Por uma Educação (possivelmente) melhor!

A montanha na 5 de Outubro pariu mais uma ratazana!
Uns cospem para o ar e outros atiram calhaus. E assim vamos.
António Barreto, no seu magnífico TRÊS PODERES, afirma que, no actual quadro da Educação, se digladiam “duas teimosias, dois fanatismos”.
O Governo que quer centralizar, e os professores que não querem ser esbulhados do poder que lhes deram.

Porque o NOTAS é um projecto de debates e porque quando se critica devemos ter algo para oferecer em troca, deixo aqui algumas ideias. Para discussão, se possível sem sanhas!
Onde o Governo quer centralizar, descentralizava.
Não entregava nada de novo às autarquias, sob pena de ter de negociar um novo envelope financeiro que, quase de certeza, iria alimentar vaidades e apenas subsidiariamente escolas.
Não. Fosse eu a mandar e fazia com as escolas públicas o que já sucede, por exemplo, com as escolas profissionais.
Candidaturas apresentadas, analisadas e dotação orçamental assegurada em face do que foi aprovado.
A partir daí, limitava o papel do Ministério a gizar programas, manuais, reduzindo o número quase pornográfico de compêndios, materiais pedagógicos alternativos, pensar infra-estruturas, elaborar exames nacionais (de preferência sem erros) e pouco mais.

Aos professores garantia-lhes os direitos adquiridos em matéria de protecção social e do Estatuto nos demais direitos e deveres, mas no resto sujeitava-os às regras do mercado.
Admitia fixar limites mínimos e máximos para remunerações, permitindo que a escola pudesse jogar com os mesmos.
Ou seja, a contratação dos docentes seria efectuada pelas escolas de acordo com regras públicas de contratação.
Acabava com a admissibilidade de qualquer tipo de acumulação entre funções públicas e privadas, fosse no ensino, na formação ou em qualquer outra coisa.

À escola entregava aqueles poderes e dava-lhe autonomia quase absoluta, responsabilizando claramente os membros dos seus órgãos colegiais pelo êxito das suas políticas.
Aliás, a lei da responsabilidade civil do Estado podia ser adaptada a esta nova realidade.
Permitiria que a escola fosse escolhida pelos pais e pelos alunos, e onde tal não fosse possível encontraria mecanismos de apoio que procurassem dar aos estudantes uma teórica igualdade de oportunidades.
Admitira ainda que não é vergonha nenhuma que as crianças com necessidades educativas especiais podem não se compadecer com a massificação da escola inclusiva, esse monstro.
Não descuraria também os apoios nesse domínio

Separava claramente a vocação das escolas.
Às públicas os 2º e 3º ciclos, assim como o Secundário; às Profissionais os cursos profissionalizantes, os EFA e os CNO. Isto porque se o modelo funciona bem assim, não há que mudar como agora sucedeu.

20 comentarios:

indomável disse...

Quint,
parece que a mim cabe a honra de desvirgindar este cantinho dos comentários. Pois então, assim seja, preparo-me para introduzir a minha achega à tua já tão acesa fogueira.

No que à escola pública diz respeito, já muito tenho debitado e acho que já sobeja de razões a minha queixa, mas vou acompanhar-te nesta nova perspectiva de dar soluções aos problemas a que todos gostamos de apontar o dedo.

Para mim, desde sempre foi bastante claro que as escolas, cada uma delas, deveria ter um projecto próprio, um plano de negócios por assim dizer, onde estivesse claramente explicito qual o objectivo lectivo de escola, professores e alunos, assim como os direitos e os deveres do universo escolar.
a acrescentar a isto, se eu mandasse alguma coisa, a contratação dos professores seria feita directamente pela escola, com direito a entrevista e gerindo-se por regras públicas que garantissem igualdade de oportunidades para todos os candidatos, mas em que fossem contratados aqueles que mais se adequassem à escola, à realidade escolar e aos objectivos daquele espaço em particular.
Isto não só possibilitaria a que os professores tivessem de se esmerar para ser aceites nas escolas onde quisessem de facto trabalhar, como facilitaria igualmente a sua responsabilização e a dos conselhos executivos, para além de que responsabilizaria igualmente pais e alunos, que teriam de aceitar e respeitar as regras da escola, para as quais contribuiriam também.
Se vivessemos num mundo perfeito, os pais todos participariam na vida académica dos filhos e todos se interessariam por saber que tipo de trabalho os filhos estariam a fazer com professores e restante pessoal escolar.
Num mundo perfeito, todos os alunos quereriam estudar e aprender mais...
Mas como não vivemos num mundo perfeito...

