Afinal em que é que ficamos?

Quem não conhece este ilustre cidadão?
Dir-me-eis amigos leitores, que é um semi-desconhecido que há coisa de três anos foi injustamente acusado por um bando de mal feitores e alunos dessa terrível instituição formadora de prostitutos juvenis, que em conluio com alguém mandado pelos outros partidos formaram uma cabala para o enfiar num estabelecimento prisional por muitos e longos anos...
Talvez, dir-vos-ei eu...

Dir-me-eis igualmente que ficou provado em Tribunal que o senhor foi mesmo injustamente acusado, tanto que saiu em liberdade e ainda lhe foi concedida uma indemnização do Estado português, por ter estado em prisão preventiva sem razão para estar.
Talvez, volto eu a dizer-vos...

Dir-me-eis mais, que o dito senhor intentou uma acção contra os difamadores que o acusaram sem razão, a todos sem excepção, ao que eu respondo que, estais com a verdade do vosso lado.
O que podereis não saber e aqui é que está o engraçado da questão, é que a dita acção intentada pelo senhor, já foi julgada e o excelso cidadão perdeu-a.
Agora dir-me-á o mais comum dos mortais, tal como o fizeram muitos na secção de comentários ao artigo do SOL, que a ser assim, a verdade só pode ser a de que o dito senhor é culpado dos crimes que as testemunhas agora absolvidas da culpa de o acusarem injustamente o acusaram...
E eu respondo que o parágrafo anterior está muito confuso e também toda esta história está confusa demais para os meus pobres dois neurónios conseguirem assimilar, digerir e sintetizar...

Segundo a justiça portuguesa, que não será boa nem má, será a que temos, nem o senhor é culpado dos crimes, nem as testemunhas foram caluniosas.
O senhor foi absolvido, dado terem existido, na sua acusação, erros tão grosseiros que não havia possibilidade de pegar numa ponta qualquer e manter as acusações contra ele.
Os seus acusadores foram absolvidos, porque segundo os juizes, estavam tão confusos, melindrados, traumatizados, que facilmente se compreende que nos seus testemunhos houvessem erros e enganos...

Então vá lá ver se entendi bem...
Neste caso ninguém tem culpa de coisa nenhuma, nem um abusou, nem outros mentiram...
Ah! Esperem, é verdade, estamos em Portugal, não é?
Então compreende-se, aqui ninguém tem nunca culpa de nada!

À mulher de César não basta ser ...

A novela semi mexicana do recebeu que não recebeu luvas, suborno ou incentivo (escolham) do caso Freeport ameça, à boa maneira lusa, eternizar-se.
Este fim-de-semana de forma bombástica a TVI24, certamente que através de uma operação digna dum qualquer Missão Impossível e nunca porque em Portugal haja alguém que viole de forma deliberada o segredo de justiça, emitiu uma gravação onde alegadamente Charles Smith afirma, preto no branco, que o Primeiro-Ministro do Governo da República Portuguesa é … corrupto!
Contrariamente aos democratas de pacotilha que acharam desde o primeiro segundo que o titular do cargo, que leva o nome de José Sócrates, é corrupto, eu continuo a dizer que não sei. Não sei se é, se não é. E se calhar nunca vou saber. Posso desconfiar, mas não sei …

O que sei é que a situação é suficientemente embaraçosa.
Para o visado, para os portugueses e para Portugal.
Lembro que já outrora se dizia que à mulher de César não basta ser, há que parecer.
Pessoalmente, e no lugar de Sócrates, tinha já exibido publicamente todas as contas bancárias, rendimentos e o que mais importasse, ou tinha-me demitido.
A honra e a dignidade duma pessoa não têm preço, mesmo sendo-se um político da geração de plástico.
Agora, como as coisas estão é que não pode ser.

Contra o TGV

Sou contra o TGV. Nada tenho a ver com o PSD, mas estou de acordo com a opinião do Presidente da República (P.R), expressa neste artigo de Ana Sá Lopes, publicado em 13 de Julho de 2008 no "Diário de Notícias" e que transcrevo parcialmente: "(…) Se, no processo do novo aeroporto, o Governo cedeu a Cavaco Silva - e ao PSD de Marques Mendes, amparado por um movimento de protesto na sociedade civil - e deixou cair a localização da Ota, com o TGV o cenário não se repetirá. O Governo não parece disposto a ceder (está em causa um acordo com a Espanha assinado durante a cimeira ibérica) e tudo indica que, mesmo sendo frontalmente contra o projecto, o Presidente da República terá que ver passar o comboio. A competência para decidir é, neste caso, do Governo, o que o próprio Cavaco Silva reconheceu publicamente durante a campanha eleitoral das Presidenciais."


Logo na véspera de anunciar a sua candidatura às presidenciais, Cavaco Silva disse que "investimentos como os do novo aeroporto da Ota e do TGV, mesmo não existindo restrições orçamentais, só devem ser realizados se a totalidade dos benefícios sociais, ao longo da vida dos projectos, for maior do que os respectivos custos sociais".
Parece mesmo que, para o Governo, não existem “restrições orçamentais”. Cavaco Silva tem, recorrentemente, mostrado as suas dúvidas sobre estes investimentos públicos.
Em 14 de Julho de 2006, Cavaco Silva defendeu que "é bom que se debata a rentabilidade desses grandes investimentos, e sem dúvida que o TGV é um grande investimento, para saber se, de facto, contribui para uma melhoria do bem-estar dos portugueses". Na altura, pediu "análises custo-benefício muito profundas" sobre o dossier (tal como Manuela Ferreira Leite tem estado a fazer).

Nesse dia, Cavaco Silva fez uma viagem de comboio, um alfa pendular, entre Lisboa e Albufeira. Quando os jornalistas lhe pediram para comparar o Alfa Pendular com o TGV, o Presidente respondeu assim: "Acho que estes comboios estão bem. Ainda há bocado íamos a mais de 200 quilómetros à hora. É uma óptima velocidade para o Algarve e até para o Porto."
No dia seguinte, Sócrates recusou liminarmente parar o processo: "Seria um erro que o país pagaria caro em termos de competitividade e qualidade de vida."
Não é o país de agora que vai pagar, é o país dos meus netos. E para quê? Para encher os bolsos dos franceses, ou alemães que o vão construir e com os portugueses a alimentarem mais um “elefante branco”, que será a sua manutenção e exploração. Querem combater o desemprego? É essencial. Mas procurem criar geradores de riqueza e não geradores de despesa.
O custo do TGV já vai em 7 milhões de euros, calcula-se que as viagens Lisboa-Porto custarão 40€ e as Lisboa-Madrid, 100€ (julgo ser mais que na TAP). Entre 2010 e 2012 criar-se-ão 100 mil empregos, depois vão todos para a rua e os que vierem atrás que "fechem a porta".

Vai, Avelino, e não voltes!

Vi num "Casseta e Planeta" (se não me falham as memórias) uma rábula em que um desgraçado, numa repartição, implorava pelo despacho ... que não, não pode ser, tem de ir ali, depois acolá ... em desespero de causa, o tipo atira um maço de notas para cima da mesa, ao que retorquiu de imediato o outro: "Caiu o maço, saiu o carimbaço!"

Dizem que para os lados do Marco, terra que viu Carmen Miranda nascer, havia um eleito local que um diligente magistrado do Ministério Público decidiu sentar no banco dos réus porque o dito "carimbaço" só saia da toca quando convinha. Depois de um "show de bola", primeiro do povo das notícias para, na segunda parte, ser o réu a dar espectáculo, tenho de concluir que a Justiça afinal funciona.
O nosso Avelino Ferreira Torres saiu do tribunal do Marco com a alma imaculada, sorridente, de mãos nos bolsos e com aquele ar trocista a que já nos habituou.
In dubio pro reo, considerou o tribunal.
O azar é que estou em jurar que por esses tribunais fora há pobres coitados que são capazes de não gozar do dito cujo in dubio pro reo ...
Mas, como isto é sábado, tenham mas é um bom fim-de-semana.

