Inaudito... aposentados por invalidez obrigados a trabalhar!

A culpa daqueles dois desgraçados ex-administradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) aposentados por invalidez andarem a trabalhar é minha, apenas minha.
Eis o meu pecado.
A cruz que carregava e que finalmente aqui Vos exponho. Dai-me agora a penitência que tenho de cumprir.

Mas, como tudo na vida, o triste destino que reservei àqueles dois pobres tem a sua história.
Estava eu, refastelado como um nababo das Índias, numa esplanada a saborear dois nacos de prosa do Mário Vargas Llosa quando sou barbaramente interrompido por um ser desvalido, quase famélico.
Num daqueles murmúrios quase imperceptíveis que tanto falsos como verdadeiros pedintes empregam, ainda consegui perceber que pedia que lhe desse uma moedinha pois tinha fome!

Tendo levantado os olhos da prosa e poisando-os naquele ser, tive pois a soberana oportunidade de lhe ver bem a cara antes do fulminar com um “vá mas é trabalhar, seu malandro!”.
E o pedinte, aposentado por invalidez, lembrai-vos, assim o fez.
E é por isso que, a esta hora, anda a administração da CGD incomodada com o assunto e dois seus antigos administradores, aposentados por invalidez, a trabalhar na concorrência.
Tudo culpa minha que os mandei trabalhar.
Custava assim tanto abrir os cordões à bolsa e dar a moeda pedida?
Custava assim tanto ter pensado que, pobre deles, o que recebem de reforma nem para alfinetes quanto mais comer?

Lembrai-vos, pois, fiéis leitores e comentadores.
Ao próximo que vos pedir uma moeda, dai-a pois nunca se sabe se não é um ex-administrador dum banco qualquer, aposentado por invalidez …
Disse.

14 comentarios:

salvoconduto disse...

Atenção que há mais...Almerindo Marques também está na mesma situação, é ex-administrador daquele banco e foi reformado por lá.

joshua disse...

O que não falta em Portugal são ex-administradores da Gaja Geral dos Depósitos, com reformas Douradas e que acumulam na Concorrência funções sinecurantes com vencimentos igualmente Dourados.

É por isso que é natural em Portugal o ordenado mínimo ser mínimo e as reformas mínimas serem mínimas, para não falar nos subsídios deprimentes de desemprego que no papel são X [ou por exemplo 13/euros dia] e na prática recebe-se menos de 8 euros sem uma justificação digna por e-mail ou por carta, o que não sustenta uma família de quatro bocas e levanta a suspeita de que a célebre fraude de milhões no IEFP lançou longe os seus tentáculos ou ainda que a SS já anda a contar os trocos e a poupar a eito.

Isto é um completo labirinto onde não há Fio de Ariadne para encontrar Saída e em que tudo está completamente Errado e a Retroceder: é a Rapinagem e a Arte de Furtar na Alta Finança a remeter-nos ao nosso lugar silencioso e inócuo.

António de Almeida disse...

-Em primeiro lugar quero agradecer-lhe as palavras simpáticas deixadas lá no espaço.
-Hoje deu-lhe com ironia, por princípio nada tenho contra aposentados trabalharem, desde que a pensão seja deduzida ao vencimento, e este seja tributável, o que poderá elevar o valor da pensão no futuro, mas isso são expectativas. Como desconheço o caso, não posso avançar muito mais.

pedro oliveira disse...

Já estou para aqui cheio de remorsos...
abr

PO
vilaforte

DANTE disse...

Essa não sei se te perdoo amigo Ferreira.
Então não houve nem um bocadinho de compaixão com aquele filho da...banca!!
Quer-se dizer que agora a esmola dou-a eu não é??
Bolas... ;D

Um abraço

Peter disse...

Perante o aumento gradual do desemprego, quando é que se acaba com a "pouca vergonha" (ou "muita") da acumulação de funções? Do emprego dado a quem recebe pensão de reformado, por invalidez, ou não?
Porque não se estabelece um limite para as pensões de reforma, sendo o restante pago em títulos do tesouro, p.e?

Estão a "roubar" empregos a quem não os tem.

Daniel Santos disse...

deu-te par implicar com esses pobres senhores reformados.

Tens de compreender que o senhores aposentaram-se da CGD por motivos de saúde, algo que compreendo, o edifício é grande e deve ter muita aragem, faz mal aos osso.

Assim, pessoalmente compreendo que eles quisessem assim algo mais aconchegado, evidentemente sempre com a pensãozinta da caixa. O medicamento para os osso ainda é para o caro.

Compadre Alentejano disse...

Por vezes, tenho vergonha de ser português e viver em Portugal.
Então, uma Junta Médica reforma por invalidez pessoas válidas para o trabalho e nega a reforma a quem está realmente incapaz para o trabalho? Veja-se o caso da professora que morreu, passados poucos dias, depois de a considerarem apta para o serviço!...
Se isto não é uma república das bananas, é o quê?
Claro que aos dois administradores, nada vai acontecer...
Um abraço
Compadre Alentejano

Zé Povinho disse...

São muitos mais os que recebem reformas douradas, por invalidez ou por cláusulas contratuais muito especiais, e continuam a "trabalhar" no mesmo ramo. Ainda recentemente o caso do senhor Cadilhe veio a lume, e como o BCP não é a CGD, o senhor teve que abdicar de algo, não sei se se lembram.
Abraço do Zé

PreDatado disse...

O que me pareceu errado foi o Ferreira-Pinto ter chamado malandro ao homem. Como se viu ele não o era tanto que aceitou de bom grado a sua sugestão.
Agora a sério.
Quanto a estes reformados estarem a roubar lugar a outros como acima referiu um comentador eu não acho nada mal. Ou o comentador acha que os lugares que eles agora estão a ocupar seriam para algum dos 500 mil inscritos nos centros de emprego? É o eras. É sempre para os amigos. Assim uma vez já reformados e agora pagos por uma instituição privada o que deveria acontecer era haver uma dedução no ordenado actual de um determinado valor da pensão ou explicando melhor, a Seg Social deixar de pagar esse determinado valor enquanto a acumulação existisse. Parecia-me justo.

Cadinho RoCo disse...

Pois esta questão da aposentadoria é de fato uma vergonha.
Cadinho RoCo

Daniela Major disse...

Essa do vai mas é trabalho fez me lembrar o tipo dos comtemporaneos..
De qualquer maneira, eu nunca dou moedas a ninguém

Adoa disse...

Vou passar a pagar o décimo...

Alexandre Nunes disse...

Eu nem quero pensar bem nisso... faz-me vómitos! Que nojo, que roubo descarado a quem desconta!