O dia depois...

Agora que é oficial, podemos dizer que se fez História na América 145 anos depois de a "Emancipation Proclamation", assinada pelo Presidente Lincoln, ter posto um fim ao regime da escravatura. Nessa altura, como hoje, os Estados Unidos eram uma nação fracturada pela discriminação racial, pelas clivagens sociais que demarcam brancos e outras minorias étnicas, das quais a comunidade afro-americana é a mais visível e a mais historicamente segregada.

Finalmente, os destinos dos Estados Unidos serão controlados por alguém vindo das hostes afro-americanas.
Já era tempo de um Barack Obama.
Resta saber, o que o mesmo fará do momento histórico que ora lhe é dado.

Pessoalmente acho que se trata mais de uma questão simbólica do que de outra coisa. O que me interessa mais, realmente, é que com o Partido Democrata na presidência, a diplomacia voltará à agenda do dia.
Longe vão os tempos do "Road Map" para a paz que o Presidente Clinton arbitrava e negociava entre Israel e a Palestina.
Esperemos que os dias desta super-musculada diplomacia da era Bush entrem em recessão. Mas, a meu ver, esperemos que haja a lucidez para perceber que não se pode abandonar o conflito no Iraque só porque o Irão e o Afeganistão são os próximos alvos e porque se chegou, brilhantemente, à conclusão óbvia para quem queria ver, que a invasão do Iraque não teve justificações cabais e consolidadas em provas verificáveis.

Ademais, com o Partido Democrata na Casa Branca, esperam-se medidas governativas que sejam mais actuantes a nível federal. Certo que os americanos olham para o governo como "a necessary evil", ao inverso de uma visão europeizada de "public good", mas o Partido Democrata concentra-se em questões fulcrais a nível federal como a saúde e a educação.

E, nesta época crítica de crises financeiras e imobiliárias, talvez o enfoque mais centralista dos democratas seja a melhor via para fazer a nação dar o passo de saída da crise.
Mas, enfim, aqui deste outro lado do oceano Atlântico, importa-nos mesmo é que a economia norte-americana recupere a saúde e interessa-nos o novo posicionamento que a presidência eleita certamente terá a nível de política externa, os assuntos que, de mais perto, nos interessam porque nos afectam.

Seja como for, finalmente escreve-se um novo e inaudito capítulo na História norte-americana e, dado a hegemonia globalizante dos Estados Unidos, também na História universal.
Sobre Obama o grande peso do simbolismo, dos momentos de charneira, da História.
Hopefully he can!

32 comentarios:

João Castanhinha disse...

Como é que de alguém que ainda não fez nada se espera tanto?!?!
Que raio de paranóia colectiva, parece que anda tudo hipnotizado, os filhos dos meus filhos logo dirão se ele entra para a história ou não...
Estamos mesmo necessitados de lideres, a nossa ultima desgraça!

osátiro disse...

Não sei se estará à altura.
Criou uma onda de expectativas tão grande que pode desiludir muita gente.
E, quanto à economia, o Partido Democrata é, por natureza, proteccionista, o que não ajuda as economias que exportam para os USA, como a UE, China, japão, South Korea, enfim quase toda agente.
A reacção dos mercados USA foi negativa; as propostas económicas de Obama são confusas, contraditórias até.
O facto de haver uma reunião de 20 países dia 15 pf sob a Presidência W.Bush é significativo: dá a entender que o plano Paulson é mais confiável do que os planos Obama.
Doutro modo, esses 19 países não aceitavam reunir com uma administração USA que está de saída.

Ferreira-Pinto disse...

