Portugal: que presente?

"Portugal é um país de fracos. Portugal é um país decadente:

1 – Porque a indiferença absorveu o patriotismo.
2 – Porque aos não indiferentes interessa mais a política dos partidos do que a própria expressão da pátria, e sucede sempre que a expressão da pátria é explorada em favor da opinião pública. Não é o sentimentalismo desta exploração o que eu quero evidenciar. Eu quero muito simplesmente dizer que os interesses dos partidos prejudicam sempre o interesse comum da pátria. Ainda por outras palavras: a condição menos necessária para a força de uma nação é o ideal político.".


"Um dos piores sintomas de desorganização social, que num povo livre se pode manifestar, é a indiferença da parte dos governados para o que diz respeito aos homens e às cousas do governo, porque, num povo livre, esses homens e essas cousas são os símbolos da actividade, das energias, da vida social, são os depositários da vontade e da soberania nacional.".

"O que calcula que seja o futuro da raça portuguesa? Esse futuro é sermos tudo. Quem, que seja português, pode viver a estreiteza de uma só personalidade, de uma só nação, de uma só fé? Que português verdadeiro pode, por exemplo, viver a estreiteza estéril do catolicismo, quando fora dele há que viver todos os protestantismos, todos os credos orientais, todos os paganismos mortos e vivos, fundindo-os portuguesmente no Paganismo Superior? Não queiramos que fora de nós fique um único deus! Absorvamos os deuses todos! Conquistamos já o Mar: resta que conquistemos o Céu, ficando a terra para os Outros, os eternamente Outros, os Outros de nascença, os europeus que não são europeus porque não são portugueses. Ser tudo, de todas as maneiras, porque a verdade não pode estar em faltar ainda alguma cousa! Criemos assim o Paganismo Superior, o Politeísmo Supremo! Na eterna mentira de todos os deuses, só os deuses todos são verdade.".

"Diz-se geralmente que, em Portugal, o público tem ideia de que o Governo deve fazer tudo, pensar em tudo, iniciar tudo: tira-se daqui a conclusão que somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados, indignos de uma larga liberdade, e inaptos para a independência. A nossa pobreza relativa é atribuída a este hábito político e social de depender para tudo do Governo, e de volver constantemente as mãos e os olhos para ele como para uma Providência sempre presente.".

Perguntar-me-ão então qual a conclusão a tirar deste texto?

Começo por explicar que a razão pela qual os vários parágrafos têm cores diferentes, é porque cada um dos parágrafos tem um autor diferente! De séculos diferentes, com experiências e realidades diferentes.
Dir-me-ão então vocês que não é compreensível que o discurso seja tão coeso, tão semelhante, tão consentâneo e contemporâneo… pois, é bem verdade que assim é! E é assim porque depois de séculos e séculos de independência, de sermos o país com, as fronteiras mais velhas da Europa, de termos uma história como mais país nenhum pode orgulhar-se de possuir… continuamos a voltar costas à nossa própria história. Continuamos a cometer os mesmos erros e a padecer da mesma ignorância.
Que diriam Antero, Almada, Eça ou Pessoa? Como cantaria agora Camões as nossas glórias? E de que modo o mestre Gil tornaria esta farsa de país em que vivemos numa peça ainda mais cómica?

14 comentarios:

joshua disse...

Em horas-chave do passado houve quem evitasse que o pior sobreviesse ou fizesse que, pelo menos, fosse adiado. A decadência portuguesa, porém, está aí a dar as últimas, a atirar-nos para as garras do desaparecimento dissolvente em Espanha ou no nada, Catalunha Ocidental menos o orgulho nacional, uma ridícula República de gente anã sob a Monarquia de interesses e de agenda próprios de Castela.

As nossas alternativas de regime ou, ou sequer as nossas alternativas dentro do regime vigente, estão extintas ou estão tingidas por uma imagem que nenhuma justiça faz à realidade e às figuras em causa: todos minimizam e ridicularizam D. Duarte Pio, mas acredito infinitamente mais no seu amor por Portugal como um todo, das pessoas à história e à geografia dos afectos e afinidades no Planeta, amor-palavra que não vejo, nem oiço, nem sinto, nem percebo nem antecipo, a Portugal e aos Portugueses, em político nenhum, em personalidade nenhuma dessas que desfilam a sua mesquinhez devorista e a sua corrupta cerviz de aventuras e zuca-zuca puerto-riqueños.

