Reflexão para um fim de semana prolongado

Estava aqui a pensar no que havia de escrever para este fim-de-semana e, dando voltas à cabeça, percebi que já estava um pouco farto de escrever sempre sobre os mesmos indivíduos que em vez de nos ajudarem a viver melhor, parece que apenas complicam cada vez mais as nossa vidas.
E decidi olhar para trás, para o passado, que com certeza tendo coisas que foi muito bom mudar, tem outras que nunca deviam ter sido mudadas.

Em todo o tempo sempre houve malandros e sempre houve gente a tentar enganar outra gente, mas faz-me impressão, muita impressão, que valores como a palavra de honra, a amizade, a preocupação com os outros, e tantos valores humanos mais, tenham sido postos de lado, ou pelo menos, já não sejam visíveis na maioria da sociedade.

É que me faz impressão ouvir constantemente as pessoas a dizerem, “eu cá só confio em mim e em mais ninguém”, e ainda me faz mais impressão quando por vezes sou levado a pensar assim também.

Antes, mesmo que se fosse enganado por outros, havia um valor seguro, um refúgio, uma fortaleza, que era a família, onde encontrávamos sempre alguém que nos acolhia, que nos ajudava, que nos amava, enfim!
Hoje uma grande parte das famílias estão desmembradas, desfeitas e as leis que se vão fazendo parecem ajudar cada vez mais a colocar um fim na família.

Hoje, por exemplo, a palavra amor é utilizada para milhentas coisas que afinal nada têm a ver verdadeiramente com o amor.
Hoje, até parece que se pode comprar o amor, mas temos que nos desenganar, porque se há coisa que não se compra de certeza, é o amor.

Não, não estou a dizer que estes tempos são maus e que o passado era melhor, estou apenas a constatar factos que tornam a vida mais difícil, mais cinzenta, menos dom e mais obrigação.
Sim já sei que alguns estarão a pensar que é a minha vivência cristã católica que me faz escrever estas coisas, mas reparem que elas não têm só a ver com a religião, têm a ver de facto com a vida, com a qualidade da vida.

Quem é que não quer ser amado?
Quem é que não quer confiar e que nele confiem?
Quem é que não quer o ombro onde reclinar a cabeça nos momentos difíceis e que se encontrava sempre na família, na verdadeira amizade?
Quem é que não gostava de ver os outros felizes e contribuindo para a sua felicidade, construirmos a nossa felicidade?
E reparem que quando falo em família, não me refiro forçosamente ao “constituir família”, mas sim à família que todos temos, casados e solteiros.

Talvez não seja um texto de intervenção politica mediática, mas são com certeza pensamentos que nos devem levar a pensar na sociedade em que vivemos.
Deixei que as palavras fossem sendo escritas, releio-as e caso com elas, pensando que é uma óptima reflexão para o fim de semana prolongado que aí vem.
Ah, e, já agora, abraço-vos com amizade!

6 comentarios:

Zé Povinho disse...

Com os muitos apelos ao sucesso individual, com as dificuldades en singrar na vida nesta sociedade podre e interesseira, realmente a Amizade e a Família têm sido relegadas para segundo plano. É sempre bom reflectir sobre estes dois temas que são essenciais para cimentar relações e erguer qualquer sociedade dando-lhe coesão.
Abraço do Zé

Carol disse...

E que óptima reflexão nos ofereces! Agradeço o abraço e retribuo com carinho. Parece que até esses gestos se começam a perder...

António de Almeida disse...

-Que mais posso dizer senão que concordo com as reflexões que coloca? A evolução dos tempos modernos não nos tem conduzido forçosamente no melhor sentido.

Ferreira-Pinto disse...

Meu caro, calhou ontem que, mais que pela força do destino, fosse pela do comando da televisão, tivesse ido parar à SIC Notícias (passe a publicidade) no momento exacto ...

O programa chamava-se "Radar de Negócios" (se não me falha esta memória) e o entrevistado Jacinto Nunes, ex-quadro do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Depósitos.

Algumas das passagens vieram-me à memória quando li este texto; minudências como a honorabilidade, o respeito pela seriedade e honra alheia e, já agora, pela nossa, a lealdade ... enfim, uma panóplia de valores que já não estão na moda, antes convenientemente arrumadas na prateleira superior da estante!

É triste que assim seja e que se tenha perdido muito do respeito por nós próprios e que nos leva a actuar de forma perfeitamente escabrosa em relação aos outros!

Coisas que o mundo trouxe, mas que urge combater. Sob pena de qualquer dia nada fazer sentido.

Camarada Choco disse...

Divulgação

Onde estavam os adolescentes no 25 de Abril?

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Adoa disse...

"É que me faz impressão ouvir constantemente as pessoas a dizerem, “eu cá só confio em mim e em mais ninguém”, e ainda me faz mais impressão quando por vezes sou levado a pensar assim também."

Faz-me muita confusao também quando por forca das circunstancias sou levada a pensartambém assim.

Sempre pensei que eu tenho de ser como sou e quando as pessoas nao quiserem ser correctas, o problema será delas... Mas o que acontece é que somos muitas vezes afectados e nada podemos fazer que proteger-nos...

Provavelmente todos acabamos por actuar assim por proteccao...