Sistema de Saúde
Reduzir os custos na saúde através da modernização do sistema de saúde
Economia
Intensificar relações exteriores de modo a fortalecer e economia americana e a criar mais postos de trabalho

Promover a criação de sindicatos

Criar um sistema que permita dar a conhecer a todos os consumidores os riscos que correm ao adquirir cartões de crédito

Duplicar fundos para ajudar as famílias no que diz respeito a despesas com crianças e para incentivar a horários de trabalho mais flexíveis

Idosos
Proteger a Segurança Social

Aumentar as reformas

Eliminar impostos para idosos que recebam menos de 50.000dólares/ano

Prevenir a descriminação

Criar planos de saúde em conta

Educação

Educação para todos

Diminuir custos da educação

Diminuir taxas de desistência escolar

Energia

Reduzir emissões de carbono

Investir num futuro de energia limpa

Apostar em energias renováveis

Desenvolver tecnologias de limpeza de carvão

Investir em biocombustíveis

Melhorar a eficiência energética

Finanças

Tornar o sistema de impostos mais justo e mais eficiente

Agricultura

Assegurar oportunidades económicas para famílias de agricultores

Apoiar o crescimento económico rural

Melhorar a qualidade de vida do meio rural

Mulheres

Igualdade de salários

Subsídios de doença

Acabar com a violência contra as mulheres

Imigração

Criar fronteiras seguras

Melhorar o sistema de imigração

Remover incentivos à entrada ilegal no país

Dar oportunidades aos imigrantes ilegais que já vivam no país

Pobreza

Facilitar o acesso a empregos

Criar emprego pago para todos

Acabar com a pobreza concentrada

Direitos humanos

Combater a discriminação laboral

Intensificar a legislação e combate ao crime

Acabar com fraudes em eleições

Reintegrar ex-reclusos na sociedade

Políticas estrangeiras

Trazer as tropas para casa

Pressionar os líderes iraquianos a aceitar a reconciliação

Alcançar a diplomacia regional

Apostar em iniciativas humanitárias


São estes, em suma, e em traços gerais, os pontos programáticos principais do programa da nova Administração americana.
Por aqui, e sem escalpelizar, se vê a enormidade daquilo a que o próprio Obama se propôs e da relativa volatilidade de algumas premissas do seu ideário.

Contudo, e recentrando o comentário, não se pode deixar de evidenciar que, de facto, se fez História nos EUA com a eleição do primeiro (o politicamente correcto obriga a isso) afro-americano.

Quanto à reunião referida por O SÁTIRO importaria referir que a mesma já há muito estava agendada e que George W. Bush, conforme é hábito nos EUA com todas as administrações, estará a colaborar com Barack Obama.

Peter disse...

Foi um privilégio ter vivido o acontecimento.

We will see...

lusitano disse...

Num mundo tão cinzento e em que as pessoas andam tão fechadas em si mesmas, uma réstea de esperança é uma lufada de ar fresco.

João Castanhinha disse...

Caro Ferreira, isso é o programa perfeito, para a altura perfeita, no país perfeito, espectáculo!

O único problema é que não é o nosso europeu programa, vivemos o momento como se de nós, intelectualizoídes esclarecidos europeus se tratasse, somos tão clarividentes que nem da nossa velha europa nos preocupamos, tou farto de tanta publicidade e do tal "politicamente correcto", se quer que eu seja franco, sou de uma géração que não é a do pai tomás, quero lá saber se o homem é branco, ás corezinhas ou preto, o que sinto mesmo é uma grande vergonha por ver um povo acorrer massivamente ás urnas enquanto nós que deles tanto (agora) gostamos ficamos em casa a ver esta velha Europa a afundar, e ninguém (para) a reparar.

Venha lá o Obama, fixe, que contente que fico.

Manuel Rocha disse...

Vejo que por a aqui se aprecia cinema "made in Hollywood". A realização é sempre bem mais dinâmica, concordo, com grandes linhas de diálogo de grande alcance, daquelas de fazer chorar as pedras das calçadas, e efeitos especiais de primeira água. Os argumentos é que enfim. Mas ainda bem que há gostos para tudo ou o Arnold não tinha chegado onde está.
Quanto aos próximos episódios desta nova série do "24" que se anuncia, aprecio a excitação. Parece que lá para as vizinhaças de Washington as coisas tb andam animadas com a troca de republicanos por democratas nas cadeiras das corporações de lobistas instirucionais. Segunda feira já deve estar tudo pronto para o regresso ao business as usual. Como diria o outro, the show must go on. E do que vi até agora, curti ! Ya ! Bué da fixe !



