O atoleiro!

Assisto impotente ao triste espectáculo que todos os dias acontece neste nosso Portugal, seja pelas “noticias” dos jornais, seja pelas repetidas intervenções do Primeiro-Ministro a afirmar a sua inocência e a proclamar uma cabala contra ele, não se sabe de quem e porquê.

Afinal aquilo de que ele acusa os outros, ou seja insinuações sobre a sua pessoa, faz ele também sobre os jornalistas e os outros políticos, ao dizer que há uma cabala contra ele, sem quaisquer provas do que afirma.

Até pode ser inocente (porque não?), mas a verdade é que sucedem-se as “inverdades” (ou serão mesmo mentiras) que teimam em perseguir o Primeiro Ministro.
Veja-se o recente caso do relatório, dito da OCDE.

Para mim, se dantes lhe podia dar o benefício da dúvida como político, esgotou-se o pouco capital que tinha como homem que eu possa aceitar para chefiar o Governo de Portugal.
Chega de intervenções e declarações ao País.
Começa a fazer-me lembrar a história do menino e o lobo.
Tantas vezes grita a mesma coisa, que quando for importante ouvi-lo, já ninguém lhe liga.
Apetece gritar como a criança da história: "O rei vai nu!"

Se Luís de Camões vivesse agora neste tempo, provavelmente os Lusíadas começariam assim:
"As armas e os barões já desbotados
Que da ocidental praia «lusídia»
Por mares já por tantos navegados
Nem chegaram a passar da Trafaria."

O atoleiro em que Portugal se meteu, em que todos o metemos, parece não ter fim!

E se o sistema rebentar?

Em dois dias 85.000 pessoas, por esse mundo fora, ficaram a saber que iam ficar sem trabalho.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) admite que a actual crise arraste mais 51 milhões de pessoas para o desemprego.
Face a este quadro desolador que soluções nos apresentam?

Em Portugal, mas não só, pois também nos EUA a nova Administração aponta para aí (embora numa proporção diversa), a solução passa por privilegiar obras públicas de envergadura que obrigarão a recorrer ao crédito. Isto é, mais endividamento.
Os apoios às empresas têm sido quase todos à Banca.

E por esse mundo vêem-se governos a injectar milhões nas empresas.
E estas o que fazem? Pedem mais milhões e despedem aos milhares.
Ora, digo eu, se é para isto, então os tais milhões que sejam destinados a apoiar quem fica no desemprego e deixe-se ir à falência quem tiver de falir.
Paralelamente, e no quadro da União Europeia, assuma-se duma vez por todas que a coisa é a doer e deixemo-nos de brincadeiras. Feche-se o espaço económico e exija-se a devolução dos incentivos dados às empresas de comportamento “beduíno”.

A outra solução, baixar impostos parece-me razoável mas num quadro de um novo comportamento ético de muitas empresas. E dos governos, também.
Há quem assevere que assim se potenciava investimento e disponibilizava mais dinheiro para incentivar ao consumo.
Mas, pergunto eu, não foi por esta via que, em parte, se chegou a este triste estado de coisas?
Sim, porque isto foi cada um à sua medida.
Uns endividavam-se para ir de férias às Caraíbas ou a patroa encher as mamas de silicone; outros para comprar acções e mais acções …

Face a tudo isto, se o sistema falir que iremos fazer?
Já pensaram nisso?
E que concluíram?

Freeportgate

Acho que em vez de Freeportgate devia ser Freeportgaita. Senão vejamos.
O cérebro de uma Blonde é assim uma coisa muito cheia de coisas e muito solicitada no dia-a-dia. O tempo é escasso e precioso (e vale money ainda por cima). Vai daí a Blonde apreende informação de uma maneira muito sui generis e só capta o que interessa.

Tio de Ministro.
Governo de gestão.
Aprovação de projecto duvidosa.
Inconstitucionalidade.
Infracção.
Corrupção.
Área protegida.
Quercus ao barulho.
Queixa em Bruxelas.
Justificações de legalidade.
Mais justificações de legalidade.
Reiteração das justificações de legalidade.
Reiteração da reiteração.
Oposição barafusta.
Governo defende.
Eleições à vista.
Muitos milhões em causa.
Favores.
Diz que não.
Diz que sim.
Insinuações.
Provas em contrário.
Mais insinuações.
Insistência na prova.

Sou só eu com este neurónio em curto-circuito e overloaded, ou alguém mais acha que onde há fumo há fogo?

Eu mamo, tu ... porta-te como deve ser!

Temos entre nós alguns que adoram de cultivar o dito popular “olhai para o que eu digo, não olheis para o que faço!”.
Aqui o escriba conhece uma senhora que está sempre com esse floreado.
E há dias, juro-vos, tive de contar, não até dez, mas até cinquenta para não lhe ir às trombas!

A "madame" dá aulas no ensino público mas nunca deixou de trabalhar para a empresa da qual se despediu. Nunca pediu acumulação e recebe por baixo da mesa na privada!
E quando não arranjou colocação, venha o respectivo subsídio de desemprego ...

Casada com um médico, vê o excelso marido trabalhar num hospital público, dar aulas numa escola de saúde privada, dar consultas em dois consultórios e ainda a despachar num hospital e numa clínica privada.
E só não dá ela própria consultas, porque as frequentes viagens que faz ao estrangeiro para acompanhar o marido a congressos médicos não lhe deram ainda o traquejo quanto baste!
Mas mete atestado médico para ir passear ao estrangeiro sem que lhe doa a consciência.

A coisa deve ser genética, já que o pai conseguiu transformar uns perlimpimpins comunitários numa piscina.
Esta sua fina consciência social é burilada com uma costela conservadora que a leva a votar nem que o candidato seja um quadrúpede. Ao caso, no PSD. Mas, também conheço quem assim aja com o PS. Não é, pois, por aí.

E ia-lhe eu às trombas porquê?
Não é que o animal, na tal ocasião, me vociferava por causa da empregada doméstica ter pedido que lhe fizesse os descontos de lei para a Segurança Social?
Pode?

Será preciso ter fé?

Numa entrevista dada ao "Público" na sexta-feira passada, Joe Berardo diz: "Há tanta gente que pergunta: queres vender a posição na Zon? E eu pergunto: quem és tu? E ele diz quem é. Mas isso não significa nada para mim. É necessário que digam de quem parte a proposta. E que o façam por escrito. "

Ora bem, já dizia o povo que mais vale prevenir do que remediar e além de que existe ainda aquele outro ditado que diz que ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão... Não que o Joe seja ladrão, ou que o estejam a tentar roubar com ele a ver, não... nada disso.

Mas vem esta posta a respeito dessa tão bela tradição portuguesa - a palavra de honra.
É claro que esta tradição já não existe e todos sabem que a tradição já não é o que era, nem sequer era preciso o "Johnny Walker" a avisar-nos.
Palavra de honra é coisa que já não existe e portanto, nos dias que correm, empresário que se preze tem mais é de ter tudo escrito, preto no branco, com honras de carimbo e selo branco, só por coisas.

Dir-me-ão que ando azeda e com os azeites e dir-vos-ei que ando mesmo é virada do avesso.
Querer ter uma empresa bem organizada e com tudo legal, é muito bonito e está muito certo. Fazer cumprir a lei dentro da nossa casa, prezar a ordem e pagar os impostos é também muito nobre e pagar a fornecedores a tempo e horas, cumprir com as nossas obrigações perante os clientes para que nos voltem a visitar também está muito certo...
Mas acontece que o bonito, o certo e o legal também começam a ter os dias contados.

Já não é bonito confiar-se na palavra dada e não é certo que o acordo tácito seja cumprido, muito menos é legal acertar verbalmente um trabalho, porque se sabe de antemão que não será pago.
Ora bem, o azedume vem todo a respeito das relações empresariais que se estabelecem hoje no nosso tecido económico. Sendo eu própria empresária com várias obrigações para com empregados, clientes e fornecedores, sou assaltada pelas dúvidas colocadas a qualquer empresário português - como pagar as dívidas e sair com algum lucro para reinvestir no fim do exercício?

Por estes dias, a questão ainda tem sido mais premente, porque a par da crise, existem alguns empresários de meia tigela, que aproveitando-se do semi-caos instalado, se põem ao fresco com o dinheiro que devem a todos.
Resultado: milhões de euros de prejuizo, desconfiança e descrença... o que provoca uma notável quebra nas relações comerciais que deviam ser fluidas e sem demasiadas burocracias.
Papéis para acertar obras, assinaturas para adjudicar, papeis para facturar, assinaturas para cobrar e o simplex que se queria para o Estado, começa a tardar para o tecido empresarial.

