acusado e que se safou porque era ... esta é, infelizmente, a lógica das coisas.

António de Almeida disse...

O mesmo destino irá conhecer muito provavelmente o caso do momento, ter existido corrupção sem corruptos, porque uns pagaram para licenciar aquilo que ninguém pediu, quem irá ficar tramado será o intermediário (o Bibi do Freeport). O Código do Processo Penal dá para tudo, oferece demasiadas garantias, pessoalmente preferia um sistema judicial anglo-saxónico, com 12 jurados, e common law, tenho a certeza que mais uns quantos iam dentro. Ontem mais uma pérola do nosso país, Domingos Névoa, administrador da Braga parques condenado em Tribunal por corrupção (podemos discordar da sentença, mas foi condenado), foi nomeado gestor duma empresa pública em Braga por Mesquita Machado.

indomável disse...

Ora bem pessoal, gosto de vos ver tão empolgados logo pela manhã!

Este texto pode muito bem reflectir o que se vai passando neste nosso Portugal, mas decerto que não será muito diferente do que se passa em Espanha, em Itália, na Grécia...
Os Homens (o mesmo que dizer homens e mulheres) perdem-se na ânsia de encontrar culpados... Paulo Pedroso, como dizia o Ferreira-Pinto, sofrerá por muito tempo do estigma de ter sido acusado de um crime hediondo que nunca ficou provado não ter cometido. O facto é que foi ilibado por erros no processo de acusação e isso deixa em aberto toda uma panóplia de dúvidas. Eu se fosse o senhor, não descansava enquanto não provasse cabalmente a minha inocência, o que equivale a dizer ausência de culpa, o que equivale a dizer que não queria sequer que me vissem perto de uma criança...

Acusar alguém é coisa demasiado séria para se andar a brincar...
o mais recente caso, o do Freeport é outra prova cabal de que os media andam a brincar aos advogados de acusação e a tentar manipular as nossas cabeças... e isso não admito a ninguém!

Gostava de um dia ter o conhecimento de todas estas verdades, mas temo que nesse dia tivesse de me matar a mim mesma, tal o lodo que encontraria...

Ferreira-Pinto disse...

Um esclarecimento apenas em relação ao comentário do António de Almeida

… é evidente que a nomeação tem ou pode ter a mão de Mesquita Machado, já que atrelado ao Domingos Névoa vai um genro do todo poderoso presidente da Câmara Municipal de Braga para director-geral, agora não é verdade é que o empresário da Bragaparques tenha sido nomeado por Mesquita Machado.

A nomeação foi feita em Assembleia-Geral por unanimidade dos municípios sendo que os mesmos são Braga (PS), Amares (PS), Póvoa de Lanhoso (PSD(PP), Terras de Bouro (PSD/PP), Vieira do Minho (PSD/PP) e Vila Verde (PSD/PP). Curiosa a correlação de forças, não?

Mas isto é apenas uma nota de rodapé do que se passa por este País fora com essa barbaridade do chamado sector empresarial local e das parcerias público-privadas que têm aberto portas a, imagine-se, sociedades anónimas em que a parte pública fica em posição minoritária mas assume a parte de leão na amortização do investimento efectuado em equipamentos que, por lei, deviam ser do domínio público ou do domínio privado indisponível.

Paralelamente, e conforme hoje vem no Jornal de Notícias, quando temos um Tribunal de Contas que em acórdão afirma peremptoriamente que estamos ante actos feridos de ilegalidade mas concede o visto, não sei que mais se possa pedir. E o caso ilustrado, por acaso, é com o Município de Matosinhos, mas posso asseverar que ainda recentemente tive nas mãos um acórdão referente a um município social-democrata!

Ferreira-Pinto disse...

(... ) acusado de um crime hediondo que nunca ficou provado não ter cometido (...) ou cometido?

Fico com a dúvida, Indomável, pois uma coisa é não se provar que não cometeu e outra bem diversa provar-se que cometeu. E o ónus da prova em processo crime impende sobre a acusação, nunca sobre a defesa.

No mais, tens razão quando afirmas que não se pode andar a acusar impunemente e de forma diáfana no éter das ondas hertzianas ou através do pequeno ecrã, deixando a informação fugir em sistema de rega a conta gotas ... a Justiça, aquela que se escreve em letra maiúscula e que devia ser imparcial (daí estar vendada), devia ser célere, mas também devia ser inclemente com quem a partir dela viola o segredro de Justiça ou com quem, a partir de fora, a quer pressionar.

Hoje, ao que se sabe, vai o representante do Ministério Público em audiência a Belém falar com o Presidente da República sobre alegadas pressões; mas com o Presidente da República porquê? E pressões feitas por quem? Porque é que anda muita gente a ser como o Octávio Machado que passava a vida com meia palavras e insinuações, rematando sempre com um sonoro vocês sabem do que estou a falar?

E não é suposto os senhores representantes da Justiça serem imunes a pressões? Não são eles que o asseveram todos os dias? Ou só o são quando convém?

indomável disse...

Pois Ferreira-Pinto, amigo,

o povinho gostava de acreditar que a justiça é cega e que isso significa que não olha a quem para praticar o bem!

MaFa_R disse...

Porque é que esses senhores "tão grandes" não provam, de uma vez por todas, a sua inocência? Isso faz-me imensa confusão.
Não será porque têm mesmo o rabo preso?

Marta disse...

A culpa morre sempre solteira!
Diz a voz do povo! E diz bem!

AP disse...

A filosofia e a lógica quando querem são tramadas...
Duas premissas podem ser válidas e anularem-se uma à outra? Podem. Pelo menos em Portugal, onde se leva à risca a máxima de que a justiça é cega; tão cega para o bem como para o mal.

Peter disse...

Não me vou meter nos aspectos legais, estão aí os profissionais a comentá-los.

Eu como um vulgar cidadão eleitor não posso deixar de salientar o "espavento" do regresso à AR do deputado em questão e a discrição como tem sido noticiada na imprensa a perda da acção que o mesmo senhor deputado moveu "contra os difamadores que o acusaram sem razão."

Wegie disse...

Constituição da República Portuguesa

Artigo 1º: Ninguém faz broches. Eles apenas aparecem feitos.