Insegurança

A insegurança é um facto e teremos de nos habituar a viver com ela, confiando no factor sorte. O normal é classificarem esta preocupação pela segurança como um “sentimento burguês”, e pronto, está tudo dito, porque falar nos bairros degradados, no desemprego, na falta de quaisquer perspectivas para os jovens, nos recibos verdes, nos contratos a prazo, nos licenciados a trabalharem nas caixas de supermercado, são factos normais, que ninguém resolve, só falam neles. Falar não custa, não custa também dinheiro, mas para resolver, embora o dinheiro seja importante, não é tudo, são precisas ideias, espírito de iniciativa, acção e aquilo a que assisto são politiquices sobre a luta pelo Poder. Qual é a distância entre Lisboa e Atenas?

Os jornais diários publicam o relato de todas as ocorrências criminosas ocorridas no dia anterior e esse facto é um factor fundamental para a sua venda, tal como acontece com o Correio da Manhã colocando-o em primeiro lugar entre os diários. De igual modo a TVI , com a consequente luta pelo primeiro lugar no share.
Evidentemente que há aqui um problema de difícil solução, pois não se pode negar aos medias o direito de informar, como não se pode negar aos cidadãos o direito de estarem informados. Esse direito para o cidadão também funciona como um alerta e levá-lo-á a ter uma postura mais atenta.

Por outro lado, os malfeitores beneficiam de um destaque que a sua situação como cidadãos não lhes proporcionaria. Será portanto uma publicidade gratuita ao crime.
Um gang auto-intitulado “Tropas da Reboleira” que se dedica ao furto e ao roubo na via pública com recurso a armas de fogo, incluindo caçadeiras de canos serrados, publicita as suas acções em vídeos e fotos na internet.
Não é o primeiro caso. No distrito de Setúbal já se verificaram casos idênticos.

Como a legislação actual é extremamente benévola e permissiva, irão normalmente para casa, com termo de identidade e residência até ao julgamento, usufruindo do produto dos roubos. Ficarem presos preventivamente custa dinheiro.
Presentes a julgamento, já sabem que poderão cumprir apenas 1/3 da pena. E por favor não culpem os juízes que têm de aplicar a Lei, culpem sim é o legislador que a fez.

9 comentarios:

Marie disse...

I am so sorry not to be able to understand everything. Some words are "clear", such as permissiva, malfeitores. Although you don't post anyt photos, I have added this post into my links. I remember you gave us the link to a new blog on which you still post photos. I would be happy to have it (I don't know how to find it on my blog). Have a nice Sunday.

Ferreira-Pinto disse...

Meu caro PETER abordas aqui duas questões interessantes e que resultam do mesmo tipo de comportamento anti-social.

Quanto à agenda das redacções, existem opções editoriais que mostram muito do quão baixo se pode descer na tentativa de captar audiência e publicidade. Apontas dois exemplos flgarantes disso mesmo, onde tudo o que meta "faca e alguidar" tem enorme destaque.

Paralelamente, o próprio nível de muitos dos jornalistas não ajuda em nada por esse lado.

Culpa de quem?
Obviamente de quem compra e lê pasquins desse ou se dá ao trabalho de sintonizar uma estação onde, por exemplo, temos uma múmia como a Manuela Moura Guedes normalmente possessa a apresentar notícias (serão?).

Quanto às opções legislativas são, muitas vezes, obtusas e dificilmente se compreendem ou têm explicação.
Mas, e aqui discordo ligeiramente, como é que por vezes se explicam certas sentenças, é outro mistério!

Quanto aos "fedelhos" e anormais que atacam por grosso e se exibem alegremente pela net, na maior parte dos casos também não podemos dizer nada!
São das minorias e se alguém diz algo, berram logo que é racismo.

Edith Cresson, em França, é que em tempos quis fazer uma coisa interessante nesse domínio ... avião e rua!

Fernando Vasconcelos disse...

Pois é um tema interessante. Parece-me que que se pode perfeitamente dar a noticia sem que a transformemos em espectáculo, sem que transformemos os meliantes em actores e logo por consequência em pessoas "respeitáveis". É uma questão de forma. De resto tenho de discordar do anterior comentador quanto à solução da Edith Cresson. Primeiro porque implicitamente diz que o problema vem de fora quando na realidade isso é uma simplificação abusiva da questão, segundo porque e em consequência avião para onde? Enquanto continuarmos a empurrar com a barriga dizendo apenas que estes são problemas de outros não evoluiremos enquanto sociedade. É a mesma questão das lixeiras. Todos sabemos que têm de existir mas todos os sítios são bons excepto o nosso quintal. A solução tem de ser outra e está na nossa forma de abordar a questão.

Adoa disse...

Cada vez que leio as notícias de Portugal me assusto mais. É cada notícia... mas näo é apenas na seccäo da polícia que notícias säo péssimas, na política, na economia, na sociedade... que está a acontecer? Näo é que antes näo houvesse criminalidade, dantes apenas näo se falava tanto disso nas notícias. Parece que só se faz algo quando os problemas nos batem à porta. Cada qual puxa a braza para a sua sardinha e nada se resolve.

Os políticos deveriam ter aulas de civismo e moral. As regalias que têm deveriam ser-lhes retiradas.
Eles estäo no "poleiro" para servir e näo para serem servidos...

Peter disse...

Ferreira-Pinto

Um caso passado há poucos dias:

- como o marido recuperara de um cancro no pâncreas e a mulher recusava o divórcio para evitar a partilha dos bens, teria encarregue o sobrinho de arranjar dois indivíduos de 17 e 19 anos de o matarem, o que estes fizeram por 2.000€ que acabaram por não receber. O juiz do tribunal entendeu que não estavam reunidos os pressupostos para aplicação da prisão preventiva e a mulher e o sobrinho ficaram com pulseira electrónica, bem como o presumível homicida de 18/19 anos, enquanto ao outro de 17 anos foi-lhe aplicado o termo de identificação e residência.
Ao abrigo do novo Código de Processo Penal, o Ministério Público não pode recorrer.

Quem nos defende?

Compadre Alentejano disse...

E, se a moldura penal não ultrapassar os cinco anos, nem a prisão preventiva é aplicada, e uma vez condenados ficam com a pena suspensa...
Isto é político! Os nossos políticos e legisladores é quie têm a culpa!
Compadre ASlentejano

Peter disse...

Pois é "compadre", mas quem se "lixa" somos nós.

lusitano disse...

«Presentes a julgamento, já sabem que poderão cumprir apenas 1/3 da pena. E por favor não culpem os juízes que têm de aplicar a Lei, culpem sim é o legislador que a fez.»

O tema é pertinente, obviamente e preocupa-nos a todos, mas saliento a última frase, porque a considero praticamente o âmago da questão.

Sem leis a sério, não há justiça que faça frente ao crime.

E o pior de tudo é sabermos que por detrás de tudo está a visão economicista e não a salvaguarda dos cidadãos ou a recuperação dos delinquentes.

Infelizmente vai piorar, porque a crise vai "ajudar".

Abraço

JOY disse...

Não resta dúvidas que salvo raras excepções, os critérios editoriais, roçam a brejeirice, seja a nivel dos jornais seja a nivel dos telejornais, é confrangedor ver, que qualquer assalto é tema de abertura de telejornal, relegando para 2º plano noticias relativas a assuntos de verdadeiro interesse. Relativamente á justiça a culpa é de legisladores e politicos incompetentes e completamente fora do que é a realidade criminal Portuguesa actual.

Um abraço
JOY