E com tudo isto, nem sequer a ginástica orçamental que se vai fazendo todos os dias, é suficiente para cumprir com a obrigação fundamental para qualquer empresa, seja ela grande, média ou pequena - a motivação dos recursos humanos.
Haja alguém que me dê uma luz!

Onde pára a polícia ?

No passado Sábado fiquei por Aveiro, onde assisti ao concerto que Jorge Palma deu no Teatro Aveirense. O espectáculo começou por volta das 21:45h e terminou sensivelmente duas horas depois.

A noite, como se costuma dizer, era uma criança e, como tal, decidi ir beber um copo com a pessoa que me acompanhava. Dirigimo-nos a um bar e, aí chegados, ficámos perplexos com o cenário que se apresentava à nossa frente. O espaço estava repleto de jovens com idades que rondavam os 12/ 15 anos. Muitos estavam à porta, onde fumavam e trocavam ameaças e insultos gratuitos entre si. Uma rapariga saiu amparada por um rapaz num estado de embriaguez completa.
Decidimos, nesse instante, que aquele não era definitivamente um bom sítio para conversar e tentar descomprimir da rotina e dos problemas do dia ea dia e, a pé, fomos até ao bar de uns amigos nossos.

Ao longo do percurso, cruzámo-nos com vários grupos de jovens que se assemelhavam em tudo aos que tínhamos visto anteriormente. Rapazes e raparigas, muito jovens, a fumar e, na sua maioria, notoriamente alcoolizados. O vocabulário utilizado era do mais baixo nível que se possa imaginar e as atitudes que tinham demonstravam claramente que sentem um desprezo enorme por toda e qualquer regra social de civismo e boa educação.
Os baldes do lixo foram pontapeados e arrancados dos postes onde estavam colocados. As poucas pessoas que com eles se cruzavam eram insultadas. Confesso que senti uma indignação e uma vontade enorme de os chamar à razão (vulgo dar-lhes uns bons pares de estalos), mas que iríamos nós fazer contra grupos de 15/ 20 jovens totalmente descontrolados?!

O mais espantoso é que este não é um problema novo na cidade. No entanto, apesar dos constantes actos de vandalismo e do crescente clima de insegurança que se vais sentindo, não nos cruzámos com um único agente da autoridade, não vimos um único carro de patrulhamento da PSP.

Eu sei que as condições metereológicas convidam a ficar à lareira ou junto do aquecedor, mas não era suposto que as entidades policiais cumprissem com as suas funções?! Afinal de contas, para que andamos nós a pagar impostos?!

Desencanto

Num artigo que publiquei aqui sobre o primeiro dia do Presidente Obama, "alf" escreveu como comentário: "Eu já culpei os políticos... mas depois, à medida que vou conhecendo as pessoas, que olho à volta, vejo que os políticos não são diferentes dos outros. Há pessoas excelentes por toda a parte; mas também há muita gente sempre de olho no seu interesse pessoal imediato e que se dane o resto. Os médicos não querem cumprir horários, os juízes andam em guerra com o poder, os professores não querem ser avaliados...
Parece que não andamos a fazer nada por uma sociedade melhor, não é verdade? Parece que não estamos, na verdade, interessados numa sociedade melhor para todos, estamos apenas interessados em «safarmo-nos».
E aqui a grande diferença para os americanos - o discurso que os empolga é o discurso de uma sociedade melhor."


Concordo inteiramente com o que ele escreveu e, ao ler os dois últimos textos aqui publicados, mais se fortalece a minha convicção. Assisto diariamente nos noticiários da TV à fila interminável de empresas falidas e ao desespero de toda aquela gente desempregada.
Mas isso parece não ser o mais importante, para os nossos políticos, o que conta são os números, os índices, as percentagens, todos sacudindo a água do capote para cima dos que estão no Poder, ou dos que estiveram antes. Ou definindo prioridades: até aqui o prioritário era o casamento dos homossexuais, agora deve ter passado para 2ª prioridade e o "caso Freeport" para 1º.
Irra! Estou a escrever isto e a ouvir na TV, pela 3ª vez neste dia, a versão do Primeiro-Ministro.

Não sou economista, mas não é preciso sê-lo para ver que a insistência nas grandes obras públicas não resolve nada, ou resolve a curto prazo, o que, ao fim e ao cabo é o que interessa ao Governo actual, porque quem vier depois que feche a porta:
1 -Vamos endividar-nos por duas gerações.
2 -Os milhares de trabalhadores que temos em Espanha, com a falta de trabalho que já ali se começa a verificar, vão para França e Itália ganhar três vezes mais do que viriam ganhar em Portugal. Logo teremos de importar mais trabalhadores do Leste ou de África, que depois das obras terminadas irão engrossar o número de desempregados, com o consequente aumento da intranquilidade e da falta de segurança.
3 - O "elefante branco" do TGV imposto pela Espanha (?).

O que se passou na Grécia (não foi só em Atenas) o que já está a acontecer na Islândia e o que irá acontecer por cá quando o mais de meio milhão de desempregados deixarem de poder contar com os familiares que, por enquanto ainda os conseguem ir ajudando, têm um denominador comum: "O facto desta geração ser a primeira, desde a Segunda Guerra Mundial que já não espera viver melhor do que os pais."

Dúvidas de um eleitor!

Exmo. Senhor
Presidente da República
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva,

Sendo V. Exa., enquanto órgão político, o defensor da existência de Portugal como Nação, bem como o garante do normal funcionamento das instituições e dos órgãos de poder do nosso País, venho colocar-lhe algumas questões que gostaria de ver respondidas, para meu descanso pessoal, e para ter a possibilidade de perceber melhor que escolha devo fazer nas eleições que se aproximam.

Gostaria assim de saber:

1 – Qual o verdadeiro estado das finanças de Portugal?
É que o Governo já mudou e rectificou tantas vezes o Orçamento de Estado que me parece que o próprio Governo não sabe bem a quantas anda.
Acresce o facto do Governador do Banco dito de Portugal, vir também constantemente a fazer correcções às suas previsões para o País, o que me causa dúvidas permanentes.
Em duas semanas degradou-se o estado das finanças? Porquê?
2 – Quando é que a juventude de Portugal começa a ter tranquilidade para estudar?
É que é lugar comum dizer que a juventude de hoje, serão os homens de amanhã, mas com o estado da Educação do nosso País, vejo a coisa muito complicada.
3 – Afinal, o que há de verdade nas corrupções e fraudes apontadas a tantos agentes políticos, sobretudo dos dois partidos designados como “partidos de Governo”?
Saberemos em tempo útil a verdade sobre os casos BPN, BPP, Freeport, Casa Pia, etc.?
É que eu gostaria de votar em gente de confiança.
4 – Já agora gostaria também de saber se o TGV e o Novo Aeroporto vão realmente endividar o País ou se, afinal de contas, são coisas boas que nos vão ajudar a sair da “cepa torta”?
É que se estiver elucidado sobre isso, com realismo, sem política, votarei naqueles que defendam a coisa certa, mas que eu neste momento não sei quem são.
5 – Já agora gostaria que V. Exa. me elucidasse o que pensa sobre a Regionalização e o “casamento” de homossexuais?
Não quero obviamente saber da sua opinião pessoal, visto que o segundo ponto toca a intimidade de cada um, mas sim se considera serem prioridades para o País, ou se andamos a “encanar a perna à rã”?

Sei que V. Exa. é pessoa ocupada e, portanto, fico-me por aqui, porque se o não fizesse, a lista seria tão longa que não teríamos tempo até às eleições de esclarecer todos os pontos da dita cuja.
Ia-me a fugir o pensamento para na despedida escrever a “Bem da Nação”, mas lembrei-me que é fórmula politicamente incorrecta e por isso apenas cumprimento respeitosamente V. Exa., agradecendo desde já todo o tempo que queira dedicar a este meu pedido.
Portugal, 23 de Janeiro de 2009
Um Lusitano,

Quanto pior, melhor?

Mas esta gente é estúpida ou quê?
Como é possível que uma cambada de anormais ande para aí a esfregar as mãos de contentamento com a discrepância nos vários indicadores económicos?
Será que alguém me explica qual é o gozo em admitir a possibilidade do desemprego não ser de 8,5% mas sim de 8,9%, por exemplo, e ficar satisfeito?

