Ontem, Maria de Lurdes imolou-se!

Ontem, vendo Maria de Lurdes Rodrigues, senti que estava ante uma debandada.
O seu recuo, que deve ser lido como uma clamorosa derrota, poderia ser, se sabiamente aproveitado, uma eficiente tenaz.
Podia, mas não será.
E, assim sendo, ontem foi o dia em a ministra da Educação se imolou. E já não renascerá das cinzas como a Fénix.

Se ela tivesse lido Marçal Grilo, no seu “Difícil é sentá-los”, saberia que o “ministro é, para alguma camada da população, uma figura mítica que tudo pode e que tudo resolve. Ora, a prática mostra que os condicionalismos políticos, financeiros e mesmo burocrático-administrativos são, muitas vezes, factores que impedem o ministro de pôr em execução algumas medidas que imaginou e que pensa poderem resolver algum problema. O ministro tem muito menos poder do que aquilo que toda a gente julga”.

E, tendo percebido isto, teria escolhido cuidadosamente a estratégia a seguir, os aliados que iria escolher e o modelo que supostamente deveria avaliar uma parte da comunidade escolar.
Ontem avançou com mais um remendo!
Que não colheu a aprovação daqueles que têm apostado em não deixar pedra sobre pedra das medidas do seu consulado e, agora, possivelmente, tentarão aproveitar para fazerem recuar ainda mais quem escolheram como inimigo.

Maria de Lurdes Rodrigues não respondeu às insistentes perguntas sobre se achava que tinha condições para continuar. Nem precisava.
A resposta, é óbvia e parva a pergunta.

Enquanto ouvia Maria de Lurdes Rodrigues pensava numa pessoa como o JOSHUA que já à tarde espumava raiva e exigia (pela enésima vez) a demissão.
Interrogo-me no que é que a demissão da ministra resolve os problemas, por exemplo, de desemprego como ele.

Não seria mais profícuo que um emérito e esclarecido cidadão como ele se batesse contra as acumulações?
São umas escassas horas, mas juntas podiam traduzir-se em mais umas colocações.

Pergunto-me porque é que se aceita um argumento tão falacioso e redutor como o que diz que todos os docentes que estão a abandonar o ensino representam, cada um deles, uma perda irreparável, sem um espirro? Então, entre os novos docentes não os há com capacidade, imaginação, estratégias inovadoras?
E como é que outros dizem que essas tais perdas irreparáveis seriam, ao mesmo tempo, os algozes dos inocentes?

Ou, e já agora, se é aceitável e admissível que o sistema permita que os especímenes da raça asinina que pululam pelo modelo cheguem ao topo em vez de lhes ser mostrada a porta do olho da rua?
Isto, são as dúvidas que tenho e a que tu, Torquemada Joshua, nunca me respondeste!
E nunca o fizeste porque, cego na tua obsessão, só persistias em ver uma parte do problema.

33 comentarios:

DANTE disse...

È assim a função pública meu caro ferreira , quem topeja as listas são sempre os mais antigos e nunca os mais capacitados para tal!
Bem vindo á escrita!

Um abraço

korrosiva disse...

...palavras para quê?
Não poderias ter sido mais explícito!

;)

joshua disse...

Tarantino, gosto quando fazes interregnos à tua partidarite-PS e te reabres à tal amplitude perspectivadora dos problemas de que me acusas deficitário.

O problema é que isso só te acontece 1. quando estás na oposição, 2. quando não se perfilam eleições autárquicas no horizonte e 3. quando o teu chefe da outra cor partidária te declara manter-te no cargo de consultor jurídico e jurisprudencial porque, repara, és competente, senão...

Ora, de todos estes pressupostos de isenção e equidistãncia, quase todos estão em perigo-twilight e o número 2. está ao rubro, logo, está o teu discurso enfermo da tal partidarite-PS e por isso mesmo teremos de esperar que esta maré passe para que do lobisomem-PS, espumando para cima do Joshua desempregado e inteiro detractor da Ministra de Pedra e Cal com Pés de Barro, regresses ao teu natural semblante de homem independente sem os pêlos e as unhas ou os dentes argumentícios de um activo militante partidário, logo, tendencioso como um árbitro do Benfica nos jogos em que apite rivais.

Sem espumar, mantenho a minha rejeição de um modo de exercer o poder, que pode agradar-te e à Korrosiva sempre na Party, mas que representa para mim o rarefazer extintor de uma tradição humanística e socializadora integral e que agora se procura esboroar com graves riscos civilizacionais e descaracterização nacional. Já jantei contigo e apanhei-te os trejeitos de chefe em potência e com passado e bem sei que chefiar isso tu sabes: chefias o que puderes e pode ser que venhas a chefiar qualquer coisa, o que der e vier.

Chefias A, B, casa, blogue, gabinente, o que quiseres. Eu rivalizo contigo, ok? Espero que, como chefe, nunca te assemelhes à cara de cu da ministra, à cara de cu das suas políticas, ao trambolho da sua avaliação e te mantenhas na conveniente corda-bamba que te permita levar para casa o teu automóvel e o teu vencimento. Por tuas filhas e tua esposa.

Por elas, como pelas minhas filhas e esposa e alunos que, passada esta maré de merda e oco socratinesca e rodriguista, eu possa vir a ter conforme tive na alegria e na verdade autêntica da revelação de mim e dos meus muitos saberes, te apresento um discurso que desfaz em mil pedacinhos o teu arrazoado-tese sobre Joshua, só feliz quando a Ministra tombar, o que é bem verdade, uma vez que essa menina e a sua água do banho não se distinguem mesmo:

PETIÇÃO DE PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO À
SR.ª MINISTRA DA EDUCAÇÃO

Nota Introdutória:

Nós os Pais e Encarregados de Educação autores desta petição, nós os que frequentemente olhamos os nossos filhos enquanto brincam e se divertem, e invariavelmente os imaginamos daqui a muitos anos com os seus e os nossos sonhos, desejando que alcancem uma vida plena. Nós, aqueles que projectam para os seus filhos as competências para a participação numa sociedade de sucesso, e que neles vêem o futuro e a garantia de uma herança cultural colectiva; nós, esses mesmos, também temos uma palavra a dizer.

Na educação, claro! Uma palavra a dizer sobre as políticas educativas que finalmente parecem ter recuperado um país para a sua própria consciência e que nos provaram, afinal, que em Portugal a cultura de intervenção cívica não morreu. Esteve apenas adormecida por uma indiferença ao discurso político, muitas vezes medíocre, e que efectivamente apenas interessa a quem participa nos jogos de poder.

Afinal, quando altos valores se levantam, Portugal reage. Enfim, quando aqueles em quem foi delegado o poder legislativo se esquecem que a lei deve servir a quem neles delegou, Portugal recorda. Porventura, quando os dirigentes revelam não estar à altura da longa tradição de serviço público, Portugal protesta. Quando a falta de cultura social das elites políticas se revela e ultrapassa todos os limites, em matérias que hipotecam seriamente o futuro colectivo de uma nação, Portugal diz basta!!!

A presente petição à Ex.ma Senhora Ministra da Educação é subscrita por aqueles que depositam toda a sua esperança nos filhos. Aqueles que nada guardam ou poupam, para que as futuras gerações de portugueses possam partilhar um futuro colectivo melhor, e com isso serem eles próprios melhores homens e mulheres, mais bem preparados, mais capacitados, com mais oportunidades e com melhores perspectivas. Somos pais, e esta é a nossa missão.