Ou isto se regenera por um marcelismo apressado e inteligente de transição para a justiça e a dignidade da Pátria numa democracia do povo, pelo povo e para o povo [não para o jet-set prostituto que prospera e nos escarra de desdém], e do seu caminho histórico, ou então a rua há-de avolumar-se e desencadear a sua cólera, impaciência de traídos, violência de malogrados no direito a consolidade uma IDENTIDADE, na sua sobrevivência como Carácter Português, Brio Português, vitalidade Portuguesa.

Coisas para as quais a pequena política do dia-a-dia, truncada de verdade e falha de espírito de serviço ao Povo Português, mal imagina o que seja.

Infelizmente.

lusitano disse...

Concordo com praticamente todos os textos aqui colocados.

Realmente e como aqui tem sido repetido até à exaustão, (mas que parece não chega para despertar as consciências), o nosso país caminha a passos largos para...lado nenhum!

Quem me conhece sabe que não posso concordar com o parágrafo sobre Deus, e muito especialmente a frase, «viver a estreiteza estéril do catolicismo», porque se algo que não é nada estéril na minha vida é a Fé que vivo e que precisamente ao contrário, deu sentido à minha vida estéril.

Abraço

António de Almeida disse...

-Tenho várias vezes escrito, o problema de Portugal são os portugueses. Todos criticamos o Estado, mas ninguém quer abdicar do seu guarda-chuva, todos querem Justiça, mas quando lhes é aplicada uma qualquer coima todos procuram ajuda no amigo colocado não sei onde, todos criticam a falta de civismo nas nossas estradas, mas se existe uma fila de trânsito procuramos ultrapassar nem que seja pela berma porque estamos atrasados, e poderia continuar com exemplos vários. Por cá reclamamos por mais direitos, falta-nos empreendedorismo, mas se passaos a fronteira somos logo dos melhores, já diziam os romanos que eramos um povo que não se governava, nem se deixava governar...

Ferreira-Pinto disse...

“Portugal é um país de fracos. Portugal é um país decadente”?
É.
Temos de o assumir.
Sem receio. Sem vergonha. Com coragem.
Só o fazendo, encontraremos dentro de nós o elixir que poderá desmentir que Portugal é a real “piolheira” que um dos nossos últimos monarcas usava para se referir à Nação e ao País.

“Porque a indiferença absorveu o patriotismo”?
É possível.
Não aquele patriotismo bacoco e bafiento de se entregar uma bandeira a cada criança e as meter nas bermas das estradas a acenar, a acenar a um carro que passa e do qual se vê nada mais que isso.
Nunca passei por esta experiência, mas conheço quem a tenha vivido.

Recordo, por contraposição, que na escola pública que frequentei num país africano de matriz anglo-saxónica o orgulho na Nação resultava não só da História (e nem sempre feita de exemplos maiores, diga-se), mas de actos tão triviais e que hoje, em Portugal, seriam considerados ridículos de todas as manhãs a um dos alunos caber içar a bandeira no mastro principal.
E que enquanto ela assim subia, os restantes entoavam o hino pátrio.
Obviamente que hoje tenho para mim que o insuflar de regras essenciais de cidadania também garantia o respeito e o amor àquela Pátria.
E ainda hoje o sinto, já que mantenho a mesma comoção quando vejo jogar os “Springboks”!

“Porque aos não indiferentes interessa mais a política dos partidos do que a própria expressão da pátria, e sucede sempre que a expressão da pátria é explorada em favor da opinião pública. Não é o sentimentalismo desta exploração o que eu quero evidenciar. Eu quero muito simplesmente dizer que os interesses dos partidos prejudicam sempre o interesse comum da pátria. Ainda por outras palavras: a condição menos necessária para a força de uma nação é o ideal político.

Como se vê, e quem quiser estar de boa-fé assim o há-de admitir, aquilo que uns agora conveniente e cirurgicamente apontam ao PS versão Sócrates é mal endémico que sempre atravessou a nossa História desde os tempos da Monarquia Constitucional; lá está, fosse a História ciência valorizada e não tivessem as pessoas (especialmente as que insistem que são gente informada e analistas de primeira apanha) a sábia capacidade de não tomar a nuvem por Juno, e estaríamos sim a discutir o porquê desta sistemática ausência de espíritos maiores, de uma visão clara e cristalina de estadista?