O Governo aponta um crescimento negativo do Produto Interno Bruto de -0,8% , mas quando a Comissão Europeia diz -1,6% e o Economist 2% ficam todos contentes. Alguns até se babam …
Se o défice for para os 4,6% ou 4,5%, terão um orgasmo pela certa!
E devem rezar para que o 1% de inflação prevista pela Comissão Europeia seja mentira. Só pode!

É óptimo que cada um de nós possa ser lá do partido que queira, não ser de nenhum até. E é excelente que se possa votar consoante a vontade do momento ou, como alguns que conheço, sempre nos mesmos nem que o candidato seja um burro (e cuidado que eu tenho enorme respeito pelo animal)!
Agora, o que não me entra, mas tal certamente é por eu ser lerdo das ideias, é que alguns, obcecados e cegos, rejubilem com a perspectiva que tudo seja ainda pior só porque, no momento, quem está no poder não é da sua laia!

Alguns, e bem os topo, são lambões que perderam as mordomias e agora parecem carpideiras mas, quando se apanharem lá, mandam os restantes ir para o Parque Eduardo VII apanhar no dito …
Outros aspiram a um dia terem um lugarzito qualquer …
Finalmente, outros acreditam mesmo naquilo!
E nós a vê-los a lentamente, como os caracóis ao sol, porem os chifres de fora, a mostrarem o que andaram a encobrir durante este tempo todo e a revelarem as suas fauces verdadeiras. Pessoalmente, sempre preferi um traste assumido a um estupor dissimulado.
Disse.

Epitáfio a Bush

Agora que só se fala em Barack Obama, tomemos uns momentos de recolhimento em memória do defunto Presidente dos Estados Unidos. Em nome da decência humana teçamos-lhe um epitáfio à medida.

Aqui jaz George (Dubbya) Bush, 43º Presidente dos Estados Unidos, eleito graças ao crocodilo da Florida que engoliu os boletins de voto de uma das mesas eleitorais quando o seu irmão Jebb era governador do estado. Texano até à medula, ficará conhecido como o inventor de Bushisms, um dialecto inglês que aglutina várias palavras numa criando todo um novo, e rico, vocabulário, para o qual inúmeros livros de descodificação foram publicados. A indústria livreira e a de souvenirs e memorablia com a sua cara de cartoon, as suas asneiras gramaticais e as suas frases célebres (quem não sabe que latim é o que se fala na América Latina?!) curvam-se ante o respeito à sua memória lucrativa.
Este foi o homem que, não sabendo escrever Afeganistão, e tendo um mapa geográfico mental quadrado se decidiu por invadir o Iraque em busca de gambuzinos com o nome técnico de Armas de Destruição Massiva. Notáveis os seus reflexos, será lembrado como o Presidente que fugiu de uns sapatos voadores mantendo o sangue-frio e a fleuma que não o deixaram engolir a chiclete que mastigava na altura.
O mundo não o esquecerá.

Descanse em paz.

Não metam nojo, digam nomes ...

A história do licenciamento do FREEPORT fede? Fede.
As autoridades britânicas têm provas que incriminam um ministro português? Segundo o jornal “O Sol”, têm.
Quem é esse ministro? O dito jornal, assim como todos os outros, não dizem.
Segredo de justiça? Receio? Nada disso.
Apenas porque é sabido que este tipo de ínsidia rende. E mói.
Tudo isto mete nojo? A mim mete. E muito.

Estas campanhas sórdidas, negras até, são um ferrete e podem destruir vidas. Pessoas. Famílias até.
Aquele semanário deu eco das suspeitas e logo surgiram dezenas de pequenos Estalines a apontarem o dedo … "é ele, é ele e mesmo que se venha a provar que não é ele, foi porque abafaram tudo!"
Faz lembrar a história da alegada homossexualidade de Sócrates que teve honras de bravatas numa campanha eleitoral. Alguns, pasme-se, rasgaram as vestes quando o homem disse não à proposta da JS sobre os polémicos casamentos homossexuais mas, na altura, e ainda agora, acusam-no daquilo que sabemos.

No "Freeport", volta-se ao mesmo. Ninguém disse nomes, mas já muitos avançam com o nome do corrupto.
Há coisas que metem nojo. E esta é uma delas!
Podemos não gostar de alguns, de muitos ou de todos, mas ninguém tem o direito de em nome de uma conveniente verdade, se armar em moralista reles e fazer tábua rasa da ética, moral e dos princípios legais que nos devem guiar a todos.
Para a história, qualquer um destes pode ser suspeito (ou talvez não): António Guterres, Jaime Gama, Guilherme d’ Oliveira Martins, Rui Pena, Nuno Severiano Teixeira, José Sócrates, António Costa, Luís Braga da Cruz, Elisa Ferreira, Luís Capoula Santos, Júlio Pedrosa, António Correia de Campos, Paulo Pedroso, Augusto Santos Silva, Mariano Gago, Alberto Martins, José Lello e António José Seguro.
Disse.

A verdade da política

Como assídua ouvinte do fórum da TSF, fui ontem surpreendida por uma sessão que teria feito estremecer o nosso Primeiro-Ministro, justamente apelidado de Pinóquio, tantos foram os comentários à sua capacidade patológica de fugir à verdade, fosse ele ouvinte de qualquer outra voz que não a do seu próprio ego.
Falava-se então de como o Governo se prepara para dar uma mãozinha à tão batida classe média, necessariamente em ano eleitoral e de como essa mesma classe média se prepara para dar ao mesmo Governo uma nova maioria absoluta?!

Recordo ainda que segundo os números dos sindicatos, ontem terá igualmente sido o dia de uma das maiores greves de professores no país e tenho a reportar que os meus filhos ficaram muito bem comigo no trabalho, muito obrigada...

Em primeiro lugar, tenho a informar que nem o primeiro ficou muito bem visto, ou neste caso, falado, nem me pareceu, pelo número alargado de membros da classe média a participar no dito fórum, que o Governo venha a ter nova maioria absoluta.
Na verdade, parece-me mais que se vive numa espécie de bruma política, uma nuvem branca de indecisão e perdição no panorama político do país, que só me faz recordar o livro "Ensaio sobre a Cegueira" do Saramago.

Realmente, tenho a dizer-vos que a temática política tem servido para me tirar algumas pestanas e acabar com o único neurónio que ainda funcionava e fazia o outro trabalhar.
Depois de ver a entrevista da Judite de Sousa a Manuela Ferreira Leite, fiquei com uma certeza quase absoluta - o actual político é um animal de palco, uma máscara que serve apenas para isso, para o palco mediático que é a política neste país.
Se quisermos ser governados por quem saiba o que é a vida real, vamos ter de nos erguer e começar a trabalhar nós, vamos ter de deixar votar nos que só vivem para a política, porque esses nada sabem da vida no mundo real.
É quase como a vida dos ratos do laboratório - conhecem aquela roda em que os fazem andar, percorrem corredores e corredores de labirintos para chegar ao queijo que lhes é colocado lá, mas o verdadeiro trabalho é feito por outros do lado de fora.

A meu ver, e sou pouco entendida nestes assuntos, temos políticos profissionais a fazer política profissional e pouco mais, ou nada mais.

Precisamos de profissionais de vários sectores a fazer politica amadora, movimentação da sociedade civil que participe nos destinos do país.
Aí, talvez comecemos a ter boas perspectivas de governação. Aí talvez comecemos a participar activamente na nossa governação.

Casamentos e Sarilhos

A semana passada ficou marcada pelas declarações de D. José Policarpo durante a tertúlia 125m, com Fátima Campos Ferreira. O Cardeal Patriarca, referindo-se ao casamento entre jovens portuguesas e muçulmanos, dizia que esse laço matrimonial poderia constituir um "monte de sarilhos". Foi ainda mais longe e afirmou que o diálogo entre as religiões católica e muçulmana, no nosso país, era difícil já que, acredita, os muçulmanos encaram a sua religião e o que esta defende como a única verdade.
Claro está que estas palavras causaram celeuma e, até, indignação mas, na verdade, não percebo muito bem porquê...

Pensemos nos pontos que se seguem:

1. Como são tratadas as mulheres que professam esta religião?;
2. O que acontece a uma mulher ocidental quando visita a grande maioria dos países islamistas?;
3. Qual a religião incutida aos filhos destes casamentos mistos?

