Até logo

Razões muito fortes ocorridas recentemente na minha vida, impedem-me neste momento de ter a dinâmica e o interesse que eu queria e gostava de ter para todas as semanas vos incomodar com as minhas ideias, passadas a escrito, sobre a triste política e vida nacional.

Acresce o facto de termos entrado na Quaresma, que para mim, é um período do ano em que me dedico quase em exclusividade á minha vivência da Fé, ao meu encontro e reencontro com o Deus que me ama e que eu quero amar permanentemente com a vida que Ele me deu.

Voltarei, se assim for desejo das minhas companheiras e companheiros de escrita, após o Domingo de Páscoa, mas sem qualquer constrangimento coloco desde já o Sábado deste espaço, à disposição do amigo e editor do Notas, Ferreira Pinto, a quem agradeço a amizade, bem como a todos os que me/nos acompanharam neste tempo, lendo, comentando e abraçando.

Não me despeço, mas digo até logo, como sempre se diz na minha terra.

A fibra de Elisa chegará?

Em ano de tríplice eleição, a Invicta conta com um naipe de candidatos que podem dar um verniz especial à contenda autárquica.
Não discutindo os méritos e as demagogias, diria apenas que poder escolher entre Rui Rio, Elisa Ferreira, Rui Sá e Teixeira Lopes é digno de registo. Quem dera a muitos eleitores e concelhos terem tal sorte!

Independentemente do vencedor da contenda, noto que um parte numa posição fragilizada.
Desde logo porque raramente se ganha o poder, podendo dizer-se que quem o tem é que o perde.
Depois porque terá de arrostar com o descontentamento larvar que a governação socialista tem gerado a nível nacional.
E se aqui Elisa Ferreira pouco pode fazer, existe uma situação na qual se colocou mesmo a jeito e dá a Rui Rio outro trunfo.
Tendo começado por granjear maior visibilidade com a Operação Integrada de Desenvolvimento do Vale do Ave do Professor Cavaco, depois andou a ministra e a deputada, pelo que é, tal como o seu adversário principal, uma profissional da política.
Mas fica mal só se estar disponível para abandonar um cargo (Estrasburgo) em caso de vitória no outro. Mesmo que seja legal. E é-o.
Aliás, também é legal a acumular de funções na administração e eu acho que devia ser absolutamente proibido, sem excepções. O princípio devia ser o de separação e quem quisesse, optava.

Voltando ao Porto, aguarda-se ainda com natural expectativa ver que golpe de rins terá a principal rival de Rui Rio de fazer para resistir a uma aparelho local do PS que … enfim!
Mas que existem condimentos para dar alguma animação à coisa, lá isso há.

Da infantilidade...

Pois é, acho que anda tudo doido e que vivemos tempos inglórios no que à infância diz respeito. Ando chocada e explico.

A semana passada não houve jornal, revista ou telejornal que não falasse do caso desgraçado do miúdo inglês pai aos 13 anos! Que se comente, fale ou noticie o caso e se exalte o sucedido nos contornos sensacionalistas que vendem até não me surpreende. Agora, o que me enoja realmente é quando tenho de levar com capas de revista que fazem gala de fotografar o petiz com o seu rebento. Acho de uma monstruosa falta de decência. Sim, porque gosto está obviamente fora de questão. Mas, no caso vertente, o que me faz maior confusão é a cara do garoto: alguém acredita nos seus 13 anos? Eu cá acho-o um miúdo aí para 8. Palpita-me que há aqui lebre escondida...

E também me chocou chegar aqui há dias do ginásio, àquela hora depois dos telejornais, ligar a televisão e ver que, em vez de um programa de apanhados normais, a SIC exibe um programa de apanhados com crianças. Então, a suposta diversão hilariante consiste basicamente em assustar crianças ou mandar-lhes esguichos de água ou chantilly para os olhos quando as pobres são convidadas a espreitar alguma coisa.
Mas alguém no seu juízo acha piada a estas estupidezes?
Raio de sociedade esta em que a infância vende sensacionalismos baratos!

Hoje há pornocracia!

Ia rua fora pensando que a euforia dos corsos lusos fizera arribar à costa umas pérolas quando, sem que nada o fizesse prever, é literalmente atropelado por um ofegante ser …
Até parece que foges como o cão do Garrett - resmungou.
Não fujo, corro à frente - replicou o outro.
E corres à frente de quê criatura?
Credo! Mas então tu não vês, não sabes? Valha-me a Santa, homem distraído - disse o outro.

E lá se produziu um relato, meio ofegante à conta da respiração, sobre uma senhora queixosa e a outra que decidiu que a moral pública era violentada com umas meninas no ecrã do “Magalhães”. Mais arriba, na terra dos três “pês”, ou Braga, para quem não souber, nova queixa e a autoridade confiscou uns livros ...

Os livros de que te falo tinham na capa uma generosa exibição de … hum … é melhor não dizer - asseverou o outro.
É melhor não dizer o quê?
O nome da coisa, não vá alguém confiscar-te o NOTAS.
Mas, afinal, falas de quê?
Porra, duma pintura duma mulher que exibe os órgãos genitais! - berrou o outro.
E os livros foram confiscados a que propósito?
Porque o tipo achou que eram pornografia!
Ah ... Olha lá, mas então corres à frente de quê? E para quê?
Do polícia que daqui a quinze minutos me aparece ali no quiosque a comprar "A Bola".
Essa agora …
Ai não, com o mostruário que lá tenho de revistas com meninas ladinas ali com quase tudo ao léu, olha o prejuízo se o tipo me confisca o material!

E cada um seguiu seu caminho.
O outro arfando pela salvação das revistas, e este pensando se bonito como é, podia ser considerado pornográfico e sujeito a apreensão?

Aprender... é ser feliz

Há dias começávamos uma conversa, os meus filhos e eu, sobre como a educação é o que temos de mais importante na vida. Aprender, saber, são o que de melhor temos, as nossas maiores riquezas, dizia-lhes eu muito confiante de que eles iriam compreender um dia. Eles limitaram-se a revirar os olhos e garantir-me que preferiam fazer qualquer outra coisa, em vez de irem para a escola todos os dias da semana, ouvir a professora e de quando em vez, fazer fichas de avaliação.

Os meus filhos sofrem do mesmo síndroma de milhões de outras crianças por esse mundo ocidental fora - o síndroma do "para que é que me serve a escola?".
A conversa invariavelmente acabou com o usual generation gap, ou o mais português, conflito de gerações, em que eu fazia o papel da mãe que sabe o que é melhor e eles a fazer o de filhos que têm a certeza que sabem tudo muito melhor do que eu!
Concluindo e resumindo, regressámos ao ponto de partida, em que eu mantinha a minha opinião mais que formada e eles ficaram com a sua, ainda em processo de evolução, mas muito certa quanto à inutilidade da escola e do conhecimento.

Essa conversa pôs-me a pensar no estado da educação do mundo em geral e resolvi recorrer ao meu baú do tesouro, onde vou muitas vezes para pensar e descobrir o quão ignorante eu realmente sou, comparada com alguns dos maiores cérebros da actualidade - a TED.
A TED é um ninho para gente empreendedora, com ideias e que têm a veleidade de querer mudar o mundo com elas.
Até há bem pouco tempo, uma ilustre desconhecida, ficou recentemente nas bocas do mundo por causa de uma conferência do Bill Gates, em que ele soltou um monte de mosquitos da malária em plena sala, como forma de demonstrar um ponto de vista.

