Onde pára a polícia ?

No passado Sábado fiquei por Aveiro, onde assisti ao concerto que Jorge Palma deu no Teatro Aveirense. O espectáculo começou por volta das 21:45h e terminou sensivelmente duas horas depois.

A noite, como se costuma dizer, era uma criança e, como tal, decidi ir beber um copo com a pessoa que me acompanhava. Dirigimo-nos a um bar e, aí chegados, ficámos perplexos com o cenário que se apresentava à nossa frente. O espaço estava repleto de jovens com idades que rondavam os 12/ 15 anos. Muitos estavam à porta, onde fumavam e trocavam ameaças e insultos gratuitos entre si. Uma rapariga saiu amparada por um rapaz num estado de embriaguez completa.
Decidimos, nesse instante, que aquele não era definitivamente um bom sítio para conversar e tentar descomprimir da rotina e dos problemas do dia ea dia e, a pé, fomos até ao bar de uns amigos nossos.

Ao longo do percurso, cruzámo-nos com vários grupos de jovens que se assemelhavam em tudo aos que tínhamos visto anteriormente. Rapazes e raparigas, muito jovens, a fumar e, na sua maioria, notoriamente alcoolizados. O vocabulário utilizado era do mais baixo nível que se possa imaginar e as atitudes que tinham demonstravam claramente que sentem um desprezo enorme por toda e qualquer regra social de civismo e boa educação.
Os baldes do lixo foram pontapeados e arrancados dos postes onde estavam colocados. As poucas pessoas que com eles se cruzavam eram insultadas. Confesso que senti uma indignação e uma vontade enorme de os chamar à razão (vulgo dar-lhes uns bons pares de estalos), mas que iríamos nós fazer contra grupos de 15/ 20 jovens totalmente descontrolados?!

O mais espantoso é que este não é um problema novo na cidade. No entanto, apesar dos constantes actos de vandalismo e do crescente clima de insegurança que se vais sentindo, não nos cruzámos com um único agente da autoridade, não vimos um único carro de patrulhamento da PSP.

Eu sei que as condições metereológicas convidam a ficar à lareira ou junto do aquecedor, mas não era suposto que as entidades policiais cumprissem com as suas funções?! Afinal de contas, para que andamos nós a pagar impostos?!

12 comentarios:

salvoconduto disse...

Provavelmente estavam dentro do primeiro bar a beber um copo...

Peter disse...

A pergunta "onde pára a polícia?" está mal formulada. Deveria ser: "onde pairam os paizinhos das criancinhas?"

DANTE disse...

Então Carol , se é a nossa pátria mãe , nós , os filhos ,andamos a pagar impostos 'porque sim'.

Jokas :)

Zé Povinho disse...

Os pais e a polícia fazem vista grossa às suas obrigações, e os jovens, muitos ainda umas crianças, enveredam por hábitos e vícios que mais tarde vão influenciar o seu futuro, para pior bem entendido. Até há leis que proibem o consumo de bebidas alcoólicas por menores, mas ... é o que se vê!
Abraço do Zé

lusitano disse...

A policia provavelmente prefere nada fazer, se calhar, porque no meio de cada grupo existe um menino ou menina filho/a de fulano de tal, que mexe uns cordelinhos e depois nada acontece e o policia apenas fica enxovalhado, porque o "paizinho" em vez de dar umas "bolachas" no menino/a, ainda se atira ao policia.

Este ano durante as férias o meu filho de 14 anos foi "apanhado" dentro de uma casa em construção, na praia que frequentamos, a fumar.

Uma vizinha julgou que era droga e chamou a GNR, que os teve de identificar e obrigou-os a irem chamar os pais para irem ao posto.
Cheguei antes dele ao posto da GNR e para além de agradecer ao guarda, pedi-lhe para ele o pertar um pouco, ou seja lhe meter medo, que ele tinha invadido a propriedade alheia, que poderia ter havido algum furto de ferarmentas e eles seriam os suspeitos e por aí fora.
O homem ficou espantado e perguntou-me:
Mas quer mesmo que eu faça isso?

Claro que lhe disse que sim e o menino de 14 anos ficou de castigo uns dias em casa sem poder sair.

Não sou melhor do que os outros, provavelmente sou só mais "velho"...eheheh

Abraço amigo

pedro oliveira disse...

Estavam a preparar operações STOP paar caçar a malta que paga impostos.

PO
vilaforte

Ferreira-Pinto disse...

Aqui, e com a devida vénia, acho que mais que perguntar onde parava a polícia, se devia começar por perguntar onde paravam os pais ... isto para ir ter com eles e lhes solicitar, com o devido respeito, que viessem ver o que os petizes costumam fazer!

Bem sei que nem sempre o espectáculo público corresponde à educação que se tem em casa, pois há muita gente que procura incutir nos filhos educação esmerada e estes, à primeira, regressam ao estado da selvajaria, mas quase sempre a ausência de educação caseira redunda nisto!

Quanto à polícia, nem sei o que diga ... recolherem os trastes seria sinónimo de teremo pais furiosos à porta da esquadra a ameaçarem partir tudo à patada ou terem de os mandar embora sem uma admoestação que fosse!

korrosiva disse...

Antes de mais se os pais fossem responsáveis miudos dessa idade não estariam na rua.
E no que toca à policia sinceramente depois de ter lido que não podem usar camisolas de lã, (porque não consta das peças designadas para a farda) mas apenas uma camisa e o blusão, não me admiro que a vontade de fazer o "giro" não seja muita!

Carol disse...

Eu sei que devia falar nos pais e no tipo de educação que estes dão, ou melhor, não dão aos filhos. O problema é que eu lido com eles (crianças, adolescentes e pais) todos os santos dias e, como tal, sei perfeitamente que com os paizinhos podemos nós estar descansados que continua tudo igual ou pior ainda.

Felizmente, LUSITANO, ainda há excepções, como é o seu caso, mas são tão poucas...

Compadre Alentejano disse...

Talvez o que o polícia ganha, não dê para gastar muito as botas...
Conheço bem Aveiro e sei que o que a Carol conta é usual ao fim de semana. É necessária uma maior vigilância, especialmente na zona entre a Praça do Peixe e o Canal de S.Roque.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Cá por Lisboa acontece o mesmo, com a agravante de se verem dessas cenas às 8 e 9 da manhã.Mais do que questionar a inacção policial pergunto-me,frequentemente, como é que os pais permitem que os filhos cheguem a casa de manhã, não se preocupem com o que eles andaram a fazer durante toda a noite.
Tenho receio de falar destas coisas, porque às vezes parece-me que é a idade que não me permite aceitar situações destas. No Dia das Bruxas ( 1 de Novembro) escrevi lá no Rochedo um post sobre este tema, na sequência de uma cena que presenciei num café perto de minha casa.
Estamos a assistir ao nascimento de uma geração sem afectos e isso deixa-me bastante preocupado.

Carol disse...

Não creio que o problema seja a nossa idade, sinceramente... E, sim, grande parte desta geração vive muito sem afecto.