Ah, pois é!
Na verdade, a mulher é encarada e tratada como um ser inferior pela maior parte dos seguidores de Alá.
Quando as mulheres ocidentais visitam estes países, seja em trabalho ou como turistas, têm de respeitar os seus ditames culturais e religiosos.
Já os filhos de casamentos mistos são normalmente educados de acordo com o Islamismo.

Então, o senhor Cardeal não disse mentira nenhuma!
Foi politicamente incorrecto? Ah, sim, isso já é outra conversa! O que é um facto é que criticar, apontar o dedo à religião de Alá não é bem visto. Na verdade, é considerada uma atitude anti-democrática, racista e de enorme intolerância.
Na mesma ocasião, D. José referia que há um enorme desconhecimento dos católicos sobre a cultura e a religião islãmica e que muito poucos católicos se teriam dado ao trabalho de ler o Corão. Eu pergunto-me quantos muçulmanos terão lido a Bíblia...
No entanto, estas afirmações do senhor Cardeal também me deixaram a pensar sobre outras coisas.

Por exemplo, será que ele tem conhecimento de que, em 2008, morreram 44 mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal? Pois, esse facto, se calhar, já não lhe interessa porque, ao que sei, a maior parte destas vítimas, senão mesmo todas, tinham casamentos católicos e não me parece que a Igreja Católica faça muito para evitar este verdadeiro flagelo.
Lembro-me de um caso particular de alguém que sofreu maus tratos e que, em desabafo com o pároco da sua localidade, ouviu uma resposta elucidativa: "Jesus teve que levar a cruz até ao Calvário. Esse problema com o teu marido, minha filha, é a tua cruz e tens também que a carregar."

Apesar de, por vontade do meu pai, nem sequer ter sido baptizada, cresci com algumas influências católicas e, neste caso, acho que assenta que nem uma luva aquela frase de Jesus: "Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra"...
Concluindo e resumindo, moças casadoiras do nosso país, deixai-vos estar quietinhas que isto com o casamento nunca se sabe os sarilhos que daí vêm!

Insegurança

A insegurança é um facto e teremos de nos habituar a viver com ela, confiando no factor sorte. O normal é classificarem esta preocupação pela segurança como um “sentimento burguês”, e pronto, está tudo dito, porque falar nos bairros degradados, no desemprego, na falta de quaisquer perspectivas para os jovens, nos recibos verdes, nos contratos a prazo, nos licenciados a trabalharem nas caixas de supermercado, são factos normais, que ninguém resolve, só falam neles. Falar não custa, não custa também dinheiro, mas para resolver, embora o dinheiro seja importante, não é tudo, são precisas ideias, espírito de iniciativa, acção e aquilo a que assisto são politiquices sobre a luta pelo Poder. Qual é a distância entre Lisboa e Atenas?

Os jornais diários publicam o relato de todas as ocorrências criminosas ocorridas no dia anterior e esse facto é um factor fundamental para a sua venda, tal como acontece com o Correio da Manhã colocando-o em primeiro lugar entre os diários. De igual modo a TVI , com a consequente luta pelo primeiro lugar no share.
Evidentemente que há aqui um problema de difícil solução, pois não se pode negar aos medias o direito de informar, como não se pode negar aos cidadãos o direito de estarem informados. Esse direito para o cidadão também funciona como um alerta e levá-lo-á a ter uma postura mais atenta.

Por outro lado, os malfeitores beneficiam de um destaque que a sua situação como cidadãos não lhes proporcionaria. Será portanto uma publicidade gratuita ao crime.
Um gang auto-intitulado “Tropas da Reboleira” que se dedica ao furto e ao roubo na via pública com recurso a armas de fogo, incluindo caçadeiras de canos serrados, publicita as suas acções em vídeos e fotos na internet.
Não é o primeiro caso. No distrito de Setúbal já se verificaram casos idênticos.

Como a legislação actual é extremamente benévola e permissiva, irão normalmente para casa, com termo de identidade e residência até ao julgamento, usufruindo do produto dos roubos. Ficarem presos preventivamente custa dinheiro.
Presentes a julgamento, já sabem que poderão cumprir apenas 1/3 da pena. E por favor não culpem os juízes que têm de aplicar a Lei, culpem sim é o legislador que a fez.

Tanta pobreza de espírito e política...

Li no Publico online a notícia sobre a entrevista que Manuela Ferreira Leite deu na RTP1.
Não interessa neste curto escrito, (ai a falta de tempo), se foi ou não uma boa entrevista, mas já agora digo que gostei da postura da líder do PSD.
O que interessa é que me dei ao trabalho de ler os comentários (147 quando escrevi isto) à referida noticia e percebo agora melhor porque é que o País está na situação em que está.

Dos comentários aproveitar-se-iam 10, daqueles com princípio, meio e fim e sobretudo com interesse para a ajudar algum leitor a compreender melhor a posição dos partidos e dos respectivos candidatos.
Vive-se nestes comentários, como me parece na política em relação aos partidos, uma forma de estar do tipo sou do Futebol Clube do Porto, do Benfica ou do Sporting!
Ou seja, não interessa se jogaram bem ou mal, se houve viciação de resultados ou não, se os dirigentes mentiram ou não, o que interessa é ganhar seja de que maneira for.

As graçolas, os insultos, as incongruências, a ignorância, as frases feitas, são o sumo da maior parte destes comentários.
O problema é que me parece que muitos "políticos" também vivem assim a sua forma de estar na política!
Como queremos nós então que alguma coisa mude nas eleições?

Enquanto virmos a política como um qualquer desafio entre equipas, em que só interessa a vitória final, seja como for e a que custo for, não chegaremos a lado nenhum.
São comentários à entrevista de Manuela Ferreira Leite, mas poderiam ser a uma entrevista de José Sócrates, que o conteúdo seria exactamente o mesmo!!!

Mais "gamanço", não!

Em Janeiro de 2008 saiu o Código dos Contratos Públicos; um ano depois, já se anda a preparar uma "canelada". E agonia-me até à náusea que sob o pretexto da crise se queira abrir porta a fartas negociatas.
E nem sequer vou mencionar que 2009 é ano de três eleições!

Penso que é sabido que a Administração Pública tem uma série de regras a observar quando quer adquirir um serviço ou mandar fazer uma obra. A norma é a do concurso e a excepção, o ajuste directo.

A generalidade da Administração Central pode mandar executar empreitadas por ajuste directo (aquelas obras que se entregam aos “amigos” ou “conhecidos) por valores inferiores a 150.000,00€. Eu diria que já é fruta a mais!
Mas, a pretexto da crise, o Governo quer em 2009 e 2010 um regime excepcional que permita entregar obras até 5.150.000€ e, no âmbito da aquisição ou locação de bens móveis ou da aquisição de serviços, até 206.000€.
Os nossos autarcas, sensíveis ao calendário eleitoral, pedem a inclusão no regime excepcional das famosas obras de reabilitação urbana (que dão para tudo, desde rotundas aos adros das igrejas) e as de saneamento e abastecimento de água.

Face a tudo isto só digo que se no ajuste directo a prática continuar a ser a de convidar os que mais jeito dão, vai ser um fartote!
Mais um pouco e eu, se fosse deputado, proporia que se acabasse com essa maçada dos concursos que, mesmo assim, dão azo a cada tropelia!
Tudo em nome de animar a economia, claro está.
Disse.

Olhem só a Bélgica!

Eu hoje vinha aqui com um grande relambório sobre o estudo que o Ministério da Educação realizou e que dá conta da pouca participação dos pais e encarregados de educação na vida e no percurso escolar dos educandos... Mas isto é algo que todos já sabemos, ou não?

No entretanto, ouvi uma notícia e é essa que me dá o mote para o post de hoje. São ambos curtos e incisivos.
O Estado belga solicitou que os demais parceiros europeus tomassem atitudes públicas de repúdio ao conflito Israelo-Palestino e solicitou ajuda humanitária concertada.
Mas os parceiros não se pronunciaram em relação à iniciativa belga.

Sob este prisma, a Bélgica resolveu actuar sózinha e vai já receber as primeiras crianças feridas provenientes da faixa de Gaza.
Aplaudo e calo-me de vergonha!

Há Estatutos que dão um jeito do caraças!

O Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores foi republicado pela Lei 2/2009, podendo ser lido aqui.
Depois de algumas achas, Carlos César veio novamente a terreiro alfinetar Cavaco Silva, enquanto Presidente da República.

