A verdade da política

Como assídua ouvinte do fórum da TSF, fui ontem surpreendida por uma sessão que teria feito estremecer o nosso Primeiro-Ministro, justamente apelidado de Pinóquio, tantos foram os comentários à sua capacidade patológica de fugir à verdade, fosse ele ouvinte de qualquer outra voz que não a do seu próprio ego.
Falava-se então de como o Governo se prepara para dar uma mãozinha à tão batida classe média, necessariamente em ano eleitoral e de como essa mesma classe média se prepara para dar ao mesmo Governo uma nova maioria absoluta?!

Recordo ainda que segundo os números dos sindicatos, ontem terá igualmente sido o dia de uma das maiores greves de professores no país e tenho a reportar que os meus filhos ficaram muito bem comigo no trabalho, muito obrigada...

Em primeiro lugar, tenho a informar que nem o primeiro ficou muito bem visto, ou neste caso, falado, nem me pareceu, pelo número alargado de membros da classe média a participar no dito fórum, que o Governo venha a ter nova maioria absoluta.
Na verdade, parece-me mais que se vive numa espécie de bruma política, uma nuvem branca de indecisão e perdição no panorama político do país, que só me faz recordar o livro "Ensaio sobre a Cegueira" do Saramago.

Realmente, tenho a dizer-vos que a temática política tem servido para me tirar algumas pestanas e acabar com o único neurónio que ainda funcionava e fazia o outro trabalhar.
Depois de ver a entrevista da Judite de Sousa a Manuela Ferreira Leite, fiquei com uma certeza quase absoluta - o actual político é um animal de palco, uma máscara que serve apenas para isso, para o palco mediático que é a política neste país.
Se quisermos ser governados por quem saiba o que é a vida real, vamos ter de nos erguer e começar a trabalhar nós, vamos ter de deixar votar nos que só vivem para a política, porque esses nada sabem da vida no mundo real.
É quase como a vida dos ratos do laboratório - conhecem aquela roda em que os fazem andar, percorrem corredores e corredores de labirintos para chegar ao queijo que lhes é colocado lá, mas o verdadeiro trabalho é feito por outros do lado de fora.

A meu ver, e sou pouco entendida nestes assuntos, temos políticos profissionais a fazer política profissional e pouco mais, ou nada mais.

Precisamos de profissionais de vários sectores a fazer politica amadora, movimentação da sociedade civil que participe nos destinos do país.
Aí, talvez comecemos a ter boas perspectivas de governação. Aí talvez comecemos a participar activamente na nossa governação.

10 comentarios:

Ferreira-Pinto disse...

Finalmente alguém com a lucidez necessária para perceber aquilo que tenho aqui procurado evidenciar àqueles que barafustam ... a alternativa a Sócrates, um dos tais profissionais da política, não é um camafeu chamada Manuela Ferreira Leite que toureou quanto quis a tal classe média (os meninos lembram-se do IMT e do IMI, por exemplo?), que esmagou e lançou as pedras duma reforma da Administração Pública que estes tipos agora acabaram (vão ver de que ano é o primeiro SIADAP) ou que esteve calada quando o chefe era TGV para todo o lado e agora bufa como uma perdigueira!

Não. Nem ela, nem um Paulo Portas todo sorrisos como se fosse um ser sinistro, um Bela Lugosi da política.
E um Jerónimo de Sousa que ainda acredita nos amanhãs que cantam e é capaz de achar a Coreia do Norte uma democracia ou um Louça que é um Alegre mais remoçado ...

Não, não é por aí; é por tomarmos o destino nas mãos, sim ... nem que seja à força de bala!

Carol disse...

Não podia estar mais de acordo!

indomável disse...

Ahhhhhhhh...

Que bom é encontrar opiniões concordantes em assuntos tão sérios.
Mas agora queria mesmo era ler as opiniões discordantes, para poder destilar o restante fel que me vai envenenando as veias!

Vá, toca lá a manifestar-se pessoal.
Mas por onde é que anda esse Sauro das palavras que não o tenho encontrado ultimamente?
Vá, vá lá.

Ferreira-Pinto disse...

Eu bem sei que não levo nome de sáurio, mas não posso deixar de regressar para assinalar que o PSD, supostamente o principal partido de oposição, prepara diligentemente as suas candidaturas autárquicas.

Depois de recuperar Pedro Santana Lopes, a quem Telmo Correia, do PP, muito gostaria de se associar acautelando assim uma eventual vitória daquele e mais uma partilha de poder e de gamelas, o PSD de Manuela Ferreira Leite, dizia, continua de truz.

Quando se fala por aí que um comentador qualquer da TVI (suposto especialista em criminalidade) pode ser candidato a Loures ou Odivelas, a Cecília Carmo à Amadora, eis que também o mediático (para o bem e para o mal) Gonçalo Amaral avança para Olhão.

Pelo menos, tem a vantagem, dizia o presidente da concelhia ou lá que raio é, de ter tempo disponível para fazer oposição.

Bom, mas indo à parte suculenta, ainda há dias a tal senhora, fazendo-me lembrar aquelas zelosas mães que passam a vida a dizer aos rebentos "para estarem quietos senão levam", e o sáurio até fazia gala em ver nisso sinal de grande credibilidade, dizia que o dito cujo inspector aposentado não reunia os requisitos para ser um candidato à PSD.