Para salvaguarda do significado do presente documento e da integridade intelectual dos subscritores, deixamos aqui uma forte advertência a todos aqueles que nos lêem e que ponderam subscrever esta petição:

Em boa verdade, não há ninguém que possa afirmar não ter qualquer ligação à educação. Em cada família há um aluno, em cada professor uma família. É especialmente a estes últimos, e a todos os que desenvolvem a sua actividade profissional na área educativa que pedimos um esforço adicional. Antes de prosseguirem para a leitura do texto da petição, saiam da frente do computador e procurem os vossos filhos. Olhem-nos e admirem-nos. Imaginem o que o futuro lhes reserva e tudo aquilo que para eles desejam. Depois, apenas e só depois deste exercício, regressem e leiam o texto da petição com olhos e alma de pais. Só assim – na qualidade de Pais e Encarregados de Educação - a vossa subscrição será verdadeira, integra e intelectualmente honesta.

O assunto é demasiado sério, e merece algum cuidado.

Leia atentamente a petição, subscreva e divulgue.

Muito obrigado.


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PETIÇÃO À SENHORA MINISTRA DA EDUCAÇÃO
**********************************************

Dr.ª Maria de Lurdes Rodrigues

Nós os Pais e Encarregados de Educação declaramo-nos preocupados.

A situação a que chegámos é talvez o culminar da "tomada de assalto" das escolas pela burocracia e pelas elites que fomos criando em muitos anos de políticas educativas atípicas para a própria condição humana. Ela reflecte bem o estado geral da educação em Portugal, e não augura nada de bom se não ponderarmos o rumo em que estamos lançados.

Várias ameaças pairam sobre a educação nacional neste momento, sobre as quais tecemos as seguintes considerações:


a) Avaliação dos professores

Afirmamos a necessidade de um sistema de avaliação de desempenho, tanto para os professores como para as escolas enquanto instituições colectivas. A avaliação não é uma questão laboral mas sim uma questão educativa de fundo e uma indispensável ferramenta estratégica para a melhoria de competências e práticas pedagógicas e científicas, e para garantia da qualidade das aprendizagens.

Em consciência, não podemos concordar com sistemas de avaliação "fast-food", criados à luz de critérios economicistas, sem quadros independentes, formados e especializados na problemática educativa, e sem critérios e objectivos de longo prazo devidamente estabelecidos. É imperativo saber o que queremos da escola moderna e dos novos professores para saber o que vamos avaliar.

Consideramos prejudicial aos interesses dos nossos filhos e do futuro do país, um sistema de avaliação que visa pressionar o professor a facilitar a avaliação dos alunos. Os nossos filhos merecem uma preparação efectiva e não meramente estatística. As estatísticas de sucesso podem servir para abrilhantar relatórios, mas não servem os interesses dos nossos filhos nem o futuro do país.


b) O estatuto do aluno – em particular o novo regime de faltas

Não podemos concordar com o abandono de valores culturais essenciais para a formação do carácter individual e colectivo de uma sociedade de sucesso. Rigor, esforço, dedicação, dever, responsabilidade e disciplina estão cada vez mais longe da escola.

Consideramos uma grave subversão dos valores que a escola transmite quando se trata por igual situações que são antagónicas, premiando a irresponsabilidade e prejudicando o empenho. Não há sensação de justiça quando se equipara uma falta por doença ou motivo justificativo a uma simples "balda" ou "gazeta".

Acreditamos numa escola humanista, tolerante e geradora de solidariedade que seja capaz de dar todas as oportunidades a todos os alunos. Mas a escola nunca o será verdadeiramente se não for capaz de premiar a competência, reconhecer o esforço, e censurar o desleixo.

Apelando à serenidade e a meios de expressão em que prevaleça o respeito pela ordem pública e pela diferença de opinião, prestamos a nossa homenagem, admiração e solidariedade ao movimento estudantil e às associações de estudantes onde, afinal, o espírito crítico ainda sobrevive. É para nós um desejo que as novas gerações possam ser mais pró-activas (e menos passivas) no uso e reivindicação do seus direitos, liberdades e garantias, numa cultura de intervenção cívica própria das sociedades mais desenvolvidas.

Lamentamos profundamente e recusamos quaisquer atestados de menoridade ou de incapacidade crítica, implícitos nas insinuações de que os nossos filhos estão a ser manipulados. Aos que as fazem, lembramos as palavras de Epicleto: "Não devemos acreditar na maioria que diz que apenas as pessoas livres podem ser educadas, mas sim acreditar nos filósofos que dizem que só as pessoas educadas são livres".


c) Apelamos a um debate nacional, e a uma reflexão profunda

Em tempo de mudança, de uma Sociedade da Informação que se quer transformar em Sociedade do Conhecimento, da velha pessoa "reactiva" para a nova pessoa "pró-activa", que seja um verdadeiro agente de transformação, capaz de construir conhecimento, que aluno é que queremos?

Em tempo de mudança, dos velhos sistemas analógicos para a era digital, em que jovens teclam tão rápido num telemóvel ou num computador e em que nos habituámos a ver o mundo em mudança rápida e permanente até ficar bem diferente poucos anos depois de se ter iniciado o percurso escolar; que professor é que queremos?

Em tempo de mudança, o que é mais importante: traçar um perfil novo para o professor, o educando e as aprendizagens e acompanhar com uma avaliação honesta, sensata e rigorosa, ou avaliar sem se saber o que se está a avaliar porque não se sabe o que se quer? Que escola é que queremos?

Queremos a escola que Kant nos descreve, quando afirma "É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias"?

Ou acreditamos em Tucídides, quando afirma "Não pensem que um ser humano possa ser muito diferente de outro. A verdade é que fica com vantagem quem tiver sido formado na escola mais rude"?


d) Afinal, o que é que queremos construir?! Afinal, o que é que queremos avaliar?! Resignamo-nos à mediocridade, à falta de meios, à falta de ambição?

A maior derrota é perder a capacidade de reflectir. Perder a oportunidade de parar para pensar, para dialogar. Essa perda afecta o homem e a sociedade no seu último elo: a sociabilidade.

Ao longo dos últimos anos temos vindo a assistir ao desaparecimento das ciências sociais e humanas dos currículos educativos. À luz daquilo em que se transformou a política – discursos e estatísticas – esta acabou por transformar a educação em Português e Matemática.

Como afirmou o reconhecido académico António Damásio, "(...) o ensino das Artes e das Humanidades é tão necessário quanto o ensino da Matemática e das Ciências,(...) Ciência e Matemática, por si, são insuficientes para formar cidadãos".

Não admira pois que alguns titulares de órgãos de soberania tenham "fracos índices de cultura social". São já fruto de políticas educativas avessas à própria condição de cidadania. Não mudemos nada, e imaginem como serão aqueles que nos governarão amanhã.

Resta-nos a esperança de que com o novo modelo de gestão, as escolas passem a responder perante a comunidade e não perante o sistema. Resta-nos a convicção de que com o reforço do peso dos pais e outros elementos da comunidade na gestão das escolas possamos, em conjunto com os professores e os nossos filhos, mudar um destino fatal.