;)

Ferreira-Pinto disse...

JOÃO CASTANHINHA compreenderá o meu amigo que ao ter repisado o conteúdo programático do "preacher" Obama, apenas quis mostrar o porquê das minhas públicas reticências m relação ao homem ...

No mais, também acho que por aqui já várias vezes repisei (assim como noutros locais) e comigo alguns dos que aqui nos acompanham, que nos devíamos preocupar mais com o que temos dentro de portas.
Por exemplo, o amigo quer lá saber do Pai Tomás e eu acompanho-o pois farto de ver por aí que dizer "preto" é ser racista e então um tipo só pode dizer "afro-americano", assim como saber que se for a um país islâmico com a minha mulher ela tem de se portar na ordem e moral que os "barbudos" exigem, enquanto aqui os "gajos" querem que eu, e você, nos comportemos como se os gajos estivessem em casa deles!

Quanto à Europa, venha um tipo que os tenha no sítio e avance com a Federação.

Ferreira-Pinto disse...

MANUEL ROCHA antes de Hollywood do que Bollywood!

João Castanhinha disse...

Claro caro Ferreira, percebi, Sei que existem ainda uns resistentes ao transe;)

Abraço,

Blondewithaphd disse...

Ó Quinn e João, a coisa está animada:)

Ferreira-Pinto disse...

BLONDEWITHApH, moça ... nós na ausência temporária da autora do escrito, resolvemos animar a coisa :)

Manuel Rocha disse...

È ! A moça toca e foge ! Eu bem que a "pico" mas ela nega-se !

:)))

bluegift disse...

Blonde, Amiga, a tua última frase diz tudo (que mania esta, dos homens sempre a complicarem tudo...) :

"Sobre Obama o grande peso do simbolismo, dos momentos de charneira, da História.
Hopefully he can!"


A História está de parabéns!

beijos

Ferreira-Pinto disse...

MANUEL ROCHA aquilo, às tantas, é estratégia aprendida com os grandes génios militares ou então é mesmo lançar a confusão e ficar a ver! :)

Olha, olha ... e agora até a menina BLUEGIFT entra na liça a provocar ... está bem, está!

António de Almeida disse...

-As expectativas geradas são tantas, contraditórias entre si, e de grupos extremamente tão diferentes, contraditórios que vão dos rednecks, até alguns da cúpula do ex KKK, à extrema esquerda, que será impossivel agradar a todos. Obviamente que os extremismos serão os primeiros a ficar pelo caminho, ao que tudo indica o Secretário da defesa de W.Bush R. Gates será convidado a continuar no cargo, o que indiciará desde logo que não existirão alterações bruscas na política militar, quer no Iraque, quer no Afeganistão, onde será previsivel um reforço da presença militar à medida que será diminuido o esforço no Iraque. A meu ver não existirá viragem à esquerda no plano interno, Bill Clinton cometeu esse erro em 92 e perdeu Senado e Congresso em 94, com a actual crise financeira que não se resolve de imediato, uma tal viragem poderia significar um revés eleitoral daqui a 2 anos. Mas a constituição da equipa daqui a umas semanas já mos poderá dar uma indicação mais precisa do caminho que será seguido, até lá é tudo suposição.

Blondewithaphd disse...

Ó Manel, toca e foge? Tu assume lá o que queres que eu escrevo!:)

Blondewithaphd disse...

Bigadas Blue, que tão fugida andas!

Carol disse...

Sim, fez-se história mas, e depois? O que vem aí é que interessa e, nesse aspecto, Obama não me parece que vá fazer a diferença...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Ontem, começou apenas a escrever-se uma página da História. É demasiado cedo para ter ilusões e entrar em euforia. Quem pensar que o racismo nos EUA ( e no mundo) acabou ontem por força da eleiçãode Obama, está muito enganado!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Ontem, começou apenas a escrever-se uma página da História. É demasiado cedo para ter ilusões e entrar em euforia. Quem pensar que o racismo nos EUA ( e no mundo) acabou ontem por força da eleiçãode Obama, está muito enganado!

indomável disse...

