Não metam nojo, digam nomes ...

A história do licenciamento do FREEPORT fede? Fede.
As autoridades britânicas têm provas que incriminam um ministro português? Segundo o jornal “O Sol”, têm.
Quem é esse ministro? O dito jornal, assim como todos os outros, não dizem.
Segredo de justiça? Receio? Nada disso.
Apenas porque é sabido que este tipo de ínsidia rende. E mói.
Tudo isto mete nojo? A mim mete. E muito.

Estas campanhas sórdidas, negras até, são um ferrete e podem destruir vidas. Pessoas. Famílias até.
Aquele semanário deu eco das suspeitas e logo surgiram dezenas de pequenos Estalines a apontarem o dedo … "é ele, é ele e mesmo que se venha a provar que não é ele, foi porque abafaram tudo!"
Faz lembrar a história da alegada homossexualidade de Sócrates que teve honras de bravatas numa campanha eleitoral. Alguns, pasme-se, rasgaram as vestes quando o homem disse não à proposta da JS sobre os polémicos casamentos homossexuais mas, na altura, e ainda agora, acusam-no daquilo que sabemos.

No "Freeport", volta-se ao mesmo. Ninguém disse nomes, mas já muitos avançam com o nome do corrupto.
Há coisas que metem nojo. E esta é uma delas!
Podemos não gostar de alguns, de muitos ou de todos, mas ninguém tem o direito de em nome de uma conveniente verdade, se armar em moralista reles e fazer tábua rasa da ética, moral e dos princípios legais que nos devem guiar a todos.
Para a história, qualquer um destes pode ser suspeito (ou talvez não): António Guterres, Jaime Gama, Guilherme d’ Oliveira Martins, Rui Pena, Nuno Severiano Teixeira, José Sócrates, António Costa, Luís Braga da Cruz, Elisa Ferreira, Luís Capoula Santos, Júlio Pedrosa, António Correia de Campos, Paulo Pedroso, Augusto Santos Silva, Mariano Gago, Alberto Martins, José Lello e António José Seguro.
Disse.

14 comentarios:

DANTE disse...

Quem tem telhados de vidro...
Mas os vidreiros também têm de viver. O mal de uns sempre foi o bem de outros.Pena que o mal em si só apareça em tempo próximo a eleições.
Deve ser coincidência...

Um abraço Ferreira

o que me vier à real gana disse...

Amigo Ferreira Pinto, mete (nojo) a si e mete a mim. Também, diga-se, é de pequena monta a credibilidade daquele semanário/tablóide.
Portanto, ainda que muito nojo tb me metam algumas veredas seguidas pelo Partido (meu tb) k escolheu este governo, maior é a nausea causada por cabeçalhos do tipo, k mais não visam k um aumento pontual das vendas... Jornalismo de investigação? Ah, isso sim! Disso carecemos!

Abraço

joshua disse...

Considero tão reles um apressar de acusações na Praça Pública por reacção a uma notícia ou de insinuações sobre quem de facto recebeu ou não as luvas, como o facto de algum Ministro ter recebido luvas para que o Freeport fosse possível. Veremos se o Sol tem colhões para dar o nome ao berdamerdas do Boi do Ministro porque se isto for um bluff como o veto presidencial ao OE 09, é a sentença de morte do Sol.

Tem sido abjecta e reles a impunidade dos pedófilos, o favorecimento despudorado e desabrido dos amigos nos CEOs dos Bancos do Poder-PS, tem sido reles e abjecta a corrupção no seio do Bloco Central de Interesses, permitindo que clientelas sôfregas mamem há décadas largamente à conta da obscuridade das Directorias Gerais e outros departamentos do Estado que não nos prestam contas a nós nem prestam contas a ninguém em honorários e mordomias despesistas; têm sido reles e abjectas todas as coisas de que não se fala abertamente e que vão corroendo o equilíbrio das contas públicas, as aventuras de última hora, os abalançamentos irresponsáveis, depois de sacrifícios e esbulhos incontáveis, para não falar daquelas leis fiscais retroactivas que empobreceram e fizeram colar-se ao chão um sem-número de portugueses que compraram casa e confiaram nos seus mediadores imobiliários, os quais trabalharam com uma lei substituída três anos depois. Eu sou uma de essas vítimas da imundície abjecta e reles legislativa de esta legislatura desonesta e maquiavélica. Tenho sido perseguido fiscalmente até ao tutano, paguei o que não tinha só por ter feito um multirriscos que cobria uma hipoteca prévia, da qual me foi sonegado pelo Banco o documento de assunção de dívida.