Assim, e pelo exposto, os Pais e Encarregados de Educação abaixo assinado, requerem a Sua Ex.a a Ministra da Educação:

1. A suspensão do Decreto-Regulamentar 2/2008 de 10 de Janeiro, que regulamenta o regime de avaliação de desempenho do pessoal docente do pré-escolar e dos ensinos básico e secundário;
2. A urgente abertura de um processo negocial, que promova um amplo debate nacional e uma reflexão séria sobre os objectivos nacionais a atingir através das políticas educativas;

3. A abertura de um processo de revisão da lei 3/2008 de 18 de janeiro, que aprova o Estatuto do Aluno dos Ensinos Básico e Secundário, de forma a consagrar princípios de justiça e uma cultura de empenho, rigor, esforço e exigência na vida escolar dos nossos filhos e futuros pais, líderes e garantes deste país.

Os abaixo-assinado:

Subscreva esta petição em

http://www.petitiononline.com/minedupt/petition.html

pedro oliveira disse...

Depois de ouvir a ministra e os mários nogueiras, cheguei à conclusão, que eles os, MG, não querem é a avaliação.Fartei, e já não dou mais para esta quermesse.Os nosso filhos precisam de aprender, façam o favor de os ensinar e deixarem-se politiquices.
Po
Vilaforte

Ferreira-Pinto disse...

Ó JOSHUA tu nem sabes como eu adoro lançar-te um isco e tu vires logo assim … pleno de pujança, de ideias feitas e a pensares que cada tiro, cada melro!
A sério que gosto.

Já nem te protesto amizade, porque começa a ser suspeito e nem sei se tu a queres de tal forma foste indecente desta vez.

Dou-te a honra de te considerar como um dos meus críticos de eleição.
Por isso, e agora vamos lá tentar responder, à medida das minhas diminutas possibilidades, ao teu longo solilóquio!

Contrariamente a algumas pessoas, sendo que nessas estão alguns que se calhar ambos conhecemos, não ando por aí disfarçado, nem qual zeloso guardião dos bons costumes ou seja do que for.

Não colhe o teu argumentário de que aqui este teu humilde serviçal só tenha a tal amplitude de pensamento e de liberdade quando por artes misteriosas se juntam os três factores que tiveste o cuidado de elencar (aliás, um nem é novidade pois ainda ontem vi um certo escritor de vanguarda avança-lo).

Meu caro, sabes bem que sou socialista (já to disse) e bastaria ver algumas das obras que estão na imagem que encimam aqui o blogue para se perceber, no mínimo, que não seria alérgico a essa matriz.
Mas sabes de uma coisa? Eu assumo o que sou, não sou como alguns pederastas que alegando-se independentes não passam de uns marretas!

Contrariamente ao que presumes, e erradamente, não tenho é umas palas nos olhos!

Podeis, tu e o tal escritor de vanguarda estar descansados, que apesar da proximidade das eleições autárquicas, não há a mínima possibilidade de regressar àquilo de que ambos me eventualmente acusais.

Quanto ao chefe me declarar manter no cargo, equivocas-te. Sou competente sem favor e entendo, que “malgré” as diferenças insanáveis de opinião que com ele mantenho, tenho o dever de lealdade, coisa que presuma ainda saibas o que é.
Quanto ao “manter”, há aí um problema incontornável e que passa pela minha competência que impede que seja sumariamente despedido.

Isto elucidado, vamos ao resto.

Eu não tenho nada contra o teu desemprego crónico, lamento-o e pudesse eu ajudar-te-ia a encontrar trabalho decente e bem remunerado.
Limitei-me, quando te coloquei essa pergunta, a inquirir em que medida a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues traria a tua felicidade e se isso seria sinónimo da resolução do teu problema particular?

Eu, na tua visão do mundo, sou mais tendencioso que um árbitro benfiquista, mas basta vermos o teu escrito para ficarmos na dúvida se tu não és o Pol-Pot da ministra ou se estarás meramente de má fé?

Eu, antes que me fuziles, declaro já que não admito nenhuma das duas! “Et pour cause” …

E quando me quiseres insultar, fá-lo directamente e não me venhas com a infame insinuação que “chefias o que puderes e pode ser que venhas a chefiar qualquer coisa, o que der e vier”, pois ainda tenho coluna vertebral!

Aliás, nem era necessário que descesses à linguagem rasteira e soez dos juízos de valor, mas enfim … tu lá haverás de saber de que massa és feito e se te sentes bem assim.

Eu gostava, isso sim, que me tivesses respondido àquelas perguntas finais e não me viesses para cá com petições que eu também conheço.

E, se ainda te restar um pingo que seja de visão, convido-te a voltar a reflectir sobre esta premissa:

A guerra da avaliação não é uma guerra mundial!
Não sendo uma guerra mundial, é possível que alguns consigam manter a sua equidistância e perceber que se a ministra é uma desilusão, não resulta daí que o tal movimento cívico de docentes seja inteiramente constituído por santos.

Sabes que mais?

Sinto-me honrado por, ao menos, ontem termos visto uma coisa ... para alguns, nomeadamente tu, o Mário Nogueira, o outro da FNE e não sei quantos mais o que estava bem era o anterior Estatudo da Carreira Docente e o ensino da tal escola inlusiva, pública e democrática!

Também me sinto honrado por a KORROSIVA me acompanhar.

Quando tu perceberes que, mesmo saíndo Maria de Lurdes Rodrigues e mesmo acabando a tal avaliação que contestas, sempre existirão os tais que deram cabo da escola ao longo destes anos, então aí sim serás um homem feliz pois perceberás que o descalabro da Educação não se iniciou neste consulado!

lusitano disse...

Bem, cá para mim esta coisa já começa a cansar e parce uma conversa de, não de surdos, mas de burros, teimosos como o caraças e que puxando cada um para o seu lado acabam por não conseguir comer o fardo de palha que está no meio.

Mas o que me preocupa mais, são os jovens, os estudantes, os nossos filhos, que vão vendo estas lutas intestinas e delas vão retirando o pior, ou seja, a verdadeira falta de diálogo sincero e frontal, sem outros interesses por detrás, seja de que lado for, porque me parece que aqui ninguém é inocente.

O que se "mostra" a estes jovens é que vale tudo para manter um "orgulho besta" como se isso fosse apanágio das pessoas rectas e dignas.

É muito mais mulher ou homem, aquela ou aquele que sabe reconhecer o seu erro tentando corrigi-lo, do que aquele ou aquela que não quer deixar passar a imagem que cedeu em alguma coisa.

É por causa destes feitios que existem guerras no mundo.

Entendam-se, porra, ou vão-se embora e que venham outros!

Abraço

indomável disse...

Ó Quint,

estás a ver o que te dizia sobre a nossa alma lusitana? Já dizia o Camões - quando "valores mais altos se alevantam!", o povo mostra a sua raça.

Agora vou eu botar faladura, que é como quem diz, vou-me atirar para a lama convosco, que eu gosto mesmo é da porrada! (não fosse eu menina do rugby, de sangue na boca e negro no olho, com muito prazer, muito obrigada!)

