Octuquê?

A Vida Humana, de nós enquanto espécie pensante num estádio evolutivo bastante desenvolvido, atravessa tempos que muito devem surpreender o Deus que, supostamente, nos criou.

Com a Medicina capaz de proezas nunca imaginadas, vivemos numa época em que, no meio de convulsões éticas e morais, temos de (re)pensar o próprio conceito de Humanidade e de vida. Fala-se muito de eutanásia. Fala-se e referenda-se o aborto. Discute-se o contrato vital. Experimenta-se com células estaminais. Fazem-se transplantes de tudo, e qualquer dia até de alma. E... já não é novidade a reprodução medicamente assistida.

Tudo isto, todas estas possibildades que a Medicina nos proporciona são debatíveis, controversas, crivadas de prós e contras. Tudo isto carece legislação asséptica. O pior é que se não nos entendemos com leis tão comezinhas com as que regulam o trabalho, como nos iremos entender com leis que regulam a moral e o até onde o Homem pode ir na sua condição de demiurgo?

Nasceram agora nos Estados Unidos, essa terra de prodígios maiores do que os do Entroncamento, oito bebés de uma "ninhada" só. Acontece que a mãe já tinha seis filhos anteriores a esta fornada gemelar. E mais, a mãe é solteira e vive numa casa de dois quartos. Claro, desculpem a barbaridade que vou dizer: só podia ser.
Mas, mesmo ignorando estes factores, e imaginado que até se tratava de um casal infértil que tentava realizar o sonho da parentalidade, oito? Que pseudo-deus louco brinca desta maneira com a fertildade, com a natalidade? Só para se dizer: mais um milagre da Medicina? Acho isto nojento, contra-natura, abjecto e moralmente condenável. Acho também que é tempo de a comunidade científica-médica se deixar de tiques divinos.
Oito gémeos! Pobres e coitados, aberrações de quem estupidamente os botou no mundo.

13 comentarios:

Tone disse...

Triste brincadeira de uma mãe mentecapta e de "médicos"com sorrisinhos idiotas e ar de satisfação por terem contribuído para esta bestialidade.

Carol disse...

Olha, eu estou com o Tone...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

E a Igreja também deve andar a lamber os beiços com esta "dádiva de Deus"!

Ferreira-Pinto disse...

Só o primeiro parágrafo dava pano paras mangas … abster-me-ei, cuidadosamente, de me debruçar sobre conceitos como “espécie pensante”, “estádio evolutivo”, “Deus” e “criacionismo”.

Também não me apetece muito tornar a entrar em discussões em torno de conceitos como “eutanásia”, “aborto”, “contrato vital” … e não me apetece porque as minhas razões são minhas e não vejo porque terão elas de soçobrar ante a argumentação alheia.

As opções legislativas respeito-as, mas cada vez mais me capacita que estar aqui a debater com um afã que, por vezes, parece raiar o “talibanismo” serve de e para quê?
Para nada!
Por isso, também não me apetece discutir conceitos como aqueles que ali repisei do texto.

É que existem temas onde, infelizmente, a civilidade dá lugar à estupidez do “se não és por mim, és contra mim”.

No resto, e quanto ao âmago da história, acho assim um bocado de mau gosto apodar o nascimento de óctuplos de “ninhada”; bem sei que não é por mal, mas eu que sou pai de duas achei assim um bocado de mau gosto.
E nem sequer sou lá dos conservadores, criacionistas ou o raio que os parta!

Quanto às condições aparentemente franciscanas em que a mãe vive podemos adoptar duas perspectivas. A dos defensores acérrimos da Vida e a dos que são vistos como defensores da Morte; se para uns está bem, foi a vontade divina embora com uma mão do Homem, para outros será a prova da necessidade de milhentas políticas regulamentadoras e permissivas de tudo e mais alguma coisa.

Francamente não entendo, nem compreendo o que leva uma pessoa naquelas condições a querer ter mais filhos.
Seis, já é número exagerado, na minha óptica.
Agora a esses adicionar oito é, de facto, de pasmar!
Não têm é culpa nenhuma os oito.

Carol disse...

E, mais uma vez, serão essas oito crianças a arcar com as consequências de uma decisão tomada pelos pais e médicos que tornaram isto possível.
Lá está a velha questão: uns impõem sobre os outros as suas decisões.

DANTE disse...