Sou ávida apreciadora das conferências TED há cerca de ano e meio e em cada TALK a que assisto aprendo algo, para não dizer muita coisa. Uma das coisas que aprendo é que as ideias do mundo estão a mudar e isso é tão visível que chega a ser físico, material.
Uma das maiores preocupações das conferências deste ano tiveram a ver com... a educação e a forma como encaramos a educação das nossas crianças.
O Bill falou disso, o Barry falou disso e houve até demonstrações de projectos escolares por todo o mundo que tentam um dia de cada vez, alterar a forma como se educa.

Ora bem, depois de recorrer ao meu baú, cheguei a uma triste conclusão que é ao mesmo tempo também, uma luz de esperança, uma espécie de farol que me fez olhar para a educação dos meus filhos de outra forma.
Dizia Barry Schwartz que os programas escolares tal como existem, com cada tarefa do professor escalpelizada ao mílimetro, previne desastres e fracassos, mas no lugar destes promove a mediocridade. Não há espaço para a liberdade de improviso do professor, não há lugar à aprendizagem personalizada de cada aluno, da descoberta individual...

Foi neste ponto que se me fez luz!
Os meus filhos têm razão, pensei eu, para que lhes serve uma escola que lhes ensina a eles tal como ensina a outro menino a horas de distância, exactamente o mesmo, da mesma forma, com as mesmas palavras, só para que nas estatísticas pareçam crianças muito bem sucedidas... em testes?
Que me interessa que os meus filhos saibam resolver testes, se não souberem como actuar na vida real?
Que me interessa que tenham boas notas, se não tiverem curiosidade em descobrir as coisas por eles mesmos, se tiverem um livro a explicar tintim, por tintim como fazer tudo?

Lembrei-me então daquele maravilhoso, cansativo, desastroso, glorioso ano em que leccionei.
Os meus miudos eram praticamente todos crianças com dificuldades, ou de aprendizagem, ou de abuso familiar, ou de miséria e fome. Estavam todos nas mesmas turmas, uma espécie de concentrado de problemas, para os identificar bem e os separar melhor...
Nesse ano aprendi mais que em todo o resto da minha vida.
Aprendi que por vezes um sorriso faz milagres e que uma palavra compreensiva abre imensas portas. Aprendi que não se pode dar demasiada liberdade, nem ser demasiado rígido. Aprendi que a distância professor/aluno é necessária, mas que deve igualmente existir respeito mútuo...
Mas o que aprendi ainda mais e que me estava a esquecer com os meus filhos, é que por vezes o verdadeiro conhecimento está por detrás de camadas e camadas de saber inútil, de palavras que não servirão nunca para nada nos nossos cérebros.
Recordei aquele aluno que tinha uma dislexia tão profunda, que confundia todas, mas mesmo todas as letras de um texto, ao ponto de ele não conseguir ler uma única palavra. Os professores chamavam-lhe burro e nem sequer o tinham em conta. Perguntei aos colegas como se fazia com um aluno disléxico, quais as recomendações dos psicólogos, dos especialistas. Nenhum me soube responder e não foi por não terem perguntado também...
Investigação em livros, na internet levaram-me a bibliografia estrangeira, muita, nada em português e o Hugo passou a ter tratamento diferente nas minhas aulas. Não haviam textos escritos para o Hugo e quando tinha de ler algo, as letras tinham cores diferentes. As avaliações eram feitas oralmente e... surpresa das surpresas, o Hugo era só, o miudo que mais sabia sobre gramática, sobre recursos estilisticos e sobre criatividade... O Hugo foi o meu melhor aluno!

Também me recordo daquele miúdo que no primeiro teste que fez tirou nota negativa e desatou num pranto colossal, com soluços à mistura até me deixar a mim desesperada, sem saber como reagir. Tinha medo do que o pai lhe ia fazer quando visse o teste...
Acordámos que o teste seria substituído por uma composição em que ele teria de fazer uso de tudo o que aprendera até ali, as regras gramaticais, os recursos estilísticos...
Na própria aula escreveu o texto, eu mandei um recado aos pais e levei o texto comigo para casa.
Duas páginas, duas páginas de uma estória que me marcou até hoje...
No dia seguinte cheguei àquela sala de aula triunfante. Levava comigo um tesouro, o testemunho de que aquele aluno aprendera tudo o que era suposto aprender sobre a Língua Portuguesa até àquele ano lectivo, aprendera todas as ferramentas que era suposto ter para usar na vida real e mais ainda, dera-me de presente a sua criatividade explosiva, uma luz que me fez acreditar que aquele miúdo poderia um dia vir a ser aquilo que muito bem entendesse!
Disse-lho, disse que era um escritor em potencial, que tinha em si o espírito necessário para ser tudo o que quisesse, só teria de se esforçar, de aprender, de sugar com prazer o conhecimento do universo...
Qual foi o meu prémio? Ver a luz nos olhos dele, a esperança de sair da miséria de vida que vivia, ter a certeza de não ser o burro que pensava ser, querer saber mais, aprender mais, questionar mais... Ver nos olhos daquela criança o verdadeiro conhecimento...

Quero o mesmo para os meus filhos, pensei, quero ver nos olhos deles o privilégio de saber, de aprender... Porque o saber rouba-nos à miséria, o conhecimento faz-nos voar para outras dimensões, outros sonhos, outras realidades e isso não é ser idealista, é ser realista. quando o conhecimento e a experiência se cruzam, tornam-nos excepcionais e não medíocres.

Mostrei-lhes então outro tesouro do meu baú TED. O mesmo que vos vou deixar a vós:



Notem que esta orquestra tem dos melhores músicos da Venezuela, roubados aos... Bairros de Lata...

Crise, qual crise?

Isto está verdadeireamente insuportável. É nos jornais, nas televisões, nas rádios, nos transportes públicos... "ai, a crise e tal, a crise, que a culpa é da crise e as coisas estão más por causa da crise..."
Chega Fevereiro, chega o Carnaval e é ver o povo a sambar em terra de fado, com as meninas descascadas até ao tutano a exibir, muitas vezes, as gordurinhas e celulites acumuladas graças a anos de intensa dieta alimentar inadequada!

E é ver os reis e as rainhas dos corsos nas várias localidades carnavaleiras, e os carros alegóricos, as palhaçadas dos Magalhães censurados que, num passe de mágica, voltam ao que eram antes... E os cachets? E os euros gastos em plumas, serpentinas e lantejoulas que, ao fim de dois ou três dias, já não servem para nada?!

Pão e circo, senhores, é o que o povo quer! E, se não houver pão ou a crise nos obrigar a cortar no seu consumo, que haja circo, muito circo, mais circo do que já é habitual neste cantinho à beira-mar plantado!
E, se o post não vos agrada, meus amigos, não se esqueçam: é Carnaval, ninguém leva a mal!

Carnaval!

Uma simples caraça tem o poder mágico de manter o anonimato e afastar a vergonha do desejo de ser outra pessoa por alguns dias no ano. Olho com estranheza o Carnaval português. Num país machista, em que a cultura masculina dominante assim o é, em que os valentões de café, de escritório, de praia, de carro, proliferam, subitamente chega o Carnaval e todos eles descem à rua vestidos de mulher, aos magotes, exibindo as mamas falsas e os collants. Há qualquer coisa de estranho em tudo isto. Por isso este período é marcado por excessos que procuram a liberdade que não têm durante o resto do ano.