Carlos César, no conforto de uma nova maioria, aproveitou para recordar que o Presidente da República se mostra muito facundo com o Estatuto açoriano, mas muito silente com os desmandos na Madeira! Mistura alhos com bugalhos, mas tem muita razão. Eu diria mesmo mais, tem muita razão!
Também se interroga porque é que Cavaco Silva, que se sentiu tão beliscado nas suas prerrogativas (e eu já aqui disse que tem razão em quase todas as objecções), limitou o seu pedido de fiscalização ao Tribunal Constitucional a matérias muito circunscritas. Tem, mais uma vez, razão.

Mas aqui, penso, escapa-lhe que Cavaco precisava disto. Como pão para a boca.
No fundo, se Sócrates e, por arrastamento, o PS precisaram de mostrar ao Presidente algum músculo, Cavaco precisa de pretextos crescentes para se vitimar e para se afastar do Governo que, recorde-se, não é da sua família política.
A cooperação estratégica e institucional não passa disso mesmo, e 2009 assinala um calendário eleitoral que abre hostilidades para as Presidenciais.
E pode também trazer um terramoto político.
Daí a guerra das datas que agora se vive e onde Cavaco está em vantagem pois o Governo está obrigado a marcar as Autárquicas antes do Presidente fazer o mesmo para as Legislativas.

E já se percebeu que Cavaco quer as duas no mesmo dia. A sua lógica é que sendo o PSD maioritário nas autarquias, levar as pessoas a votar para o Governo no mesmo dia pode induzir o voto por arrastamento no mesmo partido.
Sócrates não quer nada disso, já que teme que os dois actos no mesmo dia levem muitos autarcas (ou candidatos a tal) a quererem tratar da sua vida e com pouco interesse em aparecer ao lado da malta do Governo!
No fundo, no fundo são estas as eleições que interessam, pois nas Europeias já se sabe como é. O pessoal está-se a marimbar, já que de Bruxelas o que queremos é bago!

Já agora, finalizo dizendo que penso ser miserável que a Presidência da República (coisa diferente de quem ocupa o lugar) não tenha endereçado um seco telegrama de felicitações a um presidente do Governo Regional eleito democraticamente. E, contudo, foi o que Cavaco Silva fez! Mais uma vez, temos aqui o nosso Presidente a revelar os seus piores fígados.
Disse.

O Ronaldo e o orgulho de ser português

Ora bem, peço desculpa pelo atraso, mas onde vivo a net é coisa de extra-terrestre e nem sempre está disponível. Para além do mais, luz só quando não chove, porque quando chove, para tomar banho tem de se usar a água da chuva mesmo...

E por aqui começo mais esta minha palestra semanal.
O País está de tanga há tanto tempo, que até o Durão já se assume como europeu, sem saber de onde foi mesmo que saiu quando foi eleito presidente da Comissão...

Mas o título deste texto é acerca de um certo Cristiano, cujo pai adorava filmes de cowboys e achou que Ronaldo (do "consagrado" actor Ronald Reagan) seria uma boa opção para um filho da Madeira, caixa mais pequena que se insere na maior de seu nome Portugal.
Perdoai-me vós, que sois grandes adeptos do desporto "rei", mas ontem fiquei com um sabor a amargo na boca, ao ter de passar um dia inteiro a ouvir falar do dito cujo. É que, apesar de ser uma amante de desporto, considero que se há que existir orgulho por sermos quem somos e de onde somos, vermo-nos reflectidos num garoto que dá uns pontapés numa bola sempre que não joga na Selecção Nacional e que é mais conhecido por ter papado mais fulanas que um sheik árabe, não será de todo a razão fundamental!

Ontem ainda, ao mesmo tempo que o país espectava e ansiava pelo veredicto do melhor jogador do mundo, dava na TSF um programa com o melhor formador do mundo, que é.... sim, adivinharam, PORTUGUÊS!

Pois é, com tantas razões para estarmos orgulhosos e nós só olhamos para uma fraca amostra do que é fazer-se bem o que se gosta. Não seria hora de se olhar bem para outras formas de brilhar, para além da bola?

Uma boa semana a todos.

Salários muito mínimos e meses muito longos

O jornalista do Expresso, Hugo Franco, está a levar a cabo uma reportagem denominada Um Mês Com O Salário Mínimo. Até ao momento, as conclusões têm sido as mais evidentes: a vida com 450€ é difícil, muito difícil. Mas não é só com 450€ que a vida é difícil...

Vejamos um caso concreto. O nome, fictício, é Ana. Licenciou-se em História e o seu sonho era ser professora. Conseguiu fazê-lo durante dois anos. O salário era suficiente para ela e, como ansiava pela sua independência, alugou um T1. Mas, a determinada altura, deixou de ter colocação no ensino oficial.

A Ana passou a trabalhar num supermercado. Alguns meses depois, conseguiu arranjar outro emprego como administrativa, a recibo verde e decidiu acumular com um part-time no supermercado. Os ordenados perfazem 600€. Este valor mal chega para pagar a renda de casa (300€), o gás, a luz e a água (100€). Neste momento, tem 29 anos e arranjou mais um part-time. Trabalha para uma autarquia, também como recibo verde e, por mês, consegue auferir cerca de 70€ mensais. Este mês ainda não conseguiu receber esse valor e do ordenado sobram-lhe 100€, porque já fez as compras do mês e pagou os descontos à Segurança Social. E ainda faltam 20 dias para o fim do mês...

Eu conheço inúmeras Anas. Aposto que vocês também...

Amo a vida!

A vida é o nosso maior bem, uma experiência única e irrepetível e, por isso mesmo, há que aproveitá-la. O viver em sociedade cria-nos uma série de constrangimentos e de obrigações que nos cortam a possibilidade da viver plenamente. Nos casamentos, ou nas uniões de facto, fomos nós a aceitar e até a procurar a situação vivida e assim não temos que nos queixar.
Normalmente é bom, enquanto dura. Depois, depois tenta resolver-se a situação a bem, ou a mal ( normalmente a mal ). Parte-se para outra, ou não se parte: gato/a escaldado/a ... e os filhos que se lixem.

Amo todas as actividades humanas que me dão prazer. Não sou elitista: gosto de ler um bom livro, como gosto de futebol. Gosto de ler divulgação científica, como gosto de ler poesia. Gosto do sol e da praia, como gosto dos prados verdejantes e floridos do antigamente, antes da exploração desenfreada do planeta ter originado o efeito de estufa, a destruição da camada de ozono e as perturbações climatéricas ( “quem vier atrás que feche a porta”, não é USA ?). Culpa dos países super - industrializados? Sim, mas não só. Mais ricos, esses países até se podem dar ao luxo de gastar uma parte ínfima dos seus imensos lucros, para esboçar e fingir que têm preocupações com o meio ambiente.
Talvez mais culpados por esses problemas sejam os países que procuram “um lugar ao Sol” ( mas que diabo, “o Sol quando nasce é para todos” ).

Gosto de viver a vida. Sinto-me feliz em viver e agradeço, reconhecido ( não sei a quem ... ) esse bem inestimável que é a saúde. Por isso admiro aqueles que procuram viver a sua vida e se agarram a ela, por muito que sofram. Admiro a sua coragem em lutar e em resistir.

Não compreendo e não aceito, toda essa juventude e não só, que malbarata a vida justificando a sua atitude com a falta de oportunidades, o desemprego, a toxicodependência, a injustiça social, os bairros degradados…

Lutem, “carago” ! O mal foi terem sido habituados a receber de mão beijada tudo aquilo que os pais lhe puderam e não puderam ( mas deram ... ) dar, para que não os chateassem, nem os fizessem perder tempo com eles. A culpa é da “porca da vida” que levam, sem tempo para nada, tempo perdido para e do emprego, mal pagos ou ambos empregados, muito trabalho. É esta a nova geração que estão a criar?

Pois! E os outros, os filhos dos da Quinta da Marinha e do “jet-set”, porque malbaratam a vida?

Não venham para aqui carpir as vossas mágoas, como fez um tal José Luís Peixoto, no artigo “Esta juventude de hoje em dia”, publicado na VISÂO nº825, uma pessoa cheia de sorte porque tem um emprego e se mais não tem é por sua própria culpa, porque talvez não tenha imaginação, ou inteligência, ou espírito de iniciativa, ou porque muito possivelmente é um “acomodado”. Não venha pois culpar a geração anterior.

