Freeportgate

Acho que em vez de Freeportgate devia ser Freeportgaita. Senão vejamos.
O cérebro de uma Blonde é assim uma coisa muito cheia de coisas e muito solicitada no dia-a-dia. O tempo é escasso e precioso (e vale money ainda por cima). Vai daí a Blonde apreende informação de uma maneira muito sui generis e só capta o que interessa.

Tio de Ministro.
Governo de gestão.
Aprovação de projecto duvidosa.
Inconstitucionalidade.
Infracção.
Corrupção.
Área protegida.
Quercus ao barulho.
Queixa em Bruxelas.
Justificações de legalidade.
Mais justificações de legalidade.
Reiteração das justificações de legalidade.
Reiteração da reiteração.
Oposição barafusta.
Governo defende.
Eleições à vista.
Muitos milhões em causa.
Favores.
Diz que não.
Diz que sim.
Insinuações.
Provas em contrário.
Mais insinuações.
Insistência na prova.

Sou só eu com este neurónio em curto-circuito e overloaded, ou alguém mais acha que onde há fumo há fogo?

12 comentarios:

AP disse...

Por acaso até me julgo inteligente, mas gostava que me explicassem como se eu fosse uma criança de quatro anos...

pedro oliveira disse...

Estou que nem o AP.

PO
vilaforte.

Ferreira-Pinto disse...

Antes de comentar, e aí pela milésima vez, declaração de interesses: militante desalinhado do Partido Socialista.

E agora, comentando a interrogação aqui da amiga, começo por dizer que, neste domínio, e porque um dos eventuais suspeitos é o cidadão José Sócrates que, neste momento, para o bem e para o mal, ocupa o lugar de Primeiro-Ministro da República Portuguesa, a minha postura é idêntica à que Paulo Rangel, líder parlamentar do PSD, ontem tomou afirmando que que as questões políticas devem ficar na política, separadas das investigações e de "rumores".

"Na minha análise – e estou convencido que é também a do PSD – não existe nenhuma diminuição do Primeiro-Ministro. Pelo contrário, sob o nosso ponto de vista, ele merece a nossa confiança institucional", disse.

E tenho esta postura por uma questão de formação (ética e académica); académica porque desde a Monarquia Liberal que em Portugal vigora o princípio da inocência e foi assim que me ensinaram nos bancos da Faculdade e ética porque não gosto de acusar ou de levantar suspeições e, mais grave que isso, vejam a vergonha que é para nós termos um Primeiro-Ministro sob suspeição.

Quanto aos elementos que já vieram a público, penso que se pode admitir uma das seguintes teorias:

1 – Uma pessoa, quando nasce, não consegue escolher a família, embora depois ao longo da vida possa escolher os amigos; neste caso, José Sócrates teve um enorme azar com a família e andaram uns primos e um tio a usar e abusar do seu nome e ele, por seu turno, não foi capaz de dizer que não e embarcou nas reuniões e deu gás ao processo;

2 – Uma pessoa, quando nasce, traz uma marca genética e, depois ao longo da vida, vai sendo moldada pelas escolhas que faz, as companhias que frequenta e pelo ambiente (digamos assim); neste caso, José Sócrates fez as escolhas erradas, meteu os pés pelas mãos numa ou noutra ocasião e deixou-se tentar;

3 – Uma pessoa, quando nasce, tem como única ambição comer e dormir, e à medida que vai crescendo, e consoante a sua ambição e as oportunidades que sabe criar ou lhe dão, atinge um lugar de relevo seja no que for; e, por força do poder que detém ou da influência que alcança, não está livre de se ver enredada em ondas cíclicas de suspeição e boatos que apenas visam destruí-la na praça pública;

4 – Uma pessoa, quando nasce, não faz a menor das ideias dos trastes que vai encontrar ao longo da vida, nem dos amigos que vai fazer; no leque dos trastes pode dar-se o caso de apanhar com um que, vendo uma oportunidade de negócio, não hesita em afirmar a terceiros "isto já sabeis como é, em Portugal as coisas são assim. Para se avançar, é preciso untar as mãos ao Presidente da Câmara, aos técnicos que vão assinar os pareceres, ao assessor, ao velho que nos abre as portas do gabinete do sobrinho que, por acaso, é ministro do Ambiente".