O Carnaval em Portugal abrasileirou-se, ou melhor, tentou abrasileirar-se, pois os desfiles das Escolas de Samba são inimitáveis, mas enfim lá vamos vendo as nossas moças mais ou menos descascadas, antes mais que de menos, e ninguém se escandaliza. Ninguém, não. Uma senhora zelosa da moral pública (?) veio protestar por um dos ícons do Governo, o computador Magalhães (“mata gatos e esfola cães”, como nós dizíamos na escola do antigamente, referindo-nos ao navegador) ter colada no ecrã uma página do Google com senhoras menos vestidas. Perante tamanho escândalo, uma não menos zelosa procuradora do Ministério Público, ordenou a remoção do autocolante do computador Magalhães, sem se ter preocupado, ao que parece, em analisar se havia no mesmo a “pornografia” em que fundamentara o seu despacho.
O Magalhães readquiria a sua função educadora.
Eis senão quando o Magalhães voltou à sua imagem “debochada” pois o despacho fora anulado e as senhoras voltaram a exibir os seus dotes físicos.
Afinal em que ficamos?
Por mim, até porque já nada me espanta, vou deixar o carnaval de Torres Vedras e dar uma espreitadela ao “Portugal profundo”.

Em Lazarim, no concelho de Lamego a tradição ainda se mantém. Os jovens solteiros envergam máscaras diferentes de ano para ano, feitas ainda de forma artesanal, de madeira de amieiro. Fica a cargo de quem a usa, a idealização da vestimenta que a acompanha.
Antes do Carnaval, as associações dos Compadres e das Comadres reúnem fundos para os festejos que preparam em segredo e criam as quadras destrutivas do Testamento lido na terça-feira. A leitura é um confronto verbal onde impera a “má língua”. A rivalidade dos sexos é o grande impulsionador deste “ajuste de contas” que termina com a imolação de bonecos e o cortejo com os “caretos” (nome dado aos foliões) a juntar-se à festa. Antes do dia acabar há ainda tempo para a realização do concurso de máscaras que premeia os artesãos com mais talento.

Já perto de Macedo de Cavaleiros, em Podence, também perdura o costume das máscaras.
Aqui tudo é permitido ao "careto". Pertence ao sexo masculino e simboliza o demónio. Actua em grupo envergando um fato colorido de lã em franja, pula e corre semeando o pânico. De cara tapada por uma máscara de metal tem como vítimas preferidas as mulheres solteiras e os homens que estes foliões sabem ser detentores de pipas de vinho que obrigam a abrir. A festa continua então nas adegas.
Todo o fato é feito na aldeia. A roupagem com lã colorida e a máscara de zinco tem a forma simples de nariz em bico, não demasiado comprido… Os “caretos” penduram grandes chocalhos pelo corpo e contribuem para o barulho assustador dos movimentos. Abanam o corpo de forma a atingir as raparigas com os seus chocalhos. Acompanham os “caretos” os “facanitos”, rapazes mais jovens ainda sem idade mas com a ambição de com o tempo chegarem a “caretos”. Assim será.
Divirtam-se enquanto é tempo ...

Porque o tempo é pouco!!!

Olho para a minha caneta
Que repousa na secretária.
Retribui-me o olhar,
E de aparo meio murcho
Diz-me num tom meio tristonho:
Porque te cansas a escrever
Tudo aquilo que já está dito?
Repetes que tudo está mau,
Que não há rei,
Que não há roque.
Mas isso já todos sabem,
Disso ninguém tem dúvidas!
É a corrupção,
É a mentira,
É o engano,
E a decepção.
É ter a infeliz certeza,
Que venha quem vier
Destes que por aqui andam,
Nada muda,
Nem mudará,
Porque são todos,
Mas todos,
Farinha do mesmo saco.
Um dilúvio,
Uma hecatombe,
Algo que mudasse tudo,
Que os fizesse emigrar
Para longe deste cantinho.
Até lhes pagava a viagem
E suportava a instalação
Desde que se comprometessem
A deixar em paz a Nação.
Tal sorte não devemos ter,
Agora,
Ou em dia nenhum,
Apenas nos resta escrever
Quando chegar a hora,
Um X,
Um grande X,
Em cima de cada um.

Quinze milhões de euros são castigo?

E se de repente tivesse 15 milhões de euros?
Já pensou nessa possibilidade e congeminou o que faria?

Noto que 15 milhões de euros são 3.007.230.000$00.
Grossa maquia, portanto, e que pode sair a quem tenha o hábito do jogo.
Escrevo pensando nos namorados de Barcelos que passaram num ápice a casal de beligerantes.
Sendo telegráfico, parece que um dia o reforço, decidido por ela, de mais 2,00€ no boletim rendeu a tal maquia. Indo receber o prémio, levaram os pais dela e, sem que se perceba porquê, abrem uma conta no nome dos premiados e dos putativos sogros. O moço estava mesmo apaixonado ou então é pato de todo!

E o que se sucedeu bem o provou, pois querendo o pato dar algum aos pais e irmãos, recebeu rotunda nega do lado da moça. Aandam agora, com a conta bloqueada, a discutir em Tribunal.
Assim se revela a cupidez e a estupidez do homem.
Pergunto-me mesmo se os beligerantes farão ideia que, repartindo de forma equitativa os despojos, ficariam bem na vida soubessem eles gerir o dinheiro?

No meu caso a incumbência de registar boletins é da cara-metade.
E mais que o conforto da lei e da jurisprudência, tenho a confiança mútua como garante.
E se algum dia tiver tal maquia, para começo castigo-me aí com dez dias de férias George V, ao número 31 da avenida do mesmo nome.
Um suborno assim contava com quatro votos caseiros, no mínimo.
Faria melhor figura que Chavez ou Sócrates, pois seria uns absolutos 100% dos votos.

Àqueles a quem faltar qualquer destas garantias, já sabem … ou o jogo é a solo ou, sendo castigados com uma quantia choruda, aconselha-se um bilhete de avião para o Belize.
Sempre ouvi dizer que é um país formidável, mesmo para quem se quer perder!

Octuquê?

A Vida Humana, de nós enquanto espécie pensante num estádio evolutivo bastante desenvolvido, atravessa tempos que muito devem surpreender o Deus que, supostamente, nos criou.

Com a Medicina capaz de proezas nunca imaginadas, vivemos numa época em que, no meio de convulsões éticas e morais, temos de (re)pensar o próprio conceito de Humanidade e de vida. Fala-se muito de eutanásia. Fala-se e referenda-se o aborto. Discute-se o contrato vital. Experimenta-se com células estaminais. Fazem-se transplantes de tudo, e qualquer dia até de alma. E... já não é novidade a reprodução medicamente assistida.

Tudo isto, todas estas possibildades que a Medicina nos proporciona são debatíveis, controversas, crivadas de prós e contras. Tudo isto carece legislação asséptica. O pior é que se não nos entendemos com leis tão comezinhas com as que regulam o trabalho, como nos iremos entender com leis que regulam a moral e o até onde o Homem pode ir na sua condição de demiurgo?

Nasceram agora nos Estados Unidos, essa terra de prodígios maiores do que os do Entroncamento, oito bebés de uma "ninhada" só. Acontece que a mãe já tinha seis filhos anteriores a esta fornada gemelar. E mais, a mãe é solteira e vive numa casa de dois quartos. Claro, desculpem a barbaridade que vou dizer: só podia ser.
Mas, mesmo ignorando estes factores, e imaginado que até se tratava de um casal infértil que tentava realizar o sonho da parentalidade, oito? Que pseudo-deus louco brinca desta maneira com a fertildade, com a natalidade? Só para se dizer: mais um milagre da Medicina? Acho isto nojento, contra-natura, abjecto e moralmente condenável. Acho também que é tempo de a comunidade científica-médica se deixar de tiques divinos.
Oito gémeos! Pobres e coitados, aberrações de quem estupidamente os botou no mundo.

Que seja feita a minha vontade!

