Cai neve ... e logo isto fica de pantanas!

Nada como um fim-de-semana prolongado e uns centímetros de neve para animar a malta.
Qual desemprego, qual crise, quais pegas entre "comunas" e bloquistas … o que importa é sair para a rua e sentir na cara os flocos de neve que caem.

E, tal como outrora, quando nos lançamos a um mar desconhecido numas cascas de noz, também aqui basta ver as notícias da televisão para percebermos que continuamos a ser, nalgumas coisas e quando nos interessa, um povo afoito e temerário.
Pelas partes mais setentrionais deste pequeno Portugal, e onde houvesse um manto diáfano do neve, lá estavam uns quantos portugueses a brincarem.
Não interessa se a neve é pouca, e até nem era, nem a idade dos intervenientes; já que é fenómeno raro, sobretudo para os que vivem no litoral, e, convenhamos, bonito, arrisca-se e brinca-se!

Por um oceano de estradas cortadas era ver carros ligeiros a deslizar, incapazes de se moverem da forma em que é suposto fazerem-no … alto aí, dirão vocês, então estava tudo tão bem e lá começa este com os pessimismos dele?
Não, era mesmo só para reforçar que somos uns bravos quando nos convém.

Todos sabemos que conduzir quando está a nevar exige cuidados.
Desde logo, quando a maioria de nós tem carros ligeiros, umas correntes dão jeito, não?
Ora, então vão lá agora os amigos à mala do carro e digam se as lá têm?
Depois, quantos dos que se aventuram assim levam números de telefone de emergência na memória do telemóvel? E umas mantas e umas bebidas quentes não vá ficarem atascados e o socorro demorar?
Ou calçado adequado?
Ah, pois … mas, mesmo sem nada disto, e sabendo do perigo, arrisca-se!
Porque , e eu admito, a neve é mesmo bonita.

Paralelamente, e face a ISTO, por exemplo, ou ao que se viu na televisão que raio de país é este onde os bombeiros daquelas regiões têm toneladas de boa vontade, mas gramas de meios materiais? E que serviço é este que vai um cavalheiro na auto-estrada e não há meios mecânicos capazes de assegurar que a via não fica obstruída?
Eu já nem falo nas estradas nacionais, pobres coitadas que desde que nos deu a febre das vias rápidas se quedam para ali meias ao abandono …
Mas uma auto-estrada?

Admito que, para o nosso padrão, foi um senhor nevão, mas tenham dó.
Então as AENOR’s e quejandos, essa maravilha "tecnológica" privada não previnem que têm de assegurar vias desimpedidas 24 sobre 24 horas?
Já nem no IP4 se havia de admitir uma coisa destas, mas na A24? E na A7?

Mas isto, às tantas, vai-se a ver e sou eu que estou a ficar rezingão à conta do factor P.I!

32 comentarios:

salvoconduto disse...

E eu que o diga, que fiquei impedido de ir ver a minha "velhinha" a Vila Real, mas aqui confesso não tenho correntes na mala. À cautela não me atrevo, já la vai o tempo dessas loucuras.

António de Almeida disse...

O mais "engraçado" foi ter percebido que a BT começou por cortar as A's e IP's, mas alguns idiotas armados em espertos procuraram avançar pela N's e M's na região de Viseu. Agora afirma muito bem, estradas como A's e IP's jamais deveriam ficar bloqueadas com nevões desta dimensão, nomeadamente no interior, distritos de Viseu, Guarda, Vila Real ou Bragança em que a neve está longe de constituir um fenómeno raro. Percebo que um país com escassez de meios não invista em zonas onde neva uma vez em cada década, mas nos distritos que falei neva todos anos. Vi na televisão um emigrante que veio passar uns dias, passou Espanha sem poblemas, chegou a Bragança e foi obrigado a parar por ali. O rectângulo continua sub-desenvolvido.

joshua disse...

Longo bocejo me merece a neve e o centro das atenções lorpas e bacocas que as TVs fizeram dela.