È mais um tabuleiro de jogo que se arranja. Para já ainda é preciso um hospedeiro para conceber , qualquer dia já são fabricados numa 'panela'.

Jokas Loira :)

António de Almeida disse...

Sobre o caso em concreto direi apenas que a mãe extremamente parecida com Angelina Jolie, após algumas intervenções é claro, parece obcecada com o número de filhos, e mesmo desempregada, já tem um advogado a vender a história para Hollywood. Parece que estamos no domínio do absurdo.

António de Almeida disse...

Por princípio sou contra o excesso de produção legislativa, gosto pouco de ver o Estado intrometer-se na vida privada dos cidadãos, principalmente quando o mesmo Estado não é capaz de garantir os principais Direitos para os quais está vocacionado, Segurança e Justiça. Manifestei ontem reservas à Eutanásia, à qual não me oponho, apenas enumerei algumas preocupações. Quanto a estas matérias, reprodução assistida, fertilidade etc, entendo que as mesmas não colidem com os Direitos da sociedade, pelo que devem ficar no âmbito da consciência de cada um, excepto se realizadas a expensas do contribuinte, aí seriam uma obscenidade, agora se alguém entender adquirir embriões, existindo uma entidade que tenha stock para venda, nada a opôr, decorre do normal funcionamento do mercado, desde que os intervenientes na transacção sejam maiores, e estejam na posse de todas as suas faculdades.

pedro oliveira disse...

O primeiro comentário diz tudo.
abr

Carol disse...

Ó António, o seu último comentário até me deu arrepios! «adquirir embriões», «stock para venda», «normal funcionamento do mercado»?! Não estamos aqui a falar de acções ou grades de cerveja!

Compadre Alentejano disse...

Para já, agora que a "ninhada" está cá fora, o Estado americano deve criar condições para lhes proporcionar uma vida condigna, tanto a eles, como aos irmãos e à mãe.
Até pode ser que eles sejam carne para canhão numa próxima guerra...

O Guardião disse...

Tenho dúvidas quanto às capacidades intelectuais da tal mãe, e por isso mesmo acho que o(s) médico(s) têm aqui a sua parte de culpas no cartório, e não vi esse aspecto abordado com a devida acutilância.
Cumps

joshua disse...

Hoje como ontem, casos que não merecem tanto furor condenatório furibundo! Se uns quantos privilegiados munidos de um alto conceito de si mesmos andam a raspar o cu em SPAS sucessivos e estão no seu direito, e têm pesadelos sobre aonde podem ir da próxima vez a limpar, tonificar, esfoliar e hidratar a pele que a terra há-de comer, que superioridade moralóide nos assiste para estigmatizar um caso de particular propensão parideira?!

Não é mais óbvio nutrir abjecção por quem assassina fetos em massa?! O mundo está perdido! Se correm uns poucos de privilegiados, por nascimento e educação, aonde possam dar mais largas à vagina fumegante, atirar-se a perfumes e incinerar notas de quinhentos euros em operações arriscadas na Bolsa arriscadíssima, por que não há-de uma aventureira adrenalinizar-se com o ter quantos filhos quiser?!

No passado, há menos de um século, eram comuns famílias carregadas de filhos: dez, doze, treze. Morreram todos. Todos morremos. A vida não se calunia. Parece que nos não foge, e zás! Lá vamos com a nosso cu-não-me-toques, como se costuma dizer, pró caralho! Quem tem Fé bem sabe que há as Bem-Aventuranças para cumularem de consolos e prémios os que nesta vida são Puros de Coração e os que Sofreram Perseguição por Amor da Justiça. Todos morremos. Cada qual a seu tempo, se as coisas correrem bem. Para que se há-de caluniar a Vida, quando acontece excêntrica, mas vida, arranjar-lhes eufemismos e metáforas redutoras?!

Como caluniar o livre arbítrio e fatalizar as opções ultranatalistas de uma pobre mulher e, pior, para quê?! Por que geometrizamos a vida livre e stunt dos outros se se trata da sua vida?! A natureza não pode ter sido assim tão cruel num tempo em que não havia televisão: A GIRL WITH EIGHT TWINS: Remarkable Record Statement to a Doctor in East St. Louis. . Blonde, minha querida Blonde, tu sabes que te adoro, mas esta tua posta padece de uma certa 'singularidade de uma rapariga loira' particularmente duploneuronial só de esta vez!