Salários muito mínimos e meses muito longos

O jornalista do Expresso, Hugo Franco, está a levar a cabo uma reportagem denominada Um Mês Com O Salário Mínimo. Até ao momento, as conclusões têm sido as mais evidentes: a vida com 450€ é difícil, muito difícil. Mas não é só com 450€ que a vida é difícil...

Vejamos um caso concreto. O nome, fictício, é Ana. Licenciou-se em História e o seu sonho era ser professora. Conseguiu fazê-lo durante dois anos. O salário era suficiente para ela e, como ansiava pela sua independência, alugou um T1. Mas, a determinada altura, deixou de ter colocação no ensino oficial.

A Ana passou a trabalhar num supermercado. Alguns meses depois, conseguiu arranjar outro emprego como administrativa, a recibo verde e decidiu acumular com um part-time no supermercado. Os ordenados perfazem 600€. Este valor mal chega para pagar a renda de casa (300€), o gás, a luz e a água (100€). Neste momento, tem 29 anos e arranjou mais um part-time. Trabalha para uma autarquia, também como recibo verde e, por mês, consegue auferir cerca de 70€ mensais. Este mês ainda não conseguiu receber esse valor e do ordenado sobram-lhe 100€, porque já fez as compras do mês e pagou os descontos à Segurança Social. E ainda faltam 20 dias para o fim do mês...

Eu conheço inúmeras Anas. Aposto que vocês também...

10 comentarios:

salvoconduto disse...

Cruzo-me com elas todos os dias, já não consigo distinguir os rostos, de tão parecidas.

pedro oliveira disse...

É a chamada geração 500.Sinceramente não sei como conseguem sobreviver. Sou memso um previliogiado, e ás vezes ainda dou comigo a queixar disto e daquilo.

Ferreira-Pinto disse...

Por vezes, olhando o que alguns colegas aqui na autarquia auferem, interrogo-me como podem fazer face a todas as despesas que um mês normal comporta?

Falo, claro está, dos que não acumulam, e se limitam a desempenhar o melhor que sabem, podem e os deixam a sua função. Sem benenesses adicionais, friso.

O mesmo se diga para muita gente que conheço que é operário numa têxtil ou costureira numa confecção!

No fundo, o problema não é apenas das Anas, mas também das Marias e dos Joaquins.
De todos ou quase todos pois um ordenado mínimo da natureza do que temos é uma migalha atirada com escárnio ...

Tal como diza o outro, "cada vez tem mais mês no fim do meu salário!"

DANTE disse...

Vinha escrever umas palavras mas o 'salvoconduto' já disse tudo.
Realmente as Anas multiplicam-se a olhos vistos... :(

Jokas Carol :)

Adoa disse...

Isso quer dizer que ela está F.

Desculpa-me mas hoje só me apetece dizer palavröes...

korrosiva disse...

Infelizmente é a nossa realidade.. os salários aumentam a passo de caracol e as despesas à velocidade da luz. :{

lusitano disse...

Pelos vistos o Armando Vara não se chama Ana, porque mesmo depois de sair da CGD viu o seu ordenado aumentado para o máximo!!!

Já nem disfarçam!

É fartar vilanagem!!!

Abraço

AP disse...

A realidade que nos é dita nos telejornais ou nos jornais diários em nada se compara com o que se passa realmente. Deve-se à relação "Pessoas e Números" que para muitos são sinónimos, ou seja, quantas vezes, já ouvimos nós "Em Portugal, 2 Milhões de Pessoas vivem com menos de 360 euros mensais", a notícia passa, mostram umas imagens ou fotografias de uns bairros de lata...mas e se pararmos um instante e pensarmos, "Chiça, são 2 milhões de pessoas que não vivem, sobrevivem", esta sim, é a triste realidade que os números, taxas, estatísticas atenuam quando apenas nos dizem numericamente as dificulades de muitos e muitos portugueses, ou seja, de muitas Anas!

AP disse...

A realidade que nos é dita nos telejornais ou nos jornais diários em nada se compara com o que se passa realmente. Deve-se à relação "Pessoas e Números" que para muitos são sinónimos, ou seja, quantas vezes, já ouvimos nós "Em Portugal, 2 Milhões de Pessoas vivem com menos de 360 euros mensais", a notícia passa, mostram umas imagens ou fotografias de uns bairros de lata...mas e se pararmos um instante e pensarmos, "Chiça, são 2 milhões de pessoas que não vivem, sobrevivem", esta sim, é a triste realidade que os números, taxas, estatísticas atenuam quando apenas nos dizem numericamente as dificulades de muitos e muitos portugueses, ou seja, de muitas Anas!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Também conheço muitas Anas e não me esqueço quem criou a geração do Recibo Verde!