Desculpem lá...

...mas hoje deu-me para a reflexão. Nem sempre dou muita atenção aqueles mails que nos enviam com apresentações em power point e que falam da bondade e da humanidade que nos falha, ou de alguém que precisa de ajuda... confesso, acabam todos no spam e daí é para o lixo mesmo.
Mas chegou-me uma mensagem que me fez pensar se não andaremos todos a julgar a Humanidade toda pela bitola dos alguns que a arrastam pela lama da cobiça, da ira, da violência, da podridão e da devassidão sem limites.
Então leiam lá:

"Durante um jantar de caridade, o pai de um menino deficiente mental fez um discurso inesquecível:

Diz-se que Deus tudo faz com perfeição…
Onde está a perfeição de Shay, o meu filho?
O meu filho não consegue compreender as coisas como as outras crianças.
O meu filho não se pode divertir como as outras crianças…
Onde está então a perfeição de Deus?

Eu acredito que ao criar uma criança deficiente como o meu filho, a perfeição que procuramos em Deus estará na forma como reagimos a esta criança.
Vou contar-vos uma pequena história para justificar a minha proposta.
Uma tarde, Shay e eu andávamos passeando num parque onde se encontravam uns rapazes a jogar «baseball».
Shay virou-se para mim e perguntou:
- Pai, achas que eles me deixam jogar?

Eu sabia que Shay não era propriamente o género de parceiro que os rapazes normalmente procuram, mas mesmo assim ainda tive esperança que deixassem o Shay fazer uma perninha ...
Assim, perguntei a um dos jogadores em campo se seria possível deixar o Shay participar só um pouco…
O jogador reflectiu um bocadinho e disse: Estamos a perder por seis pontos e vamos na oitava mão, portanto acho que ele pode entrar na equipa porque temos sempre a oportunidade de recuperar na nona volta.
Shay deu um enorme suspiro!

Disseram ao Shay para calçar a sua luva e tomar posição.
Já no fim da oitava mão, a equipa de Shay marcou alguns pontos mas continuou a uma distância de três pontos.
No fim da nona mão, a equipa de Shay ganhou ainda um ponto, mas continuou, ainda assim, com um atraso de dois pontos mas ainda dispondo de uma chance de compor a partida…
Para espanto de todos, deram ao Shay o bastão!

Todos sabíamos ser impossível ele ganhar, pois o Shay não fazia ideia de como fazer a batida, nem como direccionar uma bola.
Logo que Shay se colocou na zona de recepção (base), o lançador avançou alguns passos e atirou a bola com toda a suavidade de forma a que Shay conseguisse ao menos tocar-lhe com o bastão.
Shay bateu pesadamente no primeiro lance, mas sem sucesso!
Um dos parceiros veio em sua ajuda e os dois agarraram no bastão, aguardando o próximo lançamento.
O lançador avança de novo e torna a atirar a bola ligeiramente para Shay.
Com o seu equipamento e com a ajuda, Shay bate na bola, mas possibilitando a retoma pelo lançador.
Poderia este ter, facilmente, lançado a bola à primeira base, eliminando Shay e o jogo terminava por aí!
Mas não! O lançador atirou a bola de tal forma alto que aquela caísse bem longe da base.
Toda a gente desatou a gritar:
- Corre para a base, Shay! Corre para a primeira base!!!
Nunca ele tinha tido a oportunidade de correr para uma primeira base!
Shay galopou ao longo da linha de fundo, completamente espantado!
Quando chegou à primeira base, um dos adversários tinha já a bola na mão direita; ele poderia facilmente lançá-la à segunda base, o que de imediato eliminaria o Shay que continuava a correr. Pois, mas ele lançou a bola por cima da terceira base e mais uma vez todos desataram a gritar:
- Corre para a segunda! Corre para a segunda !!!

Os batedores à frente de Shay aproximam-se da segunda base, o adversário dirige-se para a terceira base e exclama: Corre para a terceira!
Quando Shay passa pela terceira, os jovens das duas equipas começam a gritar:
- Corre o circuito todo, Shay!!!