Hoje qualquer criancinha tem logo os paizinhos a pagarem-lhe a carta de condução e a comprarem-lhe um carro novo. Eu quando tive o meu primeiro carro, em 2ª ou 3ª mão, já era casado e pai dum filho.
Não somos nós os culpados da vossa falta de cultura, são vocês porque preferem comprar telemóveis da última geração, a gastar dinheiro num bom livro.

Aos 17 anos, depois de ter completado o curso liceal, o correspondente ao actual 12º ano, saí de casa e fui fazer pela vida. Tudo o que tenho, tanto eu como a minha mulher, foi conseguido com o nosso trabalho e o curso superior que tirei fi-lo como estudante-trabalhador, sem Sábados, nem Domingos, durante 5 anos, muitas vezes depois de uma “directa” a ter de ir para o trabalho mais morto que vivo.

A Pátria envergonhada!

O tempo não é muito nesta semana para escrever, mas para além disso o tema tratado por Mário Crespo toca-me particularmente, como também a alguns leitores deste espaço e no fundo a todos em geral.

Ao fim de 35 anos que saí da Guiné, ainda vêm ex-soldados que estiveram comigo na guerra, pedir-me para ser testemunha em processos intermináveis, que tem quanto a mim o fim último de tentar não pagar uns miseráveis subsídios ou tratamentos a quem gastou a vida psíquica e física ao serviço de Portugal.




Baixas em combate
Edição de 22.12.2008 do J.N

"Foi notável o apelo que o presidente da República se sentiu obrigado a fazer ao Governo para que cumpra com as responsabilidades que o Estado tem com os que sofrem as consequências das guerras coloniais.
A assistência aos deficientes das Forças Armadas tem sido considerada questão menor. Sucessivos governos têm aguardado que o problema dos antigos combatentes em geral e dos deficientes em particular se resolva por si. Na realidade é isso que tem acontecido. A morte prematura resolve com arquivamentos definitivos, um a um, processos protelados em burocracias complicativas, diligentemente alinhavadas para satisfazer expectativas orçamentais. Têm-se inventado redefinições dos graus de invalidez. Reavaliado o que são situações de guerra e de combate. Tudo para conseguir roubar na assistência aos veteranos. Burocratas que não imaginam o que foram as décadas de desumanidade que gerações de jovens dos anos 60 tiveram que enfrentar decidem agora em termos de custo-benefício se vale a pena rubricar nos orçamentos as verbas necessárias, ou se é de aguardar mais uns anos até que os problemas naturalmente se apaguem. Não se trata só de acudir às deficiências fisicamente mais óbvias, que infelizmente têm sido descuradas ou insuficientemente assistidas. Há graves consequências clínicas da guerra que estão a ser mantidas discretamente afastadas do foco mediático. O elevado número de antigos combatentes que padece hoje de uma forma particularmente virulenta de Hepatite C é uma dessas situações. São as vítimas directas das vacinações em massa sem seringas descartáveis, que eram norma nas Forças Armadas até bem dentro da década de 70. Centenas de milhar de jovens foram injectados nas piores condições sanitárias possíveis. Era usada a mesma seringa colossal de uns para os outros. Apenas substituíam as agulhas que depois de fervidas voltavam a ser reutilizadas. As hipóteses de contágio eram máximas. A Hepatite C é assintomática durante dezenas de anos até os danos no fígado serem irreversíveis e, numa alta percentagem, fatais. Nunca houve um programa de rastreio sistemático dos antigos combatentes. Mas já houve muitas mortes. Sei de várias e de casos em que, face a diagnósticos positivos em militares de carreira, não foram recomendadas medidas terapêuticas no próprio Hospital Militar. Porquê? Pode haver várias respostas. Que o tratamento é difícil e muito penoso. Que pode ser falível. Tudo verdade, como também é verdade que a despistagem e o tratamento são caríssimos e seria impensável nos actuais orçamentos da defesa torná-los extensivos aos sobreviventes da guerra colonial. Este é só um exemplo de consequências ignoradas da guerra que são responsabilidade do Estado. Haverá milhares de vítimas mortais se se mantiver a ligeireza fútil e desumana como o problema tem sido encarado em democracia. Atitude que em nada se distingue da bestialidade com que, em ditadura, se enviaram gerações sucessivas de jovens para conflitos absurdos. Um pormenor mais. O mesmo governo que disponibiliza verbas significativas para assistir drogados contaminados em trocas de seringas descartáveis, já pagas pelo Estado, não considera prioritário destinar pelo menos o mesmo montante para assistir em hospitais militares antigos combatentes que padecem dos males que involuntariamente contraíram, sem se drogarem".

Mas que surpresa, Senhor Livro!

Afinal, ainda se registam acontecimentos positivos no nosso país!
Lendo o Diário de Notícias, deparei-me com uma notícia que assinalava o facto de, neste Natal, os portugueses terem oferecido livros, muitos livros e, pasme-se, terem escolhido maioritariamente escritores nacionais! Efectivamente, neste último trimestre, atingiu-se o número de um milhão de exemplares vendidos.

Lamento, no entanto, que este número seja obtido graças às vendas de, apenas, meia dúzia de nomes sonantes da literatura nacional, como Saramago, José Rodrigues dos Santos, os irmãos António, Nuno e João Lobo Antunes, etc.
Podia aproveitar esta notícia para lamentar o facto dos livros serem caros ou debruçar-me sobre a ignorância revelada por muitos dos funcionários que trabalham em livrarias sobre autores nacionais e estrangeiros, mas não o vou fazer. Também não vou fazer uma análise sobre as razões que justificam esta alteração no rumo do mercado literário nacional, porque simplesmente me basta saber que se lê mais no nosso país, que já se oferecem livros de autores nacionais.

E basta-me porque, felizmente, tive a sorte de nascer e crescer no seio de uma família que sempre encarou os livros como tesouros, que me fez perceber que ler um livro é, realmente, um prazer e que um livro nos permite viajar, conhecer novos mundos e culturas, desenvolver a nossa capacidade de raciocínio e a criatividade.
Fico feliz porque, ao que parece, há cada vez mais pessoas a pensar dessa forma. Afinal, nem tudo é mau neste cantinho à beira-mar plantado!

A Igreja Homofóbica

Esperei que passassem as Festas para vir para aqui com este post que a mim, em particular, me fere imenso. Católica por convicção, praticante o quanto baste, mas sempre protestante no que a palavra significa de protesto, e, crendo, ademais, que a mutação do Cardeal Ratzinger para Papa Bento XVI ainda não se verificou, só posso lamentar e lastimar a mensagem pontifícia deste passado Natal. E esqueço-me de dizer que sou heterossexual, o que, para o que tenho a dizer, também conta.

Não percebi, e não quero perceber, as palavras homofóbicas do Papa. Sei que este "homofóbicas" é um vocábulo um tanto quanto duro para me referir ao Papa, figura terrena máxima da minha religião e a quem, supostamente, devo obediência. Pois, e para que conste, não mudo o vocábulo. Tenho vergonha de uma Igreja não inclusiva de todos os homens e mulheres. A espécie acabará por haver homossexualidade? Claro que não, como é óbvio. Mas o Papa não pensa assim. É desta maneira que a Igreja tenta congregar os fiéis e espalhar a Boa Nova? Bom trabalho, então: de afastamento de gente, de maior enraizamento da ideia de que a Igreja é retrógrada e ultra-conservadora, bem pensado, sim senhora. Aplaudo que se chegue por estas vias à comunidade crente e não-crente.

Concordo que um casamento canónico entre elementos do mesmo sexo não é coisa que reúna a minha anuência. Mas que diabo (ui, outro vocábulo maldito!), a comunhão de vida entre pessoas que se amam, sejam elas de que sexo forem, é algo para ser acarinhado, não ostracizado. Aliás, também nem nunca sequer ouvi a comunidade gay e lésbica reclamar o direito ao casamento religioso. Por isso, qual o propósito das palavras do Pontífice? Extemporâneas e totalmente desfazadas da realidade.

E já agora, se tanto estudo anda para aí a tentar provar o casamento carnal de Jesus, não me surpreenderia nada que um destes dias se começasse a polémica de que o Cristo tinha amigos gay como, aliás, acho que todos nós temos.
Bem... ele até há a teoria da Última Ceia de Da Vinci, não é? (Procurem pelo apóstolo efeminado... Mensagens subliminares, talvez, quem sabe...)

Sobre o vespeiro de Gaza!