E quando falo em visão clara e cristalina de estadista menciono a coragem de ter um sonho, de o alimentar e de, a partir do mesmo, falar com verdade ao povo.
As massas anseiam por um líder que as galvanize, mas também por um que lhes saiba soprar as verdades!

Um dos piores sintomas de desorganização social, que num povo livre se pode manifestar, é a indiferença da parte dos governados para o que diz respeito aos homens e às cousas do governo, porque, num povo livre, esses homens e essas cousas são os símbolos da actividade, das energias, da vida social, são os depositários da vontade e da soberania nacional.

É verdade, mas qual a fórmula para que os governados se comecem a interessar pelas coisas da governação?
E onde encontrarão eles a força e a organização necessárias?

Tenho defendido a teoria da refundação do arco constitucional, mas em vendo o triste exemplo que o MSE (uma novel agremiação política que ainda não se sabe ao que vem) dá quando apresenta como cabeça de lista às eleições ao Parlamento Europeu a cidadã Laurinda Alves que, na bravata de apresentação, teve necessidade de dizer que era melhor que os outros porque tinha participação cívica (mas isso também eu a tive no referendo pela regionalização com movimento instituído e tudo) e mais um conjunto de lugares comuns que, na sua óptica de mente esclarecida (e eis o busílis da questão), a tornam superior aos outros.

Este um dos motivos do afastamento dos cidadãos das coisas da governação; há sempre alguém que, nas horas da verdade, assevera que os seus méritos e os seus compadrios são maiores e melhores que os dos restantes.

Aliás, mesmo pela blogosfera, se vê isto quando alguns insistem em catalogar uns blogues como de referência, como maiores, como de não sei o quê só porque os seus autores são tipos sobejamente conhecidos e mesmo que insistam em teses e ideias que qualquer um de nós, os humildes de segunda linha, conseguimos alimentar com mais lógica!

Outros, digo-o eu, são as roldanas trucidadoras em que as máquinas dos aparelhos partidários e tudo o que seja seu apêndice se transformaram.

O que calcula que seja o futuro da raça portuguesa? Esse futuro é sermos tudo. Quem, que seja português, pode viver a estreiteza de uma só personalidade, de uma só nação, de uma só fé? Que português verdadeiro pode, por exemplo, viver a estreiteza estéril do catolicismo, quando fora dele há que viver todos os protestantismos, todos os credos orientais, todos os paganismos mortos e vivos, fundindo-os portuguesmente no Paganismo Superior? Não queiramos que fora de nós fique um único deus! Absorvamos os deuses todos! Conquistamos já o Mar: resta que conquistemos o Céu, ficando a terra para os Outros, os eternamente Outros, os Outros de nascença, os europeus que não são europeus porque não são portugueses. Ser tudo, de todas as maneiras, porque a verdade não pode estar em faltar ainda alguma cousa! Criemos assim o Paganismo Superior, o Politeísmo Supremo! Na eterna mentira de todos os deuses, só os deuses todos são verdade.

É possível que o caminho seja esse, o da refundação de todos os valores.
Que sejamos capazes de absorver o que de melhor existe em cada canto do Mundo onde um dia já houve nome de Portugal.

Diz-se geralmente que, em Portugal, o público tem ideia de que o Governo deve fazer tudo, pensar em tudo, iniciar tudo: tira-se daqui a conclusão que somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados, indignos de uma larga liberdade, e inaptos para a independência. A nossa pobreza relativa é atribuída a este hábito político e social de depender para tudo do Governo, e de volver constantemente as mãos e os olhos para ele como para uma Providência sempre presente.

Verdade, embora o próprio Estado tenha durante largos e largos anos fomentado esta ideia.
Mais uma vez, basta conhecer a História.
Um dos tiques próprios dos nossos governantes e dos seus aliados pontuais foi um certo culto da pobreza honrada que, ocasionalmente, era brindada com umas migalhas.
Depois, a gesta das Descobertas, por exemplo, assim como a do ciclo do ouro do Brasil insuflaram num País e na Nação a ideia errada que a riqueza assim obtida era inesgotável, uma torrente que nos libertava do opróbrio do trabalho!