A morte de Eluana Engaro, uma mulher de 37 anos em coma desde os seus 20 anos de idade, dividiu a sociedade italiana e relançou a polémica sobre a eutanásia.
Quem me acompanha neste blogue, desde o post de estreia que sabe que sou absolutamente a favor da eutanásia. Hoje, no entanto, não venho explicar os meus motivos, nem apresentar argumentos favoráveis à mesma.

A vida tem-me ensinado que há valores, princípios, ideias que estão de tal forma arreigadas no nosso ser que não há nada nem ninguém que os faça mudar. Nada do que eu aqui escreva fará com que aqueles que se opõem manifestamente à eutanásia mudem de opinião. O mesmo se passa relativamente ao aborto ou ao casamento de duas pessoas do mesmo sexo.

No entanto, assim como eu não posso impor as minhas ideias a quem me rodeia, não posso permitir que quem me rodeia faça prevalecer as suas ideias e desejos sobre mim. Daí que, hoje, como no dia da minha estreia como escriba do Notas, venha aqui defender o reconhecimento legal do chamado testamento vital que consiste num documento onde são dadas instruções sobre os tratamentos que a pessoa aceita ou recusa receber no fim da sua vida, caso esteja incapacitada de exprimir a sua vontade.

Assim, a partir do momento em que essa possibilidade existisse legalmente, eu poderia definir a forma como gostaria de morrer e, como tal, poderia fazê-lo com a dignidade que considero essencial. Para além disso, isso faria com que ninguém, um dia, tivesse ou pudesse tomar qualquer decisão sobre o prolongamento artificial da minha vida.

Em Portugal, já é possível definir que não se pretende que os nossos órgãos sejam recolhidos para transplante através do Registo Nacional de Não Dadores. Expliquem-me porque razão não poderei eu e outras pessoas que partilham da minha opinião, decidir a forma como vou morrer?!

Rui Nunes, presidente da Associação Portuguesa de Bioética (APB), defende que a sociedade portuguesa ainda não está preparada para debater a questão da eutanásia, mas acredita que , até ao Verão, o testamento vital poderá estar legalizado.
Não sei se será bem assim mas, se isso acontecer, serei certamente das primeiras pessoas a fazê-lo. E, se isso acontecer, ao menos na morte saberei que a minha vontade será feita.

Que se f***** tudo

Perdoem-me o atrasado da hora. Perdoem-me o azedume do discurso. Perdoem-me ainda o que parece uma palavra muito desapropriada ao nível elevado do blogue, ali acima...
Mas... como em tudo tinha também aqui de haver um mas, não é verdade?
E hoje não estou pelos ajustes.

Sim, bem sei que sou meio ET e que tenho a mania que ando sempre um passo à frente do resto das pessoas aqui no sítio onde vivo, mas, ora aqui está ele, tudo tem limites e agora atingi o meu e passou o rebordo da minha paciência.

Só para vos ambientar à minha realidade começo por vos dizer que um avanço aqui é ter-se água canalizada e esgotos de rede. Avanço é ter-se os quatro canais de televisão pública. Avanço, avanço mesmo é alguém dizer que acredita que o homem já colocou uma bandeira na lua.
Ai riem-se?
Há dias tive uma discussão acesa com alguém que me dizia que eu devia era ir para um manicómio se acreditava na história do homem na lua, que isso eram romances...

Ora, eu já estou mais que acostumada a que me vejam por aqui como um bicho do outro mundo. Habituadíssima a que me digam que sou esquisita e que tenho tiques de extra-terrestre.
Uma senhora no outro dia comentou com outra que era uma pena que uma moça tão nova, estivesse já tão surda que tivesse de usar um aparelho... ora, pensarão vocês que realmente aos 35 anos isso é triste, o que terá a senhora dito demais?
Bom, talvez o facto de me ter visto fazer a minha corrida matinal de mp3 nos ouvidos...
A isto tudo estou habituada, é fruto de se viver num lugar onde a civilização chegará um dia, se não acabar antes.

O que não posso suportar, é que se contratem serviços que supostamente são globais e globalmente acedidos, já que são globalmente pagos, e depois não se tenha o privilégio de usufruir dos mesmos!
Assim aconteceu com a TV Cabo, que se pagava de serviços que eu nem sequer tinha, por apenas ter o serviço satélite.
Assim aconteceu com a MEO, que metade das vezes nem sequer transmite, e assim acontece com o serviço de internet SAPO ADSL, que metade do mês está cortado!
Quando reclamo e chegam a ser 3 reclamações por semana, aumentam-me o tráfego internacional, que está praticamente ilimitado, mas infelizmente não me resolvem o problema de ausência de serviço, o que me impossibilita igualmente de usufruir desse tráfego!
Ora, para quem como eu, até aprecia o epíteto de ET, numa terra de homens e mulheres das trevas, isto é quase que uma prisão domiciliária sem eu ter cometido o crime!

Meus amigos... o nosso é um país de muitos e enormes contrastes. Temos populações onde ainda nem sequer chegou a luz eléctrica e outras onde algo tão indispensável como um sistema de saneamento básico não existe, nem sequer faz parte das preocupações dos respectivos autarcas.
E depois temos o outro tipo de incompetência - aquele em que ninguém é responsável por nada, em que ninguém sabe o que pode fazer e ao atender um cliente lhe diz que vai falar com o responsável, que falará com o responsável, que transmitirá a um responsável, que irá reportar a outro responsável, que não faz ideia do que se trata!

E assim, quando quero escrever esta minha posta, tenho de aguardar pela hora do trabalho, para na cidade, ter acesso a este serviço tão futurista a que se dá o nome de World Wide web!
Perdoem-me finalmente o desabafo, mas que se f**** isto tudo!

Os lapsos de memória de Dias Loureiro ...

Começava esta croniqueta quando meus olhos repararam ali numa série de discos cujos sons, para alguns, pedem umas passas e, de repente, fez-se luz.
Encontrada estava a razão para os lapsos de memória de Dias Loureiro, conselheiro de Estado, causídico, homem de negócios, político ora no limbo, ora à luz do dia …

Dias Loureiro, e presumo que todos saibam disto, foi ao Parlamento conversar lá com uns conhecidos sobre o BPN, o Insular, Porto Rico e outras coisas menores.
Habituado àqueles corredores, foi como qualquer um de nós vai ao café da esquina. Na maior ...
No fundo, disse que sempre esteve preocupado com aquela coisa chamada BPN e não se fala mais nisso.
Vêm agora uns malandros dizer que, afinal, o homem sabe mais do que disse, que teve evidentes lapsos de memória e, às tantas, tinha mentido na maior.
Entalado, telefonou para a SIC a dizer que estava pronto para ir ao Parlamento outra vez.

Este homem parece que gosta de música.
Ora, os amigos farão o obséquio de, ao gosto musical, adicionar o factor idade pois tem tudo a ver.
O homem quando era rebelde, aposto que ouvia os sons dos primevos Pink Floyd, o Syd Barret, os Van der Graaf Generator, os TRex, os King Crimson, o Jimi Hendrix, a Janis Joplin …
Tudo malta a pedir umas revoadas de fumos … daqueles, não sei se estão a ver … sim, desses mesmos que o Louçã também aprecia …
Ora, ao que dizem, fumar umas "brocas" pode dar cabo do cérebro a um tipo!
Tenho para mim que foi o que sucedeu a este pobre homem; o convívio com colegas que estavam sempre na passa deu-lhe cabo dos neurónios e é por isso que ele tem estes lapsos de memória!

VILA FORTE em destaque!



Porque o projecto do NOTAS SOLTAS não podia deixar de se associar à divulgação de um blogue amigo, aqui fica a nossa chamada de atenção para a iniciativa do colectivo do VILA FORTE.