Shay completa o circuito, até à zona da recepção e os jogadores pegam-no em ombros.
Shay é um herói!
Ele acaba de fazer um grande "slam" e de ganhar o desafio para a sua equipa.
Nesse dia (lá continuou o seu pai, lavado nas lágrimas que lhe corriam pelos olhos), estes 18 rapazes atingiram o seu próprio nível da perfeição de Deus."

Desculpem lá esta pequena reflexão para que vos arrasto comigo, mas não acham mesmo que já vai fazendo falta olharmos uns para os outros com a compaixão e a tolerância que todos dizem de que não somos capazes?
A meu ver, aquela perfeição de Deus está em cada um e em todos nós. Pudessem todas as historias de heróis ser assim tão visíveis... talvez encontrássemos mais perto do que pensamos a humanidade que reclamamos.
Um bom ano para todos!

10 comentarios:

salvoconduto disse...

Ainda há anjos na terra...

Ferreira-Pinto disse...

Bom, começo por dizer que a história, provavelmente, não passa disso mesmo!
Uma história.

Ensinam-nos as leis da vida, e é essa a realidade das coisas, que mesmo as crianças conseguem ser cruéis até um ponto inaudito pelo que dificilmente se veria tanta tolerância e compaixão (palavra terrível esta, especialmente quando mal entendida e interpretada) num grupo de dezoito rapazes!

O mais provável era o lançador ou um dos apanhadores ter posto um fim ao sonho ... lamento, mas esta é a verdade!

Não sei também se é necessária a explicação ou o recurso a Deus para explicar a bondade dentro de cada um de nós.
Dispenso-me de entrar pela via das discussões teológicas sobre a natureza e bondade de Deus, mas não creio que seja de facto necessário que a realização da perfeição natural do Homem seja unicamente efectuada através da explicação teológica e dos valores que a mesma traz.

Fazer isso seria, na minha perspectiva, denegar a razão que, como já aqui disse, se não tem de andar dissociada da fé, também não deve deixar de se fazer valer por si.
Eu, Homem, sei, por natureza, o que é Moral, o que é Ético, o que é legal aos olhos da sociedade e devo procurar comportar-me dentro dos valores universais do direito natural. A bondade existe independentemente da entidade divina que queiramos trazer à colação!

António de Almeida disse...

-O problema é apenas demonstrarmos compaixão quando salta à nossa vista tal necessidade, e muitos nem mesmo assim. Por exemplo já parei (não é o mesmo que estacionar) o automóvel em zona de paragem proibida, para permitir a entrada a uma idosa a quem ofereci transporte, apesar de não impedir a circulação houve logo quem protestasse, não demorei mais de 2 ou 3 minutos, e pelo menos uma das pessoas que protestou quando viu a idosa com canadianas pediu desculpa por ter protestado, estacionar mais à frente a mim não me teria causado qualquer transtorno, só que por vezes as pessoas reagem primeiro e apenas depois fazem a leitura das situações. Ora não foi esse o comportamento dos rapazes, primeiro leram a situação, e depois agiram, quando age racionalmente o homem normalmente está bem, o problema na maior parte das vezes é não parar para pensar, e a cabeça deveria servir para mais do que usar um chapéu ou penteado da moda.

pedro oliveira disse...

De vez em quando também paro para ler esses maill's e queiramos quer não,trazem sempre uma mensagem que nos faz aterrar sobre a nossa condição humana,mas depois está outra vez a ligar o motor e a engrenar as mudanças da rotina.

PO
vilaforte

indomável disse...

Olá olá,

Bem então vamos lá a esta discussão, para depois podermos avacalhar o nosso primeiro e a sua entrevista ontem na SIC, ok?

Ora bem, meu querido Quintino-Ferreira Pinto, é para ti que vai esta resposta por duas razões muito, muito simples:
1ª- a bondade e a humanidade são inerentes ao ser humano, quer queiramos ou não e não estou assim tão certa de que um outro grupo de 18 rapazes, inseridos na mesma circunstância e perante as mesmas situações. Só a título de exemplo, na escola secundária do sitio onde vivo, anda uma miuda que desde que era suposto andar, se move em cadeira de rodas e ao entrar para aquela escola (que foi quando a conheci) todo o universo de alunos aderiu tão bem à sua presença, que nem pareciam adolescentes. Aqui no meu sitio, quem tem filhos deficientes não os esconde, pelo contrário... fiquei parva quando para cá vim, por ver tanta gente deficiente. Afinal, vim a perceber que não havia em maior numero que noutros lados, só que aqui não se escondem, nem os escondem;

2ª - este texto não é meu, e o apelo a Deus deve ter a ver com as crenças do senhor que escreveu a história. Quanto a mim, apesar de não professar um tipo de religião, sou crente a Deus, um Deus, seja ele de que cor ou credo for. Não me importa muito a religião em si, acredito mais na espiritualidade de cada um e essa todos temos, apesar de andar um bocadinho escondida nos dias que correm.