E é por isso que continuo a insistir que este País já lá não vai, pois permitiu que se lhe fechassem ou ele próprio, através da Nação, fechou várias janelas de oportunidade!

pedro oliveira disse...

Por isso é que é preciso mostrar que também somos outro país, é imperioso não nos calarmos, não acomodarmos e ir à luta, há bons exemplos disso no nosso país.

Po
vilaforte

indomável disse...

Adoro chegar ao computador pela manhã e constatar que já causei um bom remexido...
Dizia aqui há uns anos a uma mãe que queria `a força que eu desse explicações à filha (em jeito de ATL, não sei se percebem), que o que eu gosto mesmo de fazer é moldar as mentalidades, ou melhor, mudá-las, fazê-las acordar, desabrochar e para isso, nada melhor que começar logo pelos fetos...
Não sei se foi a minha mentalidade extra-terrestre, se foi o arco-íris do meu cabelo, mas aquela mãe não voltou a procurar-me. pensando bem para trás, ela já me tinha avisado que a filha tinha ideias muito próprias, não queria que ela ficasse ainda mais autónoma e com ideias que ela não compreendesse, porque, dizia ela, a tornaria praticamente impossível de... dominar...

Voltando então ao tema que me traz aqui:
O que fiz nesta posta não foi mais que fazer copy paste de vários textos de intervenção de alguns dos mais considerados autores da nossa praça - Antero de Quental, Eça de Queirós, Almada Negreiros, Fernando Pessoa e seu heterónimo Álvaro de Campos.
Confesso que o meu preferido sempre foi o Pessoa, mas em termos de introspecção pátria, ninguém melhor que Antero ou Almada, são aqueles que espelham de forma mais cristalina todas as minhas sensibilidades nos que á pátria diz respeito.
Mas a verdadeira razão para ter feito esta colagem, foi a de mostrar que o discurso está esgotado, as queixas estão exauridas, terminou o tempo do falar e não fazer mais nada!
Temos séculos e séculos de história e o que ela nos ensina, pelo menos aos que por ela se interessam, é que ciclicamente temos as mesmas questões na ordem do dia, somos muito honestamente, a proverbial pescadinha de rabo na boca...

Pessoa deixou-nos inúmeras mensagens de como por sermos portugueses somos universais. Ele proclamava que somos povo de todas as crenças, de todas as línguas de todas as nações. Mas atenção, não se equivoquem aqueles que se manifestaram contra a sua concepção da fé estreita. Não interpretem mal as suas e as minhas palavras. A estreiteza da fé a que ele se refere, é a estreiteza a que nós próprios nos submetemos, quando achamos que só a nossa fé importa, só ela deve prevalecer. Pessoa apelou aos portugueses que sejam finalmente tudo de todas as maneiras. Nada de nos deslumbrarmos com o que vem de fora, nada de acharmos que somos menos porque falamos português.
Precisamente o contrário, dizia ele, porque nós somos europeus por sermos portugueses, os outros, os que não são portugueses, não são europeus pela mesma razão.
Para que não fiquem confusos dir-vos-ei apenas isto - Pessoa faz parte de uma enciclopédia UNIVERSAL da literatura, faz parte dos 100 maiores escritores do Mundo, é alvo de teses em Oxford, Cambridge e Berkeley, só três das mais conceituadas Universidades do mundo...
Então, pergunto eu, porque razão este homem que em vida apenas publicou poemas em inglês, tendo vendido tantas cópias como outros poetas ingleses, porquê, pergunto eu, terá ele dito a quem o quisesse ouvir - "A minha pátria, é a lingua portuguesa"?

joshua disse...

É preciso que a crise vá mais fundo e incomode os cidadãos, que as imoralidades Vara, Constâncio e tutti quanti se nos afigurem ainda mais escandalosas para que o individualismo das pessoas se estilhace e um dia a rua cante de escândalo e de mudança numa concordância por saturação.

Acredito que a Rua ainda vai cantar Mudança. O nosso País só irá lá com uma Rua cheia de unidade e de vontade.

indomável disse...