O que mais nos irá acontecer???

Público: Lista de "espiões" disponível nos computadores da Presidência do Conselho de Ministros

Este país é único!
Podemos não conseguir saber a verdade sobre o Freeport, o BPN, o BPP, a Casa Pia, a morte de Sá Carneiro, etc., etc, mas conseguimos saber a identidade dos espiões "secretos" do país!
Isto merece apenas e tão só uma enorme e sonora gargalhada!!!

Cobrimo-nos de ridículo e lá "vamos cantando e rindo"”!
Ah, é verdade, afinal os números eram um bocadinho piores do que se esperava, segundo o INE.
Quem esperava melhor é que eu não sei!!!

A minha graça é ...

Quintino é a minha graça.
Nome esquisito, mas que me valia a quase certeza dum exclusivo. Aqui e ali com uma ou outra deriva.
Por exemplo, as tias de minha senhora que não atinam e malham-me com um Quintito e Quintilho.
Outra, pura e simplesmente, insiste no Firmino, enquanto colegas de trabalho volta e meia me saem com Zeferino, que, diga-se, é nome dum estafermo que por aqui anda.
Meu sogro ao início tomou-me por Quinito e, recentemente, aqui um cidadão pedia o Dr. Tintin!

Já no Recife, Fialho, taxista de profissão, ante a evidente dificuldade do nome, ao segundo dia saiu-me com esta: “Agora não troco mais seu nome. Tem aí numa novela um cara que é um escravo preto com seu nome!”
E assim passei a ser o Quirino para esse homem notável e que recomendo a quem por lá se hóspede no Lucsim Palace, à Avenida da Boa Viagem, dado que o Fialho ali costuma estar na praça.

Assim almofadado na quase exclusividade, de repente tive por aí o Quintino Rodrigues a fazer-me concorrência por via do ciclismo.
Depois tive de protestar inocência e mera coincidência quando um Quintino, lá para os lados da Batalha, desatou aos tiros, despachou dois ou três, e entregou-se ao Criador!
A piorar as coisas, vem-me agora o chefe com a revista do 24 Horas nas mãos e pede uma consulta!
Não é que anda por lá um Dr. Quintino num qualquer “consultório sentimental” ou o raio que o parta?
Para gáudio aqui da plebe, uma senhora manifestava entre o rol das preocupações dirigidas ao Dr. Quintino o facto de seu marido não gostar de tomar banho!
Ao que isto chega!

Por isso, e por mera cautela, fica aqui esclarecido que o signatário deste não dá consultas no 24 Horas.
Mas, também aviso que se a coisa der farta maquia, passo a assinar Professor Quintiliano!
Trato de amor, sexo, dinheiro e mau-olhado; banhos? a machos? é com o meu assistente!
E quem quiser música, é ir aqui.
Disse.

Velhos do Restelo

Parece que o Governo quer fechar o Tribunal da Boa-Hora e trasladar os serviços para o Campus da Justiça na Expo. Eu julgaria que se trataria de uma medida positiva que ia ter o colectivo de magistrados, advogados e juízes a aplaudir de pé.
Enganei-me!

Passamos a vida a ouvir como os tribunais estão degradados. Como não há condições de trabalho. Como as instalações estão velhas e desadequadas das reais necessidades. Enfim, o coro constante das lamentações. Agora que se vai mudar o Tribunal da Boa-Hora para um local mais bem apetrechado e mais consonante com o séc. XXI, logo se levantam as vozes dos velhos do Restelo que não senhora, que se vai fechar um edifício com uma história centenar, um marco patrimonial da cidade e eu sei lá que mais. Pensa-se transformar o edifício num hotel de charme ou num museu dedicado à Justiça. Que não, que hotéis de charme há muitos, que o museu não faz falta. Até petições do estilo "Salvem a Boa-Hora" circulam já por aí.

Pobre país este: quando se faz algo, está mal; quando não se faz nada, mal está.
Alguém percebe?
Eu não, mas isso não é novidade.

Estou quase, quase ... um burro!!!!!

Pelo padrão do português médio ando a “emburricar”.
É verdade. Descobri há dias que já devo ter orelhas de burro e temo até que, mais dia, menos dia venha o apêndice “rabial” atrás.
Falta, pois, pouco para que possam com toda a propriedade apodar-me de asno!

Vejam que, por exemplo, recentemente decidi poupar uns cobres e privar-me do pacote de canais desportivos.
Um tipo que voluntariamente deixa de ver futebol, é burro – devem alguns pensar!
Lerdo das ideias. Ou em vias disso …

Também dei comigo a ver cada vez menos dos canais sobrantes.
Passo muito ao lado dos fabulosos comentadores, analistas, profetas e dos … jornalistas a que temos direito.
Ora, não ver o “prós e contras”, aquele tom entre o pastoso e gaguejado do Crespo, as diatribes da Manuela Moura Guedes ou não atura o “agarrem-me que eu mato-os” do Rodrigues dos Santos (nem nunca leu um dos seus livros) só pode ser sinal de … asinino!
Fiz ainda um corte epistemológico com o “Sol” e o “Espesso”, perdão, “Expresso”. Ao “Público” leio-o aqui e ali, a “Sábado” está inenarrável e a “Visão” é fruto que ainda apetece. “A Bola”? Não leio.
Novelas da TVI? Adaptações dos livros do Sousa Tavares? Nada. Nada.

Desconfiado que as orelhas já cresceram, antecipo a cauda.
Sim, porque a avaliar pela forma como a maior parte passa o tempo ou estrutura a sua opinião, era o que me devia ter sucedido.
Mas, querem saber a melhor? Sinto-me impecável.
Se é isto a que chamam burro, então eu prefiro ser um burro.

Em jeito de remate final, e porque a Daniela Major se lembrou deste triste escriba, aqui ficam seis peculiaridades que é suposto revelar: 1) Prefiro falar pouco e ouvir muito; 2) Sou levemente vaidoso; 3) Tenho a mania da perfeição; 4) A minha paciência não é elástica; 5) Procuro que os meus defeitos sejam compensados pelas virtudes; 6) Gosto de livros, música, fotografia e ando a ganhar balanço para a horticultura…

Será que queremos mesmo Democracia?

O que me traz hoje por cá?
Bom, pensei trazer um tema actual, que implicasse contestação, para ver se vos ponho a discutir comigo... ando com sede de reverberação, com fome de discussão acesa e esclarecida!
O que me levou de volta aos tempos clássicos de Atenas, onde primeiro surgiu esse tão difundido, debatido e amplamente aceite termo - DemoKratia.

Todos conhecemos o termo, muitos julgam conhecer o conceito por dentro e por fora e todos o defendem com unhas e dentes, como se dele dependesse a nossa liberdade e bem estar.
Mas então e se olhássemos de mais perto, não só o conceito, mas a forma como foi levado a cabo pelos Atenienses, shall we?

Pois bem, na sociedade ateniense, a demokratia respeitava ao poder nas mãos dos cidadãos - acontece que os cidadãos englobavam apenas os nacionais de Atenas, filhos de pai e mãe atenienses. De fora ficavam todos os outros, incluindo mulheres, estrangeiros e escravos.
Para além disso, existiam normas para se ser considerado cidadão, a saber:

  • Não dever nada ao Tesouro Público
  • Ser legitimamente casado
  • Possuir bens em Atenas
  • Ter cumprido os deveres para com seu pai e mãe
  • Ter feito expedições militares sem “arremessar o escudo”
  • Ser filho de pais atenienses
  • Trabalhar (ou na politica ou no comercio ou na construção) de Ágora
  • Gostar, amar e honrar Atenas
  • Pagar impostos altos.
  • Nunca ter cometido crime contra a cidade.
Ora bem, se repararem bem, neste tipo de Democracia, não é o cidadão que está acima da Nação, é esta que está acima de todos.
Lá teria razão John F. Kennedy com o seu "ask not what the Country can do for you, but what you can do for the country!"

