Mas alguém percebe isto?!

Em Portugal, realmente, há formas de actuar que não se compreendem...

Um destes dias verifiquei que já não tinha em casa nenhuma caixa do contraceptivo oral que utilizo. Normalmente, tenho a quantidade suficiente para um ano, já que frequento as consultas de Planeamento Familiar e, aí, me disponibilizarem gratuitamente esse mesmo contraceptivo mas, na última consulta, a marca que utilizo estava quase esgotada e, como tal, só trouxe para três meses.

Claro que me poderia ter dirigido à minha Unidade de Saúde Familiar, mas as entregas de contraceptivos são feitas em horário laboral e eu não podia deixar de trabalhar por essa razão. Como tal, optei por enviar um mail à enfermeira desse serviço a agendar uma entrega noutro horário e, este mês, efectuar a compra da pílula numa qualquer farmácia.

Uma vez que a minha área de residência dista da farmácia mais próxima, optei por fazer a compra numa dessas farmácias novas onde podemos adquirir medicamentos e outros produtos que não necessitam de receita médica. No entanto, aí chegada, qual não foi o meu espanto quando me disseram que não podiam vender pílulas, com excepção da pílula do dia seguinte.

Exacto. Para quê perder tempo a prevenir se podemos evitar as consequências depois de fazermos as asneiras...?! Pensava eu que o ideal era evitar a gravidez antes de ter relações sexuais mas, afinal, tudo se conjuga para que essa prevenção não exista ou, então, seja feita depois do acto consumado. Afinal, é muito mais fácil adquirir a pílula do dia seguinte do que a pílula normal. Depois, admiram-se que haja tanta gente a usar o método de contracepção errado...

Outro assunto que me anda aqui a apoquentar é uma cirurgia... O meu pai, senhor dos seus 71 anos, doente de Parkinson, diabético, hipertenso e com colesterol alto apercebeu-se da existência de uma hérnia numa virilha. Dirigiu-se à médica de família, realizou uns exames e foi encaminhado para um médico da especialidade no hospital da localidade onde reside.

A consulta foi marcada com alguma celeridade e realizou-se em meados de Outubro. Após a mesma, ficou decidido que teria de ser submetido a uma intervenção cirúrgica. Antes disso seria necessário efectuar análises sanguíneas, um electrocardiograma e uma ecografia abdominal.

Em meados de Novembro, foi chamado ao hospital onde se realizará a cirurgia e efectuou os exames em questão. Automaticamente, concluímos que a cirurgia deveria ocorrer em oito/ quinze dias.

Afinal, estávamos enganados pois, volvido um mês, a cirurgia ainda não foi marcada... Pensava eu que o objectivo desses exames era prevenir eventuais complicações e verificar se o paciente está em condições de se submeter a um procedimento médico dessa qualidade. Numa pessoa com o historial clínico do meu pai, penso que faria todo o sentido mas, afinal, parece que ando com as ideias totalmente erradas.

29 comentarios:

pedro oliveira disse...

Pois cara Carol, prevenção não é mesmo o forte do nosso país, o forte mesmo é lamentações e lamúrias depois do acontecido.Os nalistas olham para os números,os politicos dizem que as décimas não interessam e continuamos sempre a tomar a "pilula do dia seguinte"à espera que os problemas se resolvam por si próprio.
PO
vilaforte

joshua disse...

Tudo isto é completamente ressequido e deprimente!

Ferreira-Pinto disse...

As coisas são assim, o que é que vamos fazer? - costuma-se ouvir nas ladaínhas habituais.

E, às tantas, nem vale a pena o esforço de uma reclamação ou de um diatribe de tal modo certas rotinas nos estão entranhadas nas roldanas e parafusos que seguram tudo isto!

Prevenção? Na Saúde? Às tantas, aqui aplica-se o mesmo princípio da Protecção Civil ... deixa-se crescer silvas e mato à volta de casa, e quando está tudo a arder "aqui d'el Rei que ninguém acode!".