Olhó Magalhães baratinho!

Consta por aí que alguns pais estarão a vender no mercado negro os famigerados Magalhães.
A ser verdade, digo aqui e agora que é tão burro quem compra como asno quem vende! Digo e assumo … são umas bestas-quadradas.
Os que compram porque, a avaliar pelo que diz a má-língua, o Magalhães é computador para o fracote e onde algumas aplicações até vêm com erros de ortografia, gramática e sintaxe. Os que vendem porque dão prova, mais uma vez, de tradicional esperteza saloia que por cá impera.
Porque (teoricamente) privam os filhos de um computador portátil e porque com tal atitude nos estão a roubar a todos.
Sim, porque quem vai pagar a factura dos Magalhães vamos ser todos e não apenas as operadoras que essas, finas, já vieram dizer que o dinheiro não chega para tudo.

Manuel Grilo, responsável pelo Ensino Básico no Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), admite que o Magalhães "é um excelente instrumento de trabalho, com muitas virtualidades", mas lembrou que a iniciativa do Governo foi precipitada.

Eu concordo. Para além das trapalhadas com o produto, não contou com o apego à vigarice de largos sectores da sociedade!

Começou a época incendiária

Será impressão minha ou o povo ainda agora chegou à Primavera? No meu calendário a folha actual diz Março mas devo estar equivocada. E, ó pá, que eu saiba, Março e Primavera significam orvalheiras de manhã, frio à noite, relvinha verde e fresca, pouco mato seco. Pois... mas também devo andar nas nuvens porque ao que consta ele é incêndios a começar às duas da manhã (???), ele é o Gerês a arder mais não sei quantas matas e, no final, mais parece estarmos em Agosto. Época de incêndios florestais em Março? Ó gaita, em Março os incendiários cadastrados ainda andam cá fora antes de recolherem à clausura estival! Ó deuses, se isto em Março está assim, como estará daqui a uns meses? Um deserto esturricado, na volta.

Eu cá não acho isto nada normal, mas, enfim, eu confesso que ando com excesso de trabalho, pouco sono dormido, muitos deadlines, stress em barda e, se calhar, deixei o calendário aberto na página de Março há tanto tempo que me esqueci que o tempo voa.
Amigos, viva o Verão!

Uma comissão dá sempre jeito!

Sabia que as escolas com elevadas taxas de insucesso, abandono, absentismo, indisciplina ou conflitualidade até têm denominação à altura?
É verdade, chamam-se Territórios Educativos de Intervenção Prioritária.
Coisa curiosa esta mania, mormente na Educação, de tudo ter siglas e nomes a boiar entre o rococó e o trágico.
Depois da senhora dona TLEBS, cujos efeitos perniciosos ainda estão por mensurar, temos o senhor TEIP.
O tal de TEIP tem um coordenador mas, ao lado, caminha um Observatório de Segurança Escolar, também ele com um coordenador e, presume-se, uns quantos quadros superiores, administrativos e afins.

Nos tempos dos bancos de faculdade tive um docente que asseverou que em Portugal, sempre que não se quer ter um assunto resolvido, cria-se uma comissão.
Na altura, a malta achou alguma graça ao dito e ficou por ali mas, duas décadas depois, concluo que o homem estava carregado de razão.
E assim, de comissão em comissão, coordenação em coordenação, observatório em observatório vamos andando todos contentes a fazer de conta que resolvemos sem resolver.
Imaginem agora se estes, tal como aqueles da misteriosa comissão ou lá que era daquele banco todo cristão, se amarfanhavam com 90.000€ por cada reunião em que pusessem os pés!

Gordinhos e pouco saudáveis

Hoje os jornais saem com a notícia de que temos 1 milhão de portugueses diabéticos. Tendo em conta que estatisticamente somos 9 milhões, este é um número preocupante...
Recordo-me de quando a diabetes era uma doença que só dava aos mais abonados, as famílias mais ricas lá tinham um caso de diabetes na família e daí em diante os descendentes preocupavam-se consigo e respectiva prole e lá tinham de declarar na apólice de seguros que tinham um caso de diabetes na família.

Hoje em dia a diabetes é um "flagelo" nacional (adoramos dar nomes teatrais às coisas, não é?).
Um flagelo que vem por aí a diante, batendo às portas de todos nós como se se fizesse anunciar ao som de trompetes e saxofones, para a melodia ser menos ruidosa e muito mais apelativa. Na verdade, quem não tem hoje um ente familiar que sofre de diabetes? Poucas serão as famílias que poderão afirmar a pés juntos que o "flagelo" lhe não bateu à porta.

E, pergunto eu, não seria altura de começarmos a questionar-nos sobre o porquê deste alastramento? Serão os médicos os culpados? Serão os fabricantes de alimentos? Serão os publicitários que nos apelam aos sentidos quando promovem produtos que nos fazem mal? Será finalmente esse tão mal entendido e mal amado ente que a todos se sobrepõe - o Governo?

De há uma semana a esta parte decidi tomar o meu lugar num grupo de pessoas meio loucas que decidiram, a nível internacional, experimentar algo novo e ao mesmo tempo muito antigo - uma "dieta" de eliminação. Do que trata? O que eliminamos?
Ora bem, açúcar em primeiro lugar, produtos conservados em latas, produtos de panificação com glúten, cafeína (o que inclui alguns tipos de chá, leite e derivados e carne vermelha...
São mesmo loucos, direis vós, incrédulos, o que lhes restará para comer?
Pois é, essa foi a sensação que tive logo de início, mas pior que isso meus amigos, foi constatar a adicção, a dependência de certos produtos que todos os dias ingerimos na maior das inocências.
O cafézinho, o bolinho ou bolacha, o pão que sabe tão bem...
Se vos contar que até tremores tive, podeis não acreditar, mas isso a somar à enxaqueca constante durante os primeiros dois dias, fizeram-me pensar bem no que andava a fazer e o que poderia provocar no meu corpo a longo prazo.
Pois bem, ao fim de uma semana, posso dizer-vos que não só não ingiro os produtos acima descritos, como ingiro muitos mais legumes e frutas e sinto-me melhor que nunca. O café ainda faz falta, mas em compensação já não acordo de mau humor!

Ora bem, esta crónica não servia para publicitar o mais inovador método de emagrecimento, servia para alertar para o facto de, como criaturas de hábitos que somos, sermos os nossos próprios cangalheiros. Todos os dias metemos à boca quilos e quilos de lixo e um dia, acordamos e percebemos que somos "vítimas" da diabetes. Procuramos culpados, olhamos em volta para todos e não vemos ninguém capaz de assumir a culpa. Rebelamo-nos e recusamo-nos a ser doentes para o resto da vida, com o risco de cegar, ser amputados e viver uma vida de dependência de fármacos.
Serve esta crónica para apelar ao bom senso, para vos chamar à discussão sobre um tema que nos afecta a todos, sem excepção e sem um único dia de pausa. Estamos todos a ser os culpados do nosso destino, da nossa saúde.
O que poderemos mudar? Essa é uma pergunta que vos deixo...

Eh axim k x aprende

Quando era míuda sonhava ser jornalista. Queria trabalhar num jornal ou revista importantes e fazer jornalismo à séria, daquele que não se perde em trivialidades e denuncia situações aberrantes contribuindo para o combate à corrupção e a crimes hediondos como a pedofilia.
Por razões que não vale a pena recordar, chegada a hora de escolher o curso a frequentar optei pelo de Ensino de Português/ Inglês.