Israel invadiu Gaza, procura retalhar o território e impedir que o movimento integrista HAMAS se abasteça de armas e, de caminho, faz ouvidos moucos aos pedidos de cessar-fogo. Nada de novo, portanto.
Então escrevo sobre isto para quê?
Porque lidos o JOSHUA e o CATAVENTO, não resisti a opinar.

Por exemplo, Tzipi Livni. Tendo o direito legítimo de querer que o seu país combata o terrorismo, não podemos esquecer que combate pelo seu futuro político.
Outro dado da questão é que esta guerra (agora) serve para comprometer uma nova Administração nos EUA que, aos olhos do poderoso lobby judeu (sim, que ele existe) não é suficientemente confiável.
E os ultra-ortodoxos, que à custa da religião, não fazem um chavo, que papel têm nisto tudo? Mau, parece-me.
Contudo, Israel não pode é querer, sabe-se lá em nome de quê, que tudo lhe seja permitido e desculpado. Como sucedeu ontem com as bombas sobre escolas!
Nem dar-se ares de superioridade ... quem ouve ou lê Ezter Muzcnick quase que se sente instintivamente atraído para um dos lados tal é o dom de infalibilidade que a senhora usa!

Do lado árabe, e não islâmico (pois isso é tomar a árvore pela floresta), um HAMAS dá muito jeito a uma capital como Riade.
Enquanto com uma mão vende petróleo ao Ocidente, com a outra financia "madrassas" no Paquistão, o HAMAS e quejandos. E assim se desviam as atenções duma ditadura!
E o HAMAS luta pelos palestinianos ou pela supremacia junto destes erradicando a FATAH?

E nós, europeus?

Como se sabe, as peças do xadrez são quase como a Corte; lá estão os monarcas na figura do Rei e da Rainha, bispos, os cavaleiros, as torres e afins.
Reza a História que toda a corte tem um bobo e aqui o bobo é ... a Europa!
Sim, eu sei que é triste, mas esta Europa enreda-se na teia dos seus delírios e é incapaz de se levar a sério.
Aliás, nem sei se nalguns chancelarias até não ficam contentes por Israel estar a fazer parte do trabalho sujo de, como se diz em bom português, “ir às trombas a quem nos quer matar!”
Disse.

Desculpem lá...

...mas hoje deu-me para a reflexão. Nem sempre dou muita atenção aqueles mails que nos enviam com apresentações em power point e que falam da bondade e da humanidade que nos falha, ou de alguém que precisa de ajuda... confesso, acabam todos no spam e daí é para o lixo mesmo.
Mas chegou-me uma mensagem que me fez pensar se não andaremos todos a julgar a Humanidade toda pela bitola dos alguns que a arrastam pela lama da cobiça, da ira, da violência, da podridão e da devassidão sem limites.
Então leiam lá:

"Durante um jantar de caridade, o pai de um menino deficiente mental fez um discurso inesquecível:

Diz-se que Deus tudo faz com perfeição…
Onde está a perfeição de Shay, o meu filho?
O meu filho não consegue compreender as coisas como as outras crianças.
O meu filho não se pode divertir como as outras crianças…
Onde está então a perfeição de Deus?

Eu acredito que ao criar uma criança deficiente como o meu filho, a perfeição que procuramos em Deus estará na forma como reagimos a esta criança.
Vou contar-vos uma pequena história para justificar a minha proposta.
Uma tarde, Shay e eu andávamos passeando num parque onde se encontravam uns rapazes a jogar «baseball».
Shay virou-se para mim e perguntou:
- Pai, achas que eles me deixam jogar?

Eu sabia que Shay não era propriamente o género de parceiro que os rapazes normalmente procuram, mas mesmo assim ainda tive esperança que deixassem o Shay fazer uma perninha ...
Assim, perguntei a um dos jogadores em campo se seria possível deixar o Shay participar só um pouco…
O jogador reflectiu um bocadinho e disse: Estamos a perder por seis pontos e vamos na oitava mão, portanto acho que ele pode entrar na equipa porque temos sempre a oportunidade de recuperar na nona volta.
Shay deu um enorme suspiro!

Disseram ao Shay para calçar a sua luva e tomar posição.
Já no fim da oitava mão, a equipa de Shay marcou alguns pontos mas continuou a uma distância de três pontos.
No fim da nona mão, a equipa de Shay ganhou ainda um ponto, mas continuou, ainda assim, com um atraso de dois pontos mas ainda dispondo de uma chance de compor a partida…
Para espanto de todos, deram ao Shay o bastão!

Todos sabíamos ser impossível ele ganhar, pois o Shay não fazia ideia de como fazer a batida, nem como direccionar uma bola.
Logo que Shay se colocou na zona de recepção (base), o lançador avançou alguns passos e atirou a bola com toda a suavidade de forma a que Shay conseguisse ao menos tocar-lhe com o bastão.
Shay bateu pesadamente no primeiro lance, mas sem sucesso!
Um dos parceiros veio em sua ajuda e os dois agarraram no bastão, aguardando o próximo lançamento.
O lançador avança de novo e torna a atirar a bola ligeiramente para Shay.
Com o seu equipamento e com a ajuda, Shay bate na bola, mas possibilitando a retoma pelo lançador.
Poderia este ter, facilmente, lançado a bola à primeira base, eliminando Shay e o jogo terminava por aí!
Mas não! O lançador atirou a bola de tal forma alto que aquela caísse bem longe da base.
Toda a gente desatou a gritar:
- Corre para a base, Shay! Corre para a primeira base!!!
Nunca ele tinha tido a oportunidade de correr para uma primeira base!
Shay galopou ao longo da linha de fundo, completamente espantado!
Quando chegou à primeira base, um dos adversários tinha já a bola na mão direita; ele poderia facilmente lançá-la à segunda base, o que de imediato eliminaria o Shay que continuava a correr. Pois, mas ele lançou a bola por cima da terceira base e mais uma vez todos desataram a gritar:
- Corre para a segunda! Corre para a segunda !!!

Os batedores à frente de Shay aproximam-se da segunda base, o adversário dirige-se para a terceira base e exclama: Corre para a terceira!
Quando Shay passa pela terceira, os jovens das duas equipas começam a gritar:
- Corre o circuito todo, Shay!!!

Shay completa o circuito, até à zona da recepção e os jogadores pegam-no em ombros.
Shay é um herói!
Ele acaba de fazer um grande "slam" e de ganhar o desafio para a sua equipa.
Nesse dia (lá continuou o seu pai, lavado nas lágrimas que lhe corriam pelos olhos), estes 18 rapazes atingiram o seu próprio nível da perfeição de Deus."

Desculpem lá esta pequena reflexão para que vos arrasto comigo, mas não acham mesmo que já vai fazendo falta olharmos uns para os outros com a compaixão e a tolerância que todos dizem de que não somos capazes?
A meu ver, aquela perfeição de Deus está em cada um e em todos nós. Pudessem todas as historias de heróis ser assim tão visíveis... talvez encontrássemos mais perto do que pensamos a humanidade que reclamamos.
Um bom ano para todos!

Inaudito... aposentados por invalidez obrigados a trabalhar!

A culpa daqueles dois desgraçados ex-administradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) aposentados por invalidez andarem a trabalhar é minha, apenas minha.
Eis o meu pecado.
A cruz que carregava e que finalmente aqui Vos exponho. Dai-me agora a penitência que tenho de cumprir.

Mas, como tudo na vida, o triste destino que reservei àqueles dois pobres tem a sua história.
Estava eu, refastelado como um nababo das Índias, numa esplanada a saborear dois nacos de prosa do Mário Vargas Llosa quando sou barbaramente interrompido por um ser desvalido, quase famélico.
Num daqueles murmúrios quase imperceptíveis que tanto falsos como verdadeiros pedintes empregam, ainda consegui perceber que pedia que lhe desse uma moedinha pois tinha fome!

Tendo levantado os olhos da prosa e poisando-os naquele ser, tive pois a soberana oportunidade de lhe ver bem a cara antes do fulminar com um “vá mas é trabalhar, seu malandro!”.
E o pedinte, aposentado por invalidez, lembrai-vos, assim o fez.
E é por isso que, a esta hora, anda a administração da CGD incomodada com o assunto e dois seus antigos administradores, aposentados por invalidez, a trabalhar na concorrência.
Tudo culpa minha que os mandei trabalhar.
Custava assim tanto abrir os cordões à bolsa e dar a moeda pedida?
Custava assim tanto ter pensado que, pobre deles, o que recebem de reforma nem para alfinetes quanto mais comer?