Exames e cirurgia num prazo de oito a quinze dias, certo?
Só passou um mês, correcto?
Então, no máximo, há um atraso de quinze dias, afirmativo?
Há drama?
Quantos são, quantos são? :)

Adoa disse...

Olha, em Espanha precisei de tomar a pílula durante um ou dois meses só para regular... Pois lá nao dao a pílula! Resultado: como tinha de pagar mais de 12€ por cada caixa, resolvi nao tomar!

Assunto resolvido.

Precisei de fazer umas análises ao sangue para descobrir a minha doenca e mandaram-me ir ao hospital em Janeiro. Lá nao existem laboratórios que escolhes onde fazer um simples exame ao sangue... Desisti de esperar. Já o fiz mas aqui na Alemanha.

Em Portugal, precisei de uma consulta de dermatologia e ... já lá vao 10 anos! acho que a médica se esqueceu de pedir isso...

A minha mae teve um cancro faz uns anos e foi logo atendida e operada... tenho uma prima que é enfermeira num hospital em Gaia...

Peter disse...

Como vês, minha cara Carol, o mal é geral. Ouvi no noticiário das 13h na TVI, pois a "his master's voice" há muito que a deixei de ver, embora a pague, a notícia duma senhora ter sido subsidiada com 0,36 € para mudança de lentes.

Espantoso? Não. Ignóbil!

Três das necessidades básicas dos portugueses: Saúde, Ensino e Justiça, é o que se vê, melhor, o que não se vê.

korrosiva disse...

Um destes dias deixam de disponibilizar as pílulas gratuitamente a bem do aumento da natalidade ;)

joshua disse...

Ui, que crime!

Ferreira-Pinto disse...

KORROSIVA sabe-se lá, sabe-se lá ... vai ser preciso que a população activa aumente para se poder pagar os calotes de hoje e manter mais uns quantos pançudos!

Alguns pululam pelos corredores de S. Bento, outros nem por isso ... basta que um qualquer anormal se lembre de fazer as contas do custo de cada uma ou que aqueles para quem, como dizia a saudosa Natália Correia, em pleno hemiciclo, o "truca truca" só pode resultar em concepção, tenham poder para assim o decretar!

DANTE disse...

Huh...será que estas (des)medidas são para o crescimento demográfico??
Conspiraçao??? lolololl

Jokas Carol :)

C Valente disse...

Saudações amigas

joshua disse...

Aconteceu-me um dia quase foder as ventas de um filho da puta só por ele me ter dito que a minha mãe vestia mal. O que me susteve a mão foi o facto de ele ser um caralhito de um fingelas esguio de um metro e noventa, ser mais velho que eu e tive pena: ele é presidente da Junta de minha Freguesia, pelo PS, há mais de vinte e cinco anos.

Era delegado de propaganda médica e agora, há mais de vinte e cinco anos, é exclusivamente autarca, meteu a mulher como vice tal como o pai dele o tinha metido a ele ali, na gamela da autarquia, o eterno autarca das vírgulas peregrinas. Política para ele é vender o cu aos interesses imobiliários e seduzir a massa dos reformados todos os anos com um passeio e uma gamela gratis. É um dos tais.

Aí temos o retrato do pançudo autárquico. Ele é desses que enchem de ventosidades os gabinetes ociosos das autarquias do país, e passam inchados a abarrotar autoridade moral e dedo apontado, a meter respeitinho e temor nos subditos. Ele é dos tais cheios de tempo para altercar em blogues e noutras plataformas virtuais, e com mais tempo ainda para apanhar gambuzinos e ter hóbis chiques.

Mas por que motivo estes pintos da costa da política, velhas raposas de merda, não se enchergam?!

Não sabemos. Nunca saberemos! O mistério há-de permanecer.

Carol disse...