Queria ir para uma escola e fazer a diferença, ensinar os míudos, abrir-lhes os horizontes e fazer com que se apaixonassem pelos livros, pelas línguas, que percebessem que a sua língua é maravilhosamente rica e que constitui um aspecto essencial da sua própria cultura.

A vida dá muitas voltas e os sonhos nem sempre se cumprem mas, de qualquer das formas, tenho procurado sempre que os jovens com quem trabalho percebam a riqueza da Língua Portuguesa e defendo sempre que esta seja valorizada, preservada, estimada. Na verdade, sempre defendi que todos temos o dever de lutar pela dignificação da nossa língua e, como tal, sou das que defendem que todos õs professores, independentemente da área que leccionam, devem corrigir os erros dos seus alunos e, porque não, penalizá-los pelos mesmos.
É a nossa língua, a nossa identidade que está em causa.
Daí que já tenha defendido neste espaço a não promulgação do famoso Acordo Ortográfico e me tenha indignado com a questão dos erros do Magalhães.

No entanto, verifico que nem todos pensam assim...
Na passada semana, ao ler a revista "Domingo", do "Correio da Manhã", fiquei a conhecer um professor de Economia no ISCSP, em Lisboa, chamado Jorge Rio Cardoso. Os seus alunos frequentam um curso universitário de Humanísticas mas, diz ele, "há alguns que escrevem nos exames como se estivessem a mandar mensagens escritas no telemóvel. Abreviam ao máximo" pelo que, acrescenta, "quando corrijo os testes, assinalo sempre essas abreviaturas"... O senhor em causa forma antropólogos, jornalistas e políticos e é um querido porque só assinala as abreviaturas. Não as penaliza, ou seja, o aluno está-se bem a marimbar para as suas sinaléticas e continua a escrever dessa forma.
Depoix admiramx das kalinadas k x vêem nos xornais, revistax e Magalhaex...

Farmácias, médicos e idosos

Fui à farmácia do bairro comprar um tubo de "voltaren" para ver se acabava com umas dores musculares num braço. Aí fiquei surpreendido quando a empregada me trouxe o remédio, mais outro, para mim desconhecido e me diz:
- Tem aqui o remédio que me pediu e este que é um "genérico" mas cujo princípio é o mesmo e tem a vantagem de ser muito mais barato.
- Quanto custa?, perguntei eu.
- 4€.
- Levo o genérico, ainda para mais, não é nada para ingerir, é para aplicação externa.


Posteriormente vim a saber que as eleições para a direcção da Associação Nacional das Farmácias (ANF) se tinham iniciado no passado dia 9 havendo dois candidatos a ocupar o cargo: o actual presidente, João Cordeiro, e João Ferro Baptista. O primeiro defende que o fármaco solicitado pelo doente, desde que não haja indicação médica, que foi o meu caso, pudesse ser substituído com a anuência do doente, por um genérico dentro da mesma substância activa. Inclui ainda no seu programa a informação ao doente da diferença de preços dos genéricos e a importação paralela de medicamentos, a começar por Espanha.

João Ferro Baptista concorre pela segunda vez ao cargo de presidente da ANF e põe em causa a substituição do "receituário por genéricos" que considera como uma "insurreição e desrespeito" pelo acordo "Compromisso pela Saúde" estabelecido com o Governo e pelo código deontológico, que obriga os farmacêuticos a "respeitar a prescrição médica".
Talvez a farmacêutica do bairro vote na continuidade, tal não me interessa, apenas passarei a pedir ao médico que me receite genéricos pois se não o fizer, é certo e sabido que a maior parte não o faz. Eles lá terão as suas razões.

A compra de medicamentos é um dos grandes problemas com que se debatem os idosos com reformas baixas, entre 250 e 350 € e que só por serem proprietários da casa onde vivem há muitos anos, já não têm direito a ajuda do Estado. Estima-se que as pessoas com mais de 65 anos gastem em medicamentos mais de 65€/mês, que 230.000 tenham dificuldade em pagar os medicamentos e que o valor do crédito das farmácias a particulares e que estes vão pagando a prestações, seja de 84 milhões de Euros.
São a chamada “pobreza envergonhada”, que com os "pobres, pobres" somam qualquer coisa como 2 milhões de pessoas, vivendo com menos de 400 €/mês.

Quê? Já é Sábado outra vez?

E eis que chega mais um fim-de-semana.
Hesito entre um rumo setentrional ou mais meridional.
Para riba significa pedal e selim, ou fato a preceito, pés de pato, prancha e em cada cinco ondas, falhar quatro. Mas, que diabo, divirto-me à brava.
Sendo o rumo mais meridional, talvez um percurso pedestre à beira mar em Espinho.

Ops, agora me lembro que, afinal, ainda é sábado e uma das herdeiras tem aula de guitarra e amanhã, porque é domingo, tenho direito à sogra cá em casa para almoçar.
Ora bolas, afinal nem para cima, nem para baixo.
Com o raio de acção diminuído vou mas é ao ginásio e depois devo dedicar-me à leitura. E talvez visite a FNAC à cata de discos a preceito com preço de amigo!
Tenham, pois, um bom fim-de-semana …

Entregues à bicharada!

Interrogo-me sobre a utilidade dalgumas autoridades que para aí temos? Coisas chamadas ANACOM, ERSE, da Concorrência e quejandos.
Vá, não exagerem nem embarquem no óbvio ... quem respondeu que servem “para ter uns lugares mais ou menos bem pagos para dar ao amigo de uma amiga, ó burro”, faz favor de desconsiderar a resposta.
É que dar lugares aos amigos de uma amiga sucede sempre que uns perdem e os outros ganham.
É no Governo, é nas câmaras … digamos que é uma tradição que vem de longe, tal como aquele Constantino em forma de brandy vinha de longe!
E que diligentemente se quer manter.
Mas voltando às tais autoridades, ando desconfiado que quem lá está ou ganha tão mal que tem de ter outro trabalho, e é por isso que dorme na forma, ou está tão bem instalado naqueles gabinetes que aquilo dá-lhes uma soneira que só visto! Mas no fundo, sono não lhes falta.

Há dias a malta dos telemóveis actualizou os tarifários e que aconteceu?
Só agora é que a sujeita com nome a lembrar jibóia vai ver o que se passa.
Os tipos da BP mexem no preço e logo vêm os da GALP ou da REPSOL dizer que vão fazer o mesmo e sempre no mesmo sentido.
E os da Concorrência, coitados, a ver os navios a passar!
Ao menos os da ERSE são pragmáticos e práticos, pois quando abrem a goela é para se mostrarem paladinos da EDP!
Se, em certos domínios, estamos entregues à bicharada, então o melhor é acabar lá com as tais autoridades. Afinal, elas funcionar, não funcionam … Nem elas, nem nada.
Basta ver que a malta dos “pitróis” está obrigada a publicitar os preços que pratica e andamos de adiamento em adiamento há uns tempos.
Aposto que quando aparecerem com os painéis, aquilo vai ser para aí do tamanho desta crónica!

Umas coisinhas que não percebo

Primeira: Como é que o sistema educacional chegou ao ponto de haver alunos de 5º ano e 13 verdes (ou nem tanto) anos agredirem um professor e levarem como castigo dez dias de suspensão?

Segunda: Com que legitimidade, sem ser a sensacionalista, se agitam partidos e media porque numa escola qualquer os alunos de etnia cigana têm aulas separados dos demais alunos? Ainda entendo as acusações de discriminação e quando ouvi a notícia no calor do primeiro impacto foi isso mesmo que percebi. Agora, ouvindo melhor, se os responsáveis ciganos foram os próprios a querer aquela opção, o que é que o resto da sociedade tem de opinar?