Então vá lá ver se o que digo e penso faz sentido... as reformas propostas por este governo tinham tudo para dar certo... não fosse o pequeno pormenor de a ministra ser um daqueles professores à antiga, não contratada, que aulas deve ter dado algumas e decidiu, depois de vários anos sentada à secretária de uma qualquer Direcção Geral da educação, romantizar o ensino e os alunos e as escolas e os pais...
Outro pequeno pormenor, foi que toda a sua equipa ministerial junta deve ter menos que o equivalente aos dois neurónios que eu e a Blondie apregoamos para nós próprias e que claramente não é suficiente para reformar um ensino que há muito peca pela deficiência...
Para além disso, volto a afirmar que as reformas seriam boas, caso tivessem sido começadas pela sua base, o que simplesmente demoraria mais tempo a mostrar as mudanças e essa terá sido a razão (de visão estreita) para não ter sido levada a cabo assim!
O mal, Joshie, não está no PS ou no PSD, ou no Centrão ou mesmo na comuna, o mal, meu amigo, está em toda a visão política cá do burgo, que não pensa em português, pensa em europeu, em outra lingua qualquer... Pessoa dizia que não era português, era europeu, mas a diferença dele estava em pensar na pátria como sendo a lingua portuguesa... Explico melhor, os nossos políticos não têm pátria, porque não a sentem, Pessoa era Europeu porque sentia a pátria no estomâgo e com todas as suas forças.
Para se defender seja o que for, tem de se vestir a camisola como uma pele... e os nossos políticos não têm pele verde e vermelha, será que me entendem?

Joshie, Quint,
Não vale a pena debaterem-se como inimigos numa situação em que claramente estão ambos do mesmo lado. Sim, Josh, do mesmo lado, ambos. Também eu acho que a ministra ou a sua demissão, vai resolver seja o que for. O que eu acho, e também concordo contigo, é que a senhora é mais política que professora ou humana e faz como alguns outros antes de si - da mesma forma feroz com que afirmou não tocar no modelo de avaliação, garantiu que estava pejado de erros e deu um passo atrás...
Já antes dela o ministro da saúde o tinha feito, acabando por se demitir, substituido por uma ministra que faz mais ou menos o mesmo que ele. Já antes também o ministro Mário Lino tinha feito igual, gritando Jamé, jamé, para um segundo depois garantir que a alternativa era perfeita!

Meus amigos, a verdade seja dita, as reformas são necessárias, e tu Joshua, vais ter de concordar comigo, que na classe lectiva há muitas falhas, há professores que se encostam à sombra da bananeira e iam subindo na carreira só porque sim. Vais concordar comigo que todas as políticas, assim como todas as reformas vão ter sempre os seus desvirtualismos e vais igualmente ter de concordar comigo quando te digo que no ensino público tem de existir excelência, tem de existir valor da parte de quem ensina... avaliação deve ser feita...

MAS... e este MAS é enorme... o que esta ministra conseguiu e desvirtuou todas as boas intenções... foi dividir, separar os parceiros e toda a gente com o mínimo de bom senso sabe, que dividir é para conquistar, mas há que unir para governar!
O que devia ter sido feito primeiro, teria sido unir os parceiros, aproximar as famílias da escola, apelar à participação activa dos pais, responsabilizar os alunos, aumentar os níveis de exigência, melhorar o sistema de avaliação dos alunos e implementar um verdadeiro quadro de honra.
Isto não só obrigaria os professores a melhorar, como melhoraria os programas educativos, como obrigaria os pais a participar mais e a exigir da parte do tecido empresarial do nosso país a adequar-se à participação dos pais nas escolas, obrigaria os conselhos pedagógicos a apresentar trabalho útil e os alunos sentir-se-iam predispostos a estudar. Não me chamem demagógica, porque os quadros de honra existem em muitos países da Europa e outras partes do mundo e garanto-vos que funciona. Além do mais, em Portugal há colégios, particulares, bem entendido, onde o quadro de honra é implementado e funciona melhor que a benevolência e a política do aluno coitadinho que se quer implementar hoje...

Já me vou alargando e as minhas ideias a respeito do ensino são muitas, infindáveis.

MAs termino apenas com isto. O fundamentalismo nunca foi bom conselheiro de ninguém... Vá, portem-se bem e façam as pazes... Senão eu zango-me, chamo a ministra e obrigo-a a dizer-vos porque é que este método de avaliação é tão bom/mau, já estou confusa...

indomável disse...

Olha, nem de propósito, a crónica que está no http://dererummundi.blogspot.com/
acaba por dizer muito sobre esta questão

Ferreira-Pinto disse...

Ó INDOMÁVEL mas que valente intervenção.
E sábia, diga-se.

No mais, minha cara amiga, eu não estou zangado com aquele saúrio, mesmo na parte dos juízos de valor pessoais porque aí cada um lá sabe o que lhe pesa na consciência.

Estou, isso sim, perplexo com a teimosia dele em querer acantonar a discussão apenas a uma das questões.

Blondewithaphd disse...

Ai o ensino, o ensino... Quando sairá ele das ruas da amargura em que tão enxovalhado caminha?

António de Almeida disse...

-Tenho debatido este assunto ao longo da semana, vou tentar analisar a questão enquadrando os vários intervenientes e o que julgo agora estar em causa, para lá da avaliação em si mesma.
-A ministra recuou, não existe qualquer dúvida a esse respeito, mas a menos de um ano das legislativas já não pode ser substituida, poderia obviamente mudar de política, até suspender o modelo de avaliação, mas SUSPENDER tornou-se palavra chave, o troféu de guerra que todos cobiçam, e agora a questão já não é apenas com professores ou mesmo sindicatos, BE, PCP, PSD e CDS/PP todos pedem a SUSPENSÃO do actual modelo, se o governo a tal aceder na hora seriam convocadas conferências de imprensa a reclamar vitórias, e a derrota do governo assumiria proporções bíblicas. Julgo que todos percebem que a partir daqui a SUSPENSÃO está fora de questão. Ao rectificar o modelo introduzindo algumas alterações, a ministra lançou uma ponte de diálogo possível, que poderá até ser aproveitada pelos professores, através das plataformas, para negociar, caso aceitem o ACTUAL modelo, seria uma derrota estrondosa para sindicatos e oposição, no ponto em que estamos. A única saída possível a meu ver, seria a substituição do modelo por outro, tecnicamente não existiria uma suspensão, e nunca teria deixado de existir avaliação, bem sei que não é fácil encontrar modelos de substituição ao virar da esquina, mas podem ser procurados adaptando existentes noutros países, procurar a originalidade resulta muitas vezes em bizarria. Já agora de passagem aconselho leitura deste modelo existente na Nova Zelândia:
http://www.liberdade-educacao.org/doc_avaliacao/avaliacaoprof.pdf
-Parece-me no entanto que oposição e sindicatos estão mais interessados em levar a luta às últimas consequências, e sendo assim, se a postura for apenas negociar após SUSPENSÃO, está-se a pedir o inegociável, a alternativa poderia ser aceitar negociar sem aceitar o actual modelo, o que resultaria diferente, mas por este caminho chegaremos a um ponto em que o governo não pode ceder, mais valia demitir-se, e os professores também não aplicam o modelo, poderão até não ser retirados efeitos práticos da avaliação este ano, mas será uma vitória de Pirro, chegados ás eleições, caso o PS vença, provavelmente MLR nem será ministra novamente, mas o modelo de avaliação estará lá à espera, e aí com uma vitória eleitoral fresquinha não há como lutar contra. Tenho é sérias dúvidas que a educação ganha algo, provavelmente terão perdido todos, mas reparem, em política não existem vitórias absolutas, isto não tem de ser Preto ou Branco, sem negociar, ou negociando sem pretender qualquer acordo ninguém chegará a parte alguma.

