Tanta pobreza de espírito e política...

Li no Publico online a notícia sobre a entrevista que Manuela Ferreira Leite deu na RTP1.
Não interessa neste curto escrito, (ai a falta de tempo), se foi ou não uma boa entrevista, mas já agora digo que gostei da postura da líder do PSD.
O que interessa é que me dei ao trabalho de ler os comentários (147 quando escrevi isto) à referida noticia e percebo agora melhor porque é que o País está na situação em que está.

Dos comentários aproveitar-se-iam 10, daqueles com princípio, meio e fim e sobretudo com interesse para a ajudar algum leitor a compreender melhor a posição dos partidos e dos respectivos candidatos.
Vive-se nestes comentários, como me parece na política em relação aos partidos, uma forma de estar do tipo sou do Futebol Clube do Porto, do Benfica ou do Sporting!
Ou seja, não interessa se jogaram bem ou mal, se houve viciação de resultados ou não, se os dirigentes mentiram ou não, o que interessa é ganhar seja de que maneira for.

As graçolas, os insultos, as incongruências, a ignorância, as frases feitas, são o sumo da maior parte destes comentários.
O problema é que me parece que muitos "políticos" também vivem assim a sua forma de estar na política!
Como queremos nós então que alguma coisa mude nas eleições?

Enquanto virmos a política como um qualquer desafio entre equipas, em que só interessa a vitória final, seja como for e a que custo for, não chegaremos a lado nenhum.
São comentários à entrevista de Manuela Ferreira Leite, mas poderiam ser a uma entrevista de José Sócrates, que o conteúdo seria exactamente o mesmo!!!

6 comentarios:

Carol disse...

Pois é, meu amigo, o problema do nosso país é mesmo esse: não interessa o sumo, interessa a cor. Se nos agradar, só se diz bem; senão, fala-se mal a torto e a direito. Mas é em tudo: no futebol, na política, na cidadania. Critica-se a máquina fiscal mas elogiamos os que fogem aos impostos e só nos lamentamos por não conseguir fazer o mesmo; criticamos a corrupção, mas estamos sempre à espera que alguém nos beneficie em troca de alguma oferta (simbólica ou não)...

António de Almeida disse...

Longe de estar bem, foi a melhor entrevista de Manuela Ferreira Leite até agora, duas ideias chave, baixar e impostos e riscar o TGV, se fôr por aí nos próximos meses, desenvolvendo mais os temas, as legislativas poderão não ser o passeio que José Sócrates espera. Mas temos de ser realistas, a líder do PSD até agora já desperdiçou mais de 7 meses, tempo é algo que não abunda...

joshua disse...

Sobre um avião a boiar e a entrevista de MFL houve quem brincasse a ridicularizar-lhe a credibilidade e a audiência.

Segundo alguns, no pouco tempo que teve de entrevista, e falando apenas dos assuntos que lhe foram postos pela jornalista, Manuela Ferreira Leite esteve igual a si própria e mostrou ao país em quem deverá votar se não quiser piorar esta situação de crise, votar na alternativa credível do PSD.

Eu, porém, penso que nada pode já impedir a argentinização da organização política em Portugal decorrente das próximas legislativas, depois da manipulação dos indicadores económicos, depois do optimismo fantasista, depois da negligência social que palavras oficiais não disfarçam.

Em todo o caso, eis os tópicos da tal entrevista que competiu com uma amaragem ímpar:

Sobre o cenário politico-partidário:
"aquilo que temos dito nestes últimos 7 meses é o que se tem vindo a verificar" [...] "o debate político é completamente diferente agora, do que era há 7 meses atrás" [...] "a oposição do PSD não se baseia em tricas políticas, mas em questões importantes"

Sobre a crise economico-financeira:
"eu sempre defendi - desde que fui Ministra das Finanças - que, se houvesse alguma folga orçamental, essa folga deveria ser utilizada para baixar impostos e não para aumentar a despeza" [...] "aumentando a despeza, hipoteca-se no futuro uma possível baixa de impostos"

"o emprego está nas PME, é preciso ajudá-las, mas não da forma como o governo está a fazer" [...] "não se ajuda alguém que está endividado, fazendo com que se endivide mais"