Segundo uma enfermeira minha amiga, KORROSIVA, isso já esteve mais longe de acontecer...

PreDatado disse...

A Carol está agora na fase da admiração, quiçá espanto pelo que se passa em Portugal na área da saúde. Infelizmente, minha amiga, são muitos anos a virar frangos. O que a acompanho não é na admiração é na denúncia. E todas não serão muitas para mostrar a bandalheira onde nos têm metido.

PS. Já agora caro Joshua, a sua estimada mãe já veste melhor?

joshua disse...

Nunca vestiu mal, amigo preDatado. Foi costureira toda a vida e quem a veste agora somos nós, os filhos e a nora, pois cegou.

Ferreira-Pinto disse...

Anda por aqui alguém com um síndrome qualquer ... só pode ... Pavlov devia ter uma explicação para tanto salivar!

De qualquer modo, também já tive uma vez que dizer a um camelo que ameaçava que me ia à cara que marcasse dia e hora ... mas, como se sabe, os camelos têm um pescoço comprido, pelo que aquilo é só garganta.
Mas o tal camelo não era o presidente da Junta de Freguesia ...

joshua disse...

Any time and any place e só um sairá de lá vivo, amiguinho. Eu vou de kalashnikov. Leva o teu lança-chamas e besunta-te bem de sabão sino que vais transpirar.

Eu chego bem para totós.

Ferreira-Pinto disse...

Creio que estejas a brincar, porque se estiveres a falar a sério nem imaginas como tremo.

Especialmente porque nem imaginas o amor que tenha a enfatuados armados em grandes arautos da Verdade Una.

Tu, meu estupor, davas um excelente kapo num dos campos do Gulag.
E por aqui me quedo pois cada dia que passa (e lamento ter de tu dizer, mas se quiseres também tu digo cara na cara) sou obrigado a mudar a ideia que tinha da tua pessoa; tinha-te no conceito de um homem íntegro, mas afinal parece que não passas dum traste!

joshua disse...

Ó meu caralhete, então não haveria de estar a brincar contigo? Tu és um cata-vento do caneco. Tanto me abraças como me picas. E eu, em vez de te despertar umas gargalhadas, deixo-te assim desorientado, em estupor.

Por que não reflectes que tudo é reflexo ataque e contra-ataque? Contesto-te a subscrição da Situação, mas não tenho uma unha contra ti.

joshua disse...

Já vais em traste?

E pensa na paciência que eu tenho tido com os teus camelos, pançudos, salivações e outras classificações indirectas disseminadas por aí!

Tens de parar, reconsiderar, admitir e conceder que não tens sido flor que se snife.

Ferreira-Pinto disse...

Ó jovem, um dos teus males é pensares e tomares aqui este amigo por um sacana como o Octávio Machado.

Eu, quando tenho que dizer, digo, não mando dizer.
E nem tudo o que aqui escrevo em jeito mais rasteiro tem propriamente a ver contigo ... aliás, que me lembre nem tu estás pançudo e andas longe de ser camelo. Às vezes, gostas de te armar mas não mais que isso.

Tu é que decidiste embirrar supremamente e de forma soberana com o meu socialismo utópico e atípico, e não saisfeito com isso ainda te viras contra o clã. E aí, somos como os tipos de Palermo ... mas com honra, decência e respeito!

No resto, pasma-te tu que eu já ia reforçar a dose no ginásio a pensar no quão havia de gingar à tua frente que, tanto quanto me lembro, tens corpanzil maior que o meu ... mas por cada uma que desses, também levavas que eu às boas sou um anjola, mas a mal sou um traste maquiavélico!

Assim sendo, espero que me apareças na sexta que terçamos a coisa entre dois copos de vinho. Mas só pode ser dois porque mais que isso sujeita-me a ficar sem a carta, caso a Brigada me apanhe (e tudo à conta dum telemóvel).

joshua disse...