Terceira: Como é que num país em que 3% da população vive em situação de privação se pode achar que essa é uma percentagem ínfima e marginal? E já agora, o que é que se faz com 92 Euros mensais de rendimento mínimo de inserção social? Uma pessoa insere-se onde com esse rendimento? Como esse capital não chega para nada, não se estará a subsidiar a pobreza crónica?

Quarta: Como é que se explica que neste país as forças de segurança privada existam em maior número do que as forças de segurança pública? Estarei enganada ou isto ainda é Portugal e não a África do Sul?

Desculpem as perguntas, mas ele há coisas que não entendo.

Peça a reforma, Dra. Manuela!

Peça a reforma, Dra. Manuela!
Dou este conselho de amigo deveras preocupado com o seu estado de saúde, posto que se diz farta e cansada; de pregar e de ninguém lhe dar ouvidos, de não quererem saber do seu querido PSD.
Exagero seu, Dra. Manuela! Olhe que conheço uma mão cheia de indefectíveis que, mesmo que o PSD candidate um burro, votam no PSD ... manda a verdade que diga que também na área do PS os conheço assim. Por isso, ainda há quem lhe dê ouvidos.

Restam é os infiéis, como eu que não lhe dou ouvidos!
Embora comece a ficar surdo desse lado, tenho de confessar que sempre ouvi melhor à Esquerda embora tentando ser sensato. Ponderado e disponível para ouvir.
Mas a si só a posso ter sob reserva porque me lembro do que fez na Educação; porque enxameou a Administração Pública de tarefeiros (e quem veio a seguir é que se amanhou) e nunca teve pena deles; porque agora chora lágrimas de crocodilo por nós, mas quando lá estava era com cara de pau que nos mandava comer e calar; porque quando o Senhor “Fairness” Barroso assinou com o amigo Aznar um pacote de TGV's para cima e para baixo a senhora manteve o bico calado; porque o IMI, que começa a doer, foi criação dum Governo seu, assim como o IMT; porque hoje reclama baixas de impostos para as empresas mas no seu tempo fez-lhes um manguito …
Como vê, Dra. Manuela Ferreira Leite, não é difícil fazer-lhe orelhas moucas; como ao outro, o Primeiro, também ouvidos de mercador não é difícil fazer resta-nos, quiçá, a soberana oportunidade de os mandar àquele sítio lá mais para a frente!

Sónia Martins Lopes International Award

Perdoem-me esta liberdade de divulgar algo que está fora dos horizontes de qualquer português... ainda para mais porque se trata de um prémio em investigação sobre terapia pediátrica e desenvolvimento clínico na área do desenvolvimento cognitivo e... todos sabemos como os portugueses estão longe desse mundo tão abstracto como é o desenvolvimento cognitivo, não é?
Nas televisões vemos, todos os dias, os intelectuais que temos, pessoas de vasto conhecimento que sabem muito de muita coisa, mas pouco do desenvolvimento cognitivo de todos nós. Temos uma Eucação que pouco percebe do desenvolvimento cognitivo e professores que talvez até tivessem muito a dizer sobre o assunto mas que... permanecem calados com mordaças na boca.

Sim, perdoem-me, hoje estou um pouco sensível, de facto, se querem mesmo saber a verdade, estou a escrever este artigo com lágrimas nos olhos, com uma saudade e um sentido de perda que nunca pensei vir a sentir...
"Sónia Martins Lopes Award"... é de facto um prémio atribuido internacionalmente a quem, no mundo inteiro, se tenha destacado pelo trabalho com crianças, na área do desenvolvimento cognitivo!
Este ano foi atribuido a uma austríaca de meia idade que estabeleceu ligações excepcionais entre a investigação e a terapia clínica com crianças...

Sónia Martins Lopes era mãe de dois meninos lindos, esposa de um homem excepcional que prezo como um bom amigo. A Sónia era uma menina franzina com quem gostava muito de conversar, com quem aprendi mundos sobre os meus filhos e sobre mim própria.
A Sónia era terapeuta no Aboim Ascenção até que sentiu que deveria apostar em algo dela própria. Criou a primeira clínica sensorial no Algarve e desatou a estudar, a estudar muito.
Em pleno tratamento de quimioterapia, deslocava-se aos EUA para ter e dar formação na área do desenvolvimento cognitivo e destacou-se sempre em toda a parte por ter um conhecimento tão profundo sobre o assunto.
Ela foi a porta de entrada deste tipo de investigação na Europa e deu formação a terapeutas de Espanha à Alemanha, deu formação a professores e educadores e tive a sorte de ela ter partilhado comigo as suas visões sobre o que as nossas crianças são capazes de fazer... se as deixarmos.

A Sóia faleceu o ano passado. Um cancro fulminante tolheu-lhe a vida e nós ficámos sem uma grande mãe, esposa, amiga.
Mas Portugal, permitam-me esta homenagem, perdeu muito mais do que isso - perdeu uma das melhores terapeutas ocupacionais da Europa, perdeu uma portuguesa que não se dava por vencida, perdeu alguém que em plena crise há uns anos atrás, contra todas as expectativas, se lançou na aventura de criar algo nunca antes conhecido e venceu!

Eu, meus amigos, perdi alguém com quem gostava muito de conversar, perdi uma amiga, é verdade, mas para além disso perdi um farol que me alumiava nos momentos de dúvida, que apesar de estasr sempre assoberbada de trabalho, nunca dizia que não a uma conversa.
O "Sónia Martins Lopes Award" é entregue todos os anos pela Autoridade International para o Desenvolvimento Sensorial e disso e de muitos outros portugueses que se destacam por esse mundo fora não ouvimos falar nunca.
Portugal tem andado de olhos fechados para os seus, muitas vezes por eles se destacarem ao sairem do país.
O que a Sónia tem de diferente, é que ela sempre se destacou lá fora pelo trabalho que fez cá dentro.

Lutar cá dentro, pelo que é nosso, o nosso património, cultural, científico, económico, qualquer que seja... é isso que eu quero para mim e para os meus filhos!
Mais uma veza perdoem o desabafo, a liberdade, a homenagem, mas todos merecemos saber que somos capazes de ser mais que esta mediania que o governo, políticos e comunicação social em geral querem fazer-nos acreditar que somos...

Aí está o dito país real

Confesso que nunca fui muito dada às políticas, apesar de lá por casa haver quem por ela nutrisse grande interesse e, curiosamente, em campos diametralmente opostos. Desde pequena que me habituei a ver o meu pai e irmão esgrimirem argumentos sobre as mais variadas questões.
Para mim, a política sempre foi um mundo de gente cínica, ambiciosa e, a maior parte das vezes, incompetente. Não ponho todos no mesmo saco, já que acredito que há gente de valor nos meandros politiqueiros, que deseja o melhor para o seu País, com ideiais, ideias e sonhos que nunca conseguem o que querem porque são afogadas pelas ondas de interesses pérfidos e jogos de ambição que os rodeiam.

Mas sempre existiu uma expressão usada por políticos e jornalistas que me deixava intrigada: "o país real". Mas, então, aqueles viviam onde, num mundo virtual? Sendo eles os representantes do povo não tinham que conhecer o mundo que os rodeia?!
À medida que os anos foram passando comecei a ter maior discernimento, maior capacidade de análise e, como tal, comecei a perceber que realmente os políticos não conhecem o país em que habitam. Mas continuava a achar que conheciam minimamente Portugal e os portugueses...

A semana passada, no entanto, percebi que estava completamente enganada!
Na SIC Notícias discutia-se a malfadada crise e as suas consequências. Diogo Feyo, deputado do PP, e Saldanha Sanches, fiscalista, comentavam o assunto, apontavam dedos acusadores, discutiam números. Eis senão quando, o primeiro dispara esta pérola: "Por exemplo, no distrito de Espinho, que foi o distrito onde decorreu o congresso PS, o desemprego é xis%".
Fiquei incrédula a olhar para o televisor, à espera de uma correcção que nunca chegou.
Diogo Feyo nem sequer teve noção do disparate que disse ao afirmar que Espinho é um distrito... Saberá ele, sequer, quantos distritos constituem o nosso país?! E das suas gentes, saberá ele alguma coisa?! Parece-me que não...
Assim como a maior parte dos deputados, ministros, autarcas...