Por isso, não creio que a história seja tão inverosímil assim. Todos somos capazes do pior, é verdade, mas não é menos verdade que somos capazes de muito melhor do que temos feito. E isso já me vai levar para um outro texto futuro, por isso fico-me por aqui.

Pronto, agora sim, podem soltar-se as hostilidades, relativamente ao espectáculo apalhaçado de José Sócrates ontem à noite. Maioria absoluta, a sério?

lusitano disse...

A história diz tudo o que poderiamos fazer e a maior parte das vezes não fazemos.

Caro Ferreira Pinto, os jovens são capazes das maiores "crueldades", é certo, mas também são capazes dos maiores actos de altruísmo, como a realidade diária nos demonstra.

O importante é que, julgo eu, nos emocionamos com histórias destas, nos espantamos com estes gestos de bondade, de caridade dos homens para outros homens, quando devia ser o contrário, ou seja, nos deviamos espantar com os actos de desprezo e indiferença dos homens para outros homens.

Dada a fé que vivo na minha vida é com certeza que acredito que o homem é intrisecamente bom, à imagem do seu Criador, mas na sua liberdade, pratica muitas vezes o mal.

Abraço

lusitano disse...

Em tempo:

«Dada a fé que vivo na minha vida é com certeza que acredito que o homem é intrisecamente bom, à imagem do seu Criador, mas na sua liberdade, pratica muitas vezes o mal.»

Quando afirmo isto, quero dizer todo o homem e o homem todo, independentemente de acreditarem ou não em Deus, porque acredito que todos os homens são filhos de Deus e por isso, à sua imagem e semelhança.

Abraço

Ferreira-Pinto disse...

Ora, ora, ora … e isto é para ti, minha querida INDOMÁVEL, pois está claro!

Abrindo as “hostilidades” devo esclarecer que assumi o papel do advogado do diabo, daí algumas provocações. Afinal, estamos cá para alimentar a discussão, certo?
Não decorre directamente do meu comentário ao teu texto que não admita a bondade e a humanidade como condições inerentes ao ser humano, antes pelo contrário.

Penso que entre um Jean Jacques Rousseau e a sua teoria do bom selvagem e um Thomas Hobbes e o seu Leviatã, havemos de encontrar o fio condutor e da razoabilidade que não permita que dentro de nós seja o lado negro quem se sobreponha. Mas, não tenhamos ilusões, dentro de cada um de nós existe um “darth vader”!

Também penso que não se possa inferir do que disse que todo e qualquer grupo tivesse um comportamento diametralmente oposto ao grupo dos rapazes. Mas, penso que é razoável que assim seja, num contexto competitivo como aquele, o mais provável seria o quê?

Quanto ao exemplo que dás da rapariga em cadeira de rodas, nada a opor e assim devem ser as coisas.

Mas, e recordas que disse o quão terrível pode ser a palavra compaixão qual mal interpretada ou mal empregue, quantos desses não se reportam à rapariga deficiente como a “coitadinha”? Sabes?

Quanto à história da religião e da fé, penso que andaremos mais ou menos em uníssono.
Se tivesse de me classificar seria um agnóstico muito interessado e curioso sobre as coisas da Teologia (curso que não sei se morro sem tirar), já esmiucei dentro dos meus conhecimentos tanto o Velho como o Novo Testamento e estou ante Deus, seja ele qual for e se é que existe, como Óscar Wilde que, às portas da morte, e confrontado com a presença de um padre que uma alma mais interessada havia chamado, e quando inquirido se já havia feito as pazes com Deus, deu por resposta: “Que eu saiba, nunca estivemos zangados!”