Manuel Rocha disse...

Quint:

Discordo da tese da imolação. O que vi ( a menos que não tenhamos visto o mesmo ) foi acção politica.

Sobre o assunto de fundo, é óbvio que, como boas comadres que somos,temos a maior dificuldade em discutir qualquer coisa sem entrar em dinâmicas de histeria colectiva onde se pensa com os tomates ou com qq equivalente anatómico.

Quanto aos mais, aprendi do meu avô que nos combates que travamos na vida, mais que o resultado final, conta a forma como nos batemos, porque só a dignidade que colocamos na luta nos honra sempre - mesmo na derrota.

joshua disse...

Tarantino, já não sei qual dos dois é que começou a pessoalizar toda esta questão e, abandonando o que pacificamente nos une e o que friamente nos separa, passou a falar no que me faz feliz, no meu desemprego, na tua posição partidária, na tua actividade autárquica competente, a fazer fé nas tuas palavras e no teu testemunho sobre ti mesmo, e no teu/meu carácter para argumentar contra ou a favor da avaliação, contra ou a favor de esta Ministra. Mas afinal, que é que eu e tu temos a ver com toda esta merda para a qual em nada contribuímos? Julgo que, por muito racional-emocionalista que eu seja nos meus enunciados, não é o que eu pense que pesará no fim de contas, mas detecto desde logo que te arrasto para equivalente emocionalidade discursiva, sobretudo quando investes em engodar as águas em que nado para ver se eu mordo o isco da discórdia e assim me pescares uma reacção qualquer de peixe que pela boca morre. Vai pescar para outro lado. Não sejas vulperino com os teus camaradas, amigos e rivais de ideias, como eu, e não faças disto o célebre debate da Associação Nacional do Bigode Português, sótôr, cheio das rasteiras estereotipadas e traiçoeiras da debatologia caduca entre políticos.

Mas já não me interessa o que faças ou não faças, desde que te retractes de uma adjectivação demasiado ofensiva e espinhosa cheia de soez e outros vocábulos subnutridos de verdade a meu respeito e do que terei ou não terei querido dizer, assim como eu me devo retractar de te ter escanhoado a calva natural de militante com empenho legítimo na sua militância apaixonada e por isso mesmo plástica a argumentar em favor da própria causa.

Sei apenas, do que te leio, que tens sido menino apologista da coça sistémica que este Governo e esta Ministra, nas tuas palavras eufemísticas, desastrada, está a dar na classe docente. Argumentas que há muitos vícios entre a classe, já os elencaste quase todos e os mais chocantes dizem respeito a sindicalistas e membros de partidos aboletados nas Escolas sabe Deus atropelando que normalidade e que ética elementares, e eu disse-te que, sim, senhor, era verdade, mas que também era muito arriscado chamar reforma a este levar tudo a eito, este cortar tão a direito ao ponto de saltarem fora tanto os encostados e habituados ao ócio na função como os denodados, apaixonados puros da docência e hábeis e competentíssimos na sua função, com natural predomínio de estes e não de aqueles porque estes últimos sofrem pelo que fazem e os primeiros sofrem sem dúvida pelo que ganham.

Alinhares pelos perseguidores e pseudo-morigeradores da classe contra a qual tens sido um feroz perorador, com exemplos e factos, e achares que a Maria de Lurdes, uma técnica sem alma e sem sentido democrático, sem capacidade de ouvir, sem uma cultura da participação, uma directivista e verticalista no exercício do mando, uma torcionária das diversas subjectividades antes de as escutar, não deve ser sacrificada imediatamente, isso obviamente nos separa. O meu caso com a ministra é pessoal e é sério porque releva da minha aguda percepção de ela, da minha experiência pessoal, directa, feroz, aguda, com ela e com alguém exactamente como ela: uma desalmada, uma bruta, alguém capaz de requintes de sádico e aperfeiçoamentos de hipócrita e tirano e que tarde, só muito tarde, à primeira paulada da vida repara que é mortal, se arrepende da merda sádica que sempre praticou e me envia SMS a lamentar sinceramente os danos que me causou.

Se calhar é isso: somos dois obsecados. Tu andas obsecado comigo e com o que eu penso de este consulado na Educação e da sua Ministra Cadente, cuja cabeça já devia ter rolado em bom tempo. Eu ando obsecado, a espaços, novamente com a cabeça de esta medusa, onde objectivamente as políticas e o perfil para mim são uma só coisa: nefastos, babélicos, caóticos, unidireccionais, errados.

Amor com amor se paga, lealdade paga-se com lealdadde, por isso, Tarantino, tu tem-me tento ou não eu me tenho. :)

Agora a sério, passa lá a mãozinha polpuda pela macia calva da tua consciência e retracta-te. Eu já me retractei.

Abraço

PreDatado disse...

Vocês os dois, Ferreira e Joshua fazem-me passar horas na blogosfera (o que vale é que eu não tenho que preparar aulas) a ler textos e comentários e contra-comentários. Mas depois de ler isto tudinho de fio a pavio chego à conclusão que há aqui, além das questões de princípio uma guerra de alecrim e manjerona.
Por isso nem comento o tema básico.
Entre Joshua e Ferreira não se coloca a bandeira!
(não é nem assim, mas acho que serve)

Ferreira-Pinto disse...

JOSHUA camarada ... se queres a paz, seja a paz.
Eu retiro o "soez" e alguns outros adjectivos, mas não exageres nos mimos!
Eu, em questões de memória, sou um pouco como a geriátrico Soares ... e insisto, retractando-me, que não havia mesmo necessidade nenhuma de teres trazido à liça questões pessoais (de minhas).

Ferreira-Pinto disse...

MANUEL ROCHA concordo quando afirmas que ali houve acção política.

Aflorei-a ali ao de leve quando falei do movimento "em tenaz" e estive tentado a enveredar por aquela via, mas deixei-a cair.

A acção política consequente devia ter sido iniciada com a protecção dos flancos e a escolha correcta da metodologia e dos aliados.

Fosse a reforma educativa um edificio obedecendo a uma lógica construtiva e teria sido assim; mas não, o monstro que todos os dias percorre os corredores da 5 de Outubro e que tem conseguido trucidar ministro atrás de ministro conseguiu a proeza de centralizar, burocratizar, errar ano após ano nos exames e nas colocações, remendar com circulares textos legais (o que é da mais duvidosa constitucionalidade e consequentemente legalidade) e nada lhes sucede.

Esse é um dos busílis da questão.
Mas ontem, e depois de ter persistido de forma consequente na sua visão, e nisso louvo Maria de Lurdes Rodrigues, viu-se claramente que a acção política criou condições para que mais à frente a ministra deixe de o ser e para que os sectores mais oportunistas queiram agora cavalgar a onda e manter a dita histeria.

PreDatado ainda bem que o amigo nos aprecia as palavras e, ponderadas bem as coisas, a sua síntese é (quase) perfeita.
De qualquer modo, mais vale uma querela destas do que uma daquelas à séria ... ia detestar ter de bater no Joshua :)

joshua disse...