Uma coisa te posso garantir, numa escola em que os professores são escolhidos a dedo e em que os próprios sentem que foram escolhidos a dedo, há satisfação de todos os lados, há motivação e garantia de excelência. Em todos os quadrantes a escola faz parte de um futuro melhor.

Poderão chamar-me demagógica, poderão dizer que são sonhos e que nunca sairão do papel... mas o facto é que o modelo tal como está não funciona!
Que tal experimentar coisas que já se sabe que funcionam no privado? Que tal, já que o português gosta tanto de copiar o dos outros, copiar coisas que façam sentido na nossa realidade?

Carol disse...

Tal como tu, acredito que o ensino em Portugal precisa de levar uma grande volta!
Na minha opinião, as escolas deviam ser geridas como empresas, isto é, deviam ter um plano estratégico com objectivos e motivações bem definidos. A contratação de professores poderia ser entregue às escolas, mas os critérios de selecção deveriam ser do conhecimento público e o processo deveria obedecer a várias etapas, incluindo avaliações psicológicas e uma entrevista com júri.
Haverá, certamente, quem ache que isto não é exequível mas eu penso que, se houvesse vontade, poderia acontecer.
No mais, totalmente de acordo contigo.

korrosiva disse...

As escolas deviam de ter o seu orçamento e saber gerir o mesmo.
Dependia deles motivar quem lá estuda assim como os encarregados de educação, a querer mais e melhor e a fazer com que isso aconteça.

Os professores devem ser vistos e analisados como funcionários de uma empresa qualquer.
É bom? Segue em frente!
Não presta? RUA!!

É um tema demasiado complexo para se resumir a algumas palavras.

Ferreira-Pinto disse...

INDOMÁVEL nem sabes o quanto me honrou que te tivesse tocado a ti abrir caminho nesta modesta caixa de comentários.

Confesso que a esta hora esperava já ter aqui alguns profissionais da má-língua que vociferam, vociferam, vilipendiam, vilipendiam mas não passam disso; afinal, comprova-se, custa mais quando temos de nos chegar à frente e dar um contributo!
Enfim …

Presumo que quando explanas sobre o aludido “plano de negócios” te refiras aos objectivos e conteúdos curriculares e programáticos.

Se assim é, estou de acordo. Eu, aliás, penso que num conjunto de disciplinas que consideraria nucleares (aponto, desde já, a Língua Portuguesa, o Inglês, o Espanhol, a História, a Filosofia e a Matemática – embora estas duas com as adaptações devidas não só àquilo que é o nosso mundo como muito possivelmente com a própria forma como são ministradas), deixaria depois à Escola e aos alunos a oferta e a escolha de um outro leque de disciplinas.

Dir-me-ão já os mais apressados que já assim sucede; e eu digo que é mentira. Mesmo nas poucas opcionais que os estudantes têm teoricamente à sua escolha, a própria escola, se puder, condiciona. Dou, como exemplo, o caso do Espanhol. Na escola das minhas filhas é tudo sibilinamente canalizado para o Francês. Nada que uma campanha de relações públicas não tivesse conseguido sabotar, mas este é o primeiro ano em que lá existe uma turma no 10º ano a ter Espanhol!

Obviamente que estou de acordo contigo quando dizes que os professores seriam contratados directamente pela escola; aliás, também eu afloro essa questão tendo colocado o enfoque nas regras da contratação pública.

E não digam que com um sistema assim vigorava o compadrio, pois tal só seria possível se o envelope financeiro não estivesse directamente relacionado com o número de alunos e cursos; ou seja, a escola teria todo o interesse em tentar contratar aqueles que fossem, de facto, mesmo bons!

Espantosamente, e porque tu afloraste o caso do Ensino Privado, eu posso aduzir o do Ensino Profissional cuja realidade conheço bem. Não entendo porque é que o Ministério da Educação não só se está a entreter a desmantelar e estrangular este, como não aproveita o que de bom aquele modelo tem!

Nomeadamente a questão da autonomia das escolas em matéria de contratação de docentes, por exemplo, de escolha dos cursos que vão candidatar e de controlo dos dinheiros públicos que lhes são entregues.

Ferreira-Pinto disse...

CAROL a grande questão é porque é que ninguém parece querer apostar nisso?

Ao mínimo sinal de autonomia lá surgem as carpideiras ministeriais e sindicais a rasgarem as vestes!

Ferreira-Pinto disse...

KORROSIVA é complexo quando depois se quiser fazer oe edifício todo, as especialidades se quiseres.

Mas, como vês, tu própria em poucas palavras conseguiste apontar várias pedras angulares dum modelo alternativo.

E como já disse, entre estar sempre a bater ou criticar e apresentar ideias penso que ambos optamos pela segunda via.