Nunca fui diverso disto desde a primeira hora do teu projecto: explosivo e inteiramente livre, truculento e duro muitas vezes, mas também afectuoso contigo que te levas demasiado a sério e nada te pode romper essa pose incontestada e incotestável. Só mudas de opinião sobre mim se isso de alguma maneira te convier.

Não tenho sido destrutivo e desprezivo por cá, comentando todos os dias e várias vezes por dia. Não sou de modo nenhum nenhum sniqper.

Se não estás disponível para ler o que eu pense realmente de Sócrates, da sua ME, das políticas destrutivas de estes personagens sinistros, da tua naturalíssima conivência partidária e solidária com este estado de coisas, DIZ.

Não me venhas agora classificar-me humanamente, moralmente. Tu não convives comigo e não me conheces.

Se te tentas em descartar-me e a sujares-te com o excluir-me por ser um traste, um camelo, um pançudo, o que mais te tens vindo à cabeça, és sempre bem-vindo.

Não seria a primeira vez a fazeres grossa merda em matéria de relações humanas!

Abraço
joshua

Ferreira-Pinto disse...

Meu caro, como se costuma dizer, seja.
De facto, tens razão.
Não te conheço e doravante actuarei dessa forma.

joshua disse...

Estávamos a escrever ao mesmo tempo. Quanto a sexta-feira, com um sorriso amigo, com certeza que estarei contigo com muito gosto e prazer.

Tudo o que for preciso para não seres molestado pela BT será feito.

joshua disse...

Ó Tarantino, alto, homem, alto! Não te azedes novamente. Retrocede. Não quero que regresses à dureza anterior. Nem eu estou nela já, homem.

Calma! Eu sou um exagerado. Tu és excessivo. Mas por que raio andamos nisto, oscilando para cima e para baixo nas emoções e nas razões? Não vês que é um equívoco.

Eu desejo respeitar-te, mas não perder a minha natureza pura e ingénua, que não mede nem calcula as consequências do que diga com paixão.

Não quero que nos remetamos ao mutismo e ao buraco da indiferença, jantando ou não jantando. Tu, para mim, tens muito valor como pessoa para além do teu feitio lixado. Eu também sou um chato. De modo nenhum te desprezo ou te substimo.

Estás a compreender? Se estás a compreender, avisa cedo.

joshua disse...

Homem, fui educado a reconhecer o meu erro e a perdoar do coração quem quer que fosse magoasse como me magoasse. Não me venhas agora fechar a cara e a amizade a este cromo que eu sou, tão humano e falhento como tu, mas igualmente alegre e generoso, tal como tu.

joshua disse...

Não conheço a palavra indiferença nem a palavra zanga com as pessoas de quem gosto. És uma delas há mais de um ano.

Enfim. Mais do que isto não sei dizer nem posso fazer.

Tens e terás incondicionalmente de este lado, separada toda a escória das divergências, um Amigo!

Abraço
joshua

Ferreira-Pinto disse...

Ó pá, o chefe anda-me a atazanar a cabeça, é só isso.
De resto, eu lá sou gajo para me remeter a mutismos ... e nem te desconsidero.

Olha lá, aí pelos teus lados onde se come bem?
Digo isto, porque às tantas podia ser a meio caminho, não?

joshua disse...

Fosga-se, estava a ver que te tinha dado alguma coisa.

Olha, Tarantino, não sei. Qualquer coisa entre Espinho e o teu sítio, mas eu estou bastante atado a vários níveis. O melhor mesmo é falares com o nosso amigo que já meteu uma piada muito ajustada, tendo em conta o que têm sido estas nossas semanas terçantes, ao dizer que o melhor era jantarmos à luz das velas.

Um grande abraço
joshua

Ferreira-Pinto disse...

Seja ... há um dos nós que te prende que por mim não te manieta e sabes qual é.
Nesse domínio estás à vontade.
Eu falarei lá com o cavalheiro ... e logo se vê, logo se vê.