Olha-m'estes americanos, hein?

Eu cá até acho que se devia fechar Guantánamo. Eu cá até acho que aquilo é uma vergonha. E eu cá até acho que estamos face a claras violações dos Direitos Humanos. Concordo com isso tudo e até louvo que o Presidente Obama (que bom que já não preciso escrever Presidente Bush!!!) tenha feito do fecho de Guantánamo uma das suas prioridades de agenda. Até aí estamos conversados.

Agora, que a Europa, e no que me toca de mais de perto, Portugal, se "coloquem a jeito" para receber prisioneiros, alto e pára o baile! Então nós temos de levar com um problema americano? Desde quando eles levam com os nossos? E já agora, onde é que começou o raio do "subprime"? E quem é que não ratificou o protocolo de Quioto? E quem é o maior devedor da ONU? Hein? Tenham dó de mim!

E onde é que há uma cláusula qualquer de Direito Internacional que diga que um país tem de receber prisioneiros (não condenados, diga-se) de um país que resolve fechar uma prisão? Ora bem, imaginemos que o Governo Português fecha Vale de Judeus. Vamos enviar os detidos para a Alemanha, com os nossos cumprimentos e obrigada?! Não devolver ao remetente.

Mas isto nem é o que me choca. Se os EUA invocassem razões de cooperação no âmbito de sedes internacionais como a ONU ou a NATO para solicitar aos parceiros auxílio na resolução desta situação, eu até entendia. Agora que a Europa venha declarar que quer ajudar os EUA é que me vira do avesso. Espero bem que o nosso Ministério dos Estrangeiros não se vá armar em bom samaritano e: "O Estado Português, no espírito proporcional de concórdia e harmoniosas relações com os Estados Unidos, encontra-se na disponibilidade de acolher X detidos do estabelecimento prisional de Guantánamo".
É que, Senhores e Senhoras, uma coisa é alianças diplomáticas, outra bem diferente é darmos a impressão de nação subserviente.
Eu, por mim, ainda tenho orgulho (muito)...

8 comentarios:

AP disse...

Vai uma aposta em como o nosso Governo baixa a cabeça e aceita?

Ferreira-Pinto disse...

Subservientes? Nós? Os portugueses? Nã ... quer dizer, talvez ... provavelmente, sim porque o nosso Luís Amado foi isso mesmo que já veio dizer.

Eu, tolo, ao princípio até estranhei porque raio íamos nós receber (acho que 8) suspeitos de terrorismo vindo de Guantanamo para uma prisão portuguesa.

Mas, afinal, e cá está a prova da minha mais absoluta tolice, parece que era para ficarem numa pensão qualquer, vigiados pelo SIS mas á vontade!

Isto sim, seria vida boa! E, penso eu "de que", com um bocado de jeito ainda lhes davam o Rendimento Social de Inserção ...

E, já agora, se nos calhava na sorte um "madraço" como um que saiu de Guantanamo livre como um passarinho directo para o Iémen para retomar o estatuto de número dois da Al-Qaeda lá do sitio?

Tenho para mim que técnicas como o "waterboarding" são muito boas mas é quando os americanos permitirem que os seus meninos da "Blackwater", por exemplo, sentem o "rabinho" no mocho ou que um Rumsfeld seja indiciado como criminoso de guerra; aí sim, então admita-se lá a técnica do "waterboarding"; agora, que se queira fechar pura e simplesmente Guantanamo e mandar os tipos que lá estão para países terceiros, alto e pára o baile!

Quem criou o problema, que o resolva. Por exemplo, entreguem os tipos aos países de origem ... por exemplo. No meio daquela "gangada" toda há casos e casos e certamente alguns inocentes, agora não me queiram convencer que são todos bons rapazes. Aliás, se fossem p'ra que raio quereriam os EUA mandar os "brothers" para outras paragens?

pedro oliveira disse...

É um problema que os EUA criaram é um problema que têm de resolver, quem está inocente, deve ter direito a ser integrado na comunidade Americana, a terra das oportunidades, quem é culpado deve estar em prisões nos EUA(ponto final).

António de Almeida disse...

Está tudo muito certo, mas os americanos também poderão dizer, "se os europeus quiserem segurança, que a paguem", tenho é sérias dúvidas que os europeus pretendar ir sujar as botas no terreno do Afeganistão. Para mais a história de Guantanamo está mal contada, o que se pretende é que os europeus recebam alguns prisioneiros contra os quais não foram encontradas provas nem deduzidas acusações, e não que recebam condenados a cumprir penas. Convém relembrar que alguns desses prisioneiros colaboraram com a investigação, e correm o risco de serem mortos se regressarem aos países de origem. Não vou falar da ONU e Quioto, porque aí estaremos em desacordo, mas são assuntos laterais ao post, por isso fica para outra oportunidade. Ainda em relação ao post, um dos primeiros decretos assinados por Obama, mas que passou despercebido, foi a autorização de transferência de prisioneiros, utilizada pelos serviços secretos para realizarem interrogatórios em locais "discretos", nomeadamente na Europa de Leste, daí posso concluír que Guantanamo irá encerrar, mas a prática irá continuar, só que de forma menos vísivel.

DANTE disse...

Enviem-nos de barco. E a meio do atlântico afundem o dito.
Assim sendo , concordo!

Jokas :)

O Guardião disse...

A proposta até foi do ministro (mal) Amado, e não acredito que o tenha feito sem o acordo do 1º, que nessa altura ainda tinha ambições na política europeia e internacional. Agora que a "bernarda" do Freeport estoirou, e que as ambições são mais modestas, talvez se afaste de fininho, pois o papel de Furão Barroso não é condizente com o seu feitio.
Cumps

Compadre Alentejano disse...

A troco de quê? Qual é o negócio feito com o MNE para vinda desses terroristas?
Compadre Alentejano

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Primeiro deixámos que os aviões aterrassem nos nossos aeroportos para os levar para o calvário. Agora, como Madalenas arrependidas, fazemos acto de contricção e recebêmo-los com as devidas vénias. E se eles resolvem vingar-se por termos sido coniventes na sua prisão?