Ferreira-Pinto disse...

Ó JOSHUA andas entediado?
E bocejas assim?

Não devias ... sabes, não é pela neve, antes pela incúria imprevidente dos cidadãos como nós que se metem a navegar mares de asfalto para os quais não têm as unhas todas quando cobertos de neve e para o desleixo patente de até em áreas onde se sabe que cai sempre neve se privilegiar a nobre arte do desenrasca.

Até nestes exemplos comezinhos se vê a clássica falta de organização da Nação e do Estado.

Quanto às televisões, bacoco por bacoco tu afinal que preferes?
O Canas, o Vitorino, o Nogueira ou a neve?

joshua disse...

É preciso sair do labirinto da mediocridade política e jornalística: nem Vitalino, nem Vitorino, nem Martins, nem Lurdes nem Sócrates, nem Manuela, nem Santanta, nem Cavaco, nem Júdice [cara fúnebre por causa do dinheiro enterrado no BPP?], nem Emídio Rangel, nem Vital Moreira, óbvios prostrados ao Kim il Sung português.

Além da proverbial desorganização da Nação e do Estado [muito bem organizados a satisfazer clientelas PS/PSD que nos pesam há oito anos a desconvergência com a Europa], há a proverbial falta de independência dos espíritos, entalados a incensar políticas que vinham sendo muito servis no plano da concentração do dinheiro nas mãos da economia, quando hoje por todo a Europa é voz corrente a necessidade da socialização dos benefícios de muitos mega-investimentos.

Pensei que o meu declarado bocejo e o meu suposto tédio eram iguais aos teus. Não serão? O País é um manancial de ridículo por isso é difícil evitar meditar sobre a neve e o papel boçal no meio dela de muitos portugueses.

Ferreira-Pinto disse...

Andamos ambos, andamos ambos JOSHUA mas eu entre pensar no BPN e no BPP (então este dá-me a volta às entranhas) ou na neve, opto pela neve!

Olha lá, vi que cuidadosamente não envolveste no teu lânguido bocejo o Nogueira ...

joshua disse...

O meu bocejo é viril [só enlanguesço pela minha prole e pela minha fêmea amada] e pelo Nogueira nutro uma simpatia irreprimível directamente proporcional à tua abjecção por ele. No meio de uma nação apta a ser tutelada por uma nova estirpe de ditadores, género mal-formado de gente kitsch, sumamente abusadora, claro que me agrada que alguém lidere e lute.

Tu não estás concorde comigo de que o País tem um lastro de decadência em grande parte devido à lógica perversa da alternância PS/PSD?

É preciso que a sociedade civil acorde, reaja e mude um estado de coisas insustentável.

Ferreira-Pinto disse...

Vá, eu quando falei no lânguido não queria reduzir o amigo JOSHUA à condição de inviril (se assim se pode dizer), bem o sabes.

Não gosto da tal ditadura democrática, tens razão, mas fariseus como aquele metem-me nojo. Neste momento, cavalga uma onda que o ameaçava submergir (tu próprio já o disseste) e com os olhos postos na liderança da CGTP. Aquele cavalheiro é como o Louçã; se tivessem o poder absoluto, mandavam-nos fuzilar aos dois!

Olha lá, qualquer dia ainda nos pomos aí a recolher assinaturas e fazemos uma agremiação política ... não?

joshua disse...

Há muito que subscrevo o cerne humanístico e social das tuas análises, salvo numa minoria de questõeszecas de pormenor e de opção pessoal.

Por isso, sim, penso que algo terá de emergir da sociedade civíl que agremie uma espessa e interligada maioria de portugueses. Estaremos juntos aí.

Tu não achas que, por exemplo, a pressão colocada em muitos sectores da Função Pública, com estigmatizaões simplistas e concitadoras do mais primário primarismo da populaça, deveria ser toda redireccionada contra a lógica clientelar intocada do Estado-Partido?

pedro oliveira disse...