Quantos de nós se pergunta o que realmente pode fazer pelo País? O que podemos dar ao País?
Quando o que mais se ouve nas nossas ruas é o Estado tem de me dar, tem de me sustentar...
Poderá ainda funcionar a democracia?

O conceito tal como o entendemos, requer direitos para os cidadãos e obrigações para o Estado, o que não estaria mal de todo, afinal abrange um equilibrio na balança, não fosse o caso de termos duas balanças presentes - a dos cidadãos e a do Estado, já que são partes distintas do que devia ser o mesmo corpo.
Temos então um corpo completamente desfeito, sangrando, com duas balanças de pesos diferentes, completamente desiquilibradas, onde alguns dão e muitos tiram.

Se o nosso País fosse o corpo de um de nós, onde reinasse o conceito de Democracia tal como o conhecemos, o nosso coração deixaria de funcionar assim que as plaquetas sanguíneas resolvessem fazer greve por excesso de trabalho e os glóbulos brancos se recusassem a trabalhar por excesso de toxinas!
Um conceito teórico é sempre bom nisso mesmo - na teoria - assim que é alargado, adaptado sem ser bem compreendido, normalizado r normativizado, passa a usar-se a sua forma sem se ter muito em conta o seu conteúdo.
É um pouco como o baptizar-se um filho ou casar-se pela Igreja sem se voltar a pisar o chão de uma igreja outra vez na vida, só porque é tradição, porque ficaria mal.
Temos uma concha cujo conteudo faleceu há séculos.

Será que defendo aqui, neste espaço democrático de partilha de opinião, o fim da democracia?
Não sei. Que tal trocarmos uma ideias sobre o assunto?

Metem-me nojo!

O título podia aplicar-se a inúmeras situações que se vivem no nosso país, mas não é o caso. Esta história passa-se com alguém que me é muito próximo e que conheço melhor do que a mim própria.

A protagonista desta história tem 64 anos, chama-se Maria e trabalha num restaurante muito afamado da cidade onde vive. Aí desempenha as funções de cozinheira e, dizem muitos dos que frequentam aquela casa, faz um arroz de marisco de comer e chorar por mais.

Trabalha para aquela gerência há onze anos e, durante esse tempo, faltou apenas cinco dias por motivo de doença; substituiu o patrão quando este sofreu um enfarte do miocárdio e nunca reclamou as folgas que perdeu nesse período; para não comprometer os patrões, omitiu alguns factos à Inspecção do Trabalho, nomeadamente que não trabalha apenas as oito horas diárias que a lei prevê e que nunca lhe pagaram as horas extraordinárias, os domingos e feriados em que nunca deixou de trabalhar. Abdicou ainda de cerca de 300€ de retroactivos que o patrão lhe deveria ter pago, porque tem consciência que os tempos são de crise e que a casa tem trabalhado pouco. Recebe 630€ por mês, assina um recibo onde o patrão declara, apenas, o salário mínimo e trabalha, no mínimo, dez horas por dia.

Apesar de tudo isto, os patrões da Maria, na passada sexta-feira, não tiveram vergonha de lhe fazer a seguinte proposta: "Sabe, D. Maria, os tempos estão difíceis e temos que reduzir despesas ou, então, no fim do ano temos que fechar a casa. O seu salário é muito alto e, como tal, queria-lhe propor que escrevesse uma carta de demissão e, em troca, nós compromotemo-nos a pagar-lhe três meses de ordenado. Pense nisso e, depois, diga alguma coisa."

É certo que os patrões estão no seu direito quando querem reduzir despesas e é certo que podem fazê-lo cortando pessoal, mas daí a dizer que 630€ mensais é um salário muito alto e proporem que a Maria abdique de todos os direitos que adquiriu pelo trabalho efectuado ao longo de onze anos é demais. Uma funcionária que em Dezembro deste ano se vai reformar, que profissionalmente deu o melhor de si e que, em momentos difíceis, deu provas da sua lealdade e amizade para com os patrões merecia que não lhe fizessem uma proposta que põe em risco, pelo menos, um salário por cada ano de trabalho, os subsídios de Natal e de férias e, até, o direito ao subsídio de desemprego!

Esta é a história da Maria. A Maria que eu tão bem conheço. Mas, certamente, há, em Portugal, muitas outras Marias e muitas outras histórias deste género. Histórias que mostram de que é feito muito do patronato do nosso país, que ilustram a indiferença de uns pelo bem-estar de outros, que mostram que, infelizmente, não vale a pena ter amor à camisola.
E são pessoas como os patrões da Maria que me metem nojo, porque dizem não ter dinheiro para pagar os salários atempadamente (hoje, dia 9, a Maria ainda não recebeu), mas não deixam de ir ver os jogos do Porto quase todos os fins de semana, nem deixam de ir ao Brasil sempre que lhes dá na real gana!

Vila Forte em destaque!



Porque o projecto do NOTAS SOLTAS não podia deixar de se associar à divulgação de um blogue amigo, aqui fica a nossa chamada de atenção para a iniciativa do colectivo do VILA FORTE.

Os sinais estão aí!!!

"Há «obsessão da fidelidade ao líder» no PS
Histórico do PS, Henrique Neto, critica Augusto Santos Silva a quem chama o «ministro da propaganda».
O socialista Henrique Neto considerou ontem existir «de facto, medo» no PS, fazendo duras críticas «à obsessão da fidelidade ao líder» de Augusto Santos Silva, a quem chama «ministro da propaganda».
«Há de facto medo no PS e na sociedade portuguesa, pelos mais variados motivos», diz o empresário Henrique Neto, numa carta aberta ao ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, e ao deputado socialista Manuel Alegre, enviada à Lusa",
referia o Portugal Diário
Os sinais de controle das pessoas, não só no partido, mas também na sociedade, a manipulação encapotada da Comunicação Social, a sensação de receio em falar, sobretudo naqueles que dependem do Estado, as figuras que se vão colocando debaixo do chapéu do poder, as desculpas e indignações que não convencem, a sensação de impunidade dos suspeitos que se vai sentindo, mesmo ao nível da Justiça na forma como esta parece actuar, a propaganda intoxicante permanente, as mentiras ditas e depois arremessadas aos que as denunciam, o querer convencer-se a nação do “ou nós ou o caos”, multiplicam-se todos os dias aos nossos olhos.
O que mais será preciso para se perceber o estado para que o país caminha?

É de situações destas, que fragilizam a democracia, que por vezes aparecem os “salvadores” da pátria.
O descrédito instalou-se, a desconfiança também.
Já ninguém acredita, nem mesmo aqueles que defendem o “statu quo”.
O país afunda-se aos olhos dos estrangeiros e aos olhos dos portugueses.
Os sinais estão aí e multiplicam-se todos os dias, só não os vê quem não quiser.
Estarei a exagerar, mas é o que eu sinto!

Quando a bola beija a rede ... é golo!

Isto de escrever às portas de acontecimento de interesse nacional é chato!
Isto porque em dez milhões, 60% estão preocupados com as opções de Quique … e 25% com as do Professor.
Segunda começamos a discutir o resultado e, feita a pausa do próximo fim-de-semana, começamos a pensar no Carnaval.

