Casamentos e Sarilhos

A semana passada ficou marcada pelas declarações de D. José Policarpo durante a tertúlia 125m, com Fátima Campos Ferreira. O Cardeal Patriarca, referindo-se ao casamento entre jovens portuguesas e muçulmanos, dizia que esse laço matrimonial poderia constituir um "monte de sarilhos". Foi ainda mais longe e afirmou que o diálogo entre as religiões católica e muçulmana, no nosso país, era difícil já que, acredita, os muçulmanos encaram a sua religião e o que esta defende como a única verdade.
Claro está que estas palavras causaram celeuma e, até, indignação mas, na verdade, não percebo muito bem porquê...

Pensemos nos pontos que se seguem:

1. Como são tratadas as mulheres que professam esta religião?;
2. O que acontece a uma mulher ocidental quando visita a grande maioria dos países islamistas?;
3. Qual a religião incutida aos filhos destes casamentos mistos?

Ah, pois é!
Na verdade, a mulher é encarada e tratada como um ser inferior pela maior parte dos seguidores de Alá.
Quando as mulheres ocidentais visitam estes países, seja em trabalho ou como turistas, têm de respeitar os seus ditames culturais e religiosos.
Já os filhos de casamentos mistos são normalmente educados de acordo com o Islamismo.

Então, o senhor Cardeal não disse mentira nenhuma!
Foi politicamente incorrecto? Ah, sim, isso já é outra conversa! O que é um facto é que criticar, apontar o dedo à religião de Alá não é bem visto. Na verdade, é considerada uma atitude anti-democrática, racista e de enorme intolerância.
Na mesma ocasião, D. José referia que há um enorme desconhecimento dos católicos sobre a cultura e a religião islãmica e que muito poucos católicos se teriam dado ao trabalho de ler o Corão. Eu pergunto-me quantos muçulmanos terão lido a Bíblia...
No entanto, estas afirmações do senhor Cardeal também me deixaram a pensar sobre outras coisas.

Por exemplo, será que ele tem conhecimento de que, em 2008, morreram 44 mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal? Pois, esse facto, se calhar, já não lhe interessa porque, ao que sei, a maior parte destas vítimas, senão mesmo todas, tinham casamentos católicos e não me parece que a Igreja Católica faça muito para evitar este verdadeiro flagelo.
Lembro-me de um caso particular de alguém que sofreu maus tratos e que, em desabafo com o pároco da sua localidade, ouviu uma resposta elucidativa: "Jesus teve que levar a cruz até ao Calvário. Esse problema com o teu marido, minha filha, é a tua cruz e tens também que a carregar."

Apesar de, por vontade do meu pai, nem sequer ter sido baptizada, cresci com algumas influências católicas e, neste caso, acho que assenta que nem uma luva aquela frase de Jesus: "Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra"...
Concluindo e resumindo, moças casadoiras do nosso país, deixai-vos estar quietinhas que isto com o casamento nunca se sabe os sarilhos que daí vêm!

14 comentarios:

korrosiva disse...

As declarações do D. José Policarpo, foram infelizes sobretudo porque é de muito mau tom, estar a criticar outra religião.
Era mais decente da parte dele comentar a sua própria religião.
Teria de certeza horas e horas de muito apontar se tivesse essa capacidade.

Quando ás 44 mulheres que morreram de violência domestica, infelizmente é uma realidade, mas que a meu ver não tem relação directa com qualquer religião. (Estou a referir-me ao caso Português)
E tenho sérias duvidas que esse número corresponda à realidade.

o que me vier à real gana disse...

Boa noite!

Mesmo dentro do contexto é lementável!

Continua bom por aqui.

pedro oliveira disse...

Quem tem telhados de vidro deve ter cuidado com a pedra que envia para o ar.
boa semana
PO
vilaforte

tagarelas-miamendes disse...

Ola Carol- Uma so palavra: Bravo!

DANTE disse...

Se foi um padre que disse só pode ter sido pecado...

Jokas Carol :)

Ferreira-Pinto disse...

Eu acho que, por vezes, os representanted da Igreja Católica podiam optar pelo prudente silêncio ou por respostas politicamente correctas. Aliás, tempos houve em que a Santa Sé e os seus representantes eram exímios nessa nobre arte da diplomacia e do falar sem dizer nada!

Desta vez, D. Policarpo, certamente que mais descontraído, mais genuíno e porque interrogado, resolveu por a boca no trombone!
E, nestas coisas, como se sabe, a nossa Comunicação Social (que, muitas vezes, benza-a Deus, para quem for crente claro está) fez um pequeno escarcéu ...

Reebentou a bernarda.

Os sectores progressistas aqui d' el Rei que o homem é xenófobo que isto não se faz, mas esquecendo convenientemente que os sectores islâmcios mais radicais professam até que o Islão volte a ocupar a Península Ibérica, tratam abaixo de cão as mulheres e, quando estão aborrecidos, degolam jornalistas e enfiam umas bombas em combóios ou no metropolitano!

Isto já para não falar na história que os senhores aqui (na Europa) exigem que as mulheres deles possam usar véu (o tal hijab) onde lhes apetecer porque é assim que a Lei (deles) manda, mas na terra deles não querem a reciprocidade e consequentemente não admitem a igualdade de direitos às mulheres ocidentais ...

Mas, então, não há casamentos mistos felizes e onde há respeito mútuo?
Há, sim senhor pois nem todos os islâmicos são como calhaus ou terroristas!

lusitano disse...