Não sei o que raio seja isso, mas deve ser critério elástico pois conheço cada candidato à PSD e eleito do PSD que são verdadeiros trastes!

Também não queria promiscuidades entre a Justiça e a Política, dizia.
Ao que parece, já se for entre o Jornalismo e a Política, não há problema.

Pois bem, anuncia agora a TSF que "a distrital social-democrata de Faro aprovou o nome de Gonçalo Amaral para candidato à Câmara Municipal de Olhão por grande maioria.

(…) Em comunicado, esta distrital sublinhou que o antigo inspector da PJ, que investigou o desaparecimento de Madeleine McCann, tem o perfil político e pessoal definido nos princípios orientadores para as eleições autárquicas aprovado pelo PSD.

(…) a distrital de Faro do PSD recordou que Gonçalo Amaral reformou-se a 30 de Junho e que se assumir funções terá passado um ano e quatro meses sobre a sua saída da Função Pública e da Justiça.

(…) notou ainda o currículo valioso e brilhante do antigo inspector, que é militante do partido desde Maio de 2002, de onde não desertou mesmo apesar dos momentos menos bons dos sociais-democratas".


Credibilidade assim precisa-se.
Acrescento ainda mais um naco de prosa: soube-se agora, pelo menos eu, que o dito cujo é militante do PSD.
Estou já a ver muitos profissionais do comentário a virem lestos insinuarem que foi afastado do caso McCann por ser … do PSD!

pedro oliveira disse...

Se o tal inspector vier a ser candidato, MFL mostra que não tem poder dentro do próprio partido e isso é péssimo.vamos ver.
quanto ao texto, o país está na eminência de assistir ao segundo milagre politico.O primeiro foi na segunda maioria Cavaco, ninguém votou nele e ele teve maioria absoluta...

PO
vilaforte

António de Almeida disse...

Complementando o último comentário do Ferreira-Pinto sobre autarquias, julgo que ele desconhece que o candidato do PSD a Vila Franca de Xira é um actor dos "malucos do riso", e não estou a brincar. Mas deixemos as autarquias, porque nessa matéria do BE ao CDS/PP todos têm rabos de palha, mais o PSD por ser o maior partido autárquico, mas o PS também não anda longe, e passados tristes do Largo do Rato à Buenos Aires aquilo é um pulinho. Quanto à política nacional, pois, a economia é demasiado séria e importante para ser colocada nas mãos dos políticos, tal como as nossas vidas, acredito cada vez mais num estado mínimo, mesmo que os ventos soprem agora noutra direcção. Passos Coelho também me está a desiludir, na realidade nunca me iludiu por completo, ao vir defender a manutenção dos escalões de IRS e a construção do TGV, falta agora defender o aeroporto e o Mundial 2018, esquecendo as suas posições mais liberais, talvez já pensando onde colocar a tralha aparelhistica de cartão laranja quando chegar a hora de substituir a tralha de cartão rosa, ou seja, mais do mesmo. O ideal seria mesmo uma lufada de ar fresco no nosso sistema político, à direita então é absolutamente urgente uma implosão no PSD e que as pessoas válidas, as poucas que restam, no CDS/PP deixem o narcísico líder a falar sózinho e abracem um projecto de futuro. Portugal está cada vez mais perto do abismo...

AP disse...

É com imenso agrado que leio um post, lúcido, claro e directo como poucos, sobre a política nacional, colocando o dedo na ferida.
É bom ver que ainda há esperança.

Parabéns pelo blogue. Não conhecia, mas vou passar a visitar.

Compadre Alentejano disse...

Ao Ferreira-Pinto:
Como já deves saber, não sou do PSD, o que me coloca à vontade para falar de Gonçalo Amaral.
Consta, aqui no AlLGARVE, que ele nunca concordou com a solução política para o caso Mad. Sim, o governo português fez o que o governo inglês ordenou. Como estavam em causa súbditos de Sua Majestade, o melhor era arquivar o processo.
Toda a gente sabe o que aconteceu naquela noite mas, politicamente não podem dizer.
Gonçalo Amaral, não se conformou ,saiu, e, presentemente, é um cidadão de pleno direito.
Um abraço
Compadre Alentejano

Ferreira-Pinto disse...

Ao COMPADRE ALENTEHANO: penso que estamos a confundir um pouco!
O que eu disse foi que ainda nos faltava vir alguém alegar que o afastamento do Gonçalo Amaral, agora que está na corrida eleitoral, se devia ao facto de ser um militante do PSD e não por questões de alegados fretes ao Governo de Sua Majestade.

Fretes esses que, a terem existido, me levantam uma ou outra interrogação. Desde logo, esta: a Justiça verga-se ante a Política? serve os seus interesses? E, se assim é, então alguns dos processos mais mediáticos são políticos?

Adoa disse...

Numa das primeiras aulas de pintura na antiga Escola Superior de Belas-Artes que frequentei, um dos temas é: para que serve a arte?

A resposta é muito simplesmente - a arte näo tem de servir para nada, näo tem de servir nada. É a ARTE PELA ARTE...

Assim se faz política e näo é só em Portugal.

No entanto a política serve sim, mas só alguns...