António de Almeida disse...

No essencial estamos de acordo, atribuiria algum poder (limitado) ás autarquias, nomeadamente para fazer parte do conselho de gestão de cada escola, influenciando a nomeação do director. Numa visão mais ampla, faria depender parte (não poderia ser muito significativa) do financiamento de cada estabelecimento de ensino dos resultados obtidos (os rendimentos dos gestores também deveriam encontrar aí uma variável). Tudo isto com exames nacionais no final de cada ciclo, para aferir a evolução de cada unidade. No resto o amigo já disse tudo, cada escola escolher o seu corpo docente é a mais eficaz das avaliações.

joshua disse...

Sim, tudo isso e o que mais quiseres de razoável e com sentido será possível, mas só depois de ceifar, energrecer, vlipendiar, insignificar de má-língua de Estado, desprestigiar, amesquinhar, humilhar, desvalorizar, desgastar de burocracia, generalizar a mediocridade e a falta de mérito, quotizar como quem castra e inutiliza o mérito, dos professores.

Belo trabalho esse a que em surdina e subrepticiamente te associas e se reduzes o protesto de muitos a mero vilipendiar e a mera má-língua, devias sofrer as consequências na carne de esse teorizar e tecnocratizar uma profissão que exige a excelência da generosidade antes de exigir qualquer outra forma de excelência.

És, afinal, um político, Tarantino, com todos os vícios de todos dos políticos semi-incredíveis da praça: provocatório e ostensor de esterilidades agressivas de mau perder e de pior ganhar ainda. Não querias sanhas, mas comentaste com sanha alusiva aos se te opõem nesse teu aplauso implícito e mal-disfarçado à ME na resposta à Indómita. Era para me fazeres sair da minha toca de objector de consciência à Global Socratura? Aqui me tens: cansado de te aturar essa camada de lâmpadas que a ti te parecem acesas de ideias e a mim me parecem fundidas de mero autodeslumbramento.

És mais um reformista dentre a montanha de reformistas perpétuos que não saem do sítio e contribuem para a babel actual porque acham poder reformar e dar a volta ao sistema sem o concurso da razão e do convencimento íntimo dos agentes no terreno de boa fé, experimentados de anos e de reflexão as quais, já por cá o disseste escandalosamente, bem se podem arrojar ao monturo dos lixos.

Concluo por isso mesmo que tu, na verdade, não queres debate. Queres colo e aclamação. Então fica aí com a tua república de aclamadores e com a tua coutada de colos grátis.

Era necessário antes de mais não estigmatizar uma classe nem ser tão insensível diante dela, dado os seus contextos de pesadelo, para me teres como crente na utilidade de um debate com vossa reverendíssima repastante e jantante e ceante Tarantina. Como te transformaste em mais um sobrinho de Maquiavel versão PS, como possp eu continuar a brincar contigo?!

Carol disse...

Influências da tragédia grega talvez... Para a qual já não tenho a mínima pachorra!

Sabes que quando se começa a mexer no interesse individual, as coisas mudam de figura... Faz-me lembrar aquela personagem que dizia "Estão mexendo no meu bolso!".

Ontem lia no blog do Carlos um post sobre a possibilidade de trocar Lula por Sócrates. Jotabê, por seu turno, dizia que devíamos era trocar o povo e explica claramente porquê. Eu estou com ele.

Somos um povo cheio de pena de nós próprios, os coitadinhos da Europa e do Mundo, da nossa rua e do nosso bairro. Estamos sempre à espera de um subsídio ou de um apoio, mas nada o fazemos para evitar ter que ficar à mercê dessas ajudas. Gostamos de nos lamentar, criticar o vizinho do lado e a senhora na rua que não conhecemos de lado nenhum, mas que sorri e, por isso, não pode ser boa bisca. Queremos que as fiscalizações sejam eficazes, mas se nos tocam à porta são uns chulos e uns gatunos. Não queremos evasão fiscal, mas evitamos sempre passar a factura e nunca a pedimos onde quer que vamos, excepto quando dá jeito para o IRS.

Triste povo o nosso...

Peter disse...

Uma série de sugestões válidas que me leva a pensar se não farias mais e melhor que a Lurdinhas.

Do texto destaco o papel que deveria caber ao Ministério da Educação. A ministra deve planear e gizar "à la longue" toda a política de ensino e não andar por aí de "cassetete" na mão a fiscalizar escolas e professores.
O bom chefe não é o que trabalha, mas sim o que põe os outros a trabalhar.
Estou cheio de políticos medíocres, que executam políticas medíocres e já arregimentei o meu clã familiar a não votar PS.