Mais que isso Josh-Dali-rex,

acredito sinceramente que é preciso mudar as mentalidades, que o povo comece finalmente a acreditar que ser português é fazer-se parte de um fado, mas não do fado cantado com lágrimas. O nosso fado é o destino de sermos grandes. Temos potencial, só não temos auto-confiança. Se perguntares a alguém - como estás?, a resposta que terás será - mais ou menos. quando respondo, Estou óptima, muito bem, muito obrigada, sou olhada de soslaio e murmurios se acumulam nas minhas costas - esta pensa que é mais que os outros!

A nossa mentalidade, a mentalidade da rua, Josh amigo, tem de mudar. Temos de olhar para nós e descobrir que somos capazes.

Este processo de aprendizagem tem sido adquirido por mim ao longo dos anos, pela leitura da história, pelo entranhar da história.
Aqui há uns anos li um texto numa revista Time sobre a nossa Clara Pinto Correia. Estava a senhora a dar uma palestra numa Universidade Norte-americana sobre algo que teria a ver com a genética e o público era todo composto por geneticistas, cientistas afins e interessados curiosos. No fim, a senhora terá sido aplaudida de pé. Na hora dos cumprimentos pessoais, alguém se terá aproximado dela dizendo-lhe que ela tinha sido genial. Ela respondeu-lhe então assim: Sou portuguesa, meu amigo, é claro que sou genial. Somos todos!

Ferreira-Pinto disse...

Infelizmente, INDOMÁVEL, a tal genialidade que mencionas e aportas a partir da Clara Pinto Correia, dá para os dois lados com os portugueses!

Adoa disse...

lololoolol
É curioso porque penso nisto tudo constantemente.

Nós estamos habituados a que nos digam o que fazer e o que fazer, parecemos uns eternos adolescentes.
Nao acreditamos em nós e precisamos que nos digam que temos valor.

Sabemos o que fazer "na casa dos outros mas na nossa"... Temos a necessidade que nos indiquem tudo.

E estamos dependentes disso.

A iniciativa tem de partir sempre dos outros, assim conseguimos avancar mas com uma pedrita no caminho, estremecemos e lá voltamos a precisar dos "outros"...

Nem sei se vivemos as glórias do passado, acho que até disso temos vergonha. Fomos descobridores e intelectuais(muitos) falam disso com vergonha dizendo que nem devíamos falar do passado.

Pois se nao aceitamos tudo o que fizemos, como vamos ser nós mesmos no futuro?

Há muita falta de aceitacao do ser Portugues.

Até os filhos dos emigrantes tem vergonha de terem pais portugueses, porque?

Temos de um dia nos aceitarmos. Chega de falar mal do que se fez, todos os paízes tem coisas menos boas no seu passado, temos por exemplo a Alemanha com a 2 Guerra Mundial, a Itália também com a guerra, O Japao; a Inglaterra com o que fez na India; os EUA com o Golfo, o Vietnam, o Iraque... (entao os americanos nem tem conta o que fizeram e nao teem uma históriatao grande nem grandiosa como a nossa...); AChina que tem tanto de bom como de terrivelmente mau... Será preciso mais argumentos?

Nós seremos sempre adolescentes até que comecemos a responder por nós próprios e deixemos de pedir desculpa pelo passado.

Zé Povinho disse...

Já aqui foi abordada a importância do conhecimento da História, não só a nossa mas a mundial, que é uma das maiores falhas do nosso ensino. Quanto aos políticos que temos, não gosto deles, nem do modo como os seus partidos sufocam qualquer tipo de participação cívica.
Os portugueses não são nem melhores nem piores que os outros povos, mas são por natureza, desorganizados, amigos do improviso e adversos a preparar o seu futuro, criando bases sociais sólidas. Preferem ser conduzidos, não assumir responsabilidades, para ficarem livres para a crítica fácil. Tudo pode mudar se quisermos, mas demorará o seu tempo, exigirá disciplina e o esforço de todos.
Afinal depois dos romanos por cá andarem, conseguimos ser uma grande nação, ou não foi bem assim?
Abraço do Zé

O Guardião disse...

Eu ía comentar este conjunto de textos, mas acabei de ouvir a resposta pelo Mário Branco em http://tavernadovesgo.blogspot.com/2008/12/hoje-no-me-apetece-falar-antes-ouvir.html
Vale a pena ouvir, porque é uma variação do tema, mas proclamada há alguns anos.
Cumps

Peter disse...