D. José Policarpo pode não ter sido feliz no modo que usou para expressar algo que é verdade.

Não critica a religião muçulmana mas o procedimento de alguns homens muçulmanos para com as mulheres, que se expressam em inúmeros casos de violência inaceitável de todos conhecidos, sobretudo quando as mulheres ocidentais aceitam ir viver para os países árabes.

Quanto à religião católica, em lugar benhum a sua Doutrina diz que se pode bater nas mulheres ou escravizá-las e se atendermos aos documentos da Igreja sobre a família veremos isso precisamente.

Quanto ao padre que disse tal enormidade, não só não foi feliz, como errou redondamente para além de ter feito uma comparação inaceitável.

O Código de Direito Canónico expressa sem margem para dúvidas a possiblidade da mulher violentada pelo marido, se afastar do mesmo numa separação que a Igreja a aceita.

Infelizmente muitas vezes os próprios católicos desconhecem a Doutrina da sua Igreja e neles estão incluidos também alguns padres.

De qualquer modo os homens que exercem violência sobre as mulheres no nosso país não o fazem com certeza escudando-se em Deus ou na religião católica.

Esta violência é uma praga que devia ter leis extremamente rigorosas que defendessem verdadeiramente as vitimas, sejam elas quais forem.

Abraço

Peter disse...

Não poderia estar mais de acordo contigo.
Pretendo acrescentar dois pontos:
1. A mulher é encarada como a recompensa sexual dada por Alá aos bombistas suicidas. Sete virgens para cada um. Não tem qualquer outra finalidade.
2. É um facto a violência doméstica de que muitas mulheres aqui em Portugal são alvo por parte dos respectivos maridos. Penso que os juízes consideram o facto como atenuante, quando a mulher reage e mata o marido. Mas contratarem assassinos para matarem o marido unicamente com a finalidade de se apoderarem dos seus bens, como já está a acontecer por aí...

JC disse...

Discordo em grande parte com o seu post Carol. À boa maneira , lá estamos a generalizar.

O islamismo tem varias vertentes e algumas bastante condenáveis e tal como no catolicismo todas tem por base um livro.

Eu vivo na Suiça onde convivo todos os dias com arabes, praticantes do islamismo. E eles mais do que nos todos juntos criticam o terrorismo e a inferiorização da mulher nos seus paises por isso tal como o cardeal devia ter ficado caladinho a maioria das pessoas também o devia estar.

Ou sera que toda a gente ja se esqueceu da inquisição, ou se nao quisermos ir tao longe podemos ir aos KKK, fascimos etc etc, que usam a religiao catolica na base dos seus actos de terrorismo. Ora nao anda toda a gente por ai a dizer que cada catolico é xenofobo.

Adoa disse...

44 é um número muito redutor porque esse é o número das que faleceram. Faltam as que continuam a ser maltratadas, as que iräo ser maltratadas e todas aquelas que ainda iräo morrer entretanto porque ninguém faz nada no campo para evitar mesmo estas situacöes.

Carol disse...

Para já, quero realçar que não estou a dizer que a religião católica é melhor ou pior do que a islâmica.

Eu não professo qualquer religião e, na verdade, acredito que todas elas podem ter aspectos positivos. No entanto, todas elas, quando levadas ao extremo e consideradas as únicas, as verdadeiras podem tornar-se muito perigosas.

Não vou fazer a análise e comparação dos livros sagrados de cada uma das religiões até porque, como já disse, não li nenhum deles. No entanto, de uma coisa estou certa: em determinados países árabes temos que nos submeter às suas regras mas, no mundo ocidental, os islâmicos querem comportar-se de caordo com as regras deles e não com as nossas.
Para além disso, nunca vi a Igreja Católica portuguesa ter uma atitude assertiva relativamente ao problema de violência doméstica que existe e que faz vítimas, apesar de muitos quererem escamotear a verdade.

Em todas as religiões há extremistas e, desde tempos imemoriais, elas foram usadas como desculpa para as maiores atrocidades.

Quanto ao casamento, já lá dizia a minha mãe, é uma verdadeira carta fechada e esconde sempre perigos que se podem tornar reais ou não. Olhem, eu, pelo sim pelo não, prefiro manter-me solteirinha!

Compadre Alentejano disse...

Ainda há bem pouco tempo, o então Reitor do Santuário de Fátima, Luciano Alvarez, disse numa entrevista, referindo-se à violência doméstica que, num casal, era compreensível a mulher levar 2 ou 3 tabefes do marido!!!
Até hoje ainda não o ouvi pedir desculpas...
Compadre Alentejano

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Em Outubro de 2007, o Reitor do Santuário de Fátima deu uam entrevista ao DN onde se saiu com esta pérola ( cito de cor):
- Uma mulher não deve pedir o divórcio, só porque o marido lhe bate de vez em quando..."
Palavras, para quê? É mais um artista português!

lusitano disse...

Fantástico!

Critica-se o Cardeal porque generalizou e depois pega-se numa entrevista infelicissima do Reitor do Santuário de Fátima para se criticar toda a Igreja Católica.

É velha a frase, "uma andorinha não faz a Primavera".

Sabem por acaso quantas mulheres violentadas e agredidas em casa foram acolhidas e ajudadas na Igreja?

Conhecem por acaso os documentos da Igreja sobre a Pastoral Familiar que condenam expressamente a violência doméstica?

O Reitor do Santuário de Fátima, que já não o é, por acaso, nessa sua frase representa-se a si próprio e a mais ninguém.

Abraço