Ferreira-Pinto disse...

JOSHUA tem paciência, meu caro. Tem paciência.

E vê se encolhes o ego que andas com ele muito inchado.
Nem tudo no mundo roda e gira em torno das tuas geniais e estéreis diatribes, nem tenho de estar constantemente a aturar as tuas paranóias.

Tenho ideias? Não são iguais às tuas?
Azar o teu ... olha, arranja uma vida!
Pode ser que te deixes de entusiasmar nessa tua cruzada maniqueísta de que estás dos lados dos bons que, aliás, nem te querem junto deles!

DANTE disse...

O ensino que temos hoje não é o que o Ps dele fez , e a maioria das pessoas tende a esquecer-se disso.
Mas no meio de tanto tiro ao alvo (e tudo o que li no post é na mouche)em volta deste assunto , há tendencia para esquecer os danos colaterais que são os alunos juntamente com a sua aprendizagem.
È que ninguém se deu conta que desses...não se fala.


Um abraço

Tiago R Cardoso disse...

Já agora até gostava de saber, as escolas deveriam ser geridas como empresas?

Se fossem geridas como empresas, os professores seriam funcionários, certo?

Como seriam avaliados?

De resto até concordo nessa das teimosias, onde um governo fica ali na sua e todos os professores se uniram em torna da sua classe.

Compadre Alentejano disse...

Um governo com uma ministra que mal sabe ler e escrever, não pode gerir as escolas públicas como mercearias...
Deixem os profissionais trabalhar!

Carol disse...

Se calhar, Tiago, pela entrega, pelo tipo de relacionamento estabelecido com a comunidade escolar e, sim, pelos resultados obtidos porque, quer se queira quer não, um aluno motivado consegue sempre melhores resultados. E, se o professor se entrega, se cria materiais estimulantes e criativos, se procura estratégias alternativas, os resultados são seguramentre melhores.

Em determinada altura da minha vida encontrei uma turma que detestava Os Lusíadas, que não percebia qual a utilidade de ler e perceber aquela obra. Como tal, optei por recorrer a uma estratégia alternativa e recorri a uma versão em banda desenhada que a turma simplesmente adorou.
É ao professor que cabe a procura de pontes, o estabelecer de ligações e muitos não são capazes de o fazer ou, simplesmente, não estão para aí virados.

Tony Madureira disse...

Olá,

Da maneira que está o ensino, existe uma entidade que é prejudicada, ou seja: Os alunos.

enfim....


Bjs

JOY disse...

Concordo com a maioria das ideias que aqui deixas e que me parecem razoáveis e de aplicação não muito complicada. Tenho tido alguma dificuldade de compreender a aura de dificuldadede e particularidade que se tenta dar á actividade Docência , que tem quanto a mim a importância que têm outras actividades profissionais, algumas delas também de enorme especificidade e ainda assim sujeitas a avaliação, também elas sujeitas ás leis de mercado. Relativamente á avaliação se é demasiado burocrática, procure-se outro modelo de mais fácil aplicação, mas se o melhor que os sindicatos tem para sugerir é a auto-avaliação, estamos conversados. Por outro lado o governo tem de ter bom senso, e abandonar a sua atitude fundamentalista de que tem toda a razão do mundo relativamente a este assunto e dar provas reais e concretas de que está disposto a resolver esta questão a contento das duas partes.

JOY

Daniela Major disse...

O problema destas ideias por muito boas que sejam, é que são muito díficeis de ser postas em práctica. Aliás, o ME nunca iria aceitar nem o governo seja ele qual for, porque a descentralização seja do que quer que seja, é um retiro de poderes ao Governo. E seja do PS, do PSD, do CDS, do BE ou do PNR, ninguém iria aceitar isto.

Sinceramente, tenho algumas reservas em atribuir á escola autonomia quase absoluta, mas por outro lado também acho que as escolas não devem ser apenas "paus mandados" dos ministérios.

Uma coisa que não percebi na tua teoria, foi a contratação dos professores: Achas que os profs devem ser contratados como são nas empresas?

Ferreira-Pinto disse...

DANIELA MAJOR num cenário de autonomia absoluta os professores seriam contratados como nas empresas.

No entanto, num que fosse mitigado penso que se poderia encontrar uma forma de, através de concursos regionais, os ir afectando.

De qualquer forma, não vejo qual seria o mal de a Escola A, em plataforma digital acessível a todos os docentes, anunciasse que queria contratar um docente para a disciplina de X; depois, apresentadas as candidaturas, seria efectuada uma selecção.

Adoa disse...

Olá F-P!
Tens um desafio à tua espera no meu cantinho!
beijos