Por vezes vale mais ser reles porque se intui ou antecipa um comportamento useiro e vezeiro em alguém com responsabilidades do que transigir pelo silêncio com todas as mentiras e patranhas que o enquistado sistema político-partidário engendra.

Se o caso Freeport fode com algum ex-Ministro com mãos lampeiras e o nojo é grande por quem saliva de antecipação divinatória sobre o muito natural recebedor das luvas; se o caso Freeport pode ser moeda de troca com outro caso qualquer inglês em Portugal e, sanada a troca, tudo ficará como dantes, paciência no primeiro caso, puta que pariu, no segundo.

Há muito em Portugal de que ter nojo, não é preciso ter nojo de quem sonha por um país mais justo, transparente e independente da vontade concentracionária de poder de um qualquer berlusconi doméstico por quem, aliás, ninguém pode pôr de todo alguma vez as respectivas mãos no fogo.

pedro oliveira disse...

Depois ainda dizem que a blogosfera é que é o "antro" da intriga! haja decoro e de duas uma, ou dizem quem é o calem-se com estas brincadeiras de putos mal educados, que estão sempre a chamar nomes aos pais dos outros.

PO
vilaforte

Ferreira-Pinto disse...

JOSHUA abres o teu comentário mostrando ser um maestro, um senhor pois, de facto, é tão nojento e reles um rápido aproveitamento destas meias verdades em que habitualmente navega o nosso dito jornalismo de investigação (e, se não me engano, a Felícia que tem os seus méritos, sabe gerir este gotejar de aparente informação como ninguém) como mais reles será ainda que se prove que existiu, de facto, pagamento de favores.

Nota que quero admitir, por enquanto, que tudo não passe de torpe escandaleira que se quer tecer para, mais tarde, se permitir a outrem que colha frutos eleitorais. A ser verdade, é o descalabro de vez dum partido aos olhos dos portugueses e um pouco da nossa democracia.

E será grave, extremamente grave.
O Partido Socialista, nesta versão ou numa outra qualquer, pese embora os ódios que gera, deu um farto contributo à democracia e também teve os seus homens bons que não hesitaram em tomar decisões penosas e drásticas.

Ver o seu nome manchado por um hipotético caso de um daqueles ministros que enumero no meu texto se ter acobertado com generosas maquias seria condenar o mesmo a uma penosa e longa travessia no deserto!

E, queiram ou não, o PS instituição faz falta. Se neste modelo ou num outro, é indiferente. Faz falta. Quanto ao modelo, obviamente que teria de ser um outro temperado com duas pitadas, uma de humildade e outra de concepção e visão integrada da sociedade num todo.

Mas isso, penso eu, falta a toda uma Esquerda que não consegue encontrar o paradigma teórica que lhe permita conciliar interesses e preencher o fosso entre um discurso e a realidade da rua.

Sócrates, a par de Zapatero, conseguiram fugir a este divórcio não caindo no fosso em que Ségolene Royal, por exemplo, caiu! E Obama não é para aqui chamado pois, vistas as coisas aos nossos olhos, não será de Esquerda, estando os Democratas estado-unidenses mais próximos do ideário de um PSD que dum PS.

Quanto ao resto, onde referes a abjecta e reles a impunidade dos pedófilos presumo que queiras referir o nome de Paulo Pedroso mas eu, aqui como noutros casos, prefiro seguir o princípio da presunção da inocência. Admitir o contrário, é admitir que a Justiça se verga ao Poder Político e, por via disso, então teríamos de regressar à tese da conspiração e inquirir quantos casos não mediáticos da nossa Justiça se fazem e julgam ao sabor de interesses convenientes?

