Dúvidas de um eleitor!

Exmo. Senhor
Presidente da República
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva,

Sendo V. Exa., enquanto órgão político, o defensor da existência de Portugal como Nação, bem como o garante do normal funcionamento das instituições e dos órgãos de poder do nosso País, venho colocar-lhe algumas questões que gostaria de ver respondidas, para meu descanso pessoal, e para ter a possibilidade de perceber melhor que escolha devo fazer nas eleições que se aproximam.

Gostaria assim de saber:

1 – Qual o verdadeiro estado das finanças de Portugal?
É que o Governo já mudou e rectificou tantas vezes o Orçamento de Estado que me parece que o próprio Governo não sabe bem a quantas anda.
Acresce o facto do Governador do Banco dito de Portugal, vir também constantemente a fazer correcções às suas previsões para o País, o que me causa dúvidas permanentes.
Em duas semanas degradou-se o estado das finanças? Porquê?
2 – Quando é que a juventude de Portugal começa a ter tranquilidade para estudar?
É que é lugar comum dizer que a juventude de hoje, serão os homens de amanhã, mas com o estado da Educação do nosso País, vejo a coisa muito complicada.
3 – Afinal, o que há de verdade nas corrupções e fraudes apontadas a tantos agentes políticos, sobretudo dos dois partidos designados como “partidos de Governo”?
Saberemos em tempo útil a verdade sobre os casos BPN, BPP, Freeport, Casa Pia, etc.?
É que eu gostaria de votar em gente de confiança.
4 – Já agora gostaria também de saber se o TGV e o Novo Aeroporto vão realmente endividar o País ou se, afinal de contas, são coisas boas que nos vão ajudar a sair da “cepa torta”?
É que se estiver elucidado sobre isso, com realismo, sem política, votarei naqueles que defendam a coisa certa, mas que eu neste momento não sei quem são.
5 – Já agora gostaria que V. Exa. me elucidasse o que pensa sobre a Regionalização e o “casamento” de homossexuais?
Não quero obviamente saber da sua opinião pessoal, visto que o segundo ponto toca a intimidade de cada um, mas sim se considera serem prioridades para o País, ou se andamos a “encanar a perna à rã”?

Sei que V. Exa. é pessoa ocupada e, portanto, fico-me por aqui, porque se o não fizesse, a lista seria tão longa que não teríamos tempo até às eleições de esclarecer todos os pontos da dita cuja.
Ia-me a fugir o pensamento para na despedida escrever a “Bem da Nação”, mas lembrei-me que é fórmula politicamente incorrecta e por isso apenas cumprimento respeitosamente V. Exa., agradecendo desde já todo o tempo que queira dedicar a este meu pedido.
Portugal, 23 de Janeiro de 2009
Um Lusitano,

6 comentarios:

Ferreira-Pinto disse...

Caro eleitor,
A Presidência da República agradece vem por esta dar resposta a algumas das suas pertinentes interrogações.
Começando por elucidar que ao Presidente da República, enquanto Primeiro Magistrado da Nação, lhe incumbe tudo isso o que referiu mas sem que daí se possa inferir qualquer estatuto de “milagreiro” ou esquecer que a Constituição da República Portuguesa define claramente o que é de César, mas não aquele lá dos Açores, e o que é de Deus, passe a expressão.
Isto é o mesmo que dizer que cada um tem as suas responsabilidades, e também o caro eleitor as tem.

Sobre as perguntas que nos formula, aqui fica breve resposta.

1 – Qual o verdadeiro estado das finanças de Portugal?
O estado das finanças públicas em Portugal foi sempre um dos mais grossos mistérios da nossa República.
Soube-se sempre que gastávamos mais do que ganhamos, que o défice é crónico e com tendência a agravar, e que a dívida pública é um colosso.
Quanto ao Governo e o Banco de Portugal, onde também eu fui técnico, por isso não ouse questionar a credibilidade daquela casa, eles, de facto, não acertam uma.
Eu não sei se é incompetência como a daquele jornalista dos sapatos voadores ou imitação dum certo ministro das Finanças que eu tive que estava isto em pó e me proclamava ele que isto era o oásis.
Mas, aqui entre nós, está mau!