Blondie,

Já por várias vezes neste oceano virtual a que damos o nome de blogosfera, tenho dito que Obama seria o meu candidato caso fosse norte americana, mais por falta de alternativas que por vera crença.
Mas... e este mas é enorme... esta eleição deixou-me um amargo de boca, ficou-me aquela sensação dos filmes da disney e dos contos de fadas que acabam sempre com um... "e foram felizes para sempre..." sendo que, para sempre é muito tempo e não se fica a saber se discutiram, se tiveram muitos filhos, se o dinheiro chagava sempre até ao fim do mês, se o castelo tinha as canalizações todas em condições ou se o carteiro ia vezes demais lá à porta...

Este para sempre que começa hoje, é que vai dizer se a campanha de conto de fadas não vira abóbora mais cedo que o que disse a fada!

Devo confessar que Obama me deixou sempre apreensiva, precisamente pelo simbolismo que transporta - é negro (ou afro-americano como muito bem referiu o Quint), veio de uma familia humilde e viveu a pobreza por dentro, andou em escolas públicas e não tem antecedentes políticos na família. E agora a touchstone mais importante, o senhor é dos melhores oradores que vi desde Martin Luther King, o que pode ser um pau de dois bicos - é um idealista com pouca perspectiva da realidade, e todos sabemos que castelos de areia depressa caem, ou então vai realmente mudar radicalmente a diplomacia norte-americana e procurar conjugar os esforços necessários para unificar as políticas e economias globais. Obama pode revelar-se um excelente conciliador, tem o charme, o patuá para isso, é bem aceite por toda a simbologia que gira á sua volta...

Mas é como digo e não consigo tirar este bicho detrás da orelha, um país tão governado por lobbies como aquele, aceitará de bom grado mudanças como a criação de um sistema de segurança social, criação de um sistema de educação para todos, impostos mais justos?

Haverá por aí um Nostradamus que me diga já?

indomável disse...

e já agora só mais uma coisinha...
para quem defende que deveriamos centrar-nos mais em assuntos cá do burgo e deixar as americanices para os americanos...

Meus senhores, sim, é convosco que estou a falar e não adianta olharem para o lado a assobiar...
caso não tenham reparado, ultimamente o mundo tem vivido em suspense. aliás, desde Setembro último não se tem feito outra coisa que não seja viver em suspenso destas eleições.
Mesmo que queiram chamar-me de suburbana, pacóvia ou comercialoide, por me sujeitar às noticias do outro lado do mundo, digo-vos que talvez fosse bom olharem para estas eleições com outros olhos. portugal faz parte de um universo federativo, embora com outro nome, que é o da União europeia. A UE tem estado à espera destas eleições para dar a volta à crise económica e financeira. Todas as políticas de defesa de Estados parceiros da NATO têm estado pendentes destas eleições, retiradas de tropas do Iraque pelos países com militares no terreno estão pendentes destas eleições...
Não sou eu que sou pacóvia ou provinciana, são os EUA que impuseram a sua presença em todo o mundo e com Bush essa presença tornou-se um pesadelo para toda a gente.
Estas eleições foram sobretudo um suspirar de alívio por aquele senhor ser pontapeado de lá para fora e para os Europeus, pelo reconhecimento de que o povo norte-americano finalmente ter acordado da falha de inteligência de há 4 anos atrás...
Aleluia!

Ferreira-Pinto disse...

INDOMÁVEL como diria o outro lá no filme ... "are you talking to me?"

Eu sou um dos que acha que não desvalorizando e desconsiderando o peso dos EUA no Mundo e, consequentemente, o interesse que a eleição do novel presidente poderia ter (e tem), que devíamos canalizar as energias que dispendemos (enquanto opinião pública) para o Obama, o McCain, os Democratas e os Republicanos para assuntos que nos tocam também a nós.

Por exemplo, para as próximas eleições europeias; para as sequelas do Tratado de Lisboa; para o que vai fazer a União Europeia quanto aos pedidos cada vez mais insistentes da Turquia de entrar; porque não exigimos que a corrupção que grassa na Bulgária e na Roménia alimentada por fundos comunitários deixe de ter essa fonte de alimentação ...

