Mas que surpresa, Senhor Livro!

Afinal, ainda se registam acontecimentos positivos no nosso país!
Lendo o Diário de Notícias, deparei-me com uma notícia que assinalava o facto de, neste Natal, os portugueses terem oferecido livros, muitos livros e, pasme-se, terem escolhido maioritariamente escritores nacionais! Efectivamente, neste último trimestre, atingiu-se o número de um milhão de exemplares vendidos.

Lamento, no entanto, que este número seja obtido graças às vendas de, apenas, meia dúzia de nomes sonantes da literatura nacional, como Saramago, José Rodrigues dos Santos, os irmãos António, Nuno e João Lobo Antunes, etc.
Podia aproveitar esta notícia para lamentar o facto dos livros serem caros ou debruçar-me sobre a ignorância revelada por muitos dos funcionários que trabalham em livrarias sobre autores nacionais e estrangeiros, mas não o vou fazer. Também não vou fazer uma análise sobre as razões que justificam esta alteração no rumo do mercado literário nacional, porque simplesmente me basta saber que se lê mais no nosso país, que já se oferecem livros de autores nacionais.

E basta-me porque, felizmente, tive a sorte de nascer e crescer no seio de uma família que sempre encarou os livros como tesouros, que me fez perceber que ler um livro é, realmente, um prazer e que um livro nos permite viajar, conhecer novos mundos e culturas, desenvolver a nossa capacidade de raciocínio e a criatividade.
Fico feliz porque, ao que parece, há cada vez mais pessoas a pensar dessa forma. Afinal, nem tudo é mau neste cantinho à beira-mar plantado!

11 comentarios:

Ferreira-Pinto disse...

Ora, cá está um grosso mistério!
Como é que é possível, face à ignorância que por aí grassa, que estes números se verifiquem?

De qualquer modo, mais vale um António Lobo Antunes que uma qualquer obra de pacotilha dum Dan Brown!

lusitano disse...

Muito bom Carol, muito bom que assim seja.

Mas os "presenteados" leram os livros?

Infelizmente não terá sido porque houve sítios onde se vendiam livros ao "preço da uva mijona".

Um irmão meu que vive no Porto, (e devora livros), mandou-me um mail em que me informava que havia um local na cidade onde vendiam livros a preços muito baixos e que poderiam ser um óptimo presente da Natal.

É que muitas vezes os presentes de Natal é a despachar, ou seja, não será aquilo que mais agradará ao "presenteado", mas que custa menos ao "presenteador"!

E depois fica sempre bem oferecer um livro.

Desculpa, pois parece-me que estraguei o teu contentamento, mas sinceramente espero bem que tu é que tenhas razão.

Abraço amigo

korrosiva disse...

Também partilho da opinião que um livro oferecido não é forçosamente um livro lido.

Mas quem sabe se um dia não olham para a estante, e pegam num para ler...

Ferreira-Pinto disse...

Olha, pode ser que alguns aproveitem este frio gélido (imaginem que estou aqui a ver o jardim da autarquia coberto de neve, e isto a escassos 15 quilómetros do mar) para lerem os tais livros!

Isto foi só mesmo para dizer que, vinte anos depois, está a nevar novamente aqui!

DANTE disse...

Por acaso também recebi um neste natal. 'Deception Point' de Dan Brown. Ainda não o li :{

Jokas Carol :)

Carol disse...

Ó pessoal, eu fartei-me de dar livros e não foi por serem baratos! Espero bem que os presenteados os leiam! ;)

Carol disse...

Cai neve em Famalicão?! Aqui também não, mas quase. Está um frio que não se aguenta!

Compadre Alentejano disse...

Há quem ofereça livros, com plena consciência de que o receptor o vai ler, mas há outros, que oferecem um livro, porque não sabe o que oferecer...
Compadre Alentejano

Zé Povinho disse...

Saber que há mais livros em circulação e que há quem os ofereça a amigos já é uma boa notícia. O resto virá com o hábito de ler, e demora mais um pouquinho.
Abraço do Zé

Peter disse...

"À noite a biblioteca acende ténues brilhos muito fracos quase invisíveis. Chamas secretas envergonhadas começam a deslizar pelo espaço. Dançam poesias medievais e seiscentistas. Cantam histórias de debaixo do mar e um homem gigante que deu à praia com barbas de conchas e coração de menino, já morto mas tão belo que homens e mulheres o amaram na morte, e que trazia na mão o poema de amor de Gabriel. Tecem e destecem e tecem o eterno véu de Penélope e com Penélope esperam a espera de todas as esperas e com Penélope desdenham o banquete dos pretendentes e com Penélope vêem por fim surgir entre as estantes a chama sempre tardia e jamais recusada de Ulisses regressado da luz envolvente de esquecimento e de desejo de Calipso. Acendem-se cantigas de Manuel Alegre que no rio escrevem com doçura os nomes dos amigos mortos sobre as águas. Acendem-se os desejados verdes ciganos de Lorca e ergue-se, vinda do fundo de uma qualquer mesa de leitura, uma sua lua de prata, depois outra lua de prata e uma terceira lua de prata, quatro, cinco, seis, sete luas de prata! E as luas de prata de Lorca a parir incessantemente mais luas de prata iluminam o riso das dálias em frente às quais, sentados num banco de pedra de um livro de arte sacra, esperam na longa vígilia da mentira Dom Quixote e Sancho Pança na amizade incondicional que nunca precisou de verdades. Acendem-se outras chamas e outras luas, eventualmente, acendem-se até o sol por fim nascer e as recolher como doces vampiros às páginas de onde sairam. Outro dia. Outra vez. Até que a noite novamente as acenda. Porque tudo sempre regressa e não existe morte capaz de apagar as chamas infinitas dos filhos das estrelas."

(texto escrito por uma pessoa amiga)

###a.l.#### disse...

Occasum

Johann é imortal. Mas a imortalidade carrega consigo muitas angústias. A maior delas, a falta de um amor que a acompanhe. Ele buscava, como criatura das trevas, uma companheira que pudesse transformar. Ele buscava um antídoto e havia conquistado alguma força compondo poesias, admiradas tanto pelos seus criados, Igor e Fredy, quanto por aqueles que o perseguiam. Seus buquês de palavras, como costumava chamar, era entregue àquelas que admirava. Mas havia uma única rosa em seu caminho, para a qual ele passaria a dedicar sua existência, que não era efêmera. Um vampiro buscando extinguir sua chama assassina através do amor de uma mulher. A poesia pode salvar uma criatura das trevas do seu terrível destino?

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