Homem, Tarantino, a paz não é só do meu interesse. É do de ambos e desde que nos conhecemos há bem mais de um ano já a fizemos e melindrámos imensas vezes, recomençando sempre. E nem sequer se trata entre nós da paz amorfa da não hostilidade, do louvor em eco, mas muitas vezes de uma sã disputa, de uma viril rivalidade, com todo o sal de que somos capazes e o completo roçar dos limites de que ambos, desportistas radicais da palavra, nos aprimoramos.

Não fiques melindrado com o que chamas questões pessoais por mim trazidas à liça: não estás aqui em campanha para nada a não ser pelo requinte poligonal e plurívoco das tuas ideias soltas. Pela minha palavra, eu não te transformei em Sarah Palin. Tu não me transformaste no Emplastro. Não precisas de uma autodefesa tão feroz e blindada assim porque sabes bem que a minha pintura do Tarantino político que conheci pessoalmente é só a minha, é parcial, é subjectiva e está revestida de erróneo, dos traços da mesma capacidade de provocar e iscar o anzol argumentário com que por vezes sabes revestir a tua com o mesmíssimo propósito.

Considera-te, pela parte que me toca, perfeitamente salvaguardado no teu bom nome e na tua boa cepa. Os braços de ferro são o que são e as diferenças de opinião são o que são. A não ser que eu tenha abusado da referência à maciez da tua calva por via de lâmina ou à tua polpuda e papuda mãozita, mas aí, dear brother, é só humor e nada mais.

Deixa-me insistir que em matéria de auto-sacrifício político a nervosa Lurdes dos exames fáceis a matemática não tem uma noção exacta do que seja: só cordeiros inocentes e sem mancha são imolados deixando uma sensação estranha a mais que injustiça.

Já algozes e executores frios e teimosos não têm vocação para mártires.

Shalom, então.

joshua disse...

Manuel Rocha, olha que eu sou atlético, musculoso e cheio de karaté. :) Sabes bem que costumo deixar-te coma com o meu esgrimir de razões e sou eu o que te vai acordar dele e recolocar no ringue da verdade para mais uma sessão de wrestling no ceguinho, que és tu. :)

Ferreira-Pinto disse...

Se ainda me viesses com uma "Eugénio de Almeida" :)

Manuel Rocha disse...

Sim, Joshua, bate-me que eu gosto !
:))
Posso pedir uma variante? Desta vez dá-me com menos adjectivos e mais argumentos sff ! Sou masoquista mas tenho as minhas preferências, que queres ?...
;) E, se possível, separa pessoas de instituições. È que quando não separas confesso que fico mesmo atrapalhado, tipo a Cinha Jardim quando o Benfica marca golo ( perde a "razão e as forças"), fico sem reacção. Ora aposto que não gostas de malhar em inertes, certo ?

;)

Quint,

Tb deixei uns comentários no Rerum Natura...;)

joshua disse...

Conta com um bom Queijo da Serra, Tarantino, que to levarei à porta dos Paços do Concelho, pensem os que me virem com a prenda o que quiserem. :)

joshua disse...

Manuel Rocha, é verdades que malhar só dá gosto quando o malhado [fora das pintas que o conceito também homonimamente alberga] dá luta. Mas nem sempre é essa a regra. Às vezes, a murcheza inerte desperta redobrada violência porque é ela mesma, a murcheza, passivamente violenta.

Conheço um amigo escritor que tem um ódio estilístico aos adjectivos e por isso mesmo escreve inteiramente sem eles. Diz-me que é pelo facto de eles condicionarem de juízos de valor da leitura, que deveria estar livre de eles, além do facto de que a adjectivação é tanto mais abundante quanto menos for a ideia e o pensamento.

Eu, que acredito em tudo o que a ciência fundamenta e ainda mais no que não há ciência que fundamente nem aprisione conceptualmente, devo dizer-te que há argumentos que, por muito bem servidos, como os meus, não podem penetrar as ideias cristalizadas próprias de pessoas muito loquazes mas inteiramente monologantes, hegemónicas no tempo e no espaço da sua fala e do seu pensamento, espécie de narcisos que só se ouvem a si mesmos, e portanto os meus argumentos não penetram no corpo e na mente de esse tipo de alvos.

E acrescento que o sabor do texto, sem os adjectivos morais, físicos, psicologizantes, é a mais triste insipidez. Para que nos terá servido o Eça e a sua lição viva de estilo se não for ela por cada qual levada o mais longe possível?!

E tu aí, deixa que to diga, se tens pena de Pato impermeável às águas lustrais das minhas razões e palavras, o problema não são os adjectivos que te arremesso, mas a tábua rasa que fazes de eles. Por muito que te debatas no nosso corpo-a-corpo, não sei se é precisamente a minha adjectivação que todo te kriptonita a possibilidade de me responderes a doer. Não estarás simplesmente rígido no dogmatismo de não questionar praxis, mas simplesmente teorias e pronto?!

Nunca serias tu, já to disse, por isso mesmo aquele general nazi, bem formado na ética e nas humanidades, que heroicamente questionaria o seu Führer e lhe prepararia um atentado. Pelo contrário, analisarias todos os crimes e razões de insurgência com uma distância crítica de gestor distanciado do sangue, da dor com a legitimadora razão de Estado, com a hierarquia, com a bondade natural das chefias, sempre certas, sempre inquestionáveis, intocáveis.

Deve ser por isso, por essa inércia, que, vendo bem, nunca te malho, querendo tanto. Deve ser por isso que talvez te arrebente um dia agastado com o teu dogmatismo posicional de abstinente caracterizador de perfis e comportamentos humanos, como se não existissem e não agissem sobre cada um de nós indelevelmente.

:-(

joshua disse...

[Mais graves argumentos implícitos]:

Carta aberta

Carta Aberta do
Sindicato dos Inspectores da Educação e do Ensino ao

Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Educação

Senhor Secretário de Estado

Não pode deixar de nos preocupar – enquanto inspectores da carreira técnica superior de inspecção da educação – a notícia inserta na página 9 do "Público" de hoje, 11 de Novembro, com o título "Governo não avança para já com processos disciplinares a quem recusar avaliação" – a serem autênticas as declarações que a agência "Lusa" lhe atribui, Senhor Secretário de Estado, e que o jornal transcreve. "O ministério da Educação não fará nada para aplicar esses processos [disciplinares] neste momento", terá dito o Senhor. Mesmo que tenha dito apenas isto, é óbvio que o Senhor Secretário de Estado já disse demais. Ao dizê-lo, faz recair sobre os docentes, ao mesmo tempo, uma ameaça e uma chantagem – e infecta com um acriterioso critério de oportunidade um eventual desencadeamento da acção disciplinar. Como se lhes dissesse: «"neste momento" ainda não vos posso apanhar, mas não esperam pela demora...». Por que é que "neste momento" o Ministério não fará nada?... Porque entende que "neste momento" a acção não é oportuna. E pode a tutela reger-se, nesta matéria, por critérios de oportunidade?... A resposta é: sim, pode. E quais são eles? Bem, as coisas aqui complicam-se, porque a resposta fica eivada de uma fortíssima carga subjectiva, uma vez que, nesta matéria, não estão taxativamente definidos limites que impeçam um elevado grau de discricionariedade. Digamos que, no essencial, mais do que por condicionantes legais, são as condicionantes éticas que devem filtrar a oportunidade do recurso a critérios de oportunidade. E é neste domínio que devem ser apreciadas as suas declarações, Senhor Secretário de Estado. Mesmo na hipótese de comportamentos de docentes poderem configurar infracção dolosa da lei – nada impede que, por critérios de oportunidade ou outros, se decida não agir disciplinarmente sobre eles, agora ou em qualquer altura. A própria lei consagra essa possibilidade. Mas para tal os critérios têm de ser transparentes e publicitáveis, sob pena de – no caso ora em apreço – a oportunidade servir de biombo ao oportunismo e a discricionariedade servir para esconder a arbitrariedade. Em rigor, não estando nós dentro da sua cabeça, não sabemos por que é que o Senhor Secretário de Estado entende que este não é "o momento", mas algo nos diz que este seu juízo de valor se relaciona com o facto de no passado dia 8 terem estado na rua 120.000 professores em protesto contra o Ministério da Educação…Por outro lado, quando e se "o momento" surgir, quem vai fazer o quê? Vão os Senhores Presidentes dos Conselhos Executivos, ou os Senhores Directores Regionais da Educação, ou a Senhora Ministra da Educação, instaurar processos disciplinares às centenas ou aos milhares?... Vamos nós, os Inspectores da Inspecção-Geral da Educação, instruir processos disciplinares às centenas ou aos milhares?... Isto é: vamos tentar resolver(!) pela via da acção disciplinar problemas que possuem a sua raiz claramente fora dela – correndo o risco de instrumentalizar e governamentalizar a Inspecção, sem honra nem glória para nenhuma das partes implicadas e, no limite, com prejuízos para todas elas? Não se pode pedir aos Inspectores da Inspecção-Geral da Educação que retirem do lume as castanhas que outros lá colocaram. Basta de alimentar fantasmas que Professores e Inspectores, e mesmo algumas tutelas, há muito lutam para que desapareçam, particularmente desde o 25 de Abril de 1974! O Senhor Secretário de Estado provavelmente desconhece – e para que o conhecesse bastava que lesse Camões – que uma lei não é justa porque é lei, mas porque é justa, e que o que há de mais permanente na lei é a sua permanente mudança, e que mesmo esta já não muda como "soía", e que, se assim não fosse, o Código do saudoso Hamurabi continuaria em vigor; o Senhor Secretário de Estado, se alguma vez o soube, esqueceu tudo o que leu do sempre presente Henry David Thoreau e da sua "desobediência civil" O que há de doloroso em tudo isto – e ainda mais num Ministério da Educação – é que, no fundo, estamos confrontados com um problema de cultura, ou de falta dela. Perante isto, os critérios de oportunidade, ou as suas declarações, Senhor Secretário de Estado, ou a potencial instrumentalização e governamentalização da Inspecção – tornam-se, a prazo, questões irrelevantes. Mas temos também a obrigação de, no imediato, sabermos lidar com a circunstância, e de compreendermos a gravidade que ela assume. Não questionando a legitimidade dos governos no quadro do Estado de direito democrático, a verdade é que, exactamente por esse quadro, as Inspecções da Educação são inspecções do Estado e não do governo, e não podem deixar de funcionar sob o registo de autonomia legalmente consagrado. Citando aquele que foi o primeiro Inspector-Geral (da então Inspecção-Geral do Ensino), "a Inspecção, isto é, cada Inspector, está condenada/o a ser a consciência crítica do sistema". Entre nós, Inspectores de todas as inspecções da educação, costumamos dizer que, não raramente, andamos "de mal com os homens por amor d'el-rei e de mal com el-rei por amor dos homens". Uma exigência, Senhor Secretário de Estado: os Inspectores da educação querem ser parte da solução, não querem ser parte do problema. O Senhor Secretário de Estado e o Ministério da Educação – o que é que querem?...

Pel'A Direcção do S.I.E.E.

José Calçada


(Presidente)

Porto, Novembro, 11, 2008

Manuel Rocha disse...

Joshua,

Banho-me deliciado na tua torrente verbal ! Em redor chovem que nem picaretas os teus adjectivos corrosivos mas, meu Querido contendor, nem um que me atinge. E sabes porquê ? Porque falhas completamente o alvo ao julgar que é na retórica teorética e não na tentativa insistente de ganhar perspectiva em relação à praxis politica historicamente consolidada que eles se apoiam. Ora, se apoiado nessa tentativa de leitura eu tivesse de escolher um dos aspectos mais distintivos da actuação do actual governo, eu diria que parece ser a sua reiterada disponibilidade para iniciar e sustentar conflitos com os mais variados grupos de interesse e organizações profissionais, procurando remover, de forma explícita e deliberada, os interesses organizados e as corporações do processo de tomada das decisões políticas que os afectam e transferindo a "negociação" o mais cedo possível para a praça pública ou, pura e simplesmente, dispensando-a. É certo que cada conflito que assim surge terá as suas circunstâncias e implicações próprias, mas o carácter sistemático do fenómeno e daquelas que têm sido as suas consequências até ao momento sugerem algumas lições sobre os modos de actuação quer do governo quer dos grupos em causa, assim como sobre a forma como os interesses sociais organizados se relacionam com o poder político em Portugal.

Já se escreveu muitas vezes que um dos aspectos fundamentais na mudança ocorrida do autoritarismo para a democracia em países como Portugal ou Espanha foi a transição de um "corporativismo autoritário" para aquilo a que se veio a chamar o "neo-corporativismo". Apesar de, no nosso caso, se encontrar debilitado pelas divisões internas dos parceiros sociais e pela sua declinante representatividade, este modelo geral de relacionamento entre o estado e os interesses sociais permitiu, apesar de tudo, que se fossem emulando alguns aspectos das versões mais consolidadas deste sistema existentes no norte da Europa, em particular o estabelecimento de acordos entre governos, sindicatos e organizações patronais em matérias tão carecidas de compromissos estáveis como as políticas salariais, laborais e de segurança social.

Contudo, algo que tem sido frequentemente negligenciado é o facto de este corporativismo centralizado e trilateral coexistir com uma série de outros sub-sistemas de relações entre o poder político e os interesses organizados. Em muitos casos, tratam-se de sub-sistemas em que os interesses em causa são os de "insider groups", que dispõem de acesso directo ao poder político e estão até, por vezes, localizados no interior do próprio aparelho de estado. Ao longo das últimas décadas, estes grupos de interesse foram exercendo direitos formais e informais de participação na tomada de decisões políticas que os afectam, sendo eles quem, de facto, parece ter determinado a direcção de políticas públicas absolutamente centrais como a saúde, a justiça ou a educação.

Ao que parece, este governo deseja ser visto pela opinião pública como tendo colocado o combate a estes grupos de interesse no topo das suas prioridades. É uma estratégia com algumas vantagens. Em primeiro lugar, ela serve para enviar ao eleitorado a mensagem de que os "sacrifícios" que lhe vão sendo impostos afectam também os "privilegiados", favorecendo assim a aceitação geral de uma política económica que, noutras condições, já teria trazido maiores perdas de popularidade. Em segundo lugar, ela transfere os conflitos com estes grupos dos gabinetes onde eram normalmente resolvidos para um terreno muito mais favorável ao governo, a praça pública. Como se tem visto, quando expostos à luz dos holofotes, os representantes destes grupos revelam como é escasso o seu repertório de acção colectiva (que raramente tiveram de usar no passado) e como são ineptos no cumprimento de uma tarefa que os políticos desempenham com frequência e habilidade (mas que eles nunca tinham precisado de aprender): a de apresentar a defesa de interesses particulares como sendo também a defesa de interesses públicos. O resultado final é previsível. Em geral, a opinião pública só é favoravelmente influenciada pelas posições públicas tomadas por organizações cujas causas são potencialmente partilháveis por todos, tais como, por exemplo, as dos direitos humanos, o ambiente ou a segurança rodoviária; quando essas causas são construídas como "egoístas", o efeito que geram na opinião pública é, na maioria dos casos, de repulsa.