Lembrai-vos, pois, fiéis leitores e comentadores.
Ao próximo que vos pedir uma moeda, dai-a pois nunca se sabe se não é um ex-administrador dum banco qualquer, aposentado por invalidez …
Disse.

O horror económico

Entre Abril e Junho de 1994 foram assassinados no Ruanda mais de 800 mil "tutsis" perante "a terna indiferença do mundo", como diria Camus. Os EUA e os Europeus fingiam que não viam e a ONU fechava os olhos e assobiava para o lado.
Ninguém sabia onde ficava o Ruanda, sabiam apenas que não tinha diamantes, nem petróleo.
O pretexto (?) teria sido a queda do avião onde seguia o Presidente, de raça "hutu". Talvez houvesse um Estado ambicionando ver aumentada a sua influência na zona. Talvez ...
Diariamente e durante esses meses os "tutsis" foram perseguidos, caçados e mortos como ratos, pelos seus vizinhos, amigos, companheiros de infância, ou de trabalho, mas com um ponto em comum: eram de raça “hutu”.

O repórter Jean Hatzfeld escreveu "Dans le nu de la vie", que julgo ter sido editado pela Caminho e que é a narrativa dos sobreviventes "hutu". Não o li, nem conhecia o livro.
Posteriormente, foi publicado, pelo mesmo autor: “Tempo de catanas” e que é o depoimento do outro lado, dos assassinos "tutsi".
Calhou a pegar-lhe numa livraria e a ler duas, ou três linhas, aqui e além e larguei-o horrorizado, perante a inconsciência inominável do cometido. É um livro que escorre sangue.

Mandaram-nos matar e eles mataram.
Levantavam-se, tomavam um "mata-bicho" (pequeno almoço) forte, à base de espetadas de carne (a fauna selvagem também foi dizimada) e iam para "o seu trabalho" de procurar e matar "tutsis". À noite regressavam a casa, para junto da mulher e dos filhos.
Presos, esperam que os libertem e não têm a mínima consciência da barbaridade que cometeram.

Este livro fez-me lembrar outro já antigo, que fez a sua época, em sucessivas edições e que julgo ter sido reeditado recentemente numa colecção de bolso: “Escuta, Zé Ninguém!” de Wilhelm Reich, sobre o "nazismo": "... durante várias décadas, primeiro ingenuamente, mais tarde com espanto, finalmente horrorizado, observou o que o Zé Ninguém da rua «faz a si próprio»; como ele sofre e se revolta, como ele estima os inimigos e assassina os amigos; como ele, onde quer que consiga o Poder como «representante do povo», abusa desse poder e o transforma em algo de mais cruel que o Poder que ele antes tinha de sofrer às mãos dos sádicos individuos das classes superiores. (...)"

Depois desta longa reflexão e olhando "cá para dentro", veio-me à lembrança o livro de Viviane Forrester, “L’Horreur Économique”, publicado em França em 1996: "É preciso «merecer» viver para se ter direito à vida?” (…) Uma ínfima minoria, já excepcionalmente provida de poderes, de propriedades e de privilégios considerados incontestáveis, assume esse direito por inerência. Quanto ao resto da humanidade, para «merecer» viver, tem de revelar-se «útil» à sociedade, pelo menos ao que a dirige, a domina: a economia confundida como nunca com os negócios, ou seja, a economia de mercado. «Útil» significa quase sempre «rendível», ou proveitosa para o lucro. Numa palavra, «empregável» («explorável» seria de mau gosto!)"

A autora, Viviane Forrester, veio à Gulbenkian em Abril de 1997 (julgo, pois assisti à sua palestra) integrando um Ciclo de Conferencistas de diversos países sobre o "Económico-Social".

"Descobrimos agora que, para além da exploração dos homens, ainda havia pior e que, perante o facto de já não ser explorável, a multidão de homens considerados supérfluos, cada homem no seio desta multidão pode tremer. Da exploração à exclusão, da exclusão à eliminação …?".

O teatro da governação

Quando hoje de manhã pensava no texto que havia de escrever para cumprir o meu compromisso, perante os leitores e colegas de escrita deste espaço, veio ao meu pensamento o seguinte ditado: "Quem semeia ventos, colhe tempestades."
Fiquei a pensar o que me quereria dizer tal provérbio no contexto da actual situação de Portugal e assim aqui deixo as minhas cogitações.

Sente-se a sociedade portuguesa, para além de desanimada, irritada, conflituosa, em permanente confronto uns com os outros pelas razões mais espúrias, e descrente, claro está. Costuma dizer-se que os exemplos vêm de cima e então pensei um pouco no modo como temos sido governados. Este é um Governo que tem governado no permanente confronto, na arrogância, na falta de sentido de Estado no que ele representa de servir o povo, na pesporrência como responde normalmente à oposição, nas atitudes de falta de unidade e até lealdade entre as instituições mais importantes da Nação.
Este modo de agir e de actuar tem, quanto a mim, muito a ver com falta de preparação profissional e política para governar, e cheira a actuação de “chico-esperto”, ou seja, como não domino bem os assuntos, como não sei bem que volta lhes hei-de dar, vou fazendo umas medidas avulsas (que parecem reformas), vou-me servindo de tudo e de todos, com distribuição de benesses ou “avisos”, vou partindo para o confronto que sempre distrai da incompetência, vou criando ilusões, dizendo “inverdades”, e no diálogo sou sempre agressivo ou utilizo um humor de caserna, grosseiro, desviando assim a atenção das pessoas, do que é mais importante.

Mas este modo de agir e de actuar, transmite-se obviamente a todos os outros intervenientes na vida da Nação, e assim temos também uma oposição truculenta, que se agarra aos detalhes em vez de criar alternativas, que perante a falta de acordos, mesmo pontuais, parte para a assunção de que tudo o governo faz está mal feito, e que ela própria se vai atacando e minando a si própria por dentro, imitando o partido do governo.
Por outro lado, os governados (mas pouco) reflectem também este estado de espírito, e as relações entre as pessoas extremam-se e partem para o confronto e para a violência com incrível facilidade e como atrás dizia, por razões que nem sequer são razão, a maior parte das vezes.

Mas há mais, pois não há dúvidas, parece-me a mim, que este afrontar do Presidente da República foi uma tentativa nítida de tentar que o mesmo dissolvesse a Assembleia da República, (basta ler as mensagens do Presidente para se perceber como esteve perto este cenário), para num teatro de vitimização tentar alcançar nova maioria em eleições que seriam convocadas.
E quando recebem avisos mais ou menos perigosos, como receberam das Forças Armadas, correm a concertar os erros, para pacificado esse sector, poderem continuar o afrontamento noutras frentes.

Ou seja, governa-se representado, em teatro permanente, ou como disse o Presidente da República, em ilusão. Governa-se pelo poder e não pelo interesse superior de Portugal, ou muito melhor dizendo, dos portugueses.
A continuarmos assim, e não descortino qualquer sinal de mudança, porque a autoridade e firmeza é confundida com pura e simples teimosia, caminhamos para o impensável, ou seja, uma revolta dos governados, (olhemos para a Grécia), que pode ser mais ou menos violenta conforme o estado de saturação a que o povo se deixe chegar.
Por isso mesmo termino estas mal alinhavadas letras com outro ditado: "Quem com ferros mata, com ferros morre".

Nem tuge, nem muge!

Viram?
Entramos no ano novo e, para já, a coisa mantém-se.
Embora a maior parte da nação ainda destile vapores etílicos da festança e, por mor dessa destilação, o país se limite a boiar, não tenho a menor dúvida que assim vai continuar.
Mais. Garanto-vos que sem tugir, nem mugir! Mas também ia tugir sobre quê?
Por exemplo, eu não sei se já repararam, mas entra o ano novo e sai logo uma subida ou actualização dos preços.
Parece uma religião!
Há uma entidade omnipotente e omnipresente para tratar dessa parte mas que raramente atende as preces, leia-se queixas, dos pagantes.
Às tantas é por não serem suficientemente crentes!
E tuge-se? Nada!
Mas também tugir sem efeitos práticos não vale a pena.
Na Islândia, ao menos, o povo invade hotéis para protestar.
Nós por cá, também.
Mas para nos endividarmos ainda mais. E alguns até o assumem na maior, fazendo com que idiotas pareçam os outros!
Já quanto a mugir, ainda se vai podendo mas “pianinho” que isto não anda para facilidades.
E um homem nunca sabe se o que hoje muge, não é o que amanhã vai ter de engolir!
Disse.