É isso mesmo meu caro, falamos muito de superficial nas coisas, brinacmos à neve, mas ninguém,comunicação social, ousa questionar o que está afilmar ou relatar e pensar como é que fazem os outros, sim porque a neve não cai só em nova iorque....
Bom post e muito boas questões, respostas.....

Ver bombeiros sem condições é o que mais me incomoda.

Po
vilaforte

pedro oliveira disse...

Li os comentários do joshua e os seus e como os COMPREENDO!
no meu cantinho passamos cada uma, é só saber ler a última...
abraço

PO
vilaforte

Ferreira-Pinto disse...

JOSHUA claro que devia, mas eu tenho um princípio ... chama-lhe imoral se quiseres. Mas só sou solidário quando vejo uma relação franca e leal onde ambas as partes dão ... serve isto para dizer que com o SIADAP mais o que entretanto saiu nos fizeram ainda pior que aos docentes, mas aí não vi muita "nogueira" preocupada ... aliás, vi foi sindicatos a assinarem rapidamente acordos com o Figueiredo (que, depois da bostada, se refugiou no Tribunal de Contas) quando deram uns rebuçados aos sindicalistas.

Sabes, no fundo, o que se calhar nos separa é apenas o facto de tu ainda seres relativamente optimista e eu já estar mais na fase do cínico.

Ferreira-Pinto disse...

PEDRO OLIVEIRA obrigado não só pelas observações tecidas, mas pela sempre presente participação.

Como bem disse, um dos males lusos é a tal superficialidade.

joshua disse...

As lideranças sindicais também se enquistaram e encostaram, prestando-se a muito prato de lentilhas, daí que da apatia só se acorde quando a corda vai já muito adiantada no aperto dos pescoços, à boa maneira dilatora lusa.

Quanto ao caminho de despojamento clientelar, numa base leal e franca, que conviria ao PSD/PS empreender a bem de Portugal, isso é sempre um processo.

Se não for feito esse caminho, é muito natural que tudo se degrade ilimitadamente e o povo desespere e se rebele por, mau grado o aperto prolongado de cinto e os assédios múltiplos ao seu magro bolso, as contas nacionais nunca se corrijam.

Uma relação franca e leal tem sempre os seus solavancos e equívocos, mas tudo se ultrapassa se a alma não for pequena.

Defines bem o meu optimismo relativo e eu compreendo muito bem o depósito natural de cínico na garrafa duplo vintage da tua vida.

korrosiva disse...

Ferreira-Pinto.. ainda ontem dei exemplos de belissimas obras de arte que se pode fazer com a neve enquanto se aguarda que a via esteja em condições de circular...

beijinho ;)

DANTE disse...

Meu caro Ferreira , não importa se os meios estão há disposição ou se existem , se são adequados ou desaquados , se são eficientes ou deficientes , apenas importa que os contribuintes os paguem! Se está no papel , tá-se bem.
Òbvio que estou a ser irónico...

Um abraço

Ferreira-Pinto disse...

Safa DANTE eu pensava que estavas ás sérias, mas afinal estás só a "ferreira leitar"! :)

Compadre Alentejano disse...

Nos cadernos de encargos da A24 e da A7 não estará a cláusula, que os concessionários terão de dispor de meios anti-neve?
Se não está, devia de estar...

DANTE disse...

Por falar em 'ferreira leitanso'...passa lá pelo meu blog Espero que nao te ofendas , não é essa de todo a minha intenção ;D

Um abraço

Daniela Major disse...

E eu que nunca vi neve...pois na unica vez que fui à Serra da estrela não estava a nevar! É mesmo triste.

o que me vier à real gana disse...

Boa tarde, caro amigo!

Mas quem é que nos ganha em ímpeto?

Abraço

Carol disse...

Ai a neve... O português é mesmo tanso. Vai-se a ver é efeito da neve, que nos enregela o cérebro ou quiçá do sol, que nos tosta os neurónios...