Infelizmente, muitos dos nossos políticos não sabem que há quem viva e tenha de sustentar uma família com um salário mísero (e muitos desconhecem, até, qual o valor do mesmo); que há gente que vive sem as mínimas condições (como saneamento básico); que há quem viva nas ruas e se alimente do lixo dos outros...
Agora, sim, percebo do que falam quando falam do país real. Falam daquilo que não sabem, daquilo que não conhecem, daquilo que não fazem um mínimo esforço para conhecer...

Corrupção

A Sociedade portuguesa, para além da crise económica, que não pode ser responsabilizada por tudo, vem ressentindo-se de um certo mal estar político, por motivos por demais conhecidos e em que sobressaem a corrupção e o enriquecimento ilícito. Por educação e formação profissional, são assuntos que me chocam particularmente.


No que respeita à corrupção, o que está em causa é a “venda” de actos ou omissões da Administração Pública e os magistrados interrogam-se sobre se se justifica, nos planos lógicos e valorativos, distinguir entre a corrupção para a prática de acto lícito (corrupção “imprópria”) e a corrupção para a prática de acto ilícito, a chamada corrupção “própria”. A distinção é antiga e aceite internacionalmente. No actual Código Penal, tal como no antigo, está consagrada e tem reflexos na medida da pena e nos prazos de prescrição, pois entende-se que o dano social e a culpa do agente são diferentes em ambas as situações.

Considera-se que a corrupção para um acto ilícito (“própria”) tem uma influência mais perniciosa na economia, além de constituir uma conduta mais censurável. No que respeita à corrupção “imprópria” o dano social seria atenuado por constituir uma forma dos investidores ultrapassarem os entraves e a morosidade burocrática, que aliás continuariam a existir para os não corruptores, o que não é justo.

Actualmente temos casos em julgamento e suspeitos indiciados de terem cometido corrupção da qual resultara o seu enriquecimento ilícito. Outros estarão ainda em fase de inquérito. Em face do enriquecimento ilícito aquilo que se incrimina é a possibilidade de ter sido cometido um crime de corrupção do qual beneficiara o corrompido. Em sede de processo tem de se provar que este aumentou inexplicavelmente o seu património, recaindo sobre ele o ónus de justificar esse aumento.

Fazer do enriquecimento a incriminação, equivaleria a transformar o indício do crime em crime. Do ponto de vista fiscal, justificam-se os métodos indiciários, baseados em sinais exteriores de riqueza, para prevenir a evasão fiscal, mas a transposição dessa perspectiva para o Direito Penal poria em causa o princípio de que só os factos merecem punição, além da presunção de inocência, consagrada na Constituição, ser afastada ainda antes do início do processo.

Se hoje é sábado ...

Hoje é sábado ... ah, pois é!
E está aqui a ler-nos?
Com um sol radioso lá fora?
E que tal ir fazer um pouco de jardinagem?
Ou dar um passeio a pé, de patins em linha, de bicicleta, sem auscultadores metidos nos ouvidos porque há sons lindíssimos para ouvir na natureza?
Ou ir para o jardim público de livro debaixo do braço, sentar-se ali prazenteiramente e ler, ler, ler?
Ou arriscar um sorvete na esplanada?
E mesmo que nos leia de madrugada, um "pub" ou um bar podem ser sempre solução ...
Qualquer coisa, menos estar aqui a ler isto pois é sinal que está sentado frente a um monitor que é coisa enfadonha ...

Estudai a Gramática, nabos!

Pinto Monteiro deu recentemente uma lição de Português escorreito, elementar e correcto, presumo. E presumo porque com esta história das novas terminologias e quejandos, um cavalheiro nunca sabe se não se está a armar em fino e acaba estatelado na lama! De qualquer modo, estou com o Procurador e, como tal, intimamente convicto que não há vírgula que separe o sujeito do predicado!

Contudo, essa figura misteriosa que é o senhor legislador (ou a senhora legisladora) entende que não. Quase todos os dias, no seu afã legislativo, dá tratos de polé à gramática e põe literalmente às voltas na tumba os ilustres legisladores de antanho que, esses sim, sabiam da poda.
Se já é triste ver documentos legislativos andarem de anás para caifás pelos ministérios ou nas várias comissões parlamentares, ainda mais triste é vê-los saírem de lá eivados de caneladas na língua pátria.

O problema é que os tipos (e as tipas) que fazem leis já têm uma idade que lhes permitiu, pelo menos, acabar o curso superior. O que não abona em nada o percurso que a nossa Educação tem trilhado pois devem ter todos, aí no mínimo, uns vinte e muitos anitos!
Admito que a língua seja algo vivo, que acompanhe a evolução dos tempos e dos falantes, mas já não posso admitir que esses falantes não dominem os rudimentos, as normas mais elementares da gramática!
Infelizmente é o que sucede e não é só com o nosso legislador que, coitado, tem o azar de estar mais exposto nas asneiras com que nos brinda!

Sempre a África...

E lá veio o José Eduardo dos Santos em grande pose estatal. E lá foi o B.E protestar imbecilmente. Enfim, isto quando toca as ex-colónias há sempre umas comichõezinhas.

Depois lá veio a história gasta da necessidade de parcerias económicas e mais os laços fraternais entre nações amigas.
E a cereja no topo do bolo: o funeral do Nino Vieira que, nem sei por que lucidez transcendental que até a mim me surpreendeu (pela positiva, aliás), não teve uma representação oficial portuguesa ao mais alto nível.
Ou seja, uma semana repleta de notícias de África.

Agora o que eu gosto mesmo é da atitude de nos lembrarem que Angola é 14 vezes maior em área do que Portugal, que é um país riquíssimo em matérias-primas, que é um parceiro privilegiado de Portugal e que Portugal lá deve investir (como se isso fosse uma obrigação por responsabilidades históricas). E nós aqui a ouvir. Nós que recebemos vagas de imigrantes mas que precisamos cauções de $10.000 para lá irmos "investir".
Mas sim, acho que a expansão do nosso mercado passa por África, tal como acho que, se não cuidarmos dos nossos interesses, a China cuidará dos seus, precisamente em Angola (curioso como não tenho visto ninguém escrever sobre o ascendente sino sobre a economia angolana). Espero sinceramente que não deixemos a ocasião escapar como é habitual.

Aliás, a pena que me dá a CPLP não ser uma Commonwealth.
Nem sequer tem peso suficiente para fazer do Português, a sexta língua mais falada no planeta, uma das línguas oficiais da ONU. É triste.
Agora o que eu vejo é que 100 anos depois do Scramble for Africa, uma nova corrida a África está a começar...

Ainda nos mata, Dr. Medina Carreira!

Caro Dr. Medina Carreira, espero que releve não só a ousadia de lhe endereçar esta, mas também o tratamento dispensado. Escrevo motivado pelas palavras que dirigiu a quem o quis ouvir na entrevista que concedeu ao Mário Crespo.
O seu discurso, temperado com pessimismo e não com coentros ou salsa, também o partilho e, por aí, teria de me calar. E, contudo, não posso.
Porque o senhor tem uma projecção que não tenho, tem um nome na praça que jamais alcançarei e até dá entrevistas ao Mário Crespo, coisa que nunca fiz nem nunca terei o prazer de dar. E é aí que está o problema, sabe.