Manuel Rocha disse...

Posso assinar por baixo Quim ?

Touché, Indy ! Mas assumidamente !

:)))

indomável disse...

Ò Manuel,

Não seja tão rápido a gritar vitória just yet!

Eu nunca disse que não nos deviamos centrar nos assuntos internos, o que eu disse foi que não nos podiamos delisgar do assunto das eleições norte americanas porque o mundo inteiro estava suspenso delas e não apenas portugal.

Se querem mesmo saber, só por curiosidade mórbida de tirar a limpo a história de em portugal sermos mais papistas que o papa e fazermos da actualidade norte-americana a nossa própria, decidi fazer um passeio pelas televisões do mundo, com uma coisinha a que as mulheres chamam controlo remoto e os homens gostam de chamar "meu amor".... eheheh, agora senti-me um bocadinho ácida... (não levem a mal, isto de ter 3 homens em casa tem destas acidulezas).

Mas voltemos À vaca fria, dizia eu que resolvi fazer o tão chamado zapping. Estava convicta de que iria comprovar que nós por cá somos uns provincianos e que no resto do mundo as vidas nos jornais deveriam ser todas À volta de assuntos internos dos próprios países e que assim se via como somos um povo de gente retrógrada e submissa ao poder do tio Sam e coiso e tal e... qual não é o meu espanto quando depois de mais de meia hora de busca incessante por tudo o que era canal estrangeiro, me deparei com uma realidade muito diferente... em todo o mundo o assunto era tão só e completamente as eleições norte-americanas. Na nossa vizinha TVE até houve direito a um ex primeiro ministro comentarista e pelos vistos também adivinho, que debitava acerca do futuro reinado de sua excelência o rei Baltazar, ai, perdão, o presidente Obama!

Por isso senhores, quando apelais ao bom senso doméstico, ao retorno À discussão de assuntos vitais para o nosso burgo, recordai-vos que os provincianos e retrógrados sois vós, pois que gente progressista só fala do novo imperador do mundo, que isso de falar de coisas do umbigo é de gente que não pensa nem vê
mais longe...
.
(já agora aproveito para esclarecer aquilo que palavras sem rosto não são capazes de fazer - o meu comentário anterior era de teor sarcástico e irónico. Mas verdade seja dita, nada do que lá escrevi era menos verdadeiro por ser de tal tom... só que o facto de eu acreditar que já enjoa tanta atenção prestada a assuntos que não nos vão dar resposta aos problemas domésticos, altera completamente o teor do comentário!)

Ferreira-Pinto disse...

Olha, e agora que faço?
Eu escrevinhei ali umas coisas, mas a INDOMÁVEL a mim nada, embora se atire ao Manuel.

Mas como ali pelo meio sai um recordai-vos que provincianos e retrógrados sois vós, já nem sei se a coisa é sarcástica, à bruta, para mim ou para ninguém!

De qualquer modo, permito-me recordar e repisar que nunca nnguém disse que não se devia dar atenção à eleição do novel presidente dos EUA, antes que a mesma devia ser na justa proporção do que dali nos poderá tocar e sabendo antemão que a eles pouco lhes importa o que a Velha Europa quer; depois que se não é menos verdade que os tais canais de referência andaram todos em torno de tão empolgante eleição, não menos certo é que amanhã vão todos a correr atrás duns McCann quaisquer ... e por aí fora!

Agora, lá isso dos retrógrados e provincianos ... ainda cá estou pasmado como Jacinto que vindo da Cidade Luz topou que afinal também nas faldas das serranias durienses havia vida!

joshua disse...

Gostava de sentir que o homem sobrevivia à ousadia.

indomável disse...

AHAHAH!

Ó Quin ou Ferreira-Pinto seja, essa agora foi de se lhe tirar o chapéu, pelo que aproveito para me curvar humildemente e acenar com o gorro.