Qualquer uma delas, a provar-se, será suficientemente escabrosa e reveladora dum certo estado de coisas!

António de Almeida disse...

Que o caso merece ser investigado, não tenho dúvidas, que o mesmo não foi inventado pela oposição, também é inquestionável, o que não quer dizer que não esteja a haver algum oportunismo, mais ou menos dissimulado. Várias hipóreses:
-O dinheiro nem saiu de inglaterra, alguém afirmou que gastou a verba a corromper políticos portugueses, e guardou no bolso.
-O dinheiro saiu de inglaterra com destino a Portugal. Neste caso:
a) não acredito que tenha ido parar à conta de José Sócrates, se assim fosse, ele teria deixado a política, e hoje estaria a fazer qualquer outra coisa.
b) poderá ter ido parar a pessoas próximas de José Sócrates, que será sempre responsável por permitir tal facto.
c) poderá ter ido parar aos cofres do PS, já todos ouvimos falar em teias nebulosas, envolvendo os dois principais partidos do regime, de promiscuidade entre construção e partidos políticos. Esta hipótese já seria mais grave para Sócrates, e governo de então, porque não envolveria toda a cúpula do PS, seria obviamente uma delicada operação do conhecimento de poucos.

-Porquê agora?
-Gordon Brown tem problemas em Inglaterra, o seu plano anti-crise não está a funcionar, nenhum funcionará, ao mercado o que é do mercado, mas apresentar à sua opinião pública um processo envolvendo um governante dum país amigo, velho aliado e membro da mesma família política, ofereceria uma credibilidade ímpar na sua desesperada tentativa de superar Cameron. É preciso perceber que Brown passou anos à espera do lugar de Blair, mal toma o gosto e surge Cameron correndo com ele para uma nota de rodapé na História? Claro que isto apenas poderá funcionar, se o dinheiro chegou de facto a Portugal, de contrário o caso nasce e morre em Inglaterra. Perceba-se é que a agenda do PSD, CDS/PP, BE ou PCP é totalmente irrelevante para a polícia britânica, e mesmo para o seu governo. Daí algum interesse na divulgação de notícias, porque toda a investigação poderia estar a decorrer, mas sigilosamente. Aguardo com curiosidade as declarações que a PGR irá hoje proferir, mas isto ainda está no princípio...

Ferreira-Pinto disse...

António de Almeida como vê, as hipóteses são como as cerejas.
O amigo acaba de acrescentar mais uma às quatro que eu ali rabisquei.

lusitano disse...

A verdade, quer a gente queira quer não, é que o PM podendo ser inocente de todo este processo, não o é da forma como conduz a sua menira de estar, sendo constantemente apanhado a mentir, ou se quiserem "faltar à verdade".

Veja-se o caso do relatório da OCDE para citar apenas o mais recente.

Há apesar de tudo pessoas na política portuguesa que pelo seu modo de estar, de viver, se algo parecido lhes acontecesse a maioria esmagadora do povo português diria que não era possível, e acreditavam neles.

Com o PM e dado aquilo a que nos tem habituado, não se passa assim.

Investigue-se verdadeiramente e não deixe de se investigar apenas porque a "denúncia" vem do estrangeiro, porque já começam a surgir patriotismos bacocos, do tipo, que não devemos permitir que estrangeiros digamn mal do nosso PM.

Investigue-se e depois se apurado que afinal o PM é inocente faça-se saber aos ingleses com toda a força da nossa indignação que não admitimos coisas destas.

E depois podiam também perguntar porque é que no caso Maddie as análises e outras coisas demoraram tanto e tiveram resulatdos tão estranhos, e porque é que o porta voz do PM de lá, passou a porta voz da familia e por aí fora.

Abraço

Joaninha disse...

Ai há fumo há, agora o fogo é que pode ser ou uma cabeça de fosforo ou um incendio florestal. Espero para ver :)

beijos

Ferreira-Pinto disse...

Alguém consegue explicar aqui a este camelo como é que, mais uma vez, um documento de um processo consegue chegar ao conhecimento dos meios de Comunicação Social?

E a Procuradoria-Geral da República emitiu esta nota à Comunicação Social porquê?