Sucede que esta estratégia não é isenta de riscos a mais longo prazo. Quando Margaret Thatcher chegou ao poder no Reino Unido, também ela sonhava com a possibilidade de estabelecer uma relação directa entre o poder político e o eleitorado, curto-circuitando o papel dos grupos de interesses na formulação das políticas públicas. Beneficiando de um grau de centralização da autoridade política inédito fora de períodos de guerra e com um partido aparentemente domesticado, Thatcher encarregou-se não apenas de destruir o poder dos sindicatos (coisa que Blair lhe agradece eternamente) mas também de enfrentar aquilo que ela - tal como a maioria dos britânicos - encarava como uma união perversa entre a burocracia estatal e os interesses particulares de professores, médicos, enfermeiros e outros.

O que se seguiu, contudo, foi a degradação geral da qualidade dos serviços públicos no Reino Unido, que terá jogado um papel não desprezível no declínio e fim do thatcherismo. Nuns casos, isso sucedeu porque a saída encontrada para os conflitos com os interesses instalados - a privatização - só serviu para substituir esses interesses por outros e, pelo caminho, para conduzir a desempenhos ainda piores. Noutros casos, porque só tarde demais se terá percebido de onde realmente provém o poder destes grupos profissionais e corporativos: do conhecimento especializado de que dispõem e do grau de autonomia inerente às funções que exercem. Independentemente das razões que tenham ou da falta delas, é isto que lhes permite neutralizar no terreno muitos dos efeitos desejados de quaisquer reformas decididas por qualquer governo, e é isto que exige que a sua colaboração seja, em última análise, necessária para o sucesso. Há uma linha que separa a indispensável demonstração de autoridade política por parte do governo da bravata improdutiva e demagógica. Mas é uma linha muito estreita, que , para benefício geral, talvez devesse ser atravessada com menor frequência. O que, de todo, não legitima que os interesses neo-corporativos instalados reajam como virgens ofendidas.

Portanto, meu Caro Joshua, é esta leitura da praxis politica consolidada que me leva a procurar e pedir argumentos de releitura fundados em razões que consigam ir além das legitimas emoções ou das simpatias ideológicas, e esperando, naturalmente, equivalente cuidado na sua estruturação. Se opto por esta via, não é por receio do conflito, pois tenho-o para meu uso como importante mecanismo do processo social desde que vivenciado com regras que evitem o bloqueio em impasses insanáveis. Mas simplesmente porque, ao contrário de muita gente, tenho dúvidas e engano-me com frequência. Só que, como tenho uma divida primordial para com a independência dos meus juízos, gosto de perceber porquê e detesto solenemente que tentem convencer-me do que quer que seja atirando-me aos olhos à laia de argumento a poeira levantada pelo estouro das boiadas unanimistas, sejam elas quais forem!

Continuamos amanhã ?:)

Aquele abraço bem sincero !

Tiago R Cardoso disse...

Cruz credo !!!

esta senhora ministra cansa-me, como me cansa a capacidade deste governo de recuar, mantendo sempre a mesma cara de pau, assim como se não se passa-se nada.

Carol disse...

Ui, isto esteve animado!

Damm e eu a dar explicações a alunos que têm professores que sumariam a matéria, mandam ler a explicação do Comparative e do Superlative e mandam fazer os exercícios referentes ao tema, borrifando-se para o facto dos putos não saberem sequer os graus doa adjectivos da sua língua e não perceberem um chavo do que o livro explica...

A Korrosiva, em poucas palavras, disse tudo...

Ferreira-Pinto disse...

MANUEL ROCHA, homem, assim é que é ... o amigo quando fala e escreve, é a sério.
Gostei dos ditos.

Lá o outro, o Fiolhais, acerta em quase todas mas tolda-se-lhe a visão na vertente neo-corporativa, como dizes.

JOSHUA, aparece lá com o quiseres ou sem nada, agora com essa coisa pestilenta é que não!
Desculpa ... não gosto.

joshua disse...

Tarantino, sendo assim acho que te vou levar um Porto Lágrima e um copy + paste prontinho em hermenêutica e relações interpessoais para complemento da tua formação em decurso, segundo creio. É uma ajuda e dada de boa mente

Há textos que levam meses a escrever não por serem extensos, mas por terem uma grelha complexa de tropos e relações a exigir muita exactidão e conferência. Há quem aparente urdi-los em três tempos, o que não deixa de impressionar... autênticos cromos.

Qualquer um pode copy + pastar o que quiser, mas levo-te uma gamela já fotocopiada, copiada e colada, por cortesia para te poupar às centenas de fotocópias da treta que provavelmente te exigirão para te avaliarem em burocratite.

Agora queijo? Fica descansadinho que te não molestarei com um Queijo da Serra. Da minha parte nunca verás nem paisagem nem fatia dele.

Adoa disse...

Portugal é um país de remendos. este será apenas mais um... ninguém dará por nada...

antonio - o implume disse...

Nunca fui fã de blogs colectivos, embora o Notas, em seu tempo, tenha constituído uma honrosa excepção. Isto antes de se ter transformado num autocarro da carris, hoje fazendo a carreira do 12, amanhã a do 7, hoje conduzido por sicrano, amanhã sabe-se lá por quem… mas perguntam-me então o que faço eu aqui?

Pois acontece que me sinto como um toureiro que após um garboso capotaço vê o touro refugiar-se entre tábuas, em terrenos que lhe são favoráveis. Não sou toureiro de ir desafiar o touro em terrenos que lhe pertencem, sou mais por uma chicuelina rasgada, aberta e generosa. Mas claro, que para isso conta (e em muito) a raça do animal.

O Guardião disse...

Há coisa com que concordo no texto: 1- que a Lurdinhas já não tem condições para o cargo, 2- que a sua demissão, em si mesma não contribui em nada para a Educação, 3- que não há insubstituíveis, e que o sangue novo numa classe é o melhor garante para o futuro, por juntar um novo espírito à experiência existente, 4- que nem todos merecem chegar ao topo, lugar para o qual é exigível qualidade e empenho.
Agora, tenho muitas dúvidas que os processos de avaliação que conheço, o SIADAP e o dos professores sejam minimamente justos e que tenham como finalidade premiar o desempenho. O que de pior pode existir, quando se introduz um qualquer processo de avaliação, é a desconfiança sobre os seus objectivos e sobre os avaliadores.
Bfds
Cumps

Compadre Alentejano disse...

Gostei do post e, ainda mais, dos comentários...
Estou convencido que Sócrates já deve ter oferecido uns patins à senhora ministra, para ela se ir habituando...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Embora chegue demasiado atrasado à discussão, sempre arrisco a dizer que concordo com o que escreve, mas não penso que MLR se tenah imolado. Creio que a mulher tem fibra e os recentes acontecimentos ( incluindo a entrevista da Judite) serão capitalizados a favor dela num futuro próximo.