Tiago R Cardoso disse...

dado que fui um dos participantes na escalada do IP4, avanço com a opinião.

para lá passei a o cruzamento de Mesão Frio e nada de indicações, depois espero na subida 45 minutos, resolvo voltar para trás e já lá estava a GNR cortar o transito.

Então e os desgraçados que estavam para cima do dito cruzamento, não se avisa?

Ao voltar consegui atravessar a serra, estrada desimpedida, muita neve e só lá fui com a mudança de montanha, vantagem de se ter um automóvel com mudanças automáticas.

Temos de reconhecer que um limpa neves ter ficado prezo na neve não abona nada a concessionária.

Considerar que passado algumas horas o IP$ ter fechado outra vez, a 101 alternativa até a Régua, também ter fechado e a A4 para Viseu também, deixou o interior fechado.

Estávamos bem arranjados se o frio se prolonga-se.

Valeu o jantar em Macedo, os licores e a conversa com o ex-presidente.

joshua disse...

É como o pasmo embevecido do português por estrangeiros, nórdicas, eslavas, louras.

A neve é estrangeira ao português
e ele aparvalha-se em conformidade.

lusitano disse...

Bem a neve é branca, fria como o caraças, tem alguma beleza e é giro, "prontos"!

Fiquei em casa que era mais "quintinho", até porque assim dessas coisas frias o melhor mesmo é um bocado de gelo num saboroso whisky com água!

Experimentem com Perrier, (passe a publicidade), como aprendi em África e vão ver se não é bom!

Abraço

Blondewithaphd disse...

Por estas e por outras é que aqui a je foi para o sol da Isla Canela!!! :) Qual neve, qual carapuça!

AP disse...

A organização neste país vê-se em 2 ou 3 situações, sempre climatéricas...Elas são : Temperaturas altas -> FOGOS
Precipitação -> CHEIAS
Temperaturas frias -> NEVE E AUTO-ESTRADAS FECHADAS!

O S.Pedro bem nos avisa, visto que o termoestato nacional está quase sempre avariado!

AP disse...

Ou para não contrariar o nosso grande Primeiro Ministro..."Em remodelação ao abrigo do Choque Tecnológico"

Cumprimentos!

O Guardião disse...

Eu fiquei no aconchego e conforto da lareira, e só ao ver na TV os efeitos dos "pequenos nevões" é que me lembrei de comparar a assistência que temos nas nossas auto-estradas, geridas por privados, e por exemplo a assistência nas auto-estradas da Alemanha. Será que os contratos por cá não prevêem obrigações para os concessionários?
Cumps

PreDatado disse...

Vou pedir desculpa ao autor do post por apenas me referir ao seu conteúdo, sem embargo da interessantissima discussão político-conceptual que grassa entre alguns dos prestimosos e prestigiados membros da comunidade blogista neste mesmo espaço. Sendo assim e sem qualquer intenção velada ou aberta de arrefecer a questão nogueirista é da neve e da bravura dos portugueses que vou falar. Não se admire Ferreira-Pinto de irmos para a neve sem correntes. Fomos às índias sem frutos nem legumes. Morremos de escorbuto mas chegamos lá. Quanto não vale uma bela foto, um skuar ou uns bonecos de neve como os que a korrosiva nos brindou com tanta alma, face a um deslizar de chapa contra o rail? Quanto às estradas, auto-estradas, IPs e outras coisas onde nos deveriamos locomover com segurança, o meu caro não esqueça do seguinte: quando as águas forem privatizadas haverão algumas aldeias, quiçá vilas que poderão deixar de a usufruir. Não dá lucro não há serviço. A EP é actualmente uma empresa que tem de dar lucros. Porra lá estou eu a meter-me em questões políticas. Vou tomar um whisky on-the-rocks. É servido?

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Neve para mim só por detrás da vidraça, numa sala bem quentinha, ou então numa viagem de comboio.
De resto, só em filmes e noticiários...

Alexandre Corrupto disse...

No Inverno é a neve, no Verão são os fogos... os meios sempre foram e serão as partes mais complicadas no desenho de processos.

deu-me frio ler este post :s