A Procuradoria-Geral da República/Departamento Central de Investigação e Acção Penal, face ao alarme social causado pelas notícias vindas a público e relativas ao chamado “Caso Freeport”, ao abrigo do disposto no artigo 86º n.º 13, alínea b), do Código de Processo Penal, esclarece o seguinte:

1º O processo relativo ao “Caso Freeport” encontra-se a ser investigado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal desde Setembro de 2008, estando neste momento a ser efectuadas perícias pelo Departamento competente da Polícia Judiciária sobre diversos fluxos bancários e a serem realizadas diligências várias, consideradas essenciais para a descoberta da verdade, pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal.

2º Tais diligências foram consideradas prioritárias e a elas serão afectados todos os meios considerados necessários.

3º Serão seguidas quaisquer pistas consideradas com interesse, analisados todos os fluxos bancários e inquiridas todas as pessoas ligadas ao caso, realizando-se as diligências tidas como necessárias para a descoberta da verdade.

4º Não foram recolhidos até este momento indícios que permitam levar à constituição de arguido de quem quer que seja.

5º Logo que a Lei Portuguesa o consinta será dado conhecimento público das diligências efectuadas, desde que o processo se iniciou em 2004, com uma carta anónima recebida na Polícia Judiciária de Setúbal.

6º A carta rogatória inglesa agora divulgada pela Comunicação Social, foi recebida no Departamento Central de Investigação e Acção Penal em 19 de Janeiro do corrente ano e irá ser cumprida, de acordo com a Convenção sobre a Cooperação Internacional em Matéria Penal, como tem acontecido durante a investigação.

7º Os alegados factos que a Polícia inglesa utiliza para colocar sob investigação cidadãos portugueses são aqueles que lhe foram transmitidos em 2005 com base numa denúncia anónima, numa fase embrionária da investigação, contendo hipóteses que até hoje não foi possível confirmar, pelo que não há suspeitas fundadas.

8º A carta rogatória inglesa não contém nenhum facto juridicamente relevante que acresça aos factos conhecidos e investigados pelas autoridades portuguesas, nem contém nenhum elemento probatório considerado válido e que justifique uma alteração da posição tomada nos comunicados anteriores.

9º Ninguém está acima da lei, mas nenhum cidadão português pode ser considerado arguido, nem sequer suspeito, unicamente porque a polícia de outro país o coloca sob investigação com base em hipóteses levantadas e não confirmadas e que servem somente para justificar um pedido de colaboração.

Lisboa, 29 de Janeiro de 2009


Aliás, o remate final, em jeito de aviso, pretende abrir porta a mais quê?

Há ou não há suspeitos?
E há ou não há indícios?
E há factos?
E provas materiais ou meramente circunstanciais?

Finalizo trazendo para a discussão (que anda esparsa por estes lados) o seguinte tema:

Se não é admissível permitir ou tolerar que a Política se misture com a Justiça e condicione a sua acção, será de admitir que possa haver Justiça a fazer Política?

Atenção que esta dúvida é colocada em abstracto e sem qualquer conotação com o presente caso.
É só uma pergunta de retórica.

António de Almeida disse...

Como tiveram os jornais conhecimento da carta rogatória? Aconselho leitura do José na Porta da Loja (para quem não sabe, diz-se que è Juíz), deixei link no post de hoje.

Compadre Alentejano disse...

Como é que uma pessoa que mora num estúdio na Reboleira, compra um apartamento no Heron Castilho, por mais de um milhão de euros, mais um outro que pôs em nome da mãe, e um carro de boa marca...
Expliquem-me, pôrra!
Compadre Alentejano

Daniel Santos disse...

Estou cansado do assunto. Vou descansar sobre a justiça.

antonio - o implume disse...

Sócrates precisa deste escândalo, malgrado o desinteresse dos restantes partidos da oposição, tem a seu favor uma imprensa submissa em estertor bufo, tem os cobradores de favores como o Freitas e todos aqueles que se vão encher de pena.

Sócrates precisa deste caso para obter a maioria absoluta. O desinteresse do PSD vai obrigá-lo a dramatizar ainda mais. Talvez um relatório tipo OCDE o declare impoluto!