Eu também de retratar-me humildemente, entre parênteses por sinal, do ataque levado a cabo aos dois comentadores. Porque eu fui uma das que aqui no meu cantinho andei a gritar aos quatro ventos que não se admitia que em jornais, televisões e outros media afins, se não fizesse mais nada que dar projecção e tempo de antena a políticos do outro lado do oceano, que já bem bastava termos de aturar a porcaria nacional ainda tinhamos de aguentar com a dos outros e etc e tal...
Ora serviram os meus comentários para criar uma onda de antipatia geral aqui no mundo real, porque todos queriam falar, onde quer que fosse, até no raio da cabeleireira, do preto que agora é presidente (e estas não são palavras minhas, até porque o senhor é mais café com leite...).
E era um nunca acabar de, "olha lá tu que até estudaste política internacional o que é que achas disto" e "olha lá, tu que até percebes destas coisas, achas que o homem é certo para o lugar" e as minhas repostas a fugir para o "vão para o raio que vos parta , eu quero lá saber do que é que o homem vai fazer, eu quero é saber que não sou aumentada há dois anos a propósito da crise e se falo muito ainda vou para o meio da rua com o aval do governo!"
E que não, que sou uma inculta e devia ter vergonha, que tinha mais é que perceber que os EUA são a maior potência mundial e que mais tarde ou mais cedo o que lá acontece vai-nos tocar a nós e blá blá blá...

Agora digam-me lá, com tais invectivas, que mais queriam que eu dissesse? Acabei por sucumbir à pressão da maioria!

Ferreira-Pinto disse...

INDOMÁVEL seja Quin, pois então!
Afinal, após breve interregno, cá estamos novamente a terçar armas argumentativas, opinativas e afins.

Fico satisfeito por saber que a minha cara amiga frequenta cabeleireira onde, valha-nos ao menos isso, não se circunscrevem as conversas às agruras do dia-a-dia, da cara infeliz da pobre do Quinto Esquerdo, dos implantes da do 1º Centro e afins ...

Aqui entre nós, eu ao que tenho lido à amiga tenho para mim que deve haver aí engano no epíteto de inculta. E se não, olhe ... encha-se de coragem e mande um sonoro "vá bardam ..." na cara de semnelhante valdevina que assim a desconsidera!

João Castanhinha disse...

E só para terminar,

Chateia-me que quem anda para ai a cantar aos quatro ventos que bom é a vitória do Senhor não fale também sobre a construção Europeia, sobre a necessidade urgente e nos últimos anos constatada de acelerar o processo comunitário de politicas comuns especialmente de defesa e política externa no seio da União gorda, abarrigada de Estados e que cada vez mais não serve para nada, o bicho comeu-se a si mesmo, está gordo imóvel e não consegue dar um passo sem realizar duas reuniões, três concelhos de ministros e outras tantas reuniões para pedir autorização ao outro pé para andar.

Sabem mesmo o que eu queria?


Que não estivéssemos a mandar bitáites sobre o Obama, que não estivéssemos a falar sobre as relações de amizade do Sarkozy e da Merkel, que não estivéssemos a mudar todos os quinze dias de Bruxelas para Estrasburgo mas sim que estivéssemos com forças de intervenções autónomas, não dependentes dos EUA no Congo a evitar mais um genocídio, que não tivéssemos 8 anos à espera de um senhor Presidente que no seu DIREITO e mandatado pelos seus cidadãos não quis interferir no Sudão, que não quis dar (e pagar) mais poderes á ONU para fiscalizar e punir as atrocidades que se fazem por ai, queria uma Europa forte, com uma politica de facto comum e interventiva, que não estivesse à espera do Senhor Salvador para resolver as Bósnias, os Kosovos e as Georgias, questões nossas vizinhas e onde nem aí podemos tocar.


Não, o que interessa é o que se passa no lado de lá, nós vamos continuar a engordar, a engordar de Estados, de normativas absurdas que em nada ajudam á construção europeia da união na diferença, não, vamos seguir o que se passa do lado de lá a babar, umas vezes de medo outras de esperança como agora mas vai ser só por mais oito anos, daqui por uma década voltamos a falar.

Dalaila disse...

Quem achar que esta vitória não é mudar o ritmo e o rumo demuitos acontecimentos, não percebeu nada. Fez-se mesmo história