É óbvio é evidente que cada caso é um caso e o teu terá certamente a sua explicação kafkiana e, quiçá, de incompetência de alguém que acabou sumido e resultando em prejuízo de um terceiro que, ao caso, és tu.
Mas, e porque colocadas as coisas nesses termos, então eu não posso perdoar a quem desde 2002 me sonega o direito a uma mísera progressão na carreira, embora me tenha avaliado até 2004 com “Excelente”; também não posso perdoar a quem hoje chora lágrimas de crocodilo por mim e por outros mas, quando mandava, congelou escalões e produziu e abriu portas a uma reforma aberrante que viria a permitir a mudança das regras do jogo a meio tempo; não posso esquecer que quem abriu portas a uma atenta reavaliação dos imóveis foi quem lavrou o Código do IMI e do IMT, mas por lá deixou generosas isenções para quem convenientemente convinha nomeadamente as imobiliárias …. É ver as datas de diplomas como a Lei 10/2004, ou do Decreto-Lei 287/2003 … e isto para nos quedarmos por aqui, pois se quisermos recuar então chame-se à colação o consulado cavaquista dessa múmia que infestou a Administração de tarefeiros e depois fez de conta que nada era com ela …

É óbvio que o mal impera e progride quando os homens bons calam e consentem, mas há casos em que não podemos permitir que a insídia ande lesta e à frente … pois basta pensar no que seria se fosse com um de nós, mais nada.

Não se pode chamar ou apodar alguém impunemente de “paneleiro” ou “ladrão corrupto” e, sendo mentira, fazer de conta e assobiar para o ar!
Seja esse quem for. Isso não.

Ferreira-Pinto disse...

DANTE, pois ... é estranho que as boas consciências só se ergam em épocas de eleições!

Carísismo o que me vier à real gana as discordâncias com conteúdos e governos (e eu também lamento que o nosso partido sustente alguns comportamentos e personagens abjectos), mas descer a este nível ... e é sabido que quando o laibéu se lança, mesmo que se prove a mentira fica sempre a mancha infame da suspeita!

Ferreira-Pinto disse...

PEDRO OLIVEIRA sábias palavras, sábias palavras!

António de Almeida disse...

Qualquer um não, apenas os que tiveram algo a ver com o processo, e foram alguns:
-José Sócrates
-Luís Braga da Cruz
-Luíz Capoulas Santos
-Guilherme d'Oliveira Martins
-Julgo que mais um, mas não tenho a certeza, teria de pesquisar, e se quisermos o próprio António Guterres. Curiosamente não acredito que o envolvido (a ter existido) tenha prosseguido carreira política, normalmente nestas alturas é tempo de mudar de vida, mas...

Compadre Alentejano disse...

Seria engraçado, pegando nos ministros que o António Almeida enumera, verificar se algum deles comprou, logo após o suborno, algum automóvel da marca Mercedes...
E, já agora, quem era, na altura, ministro do Ambiente?
Atenção, não basta à mulher de César ser séria, há que parecer!...

Adoa disse...

lolol

E quando se falou do nosso primeiro ter feito a universidade por correspondência? Onde está a consequência disto?

O homem anda aí de cara lavada a pedir os votos de toda a gente...

Até parece que é o Bush à portuguesa...

Carol disse...

Mete nojo e de que maneira!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Concordo consigo, meu caro. A história mete nojo, mas era previsível que, com o aproximar das eleições alguém a fosse desenterrar. Continuaremos a ser um aís de gente "poucachinha" que não perde uma oportunidade para mostrar a sua condição.

Tiago R Cardoso disse...

Foi por essas e por outras que deixei de comprar os dois jornais de fim de semana.

Este país não pode ser uma cambada de Marinho Pinhos.

Tudo é atirado para o ar e as consequências não existem para os difamadores.

AP disse...

Caro Ferreira-Trigo, é o triste país que temos, o da conspiração, o da conversa de corredor para contar um fofoca, em quase todos os portugueses há um mini "24 Horas", "Correio da Manhã" e mais recentemente um "O Sol"!

É assim que passam os anos e observamos que esta mediocridade de pensamente não muda, basta contar quantas mexeriquices é que há em média em cada legislatura, só assim derrepente, na de Sócrates, lembro-me de 4 ou 5...