É que nós, os portugueses, precisamos de quem nos motive, de quem fale verdade mas, ao mesmo tempo, puxe por nós.
De que nos serve um discurso como o seu se não nos apresenta uma única ideia palpável e se prontifica a dar o corpo ao manifesto por ela?
Desconfia da utilidade do voto, disse-o nesta entrevista, e até apontou para um regime presidencialista dando o exemplo dos EUA mas, diga-me, ficaríamos melhor em quê?
Não confia no Estado, mas, ao mesmo tempo, dá exemplos que deviam fazer corar de vergonha! Penso nos Mexias das EDP’s e nos Farias das caixas gerais de depósitos … ou aqueles que por reunião no BCP embolsavam aos 90.000€!

Aponta-nos o dedo porque não produzimos que chegue. Mas sabe se nos dão com quê? E se nos sabem gerir?
Diz que nos falta a organização dos nórdicos e tem razão, mas também acho que nos faltam outras coisas.
Daquelas que motivam ao trabalho, como um sistema de Segurança Social justo e eficaz, que deixem de esbulhar em taxas e impostos os fracos do costume. Ou que o meu ministro das Finanças se bata tanto pelo IVA das pontes que o senhor tem aí ao pé, como pelo IVA dos desgraçados aqui do Vale do Ave, de Trás-os-Montes, do Alentejo … afinal, somos todos portugueses, acho eu.

Ao colocar as coisas no pé que as coloca, Dr. Medina Carreira, o senhor condena-nos.
Quem andar deprimido, ouvindo-o desfalece em lágrimas, bate na mulher, nos filhos, no amante, embebeda-se ou mata-se. Não pode ser.
O senhor, Dr. Medina Carreira, tem a obrigação de, na próxima que me aparecer na televisão, nos insuflar ânimo e confiança. Nem que para isso, minta um pouco!

Desculpem lá voltar ao Magalhães...

... mas não consigo mesmo evitar! Não é de agora a minha disputa com a forma como este Ministério da Educação encara o seu papel.
Não é recente a minha visão antagónica do papel que a ministra Maria de Lurdes Rodrigues votou aos professores, alunos, pais e restante comunidade educativa... e depois há esta questão aborrecida dos Magalhães!

É verdade que tenho um em casa, aguardo por um outro, afinal sou mãe de dois... que querem? Então pago impostos e não tenho o direito de tirar alguma retribuição?
É, talvez tenham razão, talvez esteja a ser hipócrita, mas estas coisas são como as roupas de marca e o futebol, quando um quer, os outros têm de ter igual e neste caso, o computador até nem é o pior que podiam pedir-me...

Ora vamos lá a ver, a ideia do Magalhães até nem é má, sabem?
Está uma máquina porreira, com uma partição interessante entre Microsoft e "ubuntu". Gosto do facto de se poder escolher entre estes dois ambientes, sobretudo por ser fã fervorosa do ambiente freeware da "ubuntu" e porque pretendo educar filhos curiosos que questionem até aquilo que parece inquestionável!
Os jogos são o que de menos interessante o computador tem, embora seja de facto no ambiente "Windows" que estão os melhores doces, a meu ver - a "Diciopédia", o "Aprender Inglês", as aulas virtuais e outras iguarias dignas de um gourmet informático. Mas o pinguim também tem das suas "delicatessen2 - o "Firefox", que faz as minhas delícias, os cursos de latim (em inglês, diga-se de passagem), o "tetris" (quem não o jogou já?).

Enfim, tudo isto seria uma máquina fantástica para qualquer assessor de ministro e secretário de Estado, não fosse dar-se o caso de serem computadores adoptados para crianças dos 6 aos 10 anos. Neste caso, teria sido muito mais inteligente que antes de se recorrer a medidas propagandistas que fazem ganhar muitos votos, se tivesse estudado bem a coisa, revisto conteúdos, alterado a confusa apresentação de ambientes, aplicado os conteúdos do programa ao computador e previsto a sua utilização na sala de aulas.
O que temos, realmente, é uma máquina interessante, esvaziada de funções pedagógicas no contexto em que deveria ser aplicada e uma série de crianças que pode dizer que tem um computador de que faz pouco ou nenhum uso!

Assim é a época em que vivemos.
Em África existem crianças que caminham horas para poder dar-se ao luxo de sentar-se num chão duro de pedra e pó e sorridentes ouvirem o que um professor tem para lhes transmitir.
Na Europa e restantes países ocidentais temos milhões de miudos que se aborrecem por ter de estar numa sala de aulas, sentados em cadeiras e com mesas à frente, quem sabe com o seu Magalhães recheado de gostusuras e sem saberem bem por onde começar...

E assim, uma ideia boa, torna-se em algo puramente asinino e desperdiçado!

Não seria melhor os nossos governantes começarem a pensar que é nas coisas simples que reside o segredo?
Não teria sido melhor ideia começar por onde residia o problema? Os programas?
Ora digam lá de vossa justiça...

Passageiros e clientes ou animais?

Como alguns sabem, habito na zona de Aveiro e trabalho em Ílhavo. Desloco-me diariamente de autocarro, utilizando o único serviço disponível, da responsabilidade da TRANSDEV. Em meados de Fevereiro fui informada, por outra utente, da possibilidade de alteração ao percurso e horários.

Segundo ela, uma fusão com outra empresa - a JOALTO - seria a fonte duma série de mudanças. Quando questionei diversos motoristas sobre a veracidade dos rumores, fui informada de que realmente haveria alterações ao percurso, horários disponibilizados e preços, mas sem que algum soubesse elucidar os utentes de forma clara e inequívoca.

Decidi, então, enviar uma mensagem de correio electrónico para um endereço indicado nos horários a solicitar esclarecimentos e a reclamar pela possibilidade de deixarem de servir uma das artérias principais da cidade de Aveiro (a Avenida Mário Sacramento), onde se situavam duas paragens bastante próximas de serviços e empresas como a PT Inovação, o Centro de Saúde de Aveiro ou o Glicínias, área comercial que inclui várias lojas e um hipermercado.
Esta mensagem, enviada no dia 19 de Fevereiro, permanece, até hoje, sem resposta. Assim como uma segunda que enviei no dia 27.

Tive, entretanto, que fazer uma viagem completa para perceber qual o novo itinerário e constatei que, se anteriormente precisava de 15 minutos para me deslocar até à paragem mais próxima de minha casa, com a alteração preciso de 30 minutos para o fazer. Se antes tinha um abrigo, que me protegia do sol, do vento e da chuva, hoje nada tenho.
Se até aqui apanhava o autocarro em plena cidade, hoje apanho-o numa beira de estrada da Nacional 109, onde sou abordada como se fosse uma prostituta.
Se antes tinha um percurso seguro até à paragem, hoje tenho que atravessar duas faixas da Nacional 109 ou, em alternativa, uma saída e duas entradas da mesma. Em qualquer das situações, corro o risco de ser atropelada já que não existem passadeiras ou qualquer outro tipo de passagens para peões.

Para além disso, muitas pessoas são deixadas nas paragens, porque os autocarros não são suficientes para o número de utentes e já viajam lotados.
Apesar de todas estas situações serem vivenciadas todos os dias, por centenas de pessoas, as empresas em causa não se dignam a dar resposta a pessoas como eu, que todos os dias utilizam os seus serviços.
E é assim que, em Portugal, se quer fazer com que as pessoas deixem os carros em casa e utilizem os transportes públicos onde são tratadas, na maior parte das vezes, não como pessoas, não como clientes mas, antes, como animais!

Como é evidente, não me vou ficar pelos e-mails sem resposta. O próximo passo será o de me deslocar à empresa em causa e solicitar o livro de reclamações. Depois, logo veremos o que acontece.

“Bullying”

Hoje em dia consideram como fenómenos acontecimentos de todos os tempos. O que acontece é que psicólogos e educadores passaram a estudá-los e a dar-lhe maior atenção.