Sobre as grandes obras públicas:
"Se eu fosse primeira-ministra abandonava de imediato o projecto do TGV" [...] "só é viável de houvesse um avião para Madrid, de 7 em 7 minutos" [...] "essa obra não vai utilizar recursos portugueses, vai importar-se tudo"

Sobre as eleições autárquicas:
"Pedro Santana Lopes tem crédito para ser presidente de câmara" [...] "tem obra feita como presidente de câmara" [...] "ser presidente de câmara ou primeiro-ministro é completamente diferente" [...] "fui eu, como presidente da distrital de Lisboa, que escolhi Santana Lopes em 2005"

"Gonçalo Amaral não cumpre as regras definidas pelo PSD para ser candidato a uma autarquia e nesse sentido a sua candidatura não pode ser aceite"

Sobre o calendário eleitoral:
"O Engº José Sócrates quer maioria absoluta, mas ao mesmo tempo quer antecipar eleições. Não se percebe se quer então estabilidade ou instabilidade"

joshua disse...

O Estado dos Media é deplorável. O primarismo dos comentadores explica-se pela mediocridade dos editores e o facciosismo dos seus Jornais:

«Os despedimentos do Grupo Oliveira devem servir de aviso à restante comuncação social portuguesa. O que se passa com o DN e JN, de completa subserviência ao poder socialista, paga-se mais cedo ou mais tarde com o descrédito.

Nos dois jornais, os bons são sempre os mesmos, ou seja, Sócrates e a sua clique de mentirosos. Os editoriais dos dois jornais podiam ser escritos para a Acção Socialista, o orgão oficial do PS. Leite Pereira, director do JN, daria um excelente colaborador da folha socialista. Os maus, os das setas para baixo, são também os mesmos: tudo o que faça frente ao socretismo. A malta fartou-se de comprar jornais que alimentam a intriga política e a mesma mentira do Governo. Por isso, as vendas vão baixando de tal forma que já não dá para o Oliveira pagar o que deve à banca. As coisas não ficam por aí e, por este andar, mais desgraças surgirão.

No grupo Impala vai-se pelo mesmo caminho. Ventura Martins, o antigo valet de chambre de Soares em Belém, aproveita as revistas do grupo do Jacques para fazer os seus ajustes de contas pessoais. Ventura Martins, uma prima dona rafeira, percebe de tudo: de política, de social, de intriga foleira, etc.

A Focus, de que é director, é um nojo de revista, bem ao estilo de quem a dirige.
2009 será um ano negro para o jornalismo português, cúmplice da política de aldrabice deste Governo. Antes dos próximos actos eleitorais, o povo já começou a fazer a sua opção: deixou de comprar jornais socialistas, o melhor castigo que se pode dar a quem mente. Quando forem para o desemprego, verão que nem o Sócrates vos salva.»

Ferreira-Pinto disse...

O NOTAS é um projecto que nunca deixou de abordar temas políticos e, ao longo deste seu ano e meio de existência, já por cá tivemos de tudo ... até mentecaptos a comentar!

Por isso, não me admira nada que em relação a Manuela Ferreira Leite os comentários não tenham saído da mediania ou do maniqueísmo. É o normal. Há pessoas, sejam do PSD ou do PS, que se lhes meterem um porco ou um burro como candidato, votam na mesma!

Não vejo é razão para tanto deslumbramento do Joshua com a Dra. Manuela Ferreira Leite ... que, por exemplo, ainda ontem no comício de Santa Maria da Feira mentiu descaradamente quanto à notícia da agência LUSA. Quanto à sua coerência de no Governo de Durão Barroso ter ouvido, calado e comido o TGV (até havia um para Huelva) e agora barafustar, estamos conversados!

Para que ninguém se enerve comigo, eu sou contra o TGV!

Digo ainda que nunca tinha visto um Orçamento de Estado entrar em vigor e nem um mês depois aparecer um Suplementar!

joshua disse...

Não me admira nada que MFL minta. Não é por acaso que sou frígido em relação a ela e ao seu PSD: também é por causa do estado endémico de mentira que subjaz ao Bloco Central no plano prático e no plano obscuro: já estou para lá do que me prometa este Partido nem sequer me conforta que MFL minta em grau infinitamente menos maligno que o sistema de mentira em vigor. É mentira na mesma.

Mas factos são factos. Foi o que me deu para coligir e trazer cá.