Para inglês ver...

A semana do Natal ficou marcada por mais um episódio de violência na escola. Não uma violência física, mas uma violência não menos importante - a violência psicológica.

Um grupo de alunos, de uma escola no Porto, apontou uma pistola de plástico à sua professora de Psicologia. Pelos vistos, a professora apercebeu-se quase de imediato de que a arma não era verdadeira e não se mostrou muito aflita com a situação, mesmo quando um deles adoptou a postura de um boxeur. O objectivo deles, ao que parece, era a de garantir nota positiva para um dos alunos em questão.
Após o términus da aula, a professora contou o episódio à presidente do Conselho Executivo que teve uma conversa com o grupo. Eles pediram desculpa à visada e ela desculpou. Assunto arrumado. Até que surgiu um vídeo do episódio a circular na internet. Aí caiu o Carmo e a Trindade!

A escola reuniu com os alunos, com a professora, com os pais e, pelas televisões, surgiu um coro de vozes que unanimamente desculpabilizava a atitude do grupo, referindo que são todos bons rapazes e que, pasme-se, até têm boas notas!

Tudo isto me fez recordar o que se passava no meu tempo de estudante liceal... Frequentei uma Escola Secundária que, durante muitos anos, foi considerada das mais exigentes e severas do distrito de Aveiro.
A minha turma do Secundário foi, desde sempre, a que melhor aproveitamento apresentava mas tinha um senão: era a pior no que dizia respeito ao comportamento! E porquê: porque nós, raparigas, jogávamos à sueca na sala de aula e conversávamos sem parar, enquanto os rapazes se entretinham a ver a Playboy ou a discutir os lances polémicos dos jogos de futebol...
Estas atitudes valeram-nos inúmeros castigos, que incluiram a limpeza de salas de aula e casas de banho, a arrumação da biblioteca da escola e várias conversas da Directora de Turma com os respectivos encarregados de educação e nossas com o presidente do Conselho Directivo (um senhor muito pouco agradável, diga-se de passagem).

Hoje o que é que vejo por aí?
Alunos a ameaçar e, por vezes, a agredir professores verbal e fisicamente, alunos a agredirem-se com facas, pais a agredirem docentes e pessoal auxiliar, etc, etc.
E o que é que lhes acontece?
Bem, nada! A não ser que haja um colega mais néscio que decida tornar pública a coisa e coloque as provas do crime a circular na internet... Aí, sim, lá poderão esperar um castigo que, muitas vezes, não passa de uns dias de serviço comunitário ou da obrigação de mudar de escola! (Uma situação verdadeiramente penalizante para o aluno, que terá de prevaricar noutra escola e com colegas novos...).

A sociedade portuguesa queixa-se da Justiça, de como esta é lenta e ineficaz mas ela própria possibilita que isso aconteça. Senão, vejamos, não é função da sociedade, que naturalmente inclui os pais, de incutir o respeito pela autoridade, de valorizar atitudes e valores positivos e penalizar comportamentos errados?

Então, quando um grupo de estudantes do 11º ano, pretende garantir uma nota com recurso à ameaça, ainda que com uma pistola de plástico e surge um coro que os desculpabiliza e classifica o episódio como uma brincadeira de mau-gosto, qual é a mensagem que se está a passar?!

Sinceramente, não estava à espera que os prendessem mas, no mínimo, esperava que alguém tivesse condenado veementemente o comportamento destes alunos e tivesse tomado uma atitude, de preferência antes do caso chegar à Comunicação Social...

13 comentarios:

korrosiva disse...

Tenho pena dos professores que aturam miúdos que deveriam de ter educação em casa e não lhes podem dar um puxão de orelhas, porque hoje em dia tudo traumatiza as criancinhas.

Devemos de ser um País de traumatizados, porque não à muito tempo existia respeito pelos professores fosse de que maneira fosse!!

DANTE disse...

Não concordo com violência mas , uns tabefes bem dados em casos pontuais nunca causaram traumas a nenhuma criança.

Jokas Carol :)

Ferreira-Pinto disse...

Não me debruçarei sobre a coisa na perspectiva do devido tratamento a dispensar aos "cavalheiros", embora apenas quisesse recordar à KORROSIVA que estes andam na escola do Cerco que costuma receber alunos provenientes de famílias onde o mais provável é a mãe chamar pelos rebentos com um sonoro "anda cá, meu filho da puta"!

Serve isto para dizer que neste caso, assim como noutros, e que por aqui temos abordado, a falta de valores e respeito germinou e frutifica em casa!

Mas adiante ...
Eu que tomei uma decisão no que concerne à forma de estar nestes meios, e brevemente começar-se-á a ver qual é, também me pergunto se a professora é simplesmente "cagarola" ou se aquela é a maneira de ser dela? E do sistema?
Sim, que ou me falha a memória, ou a senhora até asseverou que os moços são todos bons rapazes, que foi uma brincadeira e mais não sei quê!
Se algum a apalpasse também era a brincar?
È melhor não querer saber, que ainda descubro que ela ia dizer que era a sério!

Carol disse...

Atenção, quando trouxe este assunto à baila, não me quis centrar na atitude dos alunos. Julgava eu que o título o demonstrava, mas acho que não fui suficientemente explícita.

Na verdade, eu condeno mais a escola do que os próprios alunos. Eles, se calhar, até estavam a brincar e a achar aquilo muito divertido. Tal como eu achava muito divertido jogar à sueca nas aulas! Agora, a atitude desculpabilizante da escola, a começar pela própria professora e passando pela responsável pelo Conselho Executivo, é bominável! E não esqueçamos que uma das coisas de que os professores mais se têm queixado é da falta de respeito por parte da sociedade e do Governo! Agora, eu pergunto, quem quer respeito tem que se dar ao respeito, certo?!

Quando aqui falo no que eu fazia na escola, quando andava a estudar, não refiro, por exemplo, que esses factos só se davam em determinadas disciplinas. Quais? Aquelas em que os professores eram brandos e não se sabiam dar ao respeito. Julgam que o fazíamos com a DT? É que isso nem nos passava pela cabeça!

Parte já do princípio que os alunos não tinham que andar a cirandar em volta da secretária da docente em questão. E a dita pistola, já que ela se apercebeu que era de plástico, deveria ter-lhes sido retirada das mãos sem qualquer tipo de hesitação!

E, sim, eu já dei aulas, já estive no lugar dela e sei bem daquilo que estou a falar!

korrosiva disse...

Ferreira-Pinto o que disse foi simplesmente, que acho pena que os meninos que não têm educação em casa também não a possam ter na escola, porque hoje em dia, tudo e mais alguma coisa traumatiza as crianças.
Podia ser que eles próprios ensinassem alguma coisa aos pais.

Ferreira-Pinto disse...

KORROSIVA plenamente de acordo com o facto de hoje em dia qualquer coisa traumatizar as "criancinhas".

Curiosamente, muitas sabem explorar bem o filão de nada lhes poder ser feito para sacarem o máximo que podem!

Quanto ao resto, limitei-me a pegar no comentário para dar essa parte do problema como abordada. Mais nada.

Compadre Alentejano disse...

Não se esqueçam que as "criancinhas" andam no 11ºano e devem ter mais de 16 anos...Como são do Bairro do Cerco, não me admiro que tenham alguns chumbos em cima...logo, mais velhas...
Nós somos o país dos "coitadinhos" "foi a brincar" "a pistola era de plástico"...Mas lembrem-se que já se fizeram muitos assaltos com pistolas a brincar...
Compadre Alentejano

Peter disse...

Por mera coincidência, abordei este assunto no n/blog no artigo "A bandalheira", em 27 do corrente:

"Para Margarida Moreira, directora regional de Educação do Norte (DREN) esta história não tem qualquer paralelo com o mediático caso da secundária Carolina Michaelis, também no Porto, onde em Março uma aluna agarrou e insultou a professora, depois de esta lhe ter confiscado o telemóvel. Agora desvalorizou mais este caso, considerando-o como "uma brincadeira de muito mau gosto e que excedeu os limites do bom senso. No Norte acontecem sempre coisas no último dia de aulas". Brincadeira?

Bandalheira."

Carol disse...

PETER, se a própria professora achou o facto normal e não viu qualquer problema, porque é que essa senhora se haveria de chatear?!

Peter disse...

Carol

Tu mesmo respondes à pergunta:

"esperava que alguém tivesse condenado veementemente o comportamento o comportamento destes alunos"

Blondewithaphd disse...

Enoja-me este estado de parvidade na educação, parvidade nos jovens, parvidade na escola. E parvidade nossa como sociedade civil.

Carol disse...

Ó PETER, o problema é que se fosse a senhora da DREN a fazê-lo esqueciam-se todos que a professora até achou piada à brincadeira e, no fim, ela é que ainda havia de levar com uns ovos ou coisas que tais.
Quando digo alguém queria referir-me aos responsáveis pela escola, aos sindicalistas que por aí pululam e se arvoram em donos da verdade, políticos da oposição que nem a boca abriram, aos pais, a outros professores, etc. Porque o que me arrepia nisto tudo não é eles armarem-se em corleones de terceira, é o sistema compactuar com isso!

Adoa disse...

Lembro-me de na escolinha ver uma professora minha a chorar na aula... Nunca me esquecerei e creio que isso apenas aumentou o meu respeito pelos professores. Mas näo houve consequência alguma para os nossos actos. Provavelmente ela nem se queixou. Tive uma outra professora há poucos anos que se queixava que se expulsava algum aluno da aula e este acabava por reprovar, voltava depois de uma reuniäo lá chamavam o menino ou menina em causa. Isto tudo porque os números säo importantes para essas escolas receberem da UE... Claro está que as criancinhas näo säo nada burras e abusam do "sistema". Voltam a gozar ainda mais... Pena que sejam "inteligentes" apenas para algumas coisas...