Serve isto para dizer que até posso aceitar que exista um Deus, mas já toda aquela panóplia de santos e algumas explicações esdrúxulas me deixam perplexo, mas não confio muito é nos seus alegados representantes na Terra!

Mas, como disse, não quero entrar por discussões teológicas sob pena de isso nos levar longe e de descambar!

Quanto ao espectáculo de ontem à noite, que não vi (por opção, diga-se), dos ecos que me chegaram, posso dizer que …

Consta por aí que o nosso Primeiro se safou assim, assim na prova oral a que se submeteu.
A coisa terá andado tremida, mas no final terá sacado um "dézito". Para engenheiro, não está mal!

Na Economia admitiu a recessão, ou seja, o óbvio.
Peguem lá, pois, analistas de pacotilha que exigiam que falasse claro. Agora que o homem admite o óbvio vejo já alguns a dizerem que não, que não pode ser, outros a dizerem que tinha de ser mais cedo.
Isto é como o ovo de Colombo …

Mas, e mesmo a sério, eu queria e quero ver é os portugueses a deitarem finalmente contas à vida e perceberem que crédito não se paga com crédito, que quem ganha 1.000,00€ dificilmente aguenta meter-se a comprar um Mercedes, que uma semana de férias nas Caraíbas é demais mas os 5.000,00€ de crédito vão-se pagar em dois ou três anos e por aí fora …

Serve isto para dizer que um destes dias a teoria do “só acontece aos outros” e “a culpa é do Governo” vai deixar de funcionar!

Na Educação andou por lá embora tendo novamente posto o dedo na ferida quando referiu o simulacro de avaliação que dura há 30 anos.
A dos professores, embora fosse bom que se lembrasse que a dos alunos também anda pelas ruas da amargura.
Aliás, ainda há dias vi uma reportagem na SIC a propósito da comunidade eslava em Portugal e todos são unânimes em dizer que nos seus países o sistema de ensino é muito mais exigente.

No que toca ao relacionamento institucional recordou que lealdade sim, mas obediência é coisa diversa. Dou-lhe razão aqui, embora no Estatuto não.
Aliás, para as carpideiras do regime, especialmente as afectas ao PSD, quero recordar que nos tempos de Soares/Cavaco, acontecia o mesmo. Soares vetava e Cavaco mandava a maioria aprovar.
E mais nada. Ora, se assim era, ou há coerência ou os que hoje choram por Cavaco são uns ... crocodilos!

Persistiu no erro de ver o investimento público como grande panaceia da crise e que não arrisca a falência de um Banco.
Eu sou burro e não entendo. Como eu, devem andar por aí outros pasmados com semelhante teimosia.

Já na pele de secretário-geral do PS afirmou que pedirá maioria absoluta nas próximas eleições legislativas.
E voltará a pedir maioria absoluta nas eleições legislativas porque a situação do País exige estabilidade e condições de governabilidade.

Eu sou dos que firmemente acredita que o PS não deve, nem pode fazer coligações à Esquerda com o PCP ou o BE, parceiros pouco credíveis e relativamente lunáticos nas demandas!
À Direita, entregar-se nos braços do Paulo Portas é uma aventura … e essas normalmente acabam mal. Ou com compras de submarinos e milhares de fotocópias a serem tiradas sabe-se lá para quê!

Eu bem sei que o homem é detestado unanimemente pelos leitores e comentadores deste espaço, mas aqui tiro-lhe o chapéu.

Bem melhor junto da opinião pública estava o pusilânime do Guterres e teve de se sujeitar ao queijo limiano!

Nisto da política nada como ousar e, já agora, ter lata!
E nervo, e isso, tem o nosso Primeiro.

Blondewithaphd disse...

Sim... deu-te mesmo para a reflexão. É reconfortante saber que ainda há quem reflicta dear Indy.

Adoa disse...

Às vezes a questäo näo é saber se o que aconteceu é mesmo verídico ou näo. Às vezes só o facto de acreditarmos que algo bom aconteceu "porque sim" pode ser o passo necessário para um sorriso no nosso coracäo... Depois do sorriso virá um acto, esse acto pode passar a outra pessoa que começará por sorrir, depois actuar...