O nosso (único) deputado não faltoso!

O que é que distingue um deputado da Nação dum vulgar assalariado?
Desde logo, o salário.
Sim, porque eu escrevi “vulgar assalariado” e não do Vítor Constâncio.
Depois, e segundo a mais novel doutrina, porque ao deputado a semana de trabalho de cinco dias não se pode aplicar. Almeida Santos, entre outros,”dixit”.

Isto porque a alguns dos nossos parlamentares, especialmente aos que exercem no foro, surgem horas do diabo e, volta e meia, quer o Senhor Magistrado, quer o Senhor Presidente se equivocam e agendam votações e julgamentos para o mesmo dia e hora.
Não se faz.
E, óbvio, a ter de se escolher, escolhe-se o julgamento.
Mas não é pelo dinheiro, é pela realização pessoal, pelo servir a Justiça, por sentido de responsabilidade … blá, blá, blá …

Outras vezes é aquela misteriosa justificação do “trabalho político” que serve para limpar uma falta.
Reunião da Comissão Política para escolher o candidato à freguesia? Trabalho político.
Reunião da Assembleia Municipal? Trabalho político.
Jantar de homenagem a alguém do partido? Trabalho político.
Fico cá com a dúvida se o deputado Z do partido X (o do poder) começar a dormir com a deputada B do partido Y (da oposição) se isso também é trabalho político sob o pretexto de sacar informação ao adversário?

No meio desta tempestade de deputados, sobressai um nome: Strecht Ribeiro (AQUI).
Constato que é, conforme relatava o jornal “Público” na sua edição do passado sábado, na actual Legislatura, um deputado que nunca faltou.
“Deputado desde 1995, Jorge Strecht Ribeiro diz que nunca faltou porque entende que não o deve fazer e confessa que não se arrepende de ter feito opção de ir para a AR, mesmo que nunca tenha conseguido virar as costas à sua grande paixão: a advocacia.”

Notem, por favor, que o deputado não falta porque acha que o não deve fazer!
Simples, prosaico e honesto.
Aos que assim não agem, ou assim não entendem apenas se pode dizer que é preciso topete!

20 comentarios:

korrosiva disse...

Não devem ser muitos os deputados (e aqui refiro-me a todos os partidos) que tenham orgulho e respeito no que significa ser deputado.

Basta ver por breves minutos o canal AR... que balburdia é aquela?
Levantam-se um, vai cochichar, depois voltam a levantar e vão fazer "trabalho político", depois tornam a ir fazer um xixi.. e assim se vê o profundo desrespeito que existe por quem na altura está a usar da palavra.

Estranham o comportamento das crianças nas escolas??
Porquê??
O deles é igual!

A diferença é que são bem pagos para tal.

joshua disse...

Strecht Ribeiro, provavelmente não é convidado para nenhum trabalho político, provavelmente é esquecido por todos, provavelmente come e dorme no Parlamento, provavelmente não tem outra vida que estar no Parlamento, provavelmente não é de carne e osso, mas um ET parlamentar disfarçado de humano. Há qualquer coisa de exemplar no Strecht Ribeiro que me cheira a esturro.

Provavelmente, ficará de fora das próximas listas que exigem pessoas e parlamentares normais.

Agora, o que eu adoraria era ver uma geração nova de parlamentares no Parlamento: gente independente, sem lealdades a enunciados que execrem, mas isso é pedir de mais.

Temos um parlamento reduzido à funcionarite e à eficácia do tempo e da produtividade. O deputado já não um símbolo de independência e liberdade. É somente um funcionário dependente que presta contas à direcção partidária ou parlamentar ou ao Executivo, caso o seu partido seja governo.

o que me vier à real gana disse...

Boa noite, caro amigo!

Resposta à sua questão: o número de dias de labor por semana -exíguo -; o estatuto; o ordenado; o poder assinar o ponto e dar de frosques - claro, ganhando na mesma! -; o ser-se HUMANO, enquanto os outros, os k podem chegar tarde a casa para estarem com as famílias são apenas humanos; o poder dormir nos plenários; o só alguns trabalharem de facto nas comissões,mas todos ficarem com os louros...e tanta, tanta coisa mais.
Os professores, que a Sociedade tanto despreza,encontram-se, em elevada %, a leccionar longíssimo de casa e têm que estar na escola, e nada contra (apenas contra a injustificável distância), até Sexta-Feira.
Os deputados são verdadeiramente os filhos da Nação... Ah, não! Não estou a vê-los a mudar as coisas, a mexer no seu status-quo!

Abraço

Blondewithaphd disse...

"Simples, prosaico, honesto", que bem que condensaste tudo! É isso: o trabalho bem feito não precisa de grandes justificações, já as faltas...

pedro oliveira disse...

Ninguém vai para deputado obrigado, acho eu, como tal só tem é respeitar quem o elegeu, se fizessem isso era simples, como não o fazem escondem-se em justificações de falta mais ou menos descabidas e parolas.

Ferreira-Pinto disse...

JOSHUA, sem interesse algum em defender o homem ou sequer mandato para assim agir, se espreitares aqui até vês que o homem tem trabalho.

Se profícuo ou não, se de acordo com o nosso ideário é outra coisa.

Contudo, é uma voz ocasionalmente desalinhada, intervêm no Plenário, participa e tem projectos apresentados.