Enquanto isso ... andamos a mentir descaradamente a uns tipos duma seguradora num estudo sobre condução e segurança rodoviária.
Nós, no contexto dos europeus inquiridos, somos os que melhor entendem as regras de condução? Está bem, abelha!
Como nem a mentir somos completos, lá complementamos com um “mas eu tenho dificuldade em cumprir”.
Dificuldade em cumprir um dever ...

... cá está outra característica inata nos portugueses.
Veja-se o caso do Senhor Magalhães, esse computador ladino, cuja obrigação era chegar às mãos dos meninos a tempo e horas e … nada!
Está como aquele comboio que “chega quando chega”
Ele lá pensou com os seus circuitos integrados que era para levar à letra o tempo que o outro Magalhães (o Dom Fernão) demorou na sua viagem que, ainda por cima, não acabou!
Para quem gosta destas coisas da História, é só navegar aqui.
O pobre do Dom Fernão não cumpriu porque foi trespassado nas praias das Filipinas ...

... mas há quem não cumpra, nem faça cumprir e ache tudo natural desde que ...
Por exemplo, Correia de Campos acha normal existirem fraudes na Saúde. Mas só até 5%!
Ora bem, nada como dizer aos burlões qual a percentagem de crimes admissível …

No mais, o Presidente, para gáudio dalguns sectores, lá vetou mais uma lei; o Primeiro viu o Freeport hibernar uns dias; os despedimentos prosseguem; a chuva, o frio e a neve também; a crise na mesma … mas nada disto importa, quando está aí um Porto/Benfica à porta!
E tenham bom fim-de-semana ...
Disse.

Olha-m'estes americanos, hein?

Eu cá até acho que se devia fechar Guantánamo. Eu cá até acho que aquilo é uma vergonha. E eu cá até acho que estamos face a claras violações dos Direitos Humanos. Concordo com isso tudo e até louvo que o Presidente Obama (que bom que já não preciso escrever Presidente Bush!!!) tenha feito do fecho de Guantánamo uma das suas prioridades de agenda. Até aí estamos conversados.

Agora, que a Europa, e no que me toca de mais de perto, Portugal, se "coloquem a jeito" para receber prisioneiros, alto e pára o baile! Então nós temos de levar com um problema americano? Desde quando eles levam com os nossos? E já agora, onde é que começou o raio do "subprime"? E quem é que não ratificou o protocolo de Quioto? E quem é o maior devedor da ONU? Hein? Tenham dó de mim!

E onde é que há uma cláusula qualquer de Direito Internacional que diga que um país tem de receber prisioneiros (não condenados, diga-se) de um país que resolve fechar uma prisão? Ora bem, imaginemos que o Governo Português fecha Vale de Judeus. Vamos enviar os detidos para a Alemanha, com os nossos cumprimentos e obrigada?! Não devolver ao remetente.

Mas isto nem é o que me choca. Se os EUA invocassem razões de cooperação no âmbito de sedes internacionais como a ONU ou a NATO para solicitar aos parceiros auxílio na resolução desta situação, eu até entendia. Agora que a Europa venha declarar que quer ajudar os EUA é que me vira do avesso. Espero bem que o nosso Ministério dos Estrangeiros não se vá armar em bom samaritano e: "O Estado Português, no espírito proporcional de concórdia e harmoniosas relações com os Estados Unidos, encontra-se na disponibilidade de acolher X detidos do estabelecimento prisional de Guantánamo".
É que, Senhores e Senhoras, uma coisa é alianças diplomáticas, outra bem diferente é darmos a impressão de nação subserviente.
Eu, por mim, ainda tenho orgulho (muito)...

Selectividade, sim! Discriminação, não!

Nos últimos dias, problemas com o meu portátil forçaram-me a assistir mais vezes ao que os canais televisivos nos dão.
Sabia que a oferta televisiva é uma treta, mas confesso que a experiência é bem pior do que esperava. As novelas sucedem-se, os blocos informativos é vira o disco e toca o mesmo ... Freeport, Freeport, Freeport... Haja pachorra! Até compreendo que muitos não suportem Sócrates, mas esta condenação sem julgamento em praça pública?
Então, o que é feito da chamada presunção de inocência?!
E a imprensa escrita? Também esta não é grande pastilha, mas sempre se pode ler algo mais para além das notícias sobre o Feeport e os casos de criminalidade que sucedem por todo o país...
Li, por exemplo, no "Público" uma notícia sobre declarações do Ministro do Interior italiano após um caso de ataque a um imigrante indiano.
Para quem não sabe, três jovens italianos, depois de uma noite de drogas e copos, decidiram incendiar um homem que dormia num banco de uma estação perto de Roma.
Objectivo? Ver "quanto tempo ele durava".
Um dia depois desse ataque, o ministro declarou que "para lutar contra a imigração ilegal não é preciso ser bondoso mas mau, determinado, para afirmar o rigor da lei" e acrescentou que é preciso fazer compreender que "as portas estão fechadas para quem venha, não para trabalhar, mas para cometer delitos, traficar droga".
Roberto Maroni, o ministro em causa, é membro da Liga do Norte, o partido xenófobo de Umberto Bossi e foi acusado pelo Partido Democrático de proferir "palavras perigosas".

Valha a verdade que o "timing" não foi o mais apropriado, tendo em conta o acontecimento prévio, mas serão essas palavras assim tão descabidas?
Não defendo aqui que a criminalidade é, apenas, cometida por imigrantes, mas a verdade é que muitos imigrantes a praticam como se tem visto no nosso país. Ainda esta semana foram detidos os responsáveis por vários casos de "homejacking", nomeadamente o que vitimou a família de Domingos Paciência, e nenhum deles tinha nacionalidade portuguesa.
Não percebo qual é o problema de se querer saber quem vem para os nossos países e de expulsar aqueles que não sabem (ou não querem) viver de acordo com as nossas regras. Nada tenho contra os imigrantes e sei que eles têm um papel vital dentro da nossa sociedade, mas há que garantir a segurança dos cidadãos nacionais e não permitir que qualquer um se possa instalar de armas e bagagens no nosso país.
Que venham todos, mas que se aceitem, apenas, aqueles que vêm por bem porque para criminosos e corruptos já nos bastam aqueles que nasceram cá!

Lições... de Eduardo Lourenço

O senhor da foto que vêem, é Eduardo Lourenço, o pensador por excelência do carácter dos portugueses. Em vários ensaios e livros, faz uma radiografia ao panorama político e cultural do nosso povo e de forma tão lapidar, tão límpida e nítida, que dir-se-ia que o senhor está do alto a olhar-nos por dentro e por fora...
Se não reflictam um pouco neste excerto que vos deixo de um dos seus livros:

"A demagogia política e o reflexo estrutural que nos caracteriza combinaram-se para produzir o fenómeno pasmoso de alimentarmos a máquina económica com o dinheiro dos outros, gasto alegremente como se fosse nosso. Mas é escusado pensar que a metamorfose da maravilhosa revolução dos cravos em degradado banquete dos «cravas»[...] se deva nominal e grupalmente a alguém. É uma culpa anónima, uma maquinação de poderes obscuros, uma «pouca sorte» que nada tem a ver com a mentalidade colectiva tantas e tantas vezes demonstrada.
Culpados não existem, e sobretudo entre quem parecia lógico que o fosse. Todavia alguém terá de pagar, cedo ou tarde, o preço que a aparência exige para ter um mínimo de realidade.
Esse alguém é bem conhecido: chama-se... povo, o povo que efectivamente trabalha e para quem, como escrevia Goethe, a maioria da revoluções que se fazem em seu nome não significam mais que a possibilidade de mudar de ombro para suportar a costumada canga."