Os americanos, muitos americanos, têm nas suas vivendas um mastro onde todos os dias içam a bandeira do seu país. Mas não se pode falar dos americanos porque ficamos mal-vistos.
Antes do 25 de Abril as escolas Primárias tinham nas aulas a bandeira portuguesa, um crucifixo e o retrato do PR. Mas não se pode falar nisto porque nos acusam de fascistas.
Ser patriota é ficar mal-visto porque somos "cidadãos do mundo" e o patriotismo é um requíscio do passado.
Deixámos de ser portugueses para ser europeus.
Perpassa na sociedade portuguesa um sentimento de esquerda sem que o mesmo tenha concretização prática nos partidos existentes.
Um PCP anquilosado, com um dirigente estalinista que nos continua a falar em linguagem do século XIX com designações como a de "proletariado" que não tem hoje qualquer existência real.
Dois partidos políticos PSD e PS que se equivalem na procura dum enriquecimento rápido e fácil, muito chamuscados pela explosão do BPN que queimou muita gente.
Um BE onde a intelectualidade se revê, mas destituído de doutrina e sem se perceber bem aquilo que quer.
Orgãos de soberania como a AR onde os deputados se estiraçam pelas cadeiras lendo o jornal e comparecendo 3,5 dias por semana.
Outro orgão de soberania, os tribunais, lentos, com toda uma série de de disposições legais que permitem aos mais ricos ir protelando o seu julgamento "ad infinitum" .....

Onde mora a esperança?

"Naquela casa da esquina mora a Senhora do Monte e a Providência Divina mora ali quase de fronte".

joshua disse...

Peter, a liturgia linguística do Jerónimo é cheia de conceitos desajustados e anacrónicos, mas há algo no seu discurso que demonstra o desprendimento do dinheiro rápido e fácil por que se pautam muitos dos políticos reles do PS(D), que se acotovelam e se esfaqueiam por lugares para si e para os seus legislatura após legislatura.

Nunca fui comunista e, com Sá Carneiro caluniado, fui uma criança convictamente anti-comunista, lendo todas as revistas do Reader's Digest que melhor me doutrinaram do espírito americano ao longo das décadas de setenta e de oitenta: hoje vejo que a ideologia que falta no BE e nos demais partidos não foi substituída pelo conceito de serviço e de bem comum, de uma verdade dita e transparecida em quem governa, mas deu lugar a um vazio ético que se faz desabridamente de servir-se e de tomar incomuns e particularíssimos os bens comuns.

Em suma, há toda uma realidade, que não em matéria de Futuro do melhor da Têmpera Portuguesa, mas em matéria de direccionamento do voto, em que é necessário que o esbulho que foi praticado por uma economia orientada exclusivamente para e por quem pode seja corrigido pela uma economia orientada, criativa e comunitariamente, para e por quem precisa.

Não acredito que pagar mal a toda a gente beneficie os detentores do investimento nacional: eles agora até nem vão ter quem lhes compre o que quer que seja. E porquê? Para amarrar a maioria das pessoas a uma miséria conformada e uma minoria a benesses e até ao estrago do seu dinheiro em investimentos de lixo bolsista sem futuro e com muito passado a ferro de nulo.

Em Portugal brincou-se a nivelar por baixo. Não vejo outro partido que me mereça crer no desprendimento e no sentido de Povo, de melhoria das condições de vida e de bem estar de um povo.

Desejo acreditar nisto num momento em que os políticos me envergonham e ainda agora o Nobre Guedes veio chorar no Dia D elogiando o político Sócrates e o que tem feito pela economia: outro Dias Loureiro no elogio enfático e hiperbólico que escamoteia os malefícios de toda a ordem que têm sido perpetrados, os erros e as incompetências nos dossiês. Dar de comer à Martifer e à MotaEngil é muito curto para se ser um bom gestor da coisa económica nacional.

Pelo contrário. Muito pelo contrário. Controlo, aperto do gasganete jornalístico se se visse visado por mettier a) ou b) disso, sim, percebe ele. Já nos é impossível ler elogios em Rangel, em Nobre Guedes, em Dias Loureiro, em Pitta, em tantos outros de este PM sem imaginar que lógica de interesses percorre simplismos de esse tipo.

Abraço
joshua