Desde sempre que os estudantes escolhiam como vítimas os mais vulneráveis física e psicologicamente e sobre eles exerciam pressão e agressões. Começavam por lhe atribuir uma alcunha depreciativa e depois tornavam-nos alvo das suas partidas, do gozo e da violência física, excluindo-os dos jogos e brincadeiras do recreio.

O que nos trás de novo esta designação de origem inglesa, derivada de “bully” (valentão)? A utilização da internet e dos telemóveis. Estamos então no campo do “cyberbullying”, com o envio massivo de mensagens para rebaixar e humilhar, a utilização de fotos do visado/a para a criação de personagens fictícias protagonistas de situações degradantes, ou a violência física, agressão com chapadas, pontapés e murros. Chegam a encher-lhe a boca de lama e a pisarem-lhe a cabeça, filmando todo o ocorrido que depois exibem no YouTube, o que, para o visado, constitui o cúmulo da humilhação. Normalmente os agredidos guardam para si o acontecido, não o revelando aos pais e, por isso mesmo, tornando-se cada vez mais introspectivos.

O estudo Health Behaviour in School-aged Children (Currie, Hurrelmann, Settertobulte, Smith,&Todd, 2000), envolvendo 35 países e regiões maioritariamente europeus, aponta que cerca de 30 % dos jovens entre os 11 e os 15 anos reportam envolvimento em bullying, estando os rapazes mais envolvidos do que as raparigas, em todas as idades e que as últimas optam mais por formas de bullying indirecto como manipulação social e agressão verbal.
Em Portugal são sempre os rapazes que mais referem serem vítimas de bullying. Comparativamente com os outros países envolvidos no estudo, os jovens Portugueses com 11 e 13 anos de idade colocam Portugal em 4º lugar no ranking da vitimização na escola. É uma classificação que não constitui motivo de orgulho.
Talvez que a vida actual com todos os jogos dos telemóveis, game boxes, iPods e outros jogos electrónicos dos quais desconheço os nomes, torne os jovens de hoje mais introspectivos e por isso mesmo mais vulneráveis.

O alerta dos pais deverá ter a maior atenção quando os filhos começarem a falar de suicídio e a dizer sentirem-se deprimidos, pois poderá ser sinal que estão a ser alvo do “bullying” e que poderão mesmo levar a cabo esse propósito, como já alguns fizeram, por não aguentarem a pressão a que estão a ser sujeitos.

Somos autómatos?

Outrora, em tempos em que os cavalheiros primavam pelo "primeiro as senhoras", quando um desses, mais endinheirado, investia, fazia-o por conta e risco.
Se o negócio corria mal, alguns, com a vergonha, metiam uma bala na cabeça!

Avançaram os tempos e começou-se a dar excessiva importância a uns crápulas licenciados em económicas e afins que, aproveitando-se dos políticos titubeantes a que temos direito, logo trataram de embandeirar em arco. Começaram lentamente por celebrar uns contratos com o Estado para vender uns cobres; depois, a coberto das economias abertas e afins, vendiam, recebiam subsídios, incentivos, taxas de créditos bonificados, esqueciam-se de pagar impostos; inventaram depois parcerias público-privadas e coisas similares ... tudo, segundo nos diziam, a pensar no bem-estar, pois os privados fazem mais e melhor por muito menos! Vê-se ...

Veio a crise e ai, ai, ai que não pode ser!
Sem vergonha e de forma despudorada, uns puseram-se ao fresco; outros avançam com despedimentos aos milhares; exigem liberalização absoluta das leis laborais; reclamam menos impostos, quando só um Furacão pôs a nu a pouca vergonha que por aí anda; querem mais subsídios, mais crédito bonificado, mais garantias para o risco de exportarem, mas ninguém lhes fale em baixar os preços um cêntimo que seja. Alguns, como os trastes da GALP e da EDP parecem pavões inchados com os lucros; há bancos a pedirem, por exemplo, sete euros e meio por emitirem um novo código PIN para um cartão ...

Podiam fazer como os de outrora e pegar numa pistola e dar um tiro na cabeça, mas qual quê ... vergonha é coisa que lhes passou ao lado; creio mesmo que a alguns, em lhes mostrando gordo cheque, baixariam as calças ...
E a tudo isto, como autómatos, dizemos quê? Fazemos quê? Nada, nada, nada ... viesse Marx ao mundo e morria vendo que nem os proletários se unem ou levantam!

Da Guiné

E ora bem, lá assassinaram o Nino Vieira. E ora bem, até aí nada de surpreendente.
E é mesmo isso: nada de surpreendente.

Quando ouvi as notícias do assassinato pensei que se ia alardear o facto, que nós, antiga nação colonial, íamos dar ao caso uma atenção desmesurada. Mas equivoquei-me. Na blogoesfera, outros assuntos mais domésticos ocupam os posts, nos noticiários das televisões só no primeiro dia é que houve abertura de edições com a notícia, na imprensa escrita nada demais a assinalar. Será que estamos a entrar numa fase de pacificação com o passado? Aqui do meu prisma ignorante, parece-me que a morte de Nino Vieira foi tratada como se de um Chefe de Estado de outra nação africana sem nada a ver connosco se tratasse. Certo que ainda se enviaram uns correspondentes especiais para o terreno, mas parece-me, também, que a coisa foi feita mais como uma obrigação que se espera natural do que uma verdadeira intenção informativa.

Ainda pensei que se viessem levantar fantasmas e os gritos de "Espera-se guerra sangrenta". Mas não! Tudo sereno. Gostei. Sinceramente gostei deste interesse apenas superficial. Afinal qual é a novidade de assassinatos políticos em África? Afinal, o que é que nós temos a ver com a actual Guiné-Bissau? (Ok, nem me venham lá com os laços históricos e o blablabla enjoativo sempre que se trata de países que fizeram em tempos parte do nosso império ultramarino). Afinal, sem ser por partilharmos a mesma língua e um passado, quais as responsabilidades de Portugal perante a situação interna de um país independente?

Sim, prossigam as notícias que há outras coisas mais prementes e importantes a tratar e a saber.

E não, nem tenho instintos colonialistas obsoletos nem me revejo no papel da anti-colonialista. As circunstâncias são o que são e ponto final. E também não me vou pôr aqui a dizer que paciência, mataram um assassino, por isso não há cá penas nem vou insinuar que a democracia (???) guineense ficou empobrecida e denegrida com este acto selvático. É África.

Um candidato vital

Vital Moreira é um bom candidato? Tem substrato intelectual, tem capacidade de abordagem a temas jurídicos e comunitários, é uma voz teoricamente à Esquerda dadas as suas proveniências e poderá gerar alguma simpatia nos ditos meios intelectuais que depois fazem opinião.

É ainda um garante que na frente do Parlamento Europeu, Sócrates não terá nenhum rival a morder-lhe os calcanhares. E isso também conta. Isso e o sinal dado para dentro que, por enquanto, quem manda é José Sócrates. Veja-se que Sócrates enfatizou bem "o candidato que eu escolhi". Não é por questões de responsabilidade, antes de autoridade.

Mas será Vital Moreira o candidato de que o PS, no actual contexto, necessitava? Penso que não. O PS necessita, nas próximas eleições ao Parlamento Europeu, de, e no mínimo, um resultado igual ao último que teve. Menos que isso é abrir portas a leituras e análises a apontar no sentido de perda e todos bem sabemos o que isso poderá significar. Ora, se nós o sabemos, também Sócrates o sabe. E bem. Daí que entendo ser esta uma escolha de risco.