Deves recordar ainda que foi o candidato de recurso e para imolar que o PS apresentou contra Luís Filipe Menezes à Cãmara Municipal de Gaia. Recordo que numa entrevista que deu teve a ombridade (coisa rara) de admitir que se tivesse sido eleito algumas das coisas que o seu oponente faz enquanto autarca, algumas medidas e opções também as tomaria.

E, no meio deste mar encapelado onde os tipos fazem como dizia a KORROSIVA só o facto de nunca ter faltado já é de assinalar. Mais a mais, quando ele é advogado e, contrariamente ao que defende Almeida Santos, não precisa da sexta-feira para nada ou doutros dias por causa de julgamentos.

Quanto aos novos, olha se tu vires o triste espectáculo que alguns dão, mais preocupados com a imagem do que com a Nação, se calhar mesmo é nem novos, nem velhos.
Já ouviste falar numa Marta Rebelo?
Pois segue a carreira dela com atenção e depois me dirás algo.

Se calhar mesmo, era a Nação exigir que a eleição dos cavalheiros se fizesse uma discussão séria em torno disto ou um outro modelo e onde eles sentissem que há quem os controla.

Ferreira-Pinto disse...

Tem razão o amigo PEDRO OLIVEIRA quando afirma que ninguém os obriga a candidatarem-se para agora estarem com tanta lágrima.

Mas acredite que, e digo isto porque vivo por dentro a coisa, quando chega a hora da escolha alguns até choram ...

O Guardião disse...

Candidataram-se a um lugar, devem cumprir integralmente a sua função, sem recurso a manhas para justificar as faltas que pelo que se sabe são mesmo muitas.
Cumps

Carol disse...

O engraçado é que pouca gente sabe quem é Strech Monteiro e poucos são os que o louvam pelo facto de ser, simplesmente, o deputado que nunca faltou.

Quanto às justificações que são dadas para explicar as faltas, depois de ouvir um deputado dizer que, na noite anterior, esteve no jantar e leilão do Boavista, passo a citar, "em trabalho político". Se calhar, como bem dizes, o «truca-truca» também pode ser considerado como tal, mesmo entre deputados do mesmo partido.

joshua disse...

Sim, Tarantino, compreendo e acolho a tua argumentação. O meu registo enveredou pelo brincalhão, mas a verdade é que Strecht será um raro parlamentar vocacionado e dedicado e provavelmente um daqueles que se preocupam mais em construir e harmonizar poições úteis ao País para além das facções de bancada com as suas tricas e esterilidades, que o devem escandalizar, tendo em conta as perdas que esses vícios representam para o País.

Tem de haver uma reforma no sistema parlamentar e meios de escrutinar o trabalho de cada deputado.

Não acredito em estruturas de controlo da iniciativa do Executivo.

António de Almeida disse...

Strecht Ribeiro merece todo o meu respeito. Alguns como Raúl dos Santos, eleito pelo círculo do Porto desloca-se mais para Sul do que para Norte. Jorge Neto considerou um jantar do Boavista (bem sei que o clube atravessa dificuldades) trabalho político. Também foi trabalho político a deslocação a Sevilha para assistir à final da taça UEFA, provavelmente o célebre jantar com Pinto da Costa (nada a ver com o clube) também terá sido um jantar de trabalho. Os deputados portugueses espelham bem uma nação de brandos costumes e falta de rigor.

Adoa disse...

Por momentos pensei que ías referir como o único "deputado" nao faltoso o "salário"...

Enganei-me... Afinal existem dois que nao faltam... Estamos a melhorar, nao?

DANTE disse...

'Estar' tem sem dúvida o seu mérito amigo Ferreira , mas por si só não chega. O parlamento não é uma sala de estar. Ou pelo menos não deveria ser...È um argumento válido mas terá que ser aliado a acções e intervenções dignas de serem feitas.

Um abraço

A Gata Christie disse...

Eu não conheço o senhor, mas é um exemplo a seguir pelos outros deputados realmente.

lusitano disse...

Ó Ferreira Pinto esqueceste o "mais importante", segundo Almeida Santos!

É que os de-putados, não ganham para trabalharem 5 dias como os outros, coitados!

Se isto não é gozar com o povo, então não sei o que é gozar com o povo...

Abraço

Tiago R Cardoso disse...

Nesse caso parabéns ao senhor deputado pelo facto de fazer aquilo para que foi eleito.

Muito bem.

pedro oliveira disse...

Pois meu caro Ferreira-pinto, com tanto trbalho...é caso para chorar por não ter sido escolhido...
abraço

Daniela Major disse...

Há sempre alguém que se destaca entre por ser o cumpridor quando no fundo todos o deviam ser. É pena que se funcione assim.

Compadre Alentejano disse...

Para mim, o verdadeiro nome do deputado é : "DE...PUTEDO".
Querem uma pessoa mais absentista ao trabalho que um deputedo? Não procurem, porque não há!
Conhecem todos os meandros da corrupção, e votam como cordeirinhos...

Daniel Santos disse...

Aqui temos um deputado de corpo e alma, grande deputado, enorme deputado, confortavelmente sentado deputado, a tomar um café e ler um jornal deputado, no quentinho sem nada para fazer deputado.