Ora bem, estejais ou não de acordo com o que o senhor pensa, diz e escreve, Eduardo Lourenço sintetiza, entre outras coisas, o estado de espírito nacional do "para inglês ver", sobretudo quando chega ao nível político.
Em abono da verdade deve dizer-se que o senhor acerta na mouche neste seu ensaio de 197e qualquer coisa. Sim, foi nos anos 70 que o senhor chegou a esta conclusão e desde já lhe presto homenagem e faço vénia, porque o pensador chegou a uma conclusão óbvia com várias décadas de antecedência.
É óbvia hoje, muito óbvia a campanha propagandista dos nosso políticos, que agem para a imagem e gastam alegremente o nosso dinheiro, o dinheiro público, como se fosse coisa sua.

Mas ao que Eduardo Lourenço escreveu e disse acrescento eu agora um ponto - os nossos empresários, sobretudo aqueles que mamaram dinheiros de incentivos, subsidios e outros quejandos, também o fazem e com gala.
Afinal, qual é o empresário que olha para a sua empresa como coisa pública?
E é que a verdade é mesmo essa. Uma empresa não é o lar do empresário que a criou. É quase como uma obra de arte que o artista criou, mas que ao soltar no mundo deixou de ser apenas sua, para passar a ser de quem a admira.

Para mim, uma empresa é coisa pública sim senhora. É dos seus funcionários, dos seus fornecedores, dos seus clientes.
Com que facilidade um empresário se pavoneia de Mercedes, Porsche, ou outro topo de gama, ostentado o dinheiro que os seus funcionários trabalharam para ser investido na Empresa.
Com que facilidade esse mesmo empresário depois diz aos empregados que a crise não lhe permite aumentar-lhes os ordenados...
Com que facilidade esse ladrão, que não tem outro nome, deixa a empresa falir e os funcionários na rua, em condições de sobrevivência miseráveis?

Como pode todo um povo deixar de viver "para inglês ver" para passar a viver para e pelo trabalho?
Como podemos exigir à classe política que nos depaupera, nos esvai e esgana na pobreza? Para depois esbanjar em salários obscenos, em almoços e jantares luxuosos, sem que alguém seja inculpado e chamado à razão?

Será necessário talvez começarmos todos por auto-avaliar o nosso canto, por olhar para nós mesmos com a lupa de Eduardo Lourenço e concluir que a realidade não é uma imagem cor de rosa, é isso sim, de vários tons de cinzento onde por vezes o dourado brilha com maior intensidade...

Eu cá resolvia a crise assim!

Voa por aí uma Joaninha que, muito de longe a longe, vem aqui dar umas bicadas!

A última foi chamar-me chefe e pedir que apontasse soluções para a crise!
Eu acho que isso é na porta de S. Obama e não na nuvem de S. Ferreira-Pinto mas, como boa pessoa que sou, cá vai …

Em vez de dar aval a tudo, garantindo que o povo pagará calotes de outros sem ter como, nacionalizava era tudo outra vez. À cautela, avisava que "não pago nada!".
Afinal, se já estamos com fama de rotos, tesos e caloteiros, ao menos que se tire o proveito.
Protestavam os Mello, os Espírito Santo, os Jardim Gonçalves mais os da Bernarda (não sei quem são), mas um tipo a esses era ... um par de patins e andor violeta!

Depois disso, separava-se aí o trigo do joio e o maralhal que não interessasse ao futuro da Nação, ficava ali em Badajoz, por exemplo, e a gente apanhando-os do lado de lá fechava as fronteiras.
Claro está, que o pobre do Cherne Barroso ia ser afectado mas ia ser tipo o nosso ponta de lança secreto em Bruxelas.
Isto feito, era um escarcéu do caraças e os tipos da União Europeia, pela certa, mostravam-nos o cartão vermelho.
Umas manifestações e uns comícios depois, e isto ia parecer o PREC II!

O povo gemeria, mas aí uns cinco ou seis anos depois os ricaços, só para fazer ver, iriam querer recuperar tudo e a gente vendia!
Era um entrar de dinheiro jeitoso.
Depois, e aproveitando o Cherne (cá está a utilidade da arma secreta), pedíamos a adesão outra vez e aquilo seria um segundo entrar de dinheiro a rodos.
Ora, se este plano audacioso funcionasse, estava garantido que por mais 30 anos poderíamos regressar ao nosso ritmo dolente.

Se isto não for do agrado dos leitores, tenho ainda duas propostas alternativas.
Uma, passa por declarar guerra aos EUA, na secreta esperança que os tipos façam cá melhor serviço que no Iraque e Afeganistão e tomem conta disto em menos que um fósforo e nos declarem um protectorado.
A outra é ... ir trabalhar!
Disse.

Legislar melhor

"O Direito não existe para satisfazer os interesses de alguns ou para construir utopias, mas para resolver os problemas dos cidadãos. Existe para ultrapassar tensões e não para as aumentar"; o aviso veio de Cavaco Silva na abertura do ano judicial.
As polémicas que envolveram a nova Lei do Divórcio ou a última reforma das leis penais são bons exemplos da razão do Presidente que lançou a todos os intervenientes no processo legislativo, a começar nos deputados, um importante desafio para produzirem leis de qualidade, em linguagem precisa e segura, dotadas de soluções harmónicas e consistentes, e adequadas à realidade nacional.

Por isso, compreendidas e naturalmente respeitadas pelos cidadãos. Leis "incertas", ou de "duvidosa constitucionalidade" acabam por inquinar o sistema e geram apenas maior conflitualidade.
Só melhorando a qualidade da legislação será possível garantir "uma Justiça melhor".

Tomara que o recado do Presidente seja ouvido sobretudo quando se avança para a alteração de leis tão importantes quantos as que regem o estatuto do casamento: "Legislar é fazer escolhas" e não raras vezes "desagradar a alguns", mas "existe uma grande distância entre aquilo que constitui uma legítima opção política de quem está mandatado democraticamente e aquilo que representa um elemento artificial de perturbação da vida colectiva!".
Opções que permitam aumentar a Justiça a par da coesão social serão seguramente melhores do que aquelas que buscam artificialmente gerar novas fracturas.

O casamento dos homossexuais parece ser a primeira prioridade, ou uma delas, que estão na mente de Sócrates, no caso de vir a ser eleito.
Não me vou pronunciar sobre o mesmo, apenas pretendo colocar umas dúvidas e lançar um alerta:
- Não sei porque lhe chamam "gays", essa designação que julgo eles atribuírem a si próprios, está a diferenciá-los dos restantes cidadãos, que serão «não-gays», talvez tristonhos e sorumbáticos;
- Também não percebo porque referem o "orgulho gay". Orgulho de quê? Então e do mesmo modo, os "não-gays" não terão nada de que se orgulhar, serão, por assim dizer, uns "zeros à esquerda"?
- De igual modo os desfiles "gays", com todo aquele "carnaval" será uma separação, um desafio contra os "não-gays", ou será uma reivindicação?

O meu alerta é a questão da adopção de crianças por esses pares, depois de casados perante a lei que irá ser publicada.
Se a adopção de crianças por casais heterossexuais é extremamente difícil, o que leva a existirem algumas centenas de crianças em instituições especializadas, mesmo havendo casais interessados na sua adopção, receio que a adopção por homossexuais casados se venha a revelar demasiado fácil, o que se traduzirá em prejuízo para as crianças adoptadas por esses casais.
Sim porque não é com uma simples lei que se muda a natureza humana e essas crianças, quando ingressarem nas escolas, serão sempre alvo de descriminação, para não falar em perseguições e chacota, por parte dos colegas, o que lhes causará complexos e sofrimento. Mais uma vez prevalece o egoísmo dos adultos contra os direitos inalienáveis das crianças.