No sábado viu-se que Vital Moreira, tirando os nervos, não tem nem voz nem discurso que galvanize. Depois, e embora não se possa olvidar a surpresa que Sousa Franco acabou por ser, não creio que no contacto com as massas, o meio pai da Constituição se venha a revelar. Mais um óbice. Restarão os debates onde, toda a capacidade intelectual pode vir a soçobrar ante uma voz que manifestamente não funciona.
E, nestas coisas, já todos sabemos que o eleitorado, na sua esmagadora maioria, vai mais pela embalagem do que pelo conteúdo.

Hoje...

Já volto... vou só apagar umas quantas velas ...
Eh pá, não me tinha dado conta que eram tantas!

Bom... para começar tenho de agradecer a quem me deu os parabéns e aproveito para explicar que tinha mesmo de deixar o artigo assim curtinho para vos deixar a pensar que era mesmo só isto... eheheh!
Então aqui vai o resto ...


Quando fiz dezoito anos, tinha o mundo no colo e acreditava seriamente que iria modificá-lo até que ficasse a meu gosto. Pensava regressar ao meu país - Angola - e servir a população e o país, para que se tornasse melhor, para que existisse mais igualdade e menos miséria.
Nesse mesmo ano ingressei na Universidade e nesse ano ainda aprendi uma lição de vida - não existem certezas absolutas e tudo não é o que parece!

Quando fiz vinte e seis anos tinha o mundo na barriga e acreditava seriamente que iria modificar o mundo um passo de cada vez, aos poucos e de forma suave, para não magoar ninguém. Pensava e sentia como mãe que me estava quase a tornar. Sentia os movimentos no ventre e chorava, acreditando que podia realmente fazer a diferença. Aos vinte e oito voltei a sentir o mesmo, quando de novo no meu ventre o mundo e a vida se revolviam...

Aos trinta anos tive uma crise de identidade... o trabalho não se identificava comigo e eu não me identificava com ele. A agressividade estava a tomar conta de mim e eu já não conseguia contê-la. Então, num assomo de rebeldia nunca antes sentida, juntei-me a um grupo de raparigas doidas e extraordinárias e andámos pelo país a distribuir placagens, jogadas formidáveis e corridas impensáveis no Campeonato Nacional de Rugby Feminino! Nunca me esquecerei e não consigo evitar as saudades que ainda hoje sinto daqueles anos em que fui jogadora, apesar de para o fim acabar os jogos estendida no chão com umas dores lancinantes no lombo...

Posso dizer hoje, ao fazer trinta e seis anos, que tenho realmente o mundo nas mãos...
Acredito que posso ser e fazer o que quiser. Posso mudar o mundo, realmente, um bocado de cada vez - o meu mundo.
Não, não me vou lamentar mais. Não vou queixar-me do que não fazem por mim e do que não me deixam fazer. Vou à luta e faço, quer queiram quer não.
É como um mail que me mandou um amigo aqui há tempos - as mulheres até aos quarenta olham-se ao espelho e acham-se gordas/magras demais, baixas/altas demais, o cabelo não é o que queriam... mas a partir dos quarenta isso já pouca diferença faz para elas.
Meu amigo, Quintino, eu cheguei lá mais cedo. Quando me olho ao espelho gosto do que vejo, porque decidi que gosto, porque fiz as pazes comigo mesma e porque vos tenho a vós ao meu lado... a todos vós, os que me lêem, os que me comentam e os que discordam de mim, sobretudo estes, porque me fazem pensar, porque me fazem questionar sobre as minhas ideias e as contra-ideias.
OBRIGADA, MUITO OBRIGADA a todos!

Com pais destes...

Sei que as relações familiares, nomeadamente as que se estabelecem entre pais e filhos, mudaram. Aliás, tudo o que diz respeito ao Homem e aos conceitos que o rodeiam sofrem alterações à medida que o tempo vai passando.
Posto que trabalho com jovens e lido com os pais diariamente, tenho a possibilidade de constatar a mudança evidenciada no relacionamento entre ambos. E noto, já há muito, como, regra geral, as partes se vão distanciando cada vez mais. É o ritmo alucinante da sociedade em que vivemos que o provoca, dizem-me alguns. Não concordo, sinceramente, mas também não é objectivo meu escalpelizar as razões para esse facto.

Na passada sexta-feira, ao consultar a edição on-line do "Diário de Notícias", deparei-me com isto; pais a contratarem detectives para vigiarem filhos? Nunca passou por esta cabecinha arraçada de loira que tal coisa fosse possível e, muito menos, que as pessoas, nomeadamente os pais, adoptassem uma atitude tão ridícula e degradante.
Sei perfeitamente que os míudos mentem e tentam enganar os pais, mas isso faz parte do processo ou estarei enganada?!

Qualquer filho que se preze tenta ludibriar os progenitores!

Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra!
Já aos pais, por seu turno, cabe a difícil e grandiosa tarefa de descobrir as patranhas que a malta tenta fazer passar por verdades puras e inocentes!

Esse é o maravilhoso jogo da educação, que tem outras cambiantes e outros níveis, uns mais avançados, outros considerados básicos...

Um pai que escolhe este caminho está a deturpar tudo na relação que estabelece, ou antes, devia estabelecer com o seu filho. Um bom pai serve para guiar. É ele que deve fornecer as melhores ferramentas para singrarmos na vida, para distinguirmos o Bem do Mal, para fazermos escolhas conscientes, para termos valores e princípios e sabermos lutar pelos nossos sonhos e ambições...
Um bom pai não nos coloca numa redoma, não nos obriga a viver numa estufa, onde não sentimos as diferenças de temperatura, onde a chuva e a neve não caiem, onde tudo é asséptico e controlado.
Não me interessa minimamente se é legal que um pai contrate um detective para seguir os filhos, que recorra a câmaras ocultas, aceda aos e-mails e ouça as suas conversas telefónicas... Não me interessa, não quero saber. Acho ridículo. Acho uma estupidez. Acho socialmente reprovável e acho moralmente condenável!
E, se algum dia for mãe, não quero ser assim.

Destruir a família

Uma coisa é o comportamento homossexual que é um direito individual, outra bem diferente é considerar esse comportamento como base de uma relação legalmente prevista, ao ponto de se tornar uma instituição do nosso ordenamento jurídico.
O respeito para com os homossexuais não implica a equiparação jurídica das uniões entre pessoas do mesmo sexo, com a instituição casamento entre homem e mulher, base da família, célula primária da sociedade, pois tal levaria à desvalorização de valores fundamentais que, desde sempre, são parte integrante do património da humanidade.
Penso que as uniões homossexuais não deverão pois usufruir das mesmas garantias jurídicas das da instituição casamento, até porque se trata de instituições diferentes na sua constituição.

Vi na passada quinta-feira anunciado um programa a emitir nesse dia como fazendo parte de um novo canal. Não o vi, mas pela publicidade feita, tratava-se de uma pessoa que possuía os dois sexos, tendo até ganho um prémio num concurso de beleza feminina. Resolve então ficar legal e fisicamente com o sexo masculino, mas mantendo os órgãos genitais femininos. Casa com uma mulher e resolve ter um filho por inseminação artificial. A imagem de um homem com barba, para indicar o seu sexo legal, mas grávido, é abjecta. Para mim é.
A mulher toma hormonas para aumentar e desenvolver os seios a fim de poder amamentar a criança que vai ser parida pelo homem.
Todo um cenário montado pelos intervenientes para realizarem dinheiro. Aproveitamento reprovável do mesmo por quem o usufruiu, pois a criança é um pequeno ser indefeso e, como tal, descartável.
O que será o inferno da sua vida quando passar a conviver e a brincar com as crianças da sua idade? Será objecto de rejeição e troça, uma infeliz, e quando se tornar homem estou certo que fará impossíveis para ocultar o seu nascimento, por muito carinhosa que tenha sido a sua infância, o que não acredito.
Parece absurdo? Mas é apenas a lógica do esforço para destruir a família enquanto instituição.