Amo a vida!

A vida é o nosso maior bem, uma experiência única e irrepetível e, por isso mesmo, há que aproveitá-la. O viver em sociedade cria-nos uma série de constrangimentos e de obrigações que nos cortam a possibilidade da viver plenamente. Nos casamentos, ou nas uniões de facto, fomos nós a aceitar e até a procurar a situação vivida e assim não temos que nos queixar.
Normalmente é bom, enquanto dura. Depois, depois tenta resolver-se a situação a bem, ou a mal ( normalmente a mal ). Parte-se para outra, ou não se parte: gato/a escaldado/a ... e os filhos que se lixem.

Amo todas as actividades humanas que me dão prazer. Não sou elitista: gosto de ler um bom livro, como gosto de futebol. Gosto de ler divulgação científica, como gosto de ler poesia. Gosto do sol e da praia, como gosto dos prados verdejantes e floridos do antigamente, antes da exploração desenfreada do planeta ter originado o efeito de estufa, a destruição da camada de ozono e as perturbações climatéricas ( “quem vier atrás que feche a porta”, não é USA ?). Culpa dos países super - industrializados? Sim, mas não só. Mais ricos, esses países até se podem dar ao luxo de gastar uma parte ínfima dos seus imensos lucros, para esboçar e fingir que têm preocupações com o meio ambiente.
Talvez mais culpados por esses problemas sejam os países que procuram “um lugar ao Sol” ( mas que diabo, “o Sol quando nasce é para todos” ).

Gosto de viver a vida. Sinto-me feliz em viver e agradeço, reconhecido ( não sei a quem ... ) esse bem inestimável que é a saúde. Por isso admiro aqueles que procuram viver a sua vida e se agarram a ela, por muito que sofram. Admiro a sua coragem em lutar e em resistir.

Não compreendo e não aceito, toda essa juventude e não só, que malbarata a vida justificando a sua atitude com a falta de oportunidades, o desemprego, a toxicodependência, a injustiça social, os bairros degradados…

Lutem, “carago” ! O mal foi terem sido habituados a receber de mão beijada tudo aquilo que os pais lhe puderam e não puderam ( mas deram ... ) dar, para que não os chateassem, nem os fizessem perder tempo com eles. A culpa é da “porca da vida” que levam, sem tempo para nada, tempo perdido para e do emprego, mal pagos ou ambos empregados, muito trabalho. É esta a nova geração que estão a criar?

Pois! E os outros, os filhos dos da Quinta da Marinha e do “jet-set”, porque malbaratam a vida?

Não venham para aqui carpir as vossas mágoas, como fez um tal José Luís Peixoto, no artigo “Esta juventude de hoje em dia”, publicado na VISÂO nº825, uma pessoa cheia de sorte porque tem um emprego e se mais não tem é por sua própria culpa, porque talvez não tenha imaginação, ou inteligência, ou espírito de iniciativa, ou porque muito possivelmente é um “acomodado”. Não venha pois culpar a geração anterior.

Hoje qualquer criancinha tem logo os paizinhos a pagarem-lhe a carta de condução e a comprarem-lhe um carro novo. Eu quando tive o meu primeiro carro, em 2ª ou 3ª mão, já era casado e pai dum filho.
Não somos nós os culpados da vossa falta de cultura, são vocês porque preferem comprar telemóveis da última geração, a gastar dinheiro num bom livro.

Aos 17 anos, depois de ter completado o curso liceal, o correspondente ao actual 12º ano, saí de casa e fui fazer pela vida. Tudo o que tenho, tanto eu como a minha mulher, foi conseguido com o nosso trabalho e o curso superior que tirei fi-lo como estudante-trabalhador, sem Sábados, nem Domingos, durante 5 anos, muitas vezes depois de uma “directa” a ter de ir para o trabalho mais morto que vivo.

6 comentarios:

Ferreira-Pinto disse...

No texto existe uma frase que se aplica bem ao fenómeno retratado:

"O mal foi terem sido habituados a receber de mão beijada tudo aquilo que os pais lhe puderam e não puderam ( mas deram ... ) dar, para que não os chateassem, nem os fizessem perder tempo com eles (...) "

A culpa será, assim, de ambas as extremidades do problema. Uns porque habituados ao bem bom da vida não sabem, nem querem encontrar solução para qualquer problema que os possa afligir.
Do mais ínfimo ao maior!

Do outro lado da barricada, encontram-se muitos progenitores que, sob pretextos mil, não souberam dosear a administração de bens materiais e os valores, os ideiais para que os "rebentos" percebessem que a vida não é só feita de rosas ... também tem marés!

Obviamente que cada caso é um caso e que possivelmente o que digo não se aplica a todos, mas quantas famílias não se estruturaram nesta sequência?
O pai que se sacrfificou para que o filho pudesse ter aquilo que ele não teve; este, sendo, por seu turno, pai, criou já os filhos na quase impossível coligação de ganhar muito dinheiro para poder ter muitas coisas mas sem tempo para os filhos compensando, pois, com o dinheiro a granel; o filho que desdenha do avô e do pai mas que espera poder permanecer em casa deste enquanto der e de preferência à pala e na exigência que este faça como os outros e lhe arranje um emprego ... de preferência bem pago e sem ter de fazer a ponta dum corno!

Peter disse...

Ferreira-Pinto

Não podia estar mais de acordo contigo.
Se puderes, lê na VISÃO da última 5ªF na secção "Correio do Leitor" as três longas cartas que lá estão atirando-se ao "jovem talento literário José Luís Peixoto".

"sim, porque hoje quem tem um curso superior e quer trabalhar não precisa de estar a dobrar camisolas na Zara; sim, porque hoje há excesso de licenciados porque há dinheiro para pagar as privadas;"

O dinheiro dos paizinhos...

António de Almeida disse...

-Também eu consegui à minha custa tudo o que tenho, apesar do muito que também já esbanjei, mas que também foi ganho por mim. Gosto da vida, nada como ficarmos doentes para logo apreciarmos melhor a vida, ainda a semana passada dizia que ia mandar abaixo uma garrafinha de Barca Velha, e afinal nem uma simples cerveja ainda posso beber.

Peter disse...

António de Almeida

Estou certo que, a curto prazo, beberás a tua garrafa de "Barca Velha".
Pretendi chamar a atenção dos toxicodependetes para o modo como estão desperdiçando a vida.
Pretendi criticar o articulista da VISÃO que culpa a minha geração por todos os males da actual.
Como se a minha tivesse tido uma vida fácil...

Compadre Alentejano disse...

Para muitos jovens a vida é fácil de mais.
Comecei a trabalhar, e a descontar para a Caixa, aos 14 anos para ajudar a família (pai, mãe e seis irmãos, cinco deles mais novos). Casei aos 30, 2 filhos, e só tive oportunidade de me licenciar em universidade pública aos 53 anos.
Quando queria alguma coisa, trabalhava para a obter, priorizando as necessidades.
Um abraço
Compadre Alentejano

Peter disse...

compadre

É por isso que me acaba de dizer, por pertencermos à mesma geração, por termos tido de lutar e trabalhar desde muito novos, porque os nossos pais não tinham possibilidade de nos ajudar, que este meu "escrito" não teve muita aceitação.

Se calhar é esse tal José Luis Peixoto quem tem razão por nos considerar culpados de todos os problemas com que a actual geração se debate: a sua "incultura", o "direito" a terem um emprego compatível com os seus estudos,etc.

Já me interroguei se valerá a pena andar por aqui?

Abraço amigo,
Peter