2 – Quando é que a juventude de Portugal começa a ter tranquilidade para estudar?
Francamente, aqui acho que o meu amigo abusa. E muito.
Primeiro, porque sempre queria saber se a juventude quer mesmo estudar.
Depois, porque eu também defendo que os professores não podem ser todos excelentes. Têm de ser avaliados, e separado o trigo do joio.
Com este modelo?
Isso aí, já me interrogo se não seria melhor entregar tudo à própria escola e deixar que a escola pública funcionasse por si, com gestão própria e autonomia absoluta.
Mas que a Senhora Ministra tem sido teimosa, ai isso tem.
Mas, meu caro eleitor, aqueles senhores dos sindicatos também nunca estão satisfeitos.
Já viu que agora, depois da Avaliação, querem discutir outra vez o Estatuto?

3 – Afinal, o que há de verdade nas corrupções e fraudes apontadas a tantos agentes políticos, sobretudo dos dois partidos designados como “partidos de Governo”?
Olhe, isso o melhor é esperar que a Justiça diga de sua … justiça.
Bem sei que as coisas parecem estar a ficar com pretas para os lados da família Sócrates, mas também estavam para aquele senhor chamado António Preto (aquele deputado do PSD que recebia malas cheias de notas), para o meu ex-secretário de Estado, o Oliveira e Costa, para o Isaltino Morais, para o Valentim Loureiro, para a Fátima Felgueiras, para o Dias Loureiro e, olhe, andam todos por aí.
Que me recorde, só mesmo o Abílio Curto, da Guarda, distraído, é que se deixou apanhar.
Mas isto tudo muito me entristece e acha que nos cobre a todos de vergonha.
Menos os visados que esses, claro está, andam sempre por aí!

4 – Já agora gostaria também de saber se o TGV e o Novo Aeroporto vão realmente endividar o País ou se, afinal de contas, são coisas boas que nos vão ajudar a sair da “cepa torta”?
Meu caro amigo, o aeroporto ainda vá que não vá, mas o TGV é um grosso estipêndio que muito nos vai fazer amargar.

5 – Já agora gostaria que V. Exa. me elucidasse o que pensa sobre a Regionalização e o “casamento” de homossexuais?
Regionalização? O Presidente da República neste momento não se quer pronunciar.
Casamento de homossexuais? Olhe, o meu antecessor, o Dr. Mário Soares, já disse tudo ontem quando afirmou que o País tem outras preocupações.

Por isso, no dia, o melhor mesmo é pegar na família e ir passear. Para bem longe da secção de voto!

O Guardião disse...

Talvez seja melhor puxar pela cadeira, ou quem sabe a cama, para bem perto de si porque a resposta vem a nado, e ainda nem partiu lá dos antípodas.
Cumps

korrosiva disse...

A parte do "Casamento" é que me faz confusão.
Não pode ser casamento, sem aspas?

Bom fim de semana

António de Almeida disse...

Eu gostaria era ver alterado o sistema político, assim à primeira vista digo que o Presidente da República não nos faz absolutamente falta nenhuma. Preferia mil vezes um regime presidencialista, mas nada de confusões, provavelmente o P.R. seria José Sócrates, sem poder legislativo, e com duas câmaras, mas deputados eleitos nominalmente por círculo. Gostaria que Portugal fosse um país onde existisse transparência na administração, e que até a Justiça respondesse perante a população. Tudo isto com o peso do Estado drasticamente diminuído, é claro...

PreDatado disse...

Caro Lusitano
como PR tenho muito gosto em responder:
1- Também não sei;
2- Também não sei;
3- Sei mas não digo, não é ainda o momento para falar nisso;
4- Só experimentando e depois logo lhe digo se coisas boas;
5- Ehhhh que pergunta mais panisgas, pá, a isso não respondo.

Espero que tenha ficado esclarecido.

mac disse...

Quando a crise ataca, ataca em todas as frentes, até na crise de valores e de transparência. Todas as dúvidas são pertinentes, mas se algum dia forem respondidas, serão-no embrulhadas em retórica política. Ou seja, ficaremos todos a saber o mesmo. Deixe lá, o povo tem memória curta, e em Setembro lá teremos mais do mesmo...