"O poeta é um fingidor"...

Aqueles que lêem os meus pobres escritos sabem que “não vou à bola” com José Sócrates e que não “morro de amores” pelo PS.
Vem este intróito a propósito das palavras e atitudes que vem tomando Manuel Alegre.

Daquilo que conhecemos (ou que eu julgo saber), Manuel Alegre começou a sua vida e carreira políticas nas lutas estudantis na Universidade de Coimbra e não sei sinceramente se chegou a estar preso pelo regime de então (julgo que sim), e por isto tudo, muito bem; para além de outras coisas, foi também desertor das Forças Armadas no verdadeiro sentido do termo, visto que, segundo sei, desertou quando já estava em “teatro de guerra” em Angola.

Num qualquer país com verticalidade, ditadura ou não ditadura, revolução ou não revolução, o facto de ser desertor em “teatro de guerra”, fossem quais fossem as razões, era o suficiente para já não ter grande carreira política.
Mas adiante…

Há uns anos atrás Manuel Alegre proferiu uma qualquer frase, que rezava mais ou menos assim: «A mim ninguém me cala».
Dá-me a impressão que o “sucesso” dessa frase o tornou ainda mais “cheio de si próprio”, e, desde então, tomou a frase como um compromisso e não se cala, quando tem razão e mesmo quando não tem razão.

Mais recentemente e perante o apoio de várias pessoas, sobretudo os eternos descontentes com os seus partidos (que não fazem o que eles querem), decidiu candidatar-se à Presidência da República, contra o seu próprio partido, que tinha decidido ir buscar como candidato outro igualmente “muito cheio de si próprio” (que os há também nos outros partidos e muitos), acreditando que a “mesma água passa duas vezes debaixo da mesma ponte”, o que se veio a verificar ser um erro.

Abro aqui uns parênteses para reflectir no que aconteceria agora se Mário Soares tivesse ganho as eleições. Tenho sérias dúvidas que José Sócrates tivesse a vida tão facilitada. Não me espantaria até que o “engenheiro” tivesse votado em Cavaco Silva no segredo da câmara de voto!
Mas voltemos ao “poeta”.
O resultado que obteve nessas eleições ainda veio encher mais o seu ego, já de si bastante avantajado, e ei-lo agora a fazer oposição ao seu próprio partido.
Claro que pode e deve fazer essa oposição, mas quanto a mim não da maneira como a faz, nas palavras e na prática.

Podia convocar um Congresso (julgo eu que os estatutos lho permitiriam se tivesse apoiantes para tal), e assim discutir a liderança do partido.
Podia fazer oposição interna nos órgãos próprios do partido, sem vir para a praça pública, pois os problemas das famílias resolvem-se em família.
Podia sair do partido e fazer oposição então como independente do partido.
Podia fundar o tal novo partido de esquerda, para o qual teria já e de certeza militantes que iriam, cheira-me, desde a Direita até à Esquerda, e ainda mais Esquerda, lembrando-me por exemplo de Rosetas, Britos, Sá Fernandes, e se calhar até alguns Freitas!

Mas não, não o faz!
Continua assim, chamando a atenção para si próprio, numa qualquer construção de uma nova etapa da carreira política para se alcandorar a voos mais altos, tanto mais que já se viu no que dá essa coisa de novos partidos, com os exemplos do PRD e outros mais.
Assim tem tribuna, num qualquer partido que tivesse fraca prestação eleitoral, acabava-se-lhe o tempo!

E assim vai o reino da política e da pouca ética que toda esta gente dos partidos demonstra nas suas palavras, nas suas atitudes, nas suas práticas.
Resta a José Sócrates ir provando do seu “próprio veneno” e ir pedindo todos os dias a um qualquer deus em que acredite: “Livra-me deus dos meus amigos que com os inimigos posso eu bem”.
E agora não batam muito no “ceguinho”, que sou eu!!!

9 comentarios:

Peter disse...

- Manuel Alegre foi de facto desertor das FA. Portanto um "herói nacional".
- Sá Fernandes foi o responsável pelo embargo das obras do túnel do Marquês de Pombal, que custou milhões aos lisboetas, que prejudicou milhares deles nas suas vindas e saídas do emprego, sobretudo a primeira e que não deu em nada. Foi só "show-off".
- Hoje num almoço de "quadros" em que estava presente um importante personagem angolano, um português sondou o angolano sobre a eventualidade de Portugal investir mais em Angola. De imediato a disposição deste mudou para pior e a resposta veio seca: "nós estamos aqui é para investir em Portugal, a hipótese de investir em Angola não se põe". Podia falar de 2 bancos portugueses nas mãos de angolanos, mas não falo.
Pergunto apenas quem foi o responsável por esta hostilidade, sim chamemos-lhe "hostilidade", dos angolanos para connosco?
As FA?
Não o creio. A guerra em Moçambique foi de longe muito pior e, no entanto, os portugueses são lá recebidos de braços abertos.

joshua disse...

Não gosto particularmente de Manuel Alegre, mas preciso de sentir esperança. Detesto o PS totalitário de Sócrates e as ilusões suicidárias de Manuela Ferreira Leite enquanto líder beata de um partido cheio de diabruras, líder que nem se manca nem se enxerga.

Recuso-me à fatalidade Sócrates e por isso abraço como benéfico o caos parlamentar, a fractura e o pluralismo grosseiro do fim das maiorias absolutas na próxima legislatura. Custa-me ver o Be namorando em certas matérias o PS, certamente de olho num acerto de poder futuro.

Em suma, Lusitano, isto está bem encaminhado para, já alguém escreveu, mexicanização político-partidária e para a italianização berlusconizada do rectângulo, tragédia de poder e corrupção, sem-vergonha e abuso, descaramento, coisas/ingredientes que a Socratura nos tem dado a comer em fartas doses e promete continuar.

Abraço
joshua

joshua disse...

O Populismo Negro de Sócrates.

lusitano disse...

Caro Peter

Dando-te razão, ainda agora segundo as noticias a filha do Zé Eduardo dos Santos comprou a parte do BPI que detinha o BCP, salvo o erro.

A arrogância e o roubo não têm fim, enquanto o povo angolano morre à foma e à miséria.

Abraço.

lusitano disse...

Caro Joshua

Como decerto percebes estou-me borrifando para o Alegre e o Sócrates, apenas me chateiam na medida em que nos vão lixando as vidas.

As nossas esperanças, digo eu, poderão estar na implosão destes partidos ou deste sistema de partidocracia, mas nunca a meu ver num Manuel Alegre, porque com o meu texto o que quero demonstrar é que não é melhor nem pior do que os outros, antes pelo contrário interessa-lhe o poder porque pela primeira vez acha que o pode alcançar!

O link que colocaste não o consegui abrir.

Abraço

mac disse...

Também não me identifico com o PS e muito menos com o PS de Sócrates. Quanto a Manuel Alegre, ainda bem que há alguém suficientemente corajoso para ir contra as regras instituídas por Sócrates, que contra ventos e marés pensa pela sua cabeça, e luta pela Presidência da República e quebra a disciplina de voto. Mas numa coisa tens razão...a criação de um partido ligado à figura de Manuel Alegre, seria o reviver do PRD, e se Manuel Alegre tem dúvidas quanto ao Congresso do PS que elegeu Sócrates, essas dúvidas não devem ser expostas num programa de televisão 3 anos depois dessas eleições. Se havia dúvidas, porque as expôs no tempo certo e aos organismos competentes?
O papel de vítima não agrada muito...

Daniel Santos disse...

não me identifico com Alegre, não me parece que seja a renovação de alguma coisa.

Zé Povinho disse...

Não sei se o problema será a discordância de Alegre às medidas de Sócrates, ou se será o excesso de unanimidade nas posições do partido maioritário. O PS, já colocou há anos o socialismo na gaveta, e a frase nem é minha, nem tem nada de inocente, por isso se Alegre "quer" um partido verdadeiramente socialista, vai ter de o (re)criar ou (re)fundar, o que já o devia ter levado a bater com a porta ainda no tempo de Mário Soares, quando Salgado Zenha teve essa atitude, na altura pouco entendida pelos portugueses.
Abraço do Zé

Ferreira-Pinto disse...

O Manuel Alegre, garanto-vos, é um "pipi" armado em fino